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Arquidiocese Ortodoxa de Buenos Aires e Exarcado da América do Sul
 
 
 

Encíclica de S. Eminência Revma.
Dom TARASIOS,
Arcebispo Metropolitano de Buenos Aires,
Primaz e Exarca da América do Sul
por ocasião do NATAL de 2009

Prot. Nº 1460

† TARASIOS, pela Graça de Deus,
Arcebispo Metropolitano da Sacra Arquidiocese de Buenos Aires,
Primaz e Exarca da América do Sul

A toda a grei de nossa eparquia:

A Graça, a misericórdia e a paz de Cristo Salvador nascido em Belém.

«O que direi? O que falarei? Vejo uma mãe que deu à luz, vejo o Filho nascido deste parto, mas não O vejo como ‘sendo dessa geração! Porque, quando Deus quer, a natureza é superada, são superados os limites da ordem natural. Posto que isso não se deu sob as leis da natureza, mas um milagre se verificou para além da natureza; a natureza ficou inativa e, ao contrário, entrou em ação a vontade de Deus! Ó graça inefável! O Unigênito que existe antes de todos os séculos, que não pode ser tocado, que é simples e incorpóreo, entrou num corpo como o meu, sujeito à corrupção e aos sentidos!» [1].

Como devemos interpretar o evento que vivemos hoje? Se seguirmos a reflexão do santo da «boca de ouro», do Crisóstomo, concluiremos que é a apoteose dos milagres, o auge do supra-lógico, a inundação da Graça, a transcendência da natureza, o eflúvio da condescendência, a profundidade do mistério, a perfeição da divina providência, em fim, a reconciliação do céu com a terra, na mesma divindade.

Meu precioso rebanho espiritual:

Hoje Deus se faz homem, e a ordem natural é mudada, porquanto, superada. Deus se nos revela, e as leis da natureza cessam. É a dinâmica do milagre, da coexistência de duas realidades que interagem, enquanto parte da providência divina. O protagonista é o próprio Deus; sim, Deus se faz homem, o mesmo Deus que planejou sua estratégia divina; o Onipotente põe em ação seu plano, o aplica e sofre as conseqüências, e todo o orbe muda a freqüência existencial, pois «hoje, Deus está conosco».

«E isto, por que motivo? Para que, sendo visto, ensine; e, ensinando, nos leve como pelas mãos, às coisas que nos caem sob o domínio dos olhos. Desde que os homens sentem que os olhos são mais confiáveis que os ouvidos, e por isso duvidam do que tenham visto, Deus se dignou proporcionar-nos a sua aparência, mediante a visão de nossos olhos de nossos olhos, para que, assim, cessasse toda a dúvida. E nasce de uma Virgem que ignorava tais coisas! Pois, nem mesmo cooperou ela para levar adiante a obra, nem pôs, de sua parte, nada para o que se realizava; mas foi, inteiramente, um mero instrumento do arcano poder» [2].

Hoje a história muda seu curso, porque Deus entra na história, limitando-se nela, para lhe a possibilidade de ter um curso ilimitado. Agora, nada mais é como antes: «Deus está conosco» nós o podemos ver, o podemos tocar, falar com ele e aprender Dele [3]. Deus se encarna e opera, na união hipostática, a reconstituição e a regeneração da natureza humana. Porém, a ação de sua encarnação não termina aí. Ele vem para nos ensinar que Deus é amor. E não só ensina através de palavras e sermões: Ele nos ensina com sua própria vida. «Venham e vejam» [4], diz o Senhor. Pois o seu ensinamento não é uma mera teoria, não é uma ética inútil, tampouco uma moral inconsistente; mas é vida, experiência, prática, hábito.

Os profetas prepararam o caminho com a profecia: hoje o oráculo se faz realidade, faz-se carne, faz-se Palavra e, portanto, se materializa na Verdade. Deus se faz carne para nos ensinar o caminho que nos leva a Ele, e este caminho é o amor. Não um amor retórico, ou um amor épico; não um amor demagogo ou populista; não um amor platônico ou desencarnado: Não! Ele nos ensina um amor único, o amor de Deus para com o criado, o amor desinteressado, o que tudo sofre, tudo suporta, o que tudo espera, o que tudo crê [5]; aquele amor que encarna o próprio Cristo, pois Ele é o único paradigma do amor. Por isso Ele se encarna, se faz homem, se faz limitado, se esvazia, sofre, morre e, por fim, ressuscita dando vida a todos.

Mui amados no Senhor,

Esta é a lei insondável de Deus: o amor. Por isso a natureza fica paralisada, e Deus desce à sua criatura; por isso Deus nasce e se faz criança numa gruta; por isso é que se realiza o milagre; por isso se manifesta a Transcendência; por isso a criatura se aperfeiçoa e se diviniza. O parâmetro é o amor; a lei, a norma, a pauta dinâmica, a vontade, a visão, princípio e fim, a apoteose e a explicação do por que Deus quis estar conosco: «Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele» [6].

Com esta breve reflexão, invocamos sobre vós a Graça do Verbo encarnado em Belém, desejando-vos paz interior, alegria, júbilo espiritual, esperança, reconciliação e perdão, na firme convicção de que o amor de Deus feito homem tudo pode! Amém.

Da Arquidiocese, em Buenos Aires, 11 de dezembro de 2009

O Metropolita † TARASIOS

Arcebispo de Buenos Aires, Primaz e Exarca da América do Sul


[1] São João Crisóstomo, Homilia II sobre a Natividade, I, 8
[2] São João Crisóstomo, Homilia II sobre a Natividade, I, 9
[3] 1 Jo 1,1
[4] Jo 1,46
[5] 1 Cor. 13,7
[6] 1 Jo 4, 16

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