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Arquidiocese Ortodoxa de Buenos Aires e Exarcado da América do Sul
 
 
 

Prot. N°. 1597

Encíclica Pastoral

† TARASIOS
Pela Misericórdia de Deus
Arcebispo Metropolitano de Buenos Aires,
Primaz e Exarca da América Do Sul
A todo o Clero e a toda a Grey
da Sacra Arquidiocese de Buenos Aires e América do Sul;

Que a Graça, a Misericórdia e o Amor do Cristo Peregrino
sejam com todos vós.

«Assim como o Pai me enviou,
também eu vos envio a vós». (Jo 20,21)

Na perspectiva do Dogma Trinitário

A origem da missão é a Trindade: o Pai envia o Filho a fim de se encarnar e salvar o mundo. Depois de completar sua missão na terra, o Filho envia o Espírito Paráclito (Jo 14, 22-26) para que dê testemunho da verdade de Jesus Cristo.

Da mesma maneira, os discípulos do Senhor são enviados por Ele. Esta ação de «ir» e «proclamar» é própria de Deus, e tem n’Ele sua origem. No entanto, é comunicada a nós que somos co-participantes na obra salvífica de Deus.

Deus sai de si mesmo e se auto-proclama, pois Ele é «o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14, 6-14). É por isso que deve ser proclamada a todas as nações. Conhecendo o homem esta realidade, deve necessariamente «sair» do isolamento e se relacionar com seu próximo, a fim de «proclamar-lhe» a verdade que já conhece. A verdade é o Evangelho de Jesus Cristo: Sua própria Pessoa e Seu ensinamento. Esta realidade é salvadora e deve ser propagada a toda a humanidade, tal como ordenou o mesmo Jesus antes de ascender aos céus (Mt 28,19).

Sacerdócio: fundamento de missão

Jesus se faz homem e, assim, toma a natureza humana, unindo-a a sua natureza divina. A natureza humana não é apenas curada do pecado original, mas é elevada às possibilidades que vão além de sua constituição natural, não por natureza, mas pela graça.

Assim, Aquele que é por natureza Rei, Sacerdote e Profeta, comunica este tríplice axioma à sua humanidade, a fim de que sejam os homens co-participantes em Sua obra. É por isso que concede o verdadeiro e pleno sacerdócio aos seus discípulos e apóstolos, e após ter-lhes transferido o poder pela graça do Espírito Paráclito «envia-lhes» para que façam discípulos em todas as nações, batizando-os em Nome da Santíssima Trindade.

Com efeito, são apóstolos «enviados», porquanto, são sacerdotes, e os sacerdotes devem ser enviados, a exemplo de Cristo, Sumo Sacerdote. Este sacerdócio é o que lhes faz sair do isolamento próprio do pecado para ir ao encontro do outro, entrar em relação e fazer comunhão, enquanto proclama a Boa Nova, o Evangelho de Cristo, a boa notícia que Deus se fez homem para que o homem se faça deus, de acordo com a célebre máxima do grande Atanásio de Alexandria.

Assim como o Pai enviou o Filho, agora o Filho glorificado e entronizado à direita de Deus Pai tem o poder de enviar aos homens, que são imagens vivas do Verbo pela graça e a misericórdia de Deus. Essa tradição, essa sucessão, persiste até os dias de hoje. É por isso que nós, como sucessores dos apóstolos, fomos enviados a esta terra sul americana para pregar a Palavra de Deus e preservar as nossas sagradas tradições. Deste modo, como cabeça desta Igreja local, nós enviamos não somente aos sacerdotes, mas a todos os cristãos, a irem proclamar a alegria da ressurreição uns aos outros, a fim de que, a graça que transmitimos retorne multiplicada à nossa comunidade no dom da Eucaristia e da comunhão espiritual.

«Ser enviado» não é apenas um mandamento de Jesus, mas uma particularidade própria do ser «sacerdote de Cristo». Esta particularidade tem sua origem, como anteriormente precisamos, na mesma Divindade que se «auto-transborda» e se lança ao outro, revelando-se e fazendo-se participável. Esta incapacidade de auto-contenção se origina no amor divino que quer ser participável aos outros. Assim, o sacerdote, o apóstolo, não pode conter a alegria da ressurreição e «vai» comunicá-la, «proclamá-la» aos outros, para que todos sejam tomados por esta alegria.

Na perspectiva da praxis ortodoxa

A Igreja Ortodoxa, herdeira natural dos apóstolos, é por natureza missionária. Sua teologia, em tudo bíblica e patrística, dá o suporte dogmático a uma ação que faz a naturalidade de sua práxis. A Igreja Ortodoxa é missionária: assim proclama o dogma; assim testemunha a história; e isto propicia sua tradição. Negar a realidade missionária própria da Igreja Ortodoxa é negar uma das características mais profundas de sua personalidade, é negar sua própria identidade.

No entanto, muitas vicissitudes históricas de diversas naturezas, da queda de Constantinopla ao o início da moderna República Helênica, contribuíram para que esta realidade fosse sensivelmente contida. Por outro lado, mentes obtusas e fechadas em uma visão estreita e limitada - freqüentemente pejorativa - sobre a Igreja Ortodoxa, colocaram-na numa categoria que exclui a missão como um elemento essencial de sua personalidade.

De todo modo, a partir do início do século XX observa-se uma renovação da ação missionária da Igreja Ortodoxa como um todo. Este reavivamento é um processo que se estende até nossos dias, e que se manifesta de diferentes modos, com grande alcance, com diferentes hermenêuticas e, em geral, apresentando resultados bastante positivos.

Na perspectiva da América do Sul

Nossa Arquidiocese, como célula apostólica do corpo de Cristo, que é a Igreja Ortodoxa Universal e Ecumênica, não se encontra fora desta realidade.

Vivemos em um ambiente particular e em tempos complexos: A idiossincrasia da geografia de nossa jurisdição e o avançar dos tempos nos impelem a compreender que a nossa ação deve estar baseada na ação dos apóstolos.

Compreendemos que a mensagem é o Evangelho de Jesus Cristo tal como o compreenderam e interpretaram os nossos santos Padres e a Sagrada Tradição de nossa Igreja. Essa primitiva alegria dos apóstolos que a certeza da ressurreição lhes fez experimentar, ainda está ativa e viva em nossa tradição, que é a Alma Mater de nossa praxis.

Esta tradição, que mantém intacta a alegria do Evangelho, deve ser proclamada a todos e, particularmente, nestas terras. O tempo é propício --καιρός-- para «ir» e «proclamar» aquela alegria, aquela certeza própria dos discípulos «de que Deus está conosco». É tempo de dar a conhecer de maneira original e criativa os tesouros de nossa tradição, para além de toda vinculação étnica ou racial, pois nossa Igreja é Ortodoxa e, por isso mesmo, Una, Santa, Católica e Apostólica.

Conscientes de tudo isso e, de nossa elevada e profunda responsabilidade como arquipastor, impulsionamos a criação deste primeiro «PROGRAMA ORTODOXO MISSIONÁRIO SUL AMERICANO» (POMS) que será implementado, sobre tudo no território de nossa jurisdição. Este programa foi desenvolvido graças à generosa colaboração da «Associação Missionária Cosme o Aitolós» de Tessalônica, que tendo aprovado o projeto apresentado, procedeu à materialização da ajuda monetária. Assim mesmo, formou-se uma comissão ad hoc que trabalha incessantemente, tendo coordenado a execução do Projeto original o Vigário Geral da Arquidiocese, Arquimandrita Iosif L. Bosch, em ativa colaboração com os sacerdotes envolvidos no Programa.

Temos de «ir» com todos os sacerdotes para propor o Evangelho tal como o interpretam nossos pais e nossa tradição; catequizar, compartilhar, encontrar-nos uns aos outros para falar abertamente sobre a nossa realidade e sobre a Ortodoxia. Cada sacerdote envolvido no Programa entrará em contato com as diversas comunidades a fim de criar as «redes missionárias».

Pedimos somente a sua boa vontade, predisposição e a «filoxenía», aquela hospitalidade que os primeiros cristãos ofereceram aos apóstolos. Somos uma igreja: no entanto, queremos «fazer» Igreja, em todos os lugares onde ainda não se teve a possibilidade de chegar. Queremos chegar a cada coletividade, a cada comunidade, a cada casa, a cada rincão e ao coração de cada irmão e irmã no Senhor, para que nos conheçamos e nos reconheçamos todos juntos no momento da fração do pão celestial, no banquete místico e na sinaxis eucarística, lugar natural da convivência de Deus e do homem.

Desta maneira, enviamos a nossa bênção e damos oficialmente início ao «PROGRAMA ORTODOXO MISSIONÁRIO SUL AMERICANO» (POMS) através desta Encíclica, pedindo a Deus Onipotente que nos permita levar a bom curso o mesmo; que nos conceda força, prudência, alegria e iluminação enquanto saímos a proclamar a sua Palavra a todos e todas, e que, por fim, nos abençoe a cada viagem e no encontro de uns com os outros, para poder ver no outro a Sua santa face e poder exclamar em uníssono:

«Amemo-nos uns aos outros, para que em comunhão de espírito confessemos».

Na Sede Arquidiocesana, aos 15 dias do mês de Outubro de 2010.

O ARQUIPASTOR:

TARASIOS de Buenos Aires

Primaz e Exarca da América do Sul


Nota:

Faça-se a leitura desta Encíclica nas reuniões das diretorias de todas as coletividades helênicas da Arquidiocese. Publique-se e difunda-se através de todos os órgão de comunicação - impressa, eletrônica e digital - das coletividades.

Tradução de: Pe. André Sperandio

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