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Arquidiocese Ortodoxa de Buenos Aires e Exarcado da América do Sul
 
 
 

Homilia de S. Emncia. Revma. Arcebispo Tarasios, Metropolita de Buenos Aires,  Exarca da América do Sul, no «Oitavo Domingo do Evangelho de São Mateus».

Tradução: Pe. André

grande milagre do qual nos fala hoje o santo Evangelho, contém muitas lições: Aconteceu no deserto, onde milhares de pessoas tinham vindo de lugares próximos e distantes para ouvir o maravilhoso ensinamento de Cristo e para aprender.

Estas pessoas estavam tão concentradas, num santo êxtase, impressionadas com o aspecto divino de Cristo e por seus ensinamentos, que sequer se deram conta de que o sol se punha e o dia chegava ao fim. E Jesus sabia que essas pessoas estavam em jejum, e ao ter de passar pelo deserto para retornarem às suas casas, chegariam muito tarde, não mais a tempo de comprar mantimentos.

Mas, como poderiam ser alimentadas ali no deserto milhares de pessoas sem que tivesse havido qualquer providência ou preparação? O primeiro ponto no qual precisamos nos deter é que: ali ficaram num santo êxtase pela divina presença de Cristo e por causa dos Seus ensinamentos. Isto é, Cristo os atraiu; estavam interessados no que Ele tinha a lhes dizer e vieram de longe para escutá-Lo.

Nós, que viemos à Igreja, viemos porque a doutrina de Cristo nos desperta interesse. Sabemos que necessitamos aprendê-la, e que ela nos ajuda em nossa vida cotidiana, sendo ou não pecadores. Pois, todos nós somos pecadores, e não apenas aqueles que não vêm à igreja. Mas quando é que vão entender que precisam sentir esta mesma necessidade, precisam ter este mesmo interesse, precisam experimentar, eles também, este mesmo êxtase diante da divina presença de Cristo, quando?

A segunda questão que precisamos examinar é que: Cristo sabia, e Ele sabe quando estamos com fome, quando estamos jejuando; e escolheu o lugar e o tempo para ensinar sua lição. Mas, ele não poderia dizer tudo o que tinha a dizer numa das cidades próximas de Jerusalém. Ele precisava ir ao deserto?

Seguramente, porque a multidão precisava segui-Lo, assim como nós também devemos segui-Lo. Certamente precisou fazer assim para lhes ensinar que devemos esperar tudo d’Ele, e tudo d’Ele é que provém. No deserto, nada há de comestível, apenas areia e sol escaldante, nada mais. Porém, para que compreendamos qual é a força de Deus, e para que saibamos que só Deus se preocupa conosco, precisou ir ao deserto, e o mundo (a multidão) teve de se dirigir para lá também, para segui-Lo. Lá, longe do comércio, longe de suas casas, longe das comodidades do dia a dia, Jesus Cristo se preocupou com todos e os alimentou até que ficassem saciados.

Nós também, nos momentos mais «desertos» (solitários) de nossas vidas, estejamos seguros desta presença de Cristo que se preocupa com cada um de nós, que jamais nos deixa sem uma resposta, sem esperança, sem o consolo do Espírito Santo.

Nas cidades, isto é, no meio da riqueza, em meio a nossa boa saúde, no seio de nossa abençoada família, em meio a nossa bem sucedida carreira, não nos damos conta nunca de que padecemos desta fome, de que estamos jejuando. Só quando chegarmos ao deserto de nossa alma, isto é, quando fazemos a triste experiência da perda, de nossa posição profissional, nosso dinheiro, nossa saúde, alguém na família, então corremos buscar refúgio em Cristo para confortar-nos, porque, em essência, temos fé – se nos afastamos d’Ele é porque somos egoístas e desprovidos de fé.

O Apóstolo e Evangelista São João nos relata este mesmo acontecimento, com mais detalhes do que aqueles registrados por São Mateus. Diz João que: «um dos discípulos de Cristo, chamado André, disse: ‘Senhor, há aqui um menino que tem cinco pães e dois peixes, mas o que é isso para tanta gente’?»

Jesus ordenou que todos se sentassem e ficassem acomodados. Tomou os cinco pães, elevou os olhos ao céu, os abençoou e entregou aos seus discípulos. Os discípulos partiram-nos em pedaços e distribuíram às pessoas. Depois que milhares de pessoas comeram até ficarem saciadas, das sobras que os discípulos juntaram, encheram ainda doze grandes cestos

Ele tomou os cinco pães, olhou para o céu, os abençoou, os entregou aos discípulos ordenando que fizessem a distribuição à multidão. Depois que milhares de pessoas comeram até ficarem satisfeitas, do que sobrou os discípulos juntaram e encheram doze grandes cestos. E quem tinha os pães e os peixes? Um menino. Não era um presidente, um homem muito rico, tão pouco um político. Mas, apenas um menino! Nós não somos assim como as crianças em nossas almas, nada temos de proveitoso a oferecer a Cristo para a nossa salvação. Tudo o que aqui nesta terra possuímos aqui ficará. Tudo o que temos em nossos corações, se nossos corações forem como o coração daquele menino, então teremos aquilo que Cristo pede para nos alimentar, o Pão celestial, para saciar-nos com as palavras do Evangelho, para encontrarmos uma verdadeira fé e salvação.

O pouco se faz muito. Uma gota de sangue contamina todo o sangue; e o pouco se converte em muito! Uma maçã podre no interior de um cesto faz apodrecer todas as outras maçãs; e o pouco se converte em muito! Uma gota consagrada do sangue de Cristo consagra todo o vinho no santo cálice; e o pouco se converte em muito! A súplica do Espírito Santo ilumina as mentes de muitas pessoas, dos Apóstolos até nós, se abrimos os nossos corações para receber a Sua graça; e o pouco se converte em muito! Então, por que não seriam suficientes cinco pães e dois peixes? Bastaram e sobraram.

Cristo ordenou que fizessem certas coisas: Ordenou-lhes sentar, e sentaram. Ordenou-lhes comer, e comeram até ficar saciados. É o Senhor, e o Senhor diz e ordena. O Senhor tem o poder e a autoridade. Os fiéis, os devotos, não desafiam, não protestam, não provocam, não desobedecem. Esperam, escutam, suportam, obedecem, crêem.

Este poder e esta autoridade, Cristo transmitiu aos Seus discípulos. Ele disse aos Apóstolos que partissem os pães e os peixes, e que os repartissem. E, como sabemos da história e tradição de nossa Igreja, os Apóstolos transmitiram este poder e esta autoridade aos bispos, um dos quais é a minha humilde pessoa, para partir e repartir a graça e o amor de Cristo com cada um de vós, segundo a possibilidade e receptividade de cada um.

O bispo é o representante natural por excelência de Cristo, e a ninguém está permitido, sequer pronunciar a pergunta: quem é esse que vai nos dizer? Já foi suficientemente esclarecido e é preciso que esteja sempre muito claro em vossas mentes. Os que não concordam ou não aceitam, sabendo bem agora como é em nossa Igreja Ortodoxa, dela se excluem.

Que bela atitude, então, quando o Apóstolo André e Cristo prestaram atenção naquele menino que tinha cinco pães e dois peixes, que possivelmente os tenha trazido de sua casa, e que estava ali, tendo pedido para ver e escutar o Senhor. Imagine uma criança que quer ver e escutar a Cristo! Isso me parece hoje, no mínimo, curioso. Que criança está preocupada com Cristo? E pode ter pensado um menino em ir encontrar, ver e escutar Cristo? Como é possível que não tenha preferido ir jogar bola com os seus amigos, ou jogos de vídeo, ou passear no parque de diversões, ou ainda, ficar na cama dormindo até mais tarde?

Provavelmente, o que vou dizer agora seja duro para alguns, mas com certeza, a primeira influência deste menino para que quisesse ver Cristo, tenha sido de seus pais. Hoje é o dia da criança, e este é o melhor presente que podemos oferecer aos nossos filhos. E é por isso que o governo argentino mudou a data da criança, para que os pais, tendo recebido seus salários, possam comprar presentes para os seus filhos. Consumismo, mercantilismo, mentalidade mundana, erro. Psicologia equivocada. Tratamento errado dos problemas da juventude de hoje. Orientação errada para uma vida feliz. Enganosa, mentirosa, covarde.

Dêem aos vossos filhos o presente de Cristo. Como este menino que trouxe os pães e os peixes, isso é o que vos pedem. Dêem-lhes o que necessitam às suas almas, e que não temos o direito de lhes deixar faltar. Nós, os adultos, pais e mestres, clérigos e líderes, muitas vezes não somos tão sábios como cremos ser. Nem sempre temos em conta nossos filhos, os que estão dentro de nossas casas e aqueles que estão fora. Muitos pais falam e se comportam diante de seus filhos sem o devido cuidado, sem pensar no que dizem, e nos danos que tal conduta pode causar às suas crianças.

Faltam, freqüentemente, bons exemplos. Quando o trabalho diário nos ocupa tanto e não cultivamos o bom comportamento em nossos filhos, e não lhes damos a devida importância, nos os prejudicamos. E estão prejudicados.

E, o que se passa em geral na sociedade? Tudo aquilo que é prejudicial e destrutivo, as indecências, os desregramentos presentes em alguns jornais (não todos), livros, internet, cinema, as drogas que circulam neste país, certos programas de TV, e muitos mais, que não são obras de nossos filhos inocentes, mas de pessoas desprovidas de consciência moral, gananciosas, homens e mulheres do mundo que não pensam no que é bom para seus filhos, mas para seus bolsos. Não se sentem absolutamente culpados pela destruição dos filhos, senão, em alimentar seu hedonismo.

É preciso que exercitem constantemente o controle sobre vossos filhos, e não temam dizer-lhes «não»! Cuidem deles sem temer perder suas boas relações com eles. Isso vai fazer com que vos respeitem amanhã.

Ignorados pelos pais e irmãos mais velhos, sem uma formação adequada nas escolas que freqüentam, os pequenos padecem, freqüentemente, de deformação na alma e, na medida em que crescem, vão se tornando inimigos da sociedade, indo parar, às vezes, não só nas prisões do Estado, mas também nas prisões psiquiátricas. Perdidos, perambulam sem rumo e sem objetivos pela vida. Portanto, a missão de cada família de bem e da Igreja se torna cada vez mais difícil.

Deus trabalha de maneira misteriosa. Edifica melhor o Seu Reino com os corações bons e puros das crianças. O menino que estava ali no deserto, entre os tantos milhares de pessoas, Cristo o reconheceu. Tinha o alimento com o qual Cristo, milagrosamente, saciou a fome de tantas pessoas. Quem sabe? Talvez entre nós haja um menino de vida santa que nos traga um dia uma grande bênção para o mundo. Talvez seja vosso filho.

Aquele menino ofereceu o que tinha. Os primeiros cristãos não eram milionários, ou pessoas de grande poder ou fina educação, mas pessoas devotas, simples e humildes, que davam o que tinham. Deus nos deu talentos e carismas. São seus dons que devemos usá-los para realizar boas obras. Estes são os cinco pães e os dois peixes que temos para oferecer.

Imitem, às vezes, os vossos filhos. Recebam deles lições. Um menino deu seus pães e peixes a Cristo. Podemos crer que um adulto fizesse o mesmo? A malícia e o medo entraram em nossos corações, e podíamos sentir insegurança e medo pelo dia de amanhã. O menino acreditou em Cristo e Lhe deu o que lhe pediu, e que ara tudo o que tinha. Assim quero ser também eu. E quem é que vai me seguir?

Nós também podemos, se queremos, consagrar a Deus tudo o que temos e somos: nossa mente, nosso coração, nossa dedicação, nossa fé fervorosa e diligente serviço aos nossos semelhantes. Mas, o que aquilo que nos pede é que lhe demos nossos filhos, como sua mãe, a Santíssima Virgem Maria - cuja Dormição recordaremos amanhã - deu o seu filho; assim como Deus Todo Poderoso deu o seu Filho unigênito. E os damos a Deus quando os trazemos para a igreja. E Deus no-los devolve, meninos e meninas dignos, que serão, ao mesmo tempo, os pilares da sociedade e cristãos exemplares que herdarão o Reino de Deus.

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