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Arquidiocese Ortodoxa de Buenos Aires e Exarcado da América do Sul
 
 
 

Homilia de S. Emncia. Revma. Arcebispo Tarasios, Metropolita de Buenos Aires,  Exarca da América do Sul, no Segundo Domingo do Evangelho de São Lucas.

«Amem e façam o bem a seus inimigos»

(Lc 6,35)

mais belo aspecto do amor é aquele que abraça os inimigos, supera o ódio e a maldade e chega claramente ao céu onde reinam a paz, a bondade e a misericórdia de Deus. Cristo, nosso Salvador, caracterizou o amor aos inimigos como o ponto mais alto da perfeição cristã. Não somos perfeitos se amamos naturalmente uma ou mais pessoas, como aos nossos pais, ao cônjuge, aos nossos filhos, aos nossos familiares, parentes e amigos. Isto é o mais fácil, o mais freqüente. Diríamos, em linguagem familiar: isto não conta.

É fácil amar nossos amigos e odiar nossos inimigos. Porém, a leitura do Evangelho de hoje nos apresenta a lei que conduz a pessoa à altura da virtude e da santidade: «Amem seus inimigos.» É o mandamento que, pela primeira vez, se escutou na terra. Nem o Antigo Testamento havia ordenado o amor aos inimigos. Só o Senhor o ensinou e o consolidou nos corações eleitos de milhões de pessoas através dos séculos, desde o momento em que Ele mesmo o vivenciou, o ensinou e o praticou quando, sobre a Cruz, pediu ao Pai celestial que perdoasse aos seus verdugos. Mas, por que o Senhor ordena o amor aos inimigos e o coloca como dever fundamental e como princípio indispensável à vida cristã? Deus não ordena nada contrário a nossa natureza. E o mandamento do amor aos nossos inimigos encerra uma motivação profunda. Nossa consciência dá testemunho que somos criados para o amor. Mesmo quando reine nas profundezas o ódio e a vingança, nossa consciência nos grita que não nascemos para odiar, mas para amar.

Quão profundo, sincero e grande era o amor entre os primeiros cristãos que deram testemunho durante as terríveis perseguições! Os idólatras, os verdugos, os imperadores incrédulos torturavam e maltratavam os cristãos. Da mesma forma existe também, na atualidade, autoridades carentes de fé, terrosristas e inimigos da Igreja, que maltratam e torturam a nós cristãos; porém aqueles primeiros cristãos perdoavam e, antes de morrer, oravam pelos seus inimigos. Nós rezamos pelos nossos inimigos, não para que sejam vencedores, não para que sigam sendo nossos inimigos, mas para que vejam a luz da verdade e para que reine o amor em seus corações. Depois de Cristo, o primeiro mártir Estevão e um exército de santos e de mártires, mostraram o amor perfeito a seus inimigos, aos seus verdugos. Amaram primeiro e depois perdoaram. Assim fez São Dionísio, quando veio alguém se confessar dizendo que havia matado um homem. Pediu o perdão do santo. Foi fácil, diriam muitos, que o sacerdote perdoasse um pecador.

É difícil, certamente, quando o pecador que vem confessar-se, confessa ter matado teu irmão. Como o perdoar? Não com emoção, não com vingança no coração, não com falsidade, mas com amor -coração puro, mente pura, união com o Deus único, que é Amor. Eu também tenho que perdoar muitas pessoas. E quero perdoá-las. Assim farei porque as amo. Espero que elas também façam o mesmo. «E perdoa-nos as nossas dívidas, como perdoamos aos nossos devedores», como dizemos no Pai-Nosso.

É nossa conveniência eterna o amor aos nossos inimigos. «Será grande a nossa recompensa no Céu», como nos assegura o Senhor. Porque o amor une as pessoas, é o amor que faz com que a família seja uma família, é o amor que traz a paz à vida, o amor protege a pessoa de muitos perigos e mostra seu destino e nos conduz ao nosso destino final. Ainda que não façamos nada mais em nossa vida, se nossa vida deve tem alguma importância, se devemos ser considerados vitoriosos em nossas vidas e se fizemos algo em nossa vida, não a desperdicemos, devemos amar. Isso só, e nada mais.

Quantos escândalos, delitos, gastos, prejuízos e desordens se evitariam se houvesse amor e respeito por todas as pessoas. Uma imensidão de males e de tristezas se devem pela falta de amor a todos aqueles que cometem alguma injustiça ou alguma maldade contra nós.

O amor aos inimigos nos assemelha ao Pai celestial que é misericordioso e que faz nascer o sol para os maus e os bons, e faz chover sobre os justos e os injustos. Ele não tem desejo de vingança, mas quer que todas as pessoas conheçam a verdade e se salvem. É eterno e salvífico o anuncio de Cristo. Sejam misericordiosos com o próximo assim como o Pai é misericordioso com todos.

Aprendamos a amar também aos nossos inimigos. Não é perfeito nosso amor se não os incluímos. A pessoa que tem ódio, maldade e desejo de vingança não progredirá, nem encontrará a verdadeira alegria, porque esta alegria está unicamente em Cristo, que é a imagem viva do amor. Nunca terá bons amigos porque não se relaciona bem com os que a amam, mas com aqueles que se encontram na mesma situação. Nunca terá o apreço de seus semelhantes porque, cedo ou tarde, se darão conta e se afastarão dela. E até que aprenda a amar nunca receberá a misericórdia de Deus. No entanto, a pessoa que perdoa aos demais, que tem paciência, que em sua alma e, em seu coração, a virtude do amor a todos (parentes, amigos, e também inimigos) está profundamente arraigada, tem a graça de Deus, resiste ao pecado e delitos. Faz sempre o bem, luta no combate da honra e da moral, e, com paciência, contribui para o progresso geral da sociedade e desta forma é feliz e abençoado. Tais pessoas, quer Deus que sejam piedosas, virtuosas, humildes e morais, porque o mundo está cheio de maldade e ingratidão. Há pessoas que sofrem em diferentes partes do mundo. Não têm a liberdade nem o necessário para viver. Desgraçadamente, não existe o verdadeiro amor que é bondade, magnanimidade, comiseração e civilidade, diria, de alma.

A má distribuição dos bens, a falta de fé e de amor, produz confrontos, luta de classes, conflitos sangrentos, guerras e desgraças. Amemos, pois, sempre e perdoemos. Nestas duas coisas, simples e fáceis, estão a felicidade e a alegria da vida. Sem amor – refiro-me ao amor perfeito, não ao parcial e interesseiro - não serão abertos os caminhos para a glória e salvação. Esta é a chave: amor, e de novo direi, amor.

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