10. Irmão, Padre, Bispo ...
Alguém que entra pela primeira vez numa igreja ortodoxa, sente-se normalmente inibido por não saber como se dirigir aos demais. Nós, cristãos, constituímos uma só família; todos somos parentes uns dos outros, e por isso, as formalidades são dispensadas.
"Irmão e Irmã", é a melhor forma de dirigir-se aos fiéis. Todos somos filhos do Deus único e descendentes de nossos primeiros pais.
"Padre" , é o tratamento que se dá aos sacerdotes celebrantes dos sacramentos pelos quais se nasce para a vida espiritual. É comum associar à palavra "padre" o nome eclesiástico do sacerdote; por exemplo: Padre fulano, beltrano. O mesmo se dá com os diáconos.
Não é recomendável dirigir-se ao sacerdote como "santo padre" pois, em geral, a santidade de uma pessoa é reconhecida depois de sua morte (excetuando-se o tratamento dado ao Patriarca Ecumênico e ao de Roma). Todos os outros Patriarcas e líderes das igrejas Autônomas ou Autocéfalas chamamos de "Beatitude". Tão pouco podemos nos dirigir aos sacerdotes chamando-o somente pelo nome, omitindo a palavra "padre". É um desrespeito e uma grosseria.
Aos sacerdotes e diáconos tratamos por "padre" acrescendo seu nome eclesiástico; aos bispos tratamos por "Sua excelência" e, aos arcebispos e metropolitas, tratamos por "Sua eminência", por serem revestidos de maior poder eclesiástico.
Quando nos dirigimos a uma pessoa ou servidor da igreja por carta: aos sacerdotes o tratamento por Reverendo ou Reverendíssimo; ao bispo Vossa Excelência, ao Arcebispo ou Metropolita Vossa Eminência. Ao Patriarca de Constantinopla e ao Patriarca e Bispo de Roma, "Vossa Santidade"
Os membros das seitas que não têm o sacerdócio ordenado reprovam os ortodoxos por causa destes tratamentos. Dizem que os pronomes de tratamento infringem as palavras de Cristo; "Não chameis a ninguém de Pai, pois Um é o vosso Pai que está no Céu" (Mt 23,9). Está claro, porém, que "não chameis" significa "não cultueis a ninguém como se fosse Deus". De outro modo, as palavras do Senhor não teriam sentido, pois no século I, o Evangelista e Teólogo João, em suas Epístolas, dirigia-se aos cristãos chamando-os "filhinhos". Evidentemente que, de forma correspondente era a resposta. Não se trata da palavra em si, mas de sua concepção íntima. A este respeito escreve muito bem o Diácono Andrés Kuraev: "Até o mais convencido batista chama o seu progenitor de 'pai' e não protesta quando seu filho o chama 'papai'."
Esta mesma controvérsia se dá quanto ao respeito que devotamos aos ícones. Sabemos que só há um Deus e somente a Ele adoramos. Quanto aos ícones e aos nossos progenitores, por mais que os amemos, não os adoramos, pois nosso Deus é Único.
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