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Arquidiocese Ortodoxa de Buenos Aires e Exarcado da América do Sul
 
 
 

HOMILIA de Sua Eminência Revma. Dom TARASIOS, Arcebispo Metropolitano de Buenos Aires
Primaz e Exarca da América do Sul
Sobre o NASCIMENTO NA CARNE DE NOSSO SENHOR, DEUS E SALVADOR, JESUS CRISTO
24-25 de Dezembro de 2008

«Alegremo-nos e regozijemo-nos, queridos. Pois, se João, do útero de sua mãe, regozijou-se ao ver Maria vir ao encontro de Isabel, nós que, não contemplamos somente Maria, mas o próprio Salvador nascido, devemos saltar, alegrar, maravilhar e nos surpreender ante a magnitude da Economia que transcende toda a mente» [1]

O nascimento na carne de Nosso Senhor Jesus Cristo anuncia o alvorecer de um novo tempo, no drama humano rumo à perfeição. Com efeito, uma Pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo eterno do Pai, toma da Virgem Maria a carne, a fim de, associando-a à sua natureza divina por meio da união hipostática, purificá-la, santificá-la e aperfeiçoá-la e, assim, conceder ao homem a possibilidade da deificação, -- a possibilidade de sua deificação – ou seja, a possibilidade de fazer-se deus por graça: Sim, escutaram bem: deus por graça!  É por isso que Santo Atanásio exclama:

No seio da Virgem, se construiu um templo, ou seja, seu corpo, e o fez seu próprio instrumento, no qual haveria de dar-se a conhecer e habitar; deste modo, tendo tomado um corpo semelhante ao de qualquer um de nós, já que estávamos todos sujeitos à corrupção da morte, o entregou à morte por todos, oferecendo-se ao Pai com um amor sem limites; assim, ao morrer, em sua pessoa, todos os homens, deixou de vigorar a lei da corrupção que atingia a todos, já que, no corpo do Senhor, toda a eficácia da morte foi esgotada e, assim já não lhe restou força alguma para atingir aos demais homens a Ele semelhantes; com isso, fez também de novo incorruptíveis aos que haviam caído na corrupção, e os chamou da morte para a vida, consumindo totalmente neles a morte, com o corpo que havia assumido, e com o poder de sua ressurreição, do mesmo modo como a palha é consumida pelo fogo». [2]

Com efeito, o Verbo de Deus, encarnando-se, reveste-se da natureza humana caída e, em sua morte anula a maldição da lei da corrupção e da morte que havia aprisionado ao gênero humano. Toda a criação se regenera conjuntamente com a raça humana. É por isso que a encarnação do Verbo tem dimenões cósmicas.  Deus toma a carne, se humaniza a fim de que o homem e a criação se divinizem.

Não era possível que a criação de Deus permanecesse limitada, isolada e subjugada pelo poder da corrupção e da morte como conseqüência do pecado original. Deus jamais deixaria perecer sua criação, pois, o que move a criação é o amor, o mesmo amor que leva Deus Triúno a redimir o gênero humano através da encarnação, morte e ressurreição do Theántropo Cristo.

Conseqüentemente, devia Deus atuar de acordo com o arcano e misterioso desígnio de sua economia. É por isso que o Verbo de Deus se encarna, Ele, pelo qual todas as coisas foram criadas. O mesmo arquétipo criador é o que se converte em arquétipo redentor e, por isso, necessariamente, o que aperfeiçoa.  

A encarnação do Verbo é, pois, um resgate da condição do homem, e Deus paga esse resgate com o sangue de seu próprio Filho Unigênito. Pois...

... «de tal modo Deus amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, a fim de que todo aquele que n’Ele creia não pereça, mas tenha a vida eterna..» [3]

Esse amor extremo que se traduz na pessoa de Jesus Cristo em entrega absoluta, humilde presépio, sacrifício até a morte, dor de cruz, sepulcro solitário, é o amor ao qual estamos chamados, como cristãos, a seguir, o amor incondicional; este é o parâmetro de perfeição pelo qual seremos julgados.

«Sede perfeitos como meu Pai celestial é perfeito». [4]

A Natividade é a festa da alegria, pois «Deus está conosco». É a alegria da alma, pois agora temos a plena segurança de que podemos transcender a morte e a corrupção; de que o Verbo eterno se fez um de nós na carne, e compartilhou da nossa dor, é nosso advogado ante o Pai, e nosso irmão na humanidade; de que estamos chamados a ser perfeitos através da prática do amor misericordioso; de que o reino do demônio foi vencido para sempre; de que o domínio do Rei dos reis foi implantado para todo o sempre e fomos elevados ao céu e constituídos herdeiros da Vida depois da vida.

A Natividade é a festa da esperança,

«porque, tal é a razão pela qual o Verbo se fez homem, e o Filho de Deus, Filho do homem: para que o homem, ao entrar em comunhão com o Verbo, e ao receber assim a filiação divina, se convertesse em  filho de Deus» [5]

E, mais, ainda... 

...«porque o Filho de Deus se fez homem para fazer-nos Deus». [6]

Esta realidade nos leva a esperar: a esperar continuamente em Deus, porém agora também em nós mesmos, pois, o dom se converte em eleição e responsabilidade. Então, sejamos Deus! Deus o Verbo, Deus em verbo. 

Com estas breves reflexões invocamos sobre todos vós a Graça do Verbo encarnado em Belém, e vos desejamos paz interior, alegria, regozijo espiritual, esperança, reconciliação, na firme convicção de que, se Deus é Emmanuel, e Emmanuel significa «Deus conosco», e se nós somos Deus, então Deus está em nós, porque somos um com Deus, agora e para sempre.  Amém.


Notas:

[1] Johannes Chrysostomus, In Diem Natalem, TLG Vol 49, pag 351.

[2] Atanasius Theologus Alexandrinus, De Incarnatione Verbi, TLG, 8.3, 8.4.

[3] Jo 3, 16.

[4] Mt 5, 48.

[5] Ireneus, haer., 3, 19, 1.

[6] Atanasius Theologus Alexandrinus, De Incarnatione Verbi, TLG, 54,3.

 

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