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Arquidiocese Ortodoxa de Buenos Aires e Exarcado da América do Sul
 
 
 

ENCÍCLICA POR OCASIÃO DO INÍCIO DA
SANTA E GRANDE QUARESMA

Prot. Nº 1482

Pela Graça de Deus Arcebispo Metropolitano da Sacra Arquidiocese de Buenos Aires, Primaz e Exarca da América do Sul

A toda a grei de nossa Eparquia a graça, a misericórdia e a paz de Cristo, Salvador Misericordioso

or onde devo começar a lamentar as ações da minha vida infame? Que primícias devo oferecer-Te, ó Cristo, por estas minhas lamentações? Porém, em Tua compaixão, concede-me o perdão de minhas transgressões!

O período da Santa e Grande Quaresma é uma oportunidade que nos dá a Igreja de adentrar na calma reflexão, na profunda introspecção e na exaustiva meditação do que verdadeiramente somos, sem dissimulações nem mentiras, nem truques que desvirtuam nosso verdadeiro eu. A Quaresma deve ser uma oportunidade para descobrirmos a verdade sobre nós mesmos: ─ Quem sou eu? ─ O que eu quero nesta vida? ─ Por que agir assim? ─ Quais são os meus desejos mais profundos? ─ Quais são as minhas virtudes e os meus defeitos? A Quaresma é um período de autoconhecimento. Convém ao homem conhecer-se a si mesmo a fim de conhecer a Deus. Quando entramos na Quaresma é como se entrássemos no deserto ou em uma sala cheia de espelhos onde convivemos apenas com nós mesmos e com Deus.

Queridos filhos e filhas no Espírito,

O hinógrafo sacro cretense, Santo André, inicia o cânone da Quaresma com muitas interrogações, e estas interrogações são decorrentes de ter entrado no deserto, naquela sala repleta de espelhos em que só podemos contemplar a imagem de nós mesmos e de Deus. Somente se nos isolamos em nosso interior podemos nos conhecer, podemos deixar de viver para fora e adentrar em um mundo que muitos ignoram por temerem penetrar sua interioridade. Este é o início da vida espiritual.

Conhecendo-nos a nós mesmos começamos a conhecer a Deus, pois Deus está no mais profundo de nós mesmos.

A arte da vida espiritual consiste em harmonizar a nossa pessoa com aquela do Criador, através da vontade, sentimentos e ações. É por isso que, quando se começa a se conhecer a si mesmo, começa-se também a conhecer a misericórdia e o amor de Deus. Desde a mais fria indiferença, passando pelos terríveis vícios humanos até alcançar o cume das virtudes, a divina condescendência permanece sobre o homem, exaltando as virtudes e apaziguando o calor das paixões, a dúvida, a negação e as incoerências, frutos da insensibilidade humana.

É por isso que o hinógrafo exclama: «Estou envolto em um manto de vergonha, qual folhas de figueira, em reprovação às minhas paixões egoístas». É que a pessoa que paulatinamente vai se conhecendo e assimilando as ações de Deus em sua vida, começa a sentir, necessariamente, o vazio causado por suas ações negativas. No entanto, não se desespera, não busca o nada e a autodestruição, mas, confiando em Deus, proclama: «Ó Magna Filantropia, que desejas a salvação de todos, em tua bondade, lembra-te de mim, e recebe-me arrependido». Ocorre na alma da pessoa uma contraposição axiológica e, até mesmo, poderíamos dizer, onticamente qualitativa, entre a «multidão de seus pecados» e o «abismo de misericórdia». O homem peca e Deus é condescendente, perdoa e restaura. Se a atividade anímica do homem é boa e saudável, pode-se logicamente compreender a divina máxima que diz que, a multidão das faltas sempre é transcendida pelo abismo de amor, que não há transgressão que não possa ser perdoada, que não há nenhum ser, que por mais malvado que seja, não possa ser redimido pelo poder da divina filantropia.

O que Deus pede de nós? Autoconhecimento e arrependimento - metanoia, transformação do coração, da razão, da vontade, firme propósito de correção e intenção de mudar o curso de nossa vida, tendo compreendido que estamos agindo mal.

E é então quando o milagre acontece: une-se a multidão das transgressões humanas ao abismo da condescendência divina através do vínculo do arrependimento; e tudo é apagado; e a pessoa se converte em uma nova criação; volta para casa, como fez o filho pródigo; livra-se das culpas como a prostituta que lavou os pés de Jesus; cura-se de todas as suas enfermidades como foi curado o paralítico. Porém, tudo isso exige autoconhecimento, como a clássica máxima socrática: «Γνῶθι σαυτόν» ─ «Conhece-te a ti mesmo», não por coincidência, incrustada na entrada do famoso oráculo de Delfos, sempre respeitada e praticada pelos pais helenos em suas práticas espirituais.

Amado rebanho espiritual,

Entremos nesta Quaresma com sã intenção da serena reflexão para chegar a um autoconhecimento mais profundo, sincero e sem subterfúgios. Espera-nos a glória do arrependimento, do perdão e do amor de Deus. Tudo por amor a Deus; tudo por amor a todos, amor desinteressado, sincero e não egoísta!

No marco deste período de reflexão sobre a nossa vida e preparação para a vivência da Paixão salvífica de nosso Senhor Jesus Cristo, que nesta ocasião advém mais cedo, exortamos-vos serenamente a entrar em vosso próprio universo interior, para renovar vossa capacidade de autodomínio e controle sobre vosso agir, num clima de jejum, serenidade, tranqüilidade, silêncio, sossego, afastando-vos temporariamente de todas as coisas exteriores, que incitam os sentidos e nos distraem na sã reflexão.

Neste contexto é que recomendamos pastoralmente a todas as nossas comunidades helênicas, que a festividade patriótica de 25 de março seja celebrada de maneira austera e sóbria, tendo em conta a solenidade e o avançado tempo quaresmal em que vai cair neste ano. Uma boa oportunidade para a comemoração deste dia seria o Domingo de Ramos, quando é permitido o consumo de peixe, sempre evitando qualquer manifestação cultural que se contraponha ao espírito e caráter do dia. Outra opção, para comemorar este glorioso dia da pátria de maneira plena seria transferi-lo para domingo após a Páscoa, estando já no clima festivo próprio deste tempo.

Com estas reflexões e recomendações, invocamos sobre todos vós a graça, o amor e o perdão de Deus Uno e Trino, desejando-vos que o tempo quaresmal seja de sumo benefício espiritual para cada um de nós, e que assim possamos celebrar a Grande e Santa Semana com a maior lucidez e serenidade espiritual possível. Amém.

Da Arquidiocese, em Buenos Aires, em 15 de fevereiro de 2010.

O METROPOLITA

TARASIOS

Arcebispo de Buenos Aires, Primaz e Exarca da América do Sul

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Tradução do espanhol por: Pe. André Sperandio

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