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Arquidiocese Ortodoxa de Buenos Aires e Exarcado da América do Sul
 
 
 

Homilia para o «Domingo da Cananéia»
de S. Emncia. Revma. Dom Tarasios,
Arcebispo Metropolita de Buenos Aires,
Primaz e Exarca da América do Sul

«Jesus cura a filha de uma pagã»

[Mt 15, 21-28]

este domingo, nosso Senhor Jesus Cristo nos ensina acerca da verdadeira fé, que move o coração de Deus.

Como ouvimos, meus queridos filhos e filhas espirituais, este episódio não aconteceu na «Terra Prometida aos judeus», mas no caminho em direção ao território pagão, terra dos gentios. Esta mulher, contudo, certamente, tinha ouvido falar sobre o Messias, lá em Canaã, lugar onde vivia, região sírio-fenícia.

É impressionante o modo como a Cananéia se dirige ao Senhor Jesus. Ela o chama de «Filho de Davi», título messiânico. O Messias, esperado para a libertação do povo eleito, deveria vir da casa do Rei Davi. Em seguida ela exclama: «Tem compaixão de mim». As mesmas palavras com as quais Bartimeu, o cego de Jericó, se dirigiu ao Senhor Jesus (Mc 10, 47) suplicando-lhe, com absoluta fé, que o fizesse enxergar. Bartimeu era judeu.

Vejam como o Senhor reage: finge ignorá-la. Ela, porém, insistentemente, grita, a ponto de os apóstolos rogarem ao Senhor Jesus que lhe desse atenção. Ele contesta, afirmando que sua missão restringia-se às ovelhas perdidas de Israel. Mas a mulher, caindo prostrada aos pés do Messias, exclama: «Senhor, ajuda-me!» Jesus contesta, afirmando que «não se deve dar aos cães o pão dos filhos».

A primeira impressão que esta resposta nos dá, poderia levar-nos a interpretá-la como uma reação de desprezo e rejeição, mas não é assim. Jesus vale-se dela com sutileza irônica. Mas, por que? Porque os judeus, naquela época, chamavam os não-judeus de cachorros. Não nos esqueçamos de que a multidão sempre estava em torno do Senhor para vê-lo e ouvi-lo. Não obstante, esta foi a resposta da mulher Cananéia: «É verdade, Senhor, mas os cães também comem as migalhas que caem das mesas de seus donos».

Ante esta resposta, como terá se sentido nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo? Que confissão de fé! Que reconhecimento! A mulher reconhece que ele é o Senhor, porque assim o chama. Considera-se um «cãozinho» diante do seu dono!. Embora sendo pagã, cansada, talvez, de tanto pedir e implorar a seus falsos deuses pela libertação de sua filha atormentada por um demônio, sem proveito, vai ao encontro de quem, diante dele, até os demônios tremem!

Vemos aqui o infinito amor de Deus que age nestas duas pessoas: na primeira, Bartimeu, que simbolizava o povo escolhido; na segunda, uma mulher Cananéia, uma pagã que se aproxima do Senhor para pedir-lhe seu favor, sua misericórdia. Assim, torna-se realidade o que nos diz São João, o Teólogo, em seu evangelho: «...de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16).

Assim, pois, a salvação é para todos os que querem ser salvos, sem distinção de raça, cor ou língua. Ninguém mais pode ser segregado, ou chamado de «cãozinho». Ao contrário, serão chamados filhos e filhas de Deus, todos os que aceitam Jesus Cristo em suas vidas como o seu Salvador, libertador e Senhor.

Não há ninguém em toda a criação que possa doar mais amor, mais doçura, mais ternura do que uma mãe para com seu pequeno filho, somente Deus, nosso criador. Ele não se deixa possuir por ninguém, porque é o bem de todos, quer o melhor para todos;  assim é o Reino dos Céus.

É por esta razão que nosso Senhor Jesus Cristo, depois de ter experimentado sua paixão, morte e ressurreição, abriu definitivamente as portas do Paraíso, as mesmas que haviam se fechado como conseqüência do pecado de Adão e Eva.

Estas portas estão simbolizadas nas portas da nossa santa Igreja Ortodoxa. O mesmo Senhor Jesus Cristo que a instituiu, enviou seus apóstolos aos povos e nações de todo mundo para que os fizessem discípulos seus (Mt 28, 18-20).

É aqui, em nossa Igreja, na Arca da Aliança definitiva, onde se faz realidade as palavras do Apóstolo dos gentios, Paulo, em sua epístola aos Gálatas - povo não judeu, mas pagãos da Ásia Menor: «Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus» (Gl 3, 28).

A fé demonstrada e confessada pelos lábios de Bartimeu e da Cananéia é esta mesma fé, meus queridos filhos e filhas espirituais, a que nos identifica como verdadeiros cristãos, como filhos do Deus Altíssimo.

Pelo batismo, aceitamos em nossas vidas e em nossos corações a salvação, por meio de Cristo, nosso Senhor, tornando-nos seus discípulos e recebendo a missão de ir e anunciar aos outros «cananeus» a mensagem da salvação,apresentando nosso Salvador, Deus vivo e verdadeiro o único que pode mudar, transformar as pessoas em herdeiros do Reino dos Céus. Amém.

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