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Padre Paisios do Monte Athos

Ecumenismo e Tradição

«Deve-se respeitar a Tradição»

uitos santos Mártires, quando não conheciam o dogma, diziam: «Creio em tudo aquilo que os Santos Pais ensinaram». Se um afirmava isso, sofria o martírio. Ele não sabia trazer provas aos perseguidores de sua fé, nem sabia convencê-los, mas confiava nos Santos Pais. Refletia: «Como posso não confiar nos Santos Pais? Eles que foram mais sábios, mais virtuosos e santos! Como posso aceitar uma estupidez? Como posso tolerar alguém que insulta os Santos Pais?»

Devemos confiar na tradição.

Hoje, infelizmente, ingressou entre nós a gentileza européia e nos estão ensinando como se faz para sermos inteligentes. Querem mostrar-nos a superioridade e, no final, prostram-se diante do diabo cornudo. Dizem-nos: «Deve existir uma religião!» Mas colocam tudo num mesmo plano. Também vieram a mim alguns que me disseram: «Todos aqueles que crêem em Cristo devem professar uma única confissão religiosa». Respondi-lhes: «É como se agora que obrigasseis a unir o ouro com o cobre; unir um ouro de muitos quilates com tudo aquilo de que foi purificado, recolher tudo novamente e reuni-lo. É justo misturar tudo novamente? Perguntai a um ourives: É justo misturar o lixo com o ouro?»

Houve uma grande luta para purificar o dogma.

Os Santos Pais eram sábios ao proibir as relações com os hereges. Hoje dizem: «Não só se deve viver com o herege, mas também com o Budista e o adorador do fogo. Devemos rezar juntos. Os ortodoxos devem participar das orações comuns e dos seus encontros. Trata-se de uma presença». Que tipo de presença? Procuram resolver tudo com a lógica e justificam coisas injustificáveis. O espírito europeu crê que até as coisas espirituais podem ser inseridas no mercado comum.

Alguns dentre os ortodoxos superficiais que querem realizar «missões», convocam convenções com heterodoxos, para causar espanto. Assim crêem estar promovendo a Ortodoxia fazendo uma salada confusa entre as coisas ortodoxas e aquelas de quem não crê retamente. Depois disso, reagem os super-zelotas e se agarram a outra extremidade, inclusive chegando a blasfemar contra os Sacramentos de quem usa um novo calendário eclesiástico etc.

Tudo isso escandaliza muito as almas devotas e com sensibilidade ortodoxa. Os heterodoxos, por outro lado, aqueles que participam das convenções, se fazem de mestres, apossam-se de todo bom material ortodoxo, filtram-no através de seu estudo em seus laboratórios, aplicam-lhes sua cor e etiqueta e o apresentam como um protótipo original.

Diante dessas coisas, nosso estranho mundo de hoje se comove e depois se arruína espiritualmente. O Senhor, porém, quando for necessário, fará suscitar os Marco Eugênico e os Gregório Pálamas que recolherão todos os nossos irmãos tão escandalizados, para que professem a fé ortodoxa e consolidem a tradição com grande alegria para a Mãe Igreja.

Se vivêssemos patristicamente, todos teríamos saúde espiritual, pela qual teriam ciúme também todos os heterodoxos, a ponto de deixar seus erros doentios e salvar-se sem sermões. Hoje não se comovem com nossa tradição patrística, porque querem ver também a nossa continuidade patrística, ou seja, a nossa autêntica afinidade de parentesco com os nossos Santos.

O que se impõe a cada ortodoxo é que coloque em santa inquietude também os heterodoxos, de modo que entendam que se encontram no erro e que seu pensamento não se acomode de modo errado sendo privados, nesta vida, das ricas bênçãos da Ortodoxia e, na outra vida, das eternas bênçãos de Deus. À minha Kalivi (pequena cela monástica) chegam jovens católicos de muito boa vontade, dispostos a conhecer a Ortodoxia. «Queremos que nos diga algo para sermos ajudados espiritualmente», dizem-me. «Atenção»– digo-lhes – «tomai as Escrituras e vereis que há algum tempo estávamos unidos mas depois, eis aonde chegamos. Isso vos ajudará muito. Fazei isso e na próxima vez discutiremos muito sobre muitos temas».

Antigamente se respeitavam as coisas porque tinham pertencido ao avô, e eram guardadas como objetos preciosos. Conheci um advogado muito inteligente. Sua casa era simples e fazia descansar não somente a ele mas também aos visitantes. Uma vez me disse: «Pai, há alguns anos os meus conhecidos riam de mim por causa de meus velhos móveis. Agora vêm e os admiram como peças de antiquário. Mas, para mim, o fato de usá-los me dá alegria e me comove porque me recordam meu pai, minha mãe, os meus avós, mas aqueles que colecionam coisas velhas promovem salões que parecem locais de comércio e se esquecem dessas coisas e também querem esquecer a angústia cósmica».

Tempo atrás, uma pequena moeda antiga era guardada como um grande patrimônio de sua mãe ou de seu avô. Hoje, se alguém recebe de seu avô uma moeda de (rei) Jorge (1922-1923 e 1935-1947) se, por exemplo, percebe que tem 100 dracmas de diferença em comparação com uma moeda do tempo da rainha Vitória, vai trocá-la. Não aprecia e não estima nem a mãe nem o pai. O espírito europeu penetra lentamente e nos arrasta carregando tudo consigo.

Quando, pela primeira vez, estive no Monte Athos, me recordo dum mosteiro de um velho monge que tinha muita devoção. Conservava as coisas «de avô para avô», por devoção. De seus «avós» (espirituais) e de seus predecessores não tinha somente os kalimafquia (barretes monásticos), mas também as fôrmas com as quais se fazem os kalimafquia. Possuía também velhos livros e diversos manuscritos e os guardava cobertos de modo precioso na biblioteca, bem fechada, para que não entrasse pó. Não usava aqueles livros; guardava-os fechados. «Eu não sou digno de ler esses livros» – dizia. «Lerei esses outros que são simples: o Gherontikon e os Klímaka». Depois chegou um novo monge – que não permaneceu no Monte Athos – e lhe disse: «Por que guardas essa coisarada inútil?» Pegou as fôrmas para jogá-las fora e queimá-las. O pobre velho chorou: «Isso vem de meu avô – dizia – por que te incomodam? Temos tantas outras celas; guarda num cantinho!» Por devoção conservava não comente os livros, enfeites, kalimafquia, mas também as fôrmas.

Quando há respeito pelas pequenas coisas, também existe respeito pelas grandes. Quando não há respeito pelas pequenas, não existe também pelas grandes. Foi assim que os Pais conservaram a Tradição.

Extraído do livro: Γέροντος Παϊσίου Αγιορείτου, Λόγοι, τόμος Α', Ιερό Ησυχαστήριο Άγιος Ιωάννης ο Θεολόγος, Σουρωτή Θεσ/νίκη, pp. 347-350.

Tradução: Pe. José Artulino Besen

 

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