Portal Ecclesia
A Igreja Ortodoxa Atualizações e notícias Seleção de textos Subsidios homiléticos para Domingos e Grandes Festas Calendário litúrgico bizantino Galeria de Fotos Seleção de ícones bizantinos Clique aqui para enviar-nos seu pedido de oração Links relacionados Clique para deixar sua mensagem em nosso livro de visitas Contate-nos
 
 
Loading
Arquidiocese Ortodoxa de Buenos Aires e Exarcado da América do Sul
 
 
 

Homilia de S. Emncia. Revma. Arcebispo Tarasios, Metropolita de Buenos Aires,  Exarca da América do Sul, no «Quinto Domingo de Mateus»

Traduzida para o português por: Pe. André

Evangelho de hoje presenteia-nos com um dos mais belos ensinamentos, valendo-se da triste história dos dois gerasenos endemoniados. Jesus, com seus discípulos, chega ao país dos gerasenos. Ali o Senhor busca fugir do barulho, descansar um pouco e rezar. Mas não consegue, pois, logo que sai do barco, encontra-se com dois endemoniados, alienados, nefastos, enfermos, perigosos, que corriam entre os sepulcros. Tão logo vêem o Senhor, começam a gritar: Que há entre nós, Filho de Deus? Vieste para torturar-nos antes do tempo?

Farei aqui um corte para chamar a atenção para a dissonância entre o nome de Cristo e a palavra «torturar»: só um endemoniado para crer que Cristo pode torturar. Só uma pessoa doente, espiritual, mental e psicologicamente, pode pensar que a presença de Cristo em sua vida, com a sua graça e o amor de Deus e Pai, que lhe procura sempre e busca transformar sua alma com o seu amor; e a comunhão do Espírito Santo que a visita, a cura e está sempre presente em sua vida, saiba ou não, não é tortura, mas, dom e obra de Deus. Aqui se realiza o milagre, tanto para os endemoniados como também para nós.

Ali perto pastava um rebanho de porcos. Então, os demônios dizem a Cristo: "Se nos tiras dos endemoniados, permite-nos então entrar nos porcos. O Senhor permite e, alguns momentos depois, os porcos correm em direção ao precipício, jogam-se ao mar e afogam-se. Imaginem só os demônios tendo um diálogo com Cristo! E, pela primeira vez, pensam razoavelmente como que para propor eles a Cristo a solução: entrar nos porcos. Isto é, os demônios retirarem-se dos endemoniados. Isto significa que conheciam a sua situação, a odiaram um dia, o dia em que se encontraram com Cristo, arrependeram-se, mudaram seu modo de pensar e, em palavras simples, fizeram um giro de 180 graus.

A segunda coisa significativa aqui é que pedem a Cristo que lhes «permita» entrar nos porcos.  E se  Cristo não tivesse permitido? Se não quisesse? Reconhecem que Cristo tinha e tem o poder de «permitir», de pôr fim ao pecado e conceder a salvação ao ser humano, e só Ele. Não é preciso ir a mais ninguém, nem ao psiquiatra, aos magos, aos intérpretes sonhos, aos que lêem cartas, nem ao nosso amigo mais íntimo. Somente Cristo, só a oração, só o arrependimento, só a Igreja tem o poder de afastar a angústia e o pecado de nosso interior e lançá-los precipício abaixo. Esta possibilidade, só a teremos com Cristo, com mais ninguém, e somente Ele irá nos salvar.

Os pastores, então, cheios de medo, correram ao povoado para avisar às pessoas o que havia se passado, e todos vieram para ver. Apavorados, aproximavam-se de Jesus e pediam-lhe que deixasse seu país.  O Senhor não lhes disse nada, subiu novamente no barco e voltou para Cafarnaúm. Que ingratos, malvados eram os gerasenos! Em vez de estarem agradecidos pelo grande milagre que fez o Senhor, que libertou e curou os dois endemoniados, mandam-lhe embora para vê-lo, para não escutá-lo, para não sentirem sua presença.

Se fossem razoáveis, saberiam qual o seu dever e sua verdadeira conveniência. Prostrar-se-iam aos pés de Cristo e lhe diriam: Nós te somos agradecidos, Senhor, pela possibilidade que nos dá o teu amor de sairmos do engano e da nossa pouca fé. Agradecemos-te, porque nos salvaste do domínio dos demônios e da desordem dos endemoniados, e te pedimos: fica conosco, perdoa-nos os nossos pecados, abençoa as nossas vidas, e concede-nos iluminação e força para que possamos viver de acordo com os teus mandamentos.
No entanto, não foi isso que aconteceu, mas «pediram ao Senhor para que deixasse seu país». E, quando nós não vamos à igreja, quando não aceitamos o convite de Cristo, quando não lhe abrimos a porta do coração, quando, ainda mais, respondemos para que se vá. Todos aqueles que não querem a Igreja, que pensam que não precisam dela, todos os que se voltam contra ela e, ainda mais, temem a Igreja, não porque sintam o santo temor a Deus, mas porque sentem vergonha dela, esses estão dizendo a Cristo para que se afaste.

Esta é a imagem do pecador, de todo aquele que prefere permanecer longe de Deus e do seu Cristo, e não o querem por perto. É a história que se repete em cada pecador, talvez também em nós e em nossa sociedade em geral. É a nossa trágica situação que está em nossas mãos corrigi-la. Só precisamos dizer a Cristo: «Permita, Senhor, que os nossos pecados entrem nos porcos», e veremos que serão logo precipitados abismo abaixo.

Com efeito, quantas pessoas querem que Cristo se vá para longe dos limites do seu coração! Não deixam que o Senhor seja o Rei das suas almas. Preferem que, em seu íntimo, predominem  outros sentimentos. Abrem os seus corações para a malícia, para o culto do dinheiro, do egoísmo, das paixões de todos os tipos, não só da carne; mas não tem lugar para Cristo que, certamente, se afastará para longe de tudo isso.

O mal, porém, não pára por aí.  Há pessoas que, em sua família, em sua casa, Cristo não tem nenhum lugar.  São aqueles que querem construir sobre a injustiça e estabelecer as fundações de edifícios com o dinheiro obtido por meios ilícitos. Querem abundantes riquezas, e não podem sentir o aroma do incenso, porque, então, o diabo os deixará.

Pais e mães, escutem-me, e tenham mais responsabilidade. Reconheçam, aceitem, e dêem aos vossos filhos bons exemplos. Vocês devem ser um pouco mais exigentes com vocês mesmos, sem hipocrisia.  Devem saber que vossos filhos vos observam e imitam em cada passo de vossas vidas, todo o tempo que estão juntos de vocês. Não permitam que, crescidos, saiam ao mundo, indefesos, desarmados, sem a devida preparação, débeis e ignorantes. Do mesmo modo como vocês se esforçam para que estudem, sejam cultos em sua educação mundana e universitária, assim deveria ser também vosso esforço na educação espiritual de vossos filhos. Estas coisas, as do mundo, lhe darão de comer hoje; aquelas, as espirituais, lhe alimentarão por toda a eternidade.

Ouvimos, lamentavelmente, muitos dizerem, e também os jovens os escutam: "A religião é um anacronismo; para que serve a Igreja? Por que crer? Para que rezar? Mesmo os sacerdotes são pecadores". Ignoram, porém, que a Igreja é um hospital? Por acaso já foram a um hospital e lá encontraram somente pessoas saudáveis? Até mesmo o médico fica doente e, por vezes precisa repousar. É lamentável que muitos queiram que Cristo seja afastado da juventude. Dizem que «a Igreja é apenas para os idosos». Os Psiquiatras dizem: «Agora os jovens não querem limites». E, os pais: «Eles são garotos ainda, deixe-os viver; terão de tempo para ir à igreja. O que lhes dá a Igreja? Eu sei que é bom para eles. Eles são livres, agora que são jovens, precisam se divertir». Provavelmente, só quando já forem idosos buscarão imitar a Cristo e virão à igreja ascender uma vela e, quem sabe, rezar, como seus bons pais faziam. Talvez...

Muitos querem que Cristo seja excluído de suas vidas, porque eles mesmos se sentem envergonhados de estar afastados, e seu egoísmo não lhes permite que d’Ele se aproximem. Então, vem a inveja que faz com que não queiram que também  os demais se aproximem de Cristo, mas se esforçam por excluí-los. Vejam que estão presentes em todas as partes. Imaginem que podemos estar fazendo o mesmo com nossos filhos.

Por onde andam aqueles pais que não vêm à igreja? Digo a vocês que estão presentes. Mas, previno-lhes também para que não caiam nesta mesma armadilha. Transmitam isso aos vossos filhos, que hoje estão ausentes. Não há interesse por boa formação religiosa, pela educação espiritual dos filhos; não os acompanham à igreja e não solicitam que se organizem escolas de catequese.

Preparam-lhes para se tornarem futuros cidadãos honestos, prestativos e obedientes à lei do país onde vivem, e ganham dinheiro para terem uma vida boa, mas não lhes dizem nunca «não». Como bons e responsáveis pais, não impõem o que é correto e benéfico ao desenvolvimento do seu caráter.

Então, se perguntam depois: «não fui bom pai? Não fui boa mãe? Não! Vocês queriam ser queridos por vossos filhos, e eles vos tomaram o tempo, e hoje estão perdidos e longe de Cristo. Assim como vocês não perguntam aos vossos filhos se eles querem ir à escola, do mesmo modo, não há que lhes perguntar se querem ir à igreja. Que contestem, pois! Porém, é preciso que saibam que não estão pondo em risco somente as vossas vidas, mas também as de vossos filhos, sendo assim, duplamente responsáveis.

É bem possível que não lhes agrade o gosto amargo de minha mensagem, mas será preciso digeri-la [como remédio que amarga, mas cura]. A Igreja não pode ser culpada por vossos problemas. Melhor que procurem a culpa onde ela está. Não se combate contra a Igreja. Busquem corrigir logo esta situação, pois nunca é tarde demais para isso. Insistam e tragam vossos filhos, pequenos e grandes, os vossos netos e afilhados à igreja aos domingos. Não é pouco nem muito, mas já é um começo, e é vosso dever.

Cristo, a muitos que se encontram imersos em seus equívocos e pecados,  pede para que fiquem fora de seus limites. Ele não se zanga. Com o seu exemplo, ele indica, mas não insiste. Ele se vai, porém assegura em outra ocasião, que aqueles que o encontram morrerão para seus pecados. O pecador que, em sua debilidade, busca o Senhor, roga, suplica, chora e se arrepende, este será salvo. Isto é, que tem consciência de seus pecados e dos efeitos prejudiciais à sua alma. O único...

Porém, quão cheio de bondade é o Senhor! Volta para nós com muita paciência, magnanimidade e amor. Como eterno visitante de nosso coração, vem para libertar-nos dos demônios que, muitas vezes, se apoderam de nós. Vem para fazer-nos sensatos, para conduzir-nos para junto de si, para presentear-nos com a sua paz, a sua alegria, a sua felicidade. Ele é o Rei dos nossos corações, e se ainda não for, deve tornar-se logo.

Assim como nos levantamos todos os dias para irmos ao nosso trabalho, e trabalhamos arduamente para ganhar muito dinheiro, ou, pelo menos, para trazer o pão às nossas mesas; assim como despertamos os nossos filhos todas as manhãs para enviá-los à escola, e assim adquiram muito conhecimentos e ganhem muito dinheiro; ou para que se tornem pessoas corretas para a sociedade em que vivem, façamos o mesmo aos domingos e dias de grandes festas, para irmos à igreja com nossos filhos, em família, para o encontro com Cristo em nossos corações, e que assim ele se torne o rei de nossos corações.

Este é o nosso inseparável companheiro de luta em nossas vidas, em nosso trabalho, em nossa escola, em nossa família e nos assuntos de nossos corações.

Imploremos sempre que ele fique perto de nós, que reine em nossos corações e que nos ilumine.  Peçamos que nos guie, e ele irá dirigir os nossos passos no caminho da virtude, das boas obras, da justiça, e do seu autêntico amor.

O milagre do dia não é que os demônios tenham deixado os endemoniados e se metido nos porcos que, por sua vez, se lançaram precipício abaixo; mas, sim, que nós também podemos pedir ao Senhor para Ele permita que nossos pecados, nossos demônios pessoais, nos deixem, e que este milagre de Deus se faça também em nossas vidas.

Voltar à página anterior Topo da página
NEWSIgreja Ortodoxa • Patriarcado Ecumênico • ArquidioceseBiblioteca • Sinaxe • Calendário Litúrgico
Galeria de Fotos
• IconostaseLinks • Canto Bizantino • Synaxarion • Sophia • Oratório • Livro de Visitas