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Arquidiocese Ortodoxa de Buenos Aires e Exarcado da América do Sul
 
 
 

Mensagem por ocasião do NATAL de 2008
de S. Eminência Revma. Dom TARASIOS,
Arcebispo Metropolitano de Buenos Aires,
Primaz e Exarca da América do Sul

Prot. Nº 1283

Meu precioso rebanho espiritual:
que a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo,
nascido em Belém, nascido em nós, seja com todos vós.

«Vimos Sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo». (Mt 2, 2).

udo «começou» em 15 de novembro, com o inicio da Santa Quaresma do Advento.  E hoje, vimos o «final» de nossa viagem espiritual, a Natividade de Cristo, que para alguns pode parecer um «inicio», o nascimento de um ser humano, Jesus, o Cristo.  Não obstante, para a Igreja, o evento de Seu nascimento é atualmente um meio para um fim, através do qual todos nós podemos celebrar «nosso» inicio, nosso renascimento e salvação n’Ele.

Alguns de vocês estarão na Igreja glorificando ao Deus Encarnado e celebrando este grande evento em família.  Outros viajarão para passar estes dias de uma maneira simples e privada.  Ainda assim, durante o decorrer do dia da celebração da Natividade, seria bom e certamente apropriado para todos meditar o tema da peregrinação, algo vital de nossa Fé Ortodoxa: nosso caminho para Deus.

O Cristianismo Ortodoxo nunca enfoca exclusivamente o acontecimento, o momento.  Na Natividade de Cristo, não se celebra seu aniversário, mas celebramos  seu nascimento em nós e a vida que compartilhamos com Ele hoje e a partir do dia de nossa salvação.  Nossa fé é um processo, um movimento, uma viagem, que chega até nossa união com Cristo. Chamamos esta união «théosis», ou divinização: a nossa decisão de receber a imagem de Deus em nós mesmos e criar nela a semelhança de Deus.

Nesta peregrinação até a «theosis», nunca viajamos sozinhos.  Alguém sempre nos acompanha.  E isso é o que significa a Natividade de Cristo.  É a viagem de Deus até a humanidade, e a nossa resposta, nossa decisão de encontrá-Lo, conhecê-Lo e unirmo-nos a Ele. 

Χριστός Γεννᾶται δοξάσατε, Χριστός ἐξ oὐρανῶν ἀπαντήσατε!

Cristo nasceu, glorifiquemo-Lo!  Cristo vem dos Céus, recebemo-Lo!

Prestemos nossa atenção ao ícone da Natividade. É um quadro familiar: o Cristo e a Theotokos, sua mãe; José, o Noivo, que de um ângulo contempla o que está se passando; os três Reis, vindos do Oriente com seus preciosos presentes; os pastores, as vacas e ovelhas; o coro da multidão de anjos; o sol, a lua, as estrelas e, brilhando, uma estrela em particular. De fato, alí está presente toda a criação de Deus, toda a ecumene.

Porém, além da cena das narrações evangélicas de Mateus e de Lucas, o ícone exibe a perfeição de quatro viagens específicas: primeiro, a chegada de Maria e José à Belém, vindos de Nazaré; segundo, a visita dos Reis Magos, vindos do Oriente; terceiro, os pastores seguindo as alegres notícias dos anjos; e, por último, a «chegada», a vinda de Cristo e a Encarnação de Deus.  

Maria e José, humildes em pobreza, porém, obedientes em tudo, até mesmo ao chamado do censo Romano, viajaram de Nazaré até Belém para o recenseamento. Podem vocês imaginar isso? A Theotokos, a Mãe de Deus, viajando para um lugar distante de onde morava, para dar à luz seu filho numa estrebaria, entre as vacas e os cavalos?  Ela também estava à caminho, em viagem.  

Levado do Oriente por uma estrela excepcionalmente brilhante, deixaram seus lugares e família e começaram a transitar por um caminho para encontrar o Messias em Belém.  «Quando chegaram ao lugar, viram o menino com Maria, sua mãe; e, prostrando-se O adoraram. Abriram seus cofres e lhe presentearam com ouro, incenso e mirra» (Mt 2,11).

Os pobres pastores, levados pelos anjos, não tinham nada de valor material para oferecer a Nosso Senhor.  Deram-lhe, porém, duas coisas muito importantes: a sua resposta, indo ao seu encontro, e o seu louvor de adoração.  Seus presentes não eram assim tão pequenos para um menino nascido num presépio e, neste dia, comemoramos seus testemunhos no nascimento de Nosso Salvador.

E a viagem final?

O Filho de Deus se fez homem para permitir ao homens serem filhos de Deus.  Porém, inclusive esta grande viagem de Cristo, do céu até a terra, sua kenosis divina, seu auto-esvaziamento, era apenas e somente o começo.  A promessa de Nosso Senhor a nós nesta e em cada Natividade é um mundo renovado: uma viagem que começou com seu nascimento, foi glorificada em sua ressurreição, e seu fim na conversão de nossos corações e mentes com a Graça do Espírito Santo.

Quantas vezes ouvimos pessoas dizerem em suas frustrações: por quê?  Pois, como cristãos, nós devemos compreender que somos nós o «porquê». Somos Nós a razão pela qual Deus se fez homem. Somos Nós o presente «sob a árvore». Deus nos deu o seu Filho Unigênito para que nós não pereçemos, mas para que vivamos!

Com estas palavras, algo muda em nossas vidas.  Teremos que «ver» Sua estrela; teremos que «segui-Lo» até que encontremos Cristo em nós e O adoremos no interior de nosso ser.  No mesmo ar que respiramos, na atmosfera da vida da Igreja, é como se víssemos de muito longe a primeira luz da maior alegria possível – a vinda de Deus em Seu mundo! Deus Emmanuel! Deus Conosco!

CRISTO NASCEU, GLORIFIQUEMO-LO!

Da Sé Arquidiocesana, em Buenos Aires, Natal de 2008

O METROPOLITA
T A R A S I O S
Arcebispo de Buenos Aires
Primaz e Exarca da América do Sul

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