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O primaz da Igreja na Grécia em visita à Igreja de Roma

«Peregrino nos passos de Pedro e Paulo»

«O coração da vida de todo cristão é a oração.
É a sua janela aberta para Deus.
Sem ela, o próprio movimento ecumênico
seria uma árvore sem raízes».

Entrevista com o arcebispo de Atenas, Christodoulos,
depois de seu encontro com o Papa

Gianni Valente

Sua beatitude Christodoulos, arcebispo de Atenas, deixa transparecer também exteriormente o talhe enérgico e sangüíneo de seu caráter. Por isso, os presentes ficaram surpresos quando o viram comover-se quase até as lágrimas em 14 de dezembro passado, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, no momento em que o cardeal arcipreste Andrea Cordero Lanza de Montezemolo o presenteou com dois elos da corrente que, segundo a tradição, manteve São Paulo preso em seu cárcere em Roma.

Apenas duas semanas depois da viagem de Bento XVI à Turquia, a visita de Christodoulos à Igreja de Roma – encontro e almoço com o Papa, diploma honoris causa em Ciências Jurídicas conferido pela Pontifícia Universidade Lateranense, visitas às basílicas e às catacumbas – confirmou a expectativa positiva de novidades que marca as relações entre a Igreja de Roma e a Ortodoxia no momento presente.

— Beatitude, o senhor foi o primeiro arcebispo de Atenas a visitar a Igreja de Roma e a encontrar seu bispo desde os tempos do cisma do Oriente...

CHRISTODOULOS: Fomos a Roma, sé de nosso venerado irmão, papa Bento XVI, como peregrinos nos passos dos santos apóstolos Pedro e Paulo, para sermos sinais vivos de reconciliação, paz e amor. Viemos para oferecer, mas também para receber, colaboração numa Europa que está perdendo sua identidade cristã. Voltamos de lá muito contentes, pois o bispo de Roma nos fez entender que conhece muito bem as problemáticas atuais e está bem disposto a unir-se a nós para dar um testemunho comum à nossa secularizada sociedade européia.

— No encontro com o Papa, o senhor começou seu discurso sublinhando que veio a Roma para rezar nos túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo.

CHRISTODOULOS: Para nós, ortodoxos, a veneração dos túmulos dos mártires e dos apóstolos é uma fonte viva, que sustenta e encoraja a nossa vida cristã rumo à perfeição, segundo o evangelho de Cristo. Os primeiros cristãos, em meio às perseguições, fizeram de tudo para conservar como um tesouro precioso as relíquias daqueles que, tendo sido testemunhas oculares, tornaram-se anunciadores do evangelho de Cristo, como escreve São Lucas. Desde os primeiros séculos do cristianismo, o verdadeiro motivo que impelia os peregrinos a irem a Roma era o desejo de rezar nos túmulos dos apóstolos. Um momento culminante e inesquecível para a minha experiência espiritual foi a visita aos túmulos de Pedro e Paulo, protocorifeus dos apóstolos, o segundo dos quais é o padroeiro celeste mas também o fundador da nossa Igreja santa e apostólica de Atenas e da Grécia. Rezamos com intensidade e confiança nesses lugares que são santos para toda a cristandade.

— Em setembro passado foram retomados os trabalhos da comissão mista de diálogo teológico entre católicos e ortodoxos. Qual é, a seu ver, a maneira adequada de enfrentar o tema difícil do primado e da autoridade na Igreja?

CHRISTODOULOS: A comissão mista de diálogo teológico entre a Igreja romano-católica e a ortodoxa continua com seriedade, paciência e coerência em seu difícil trabalho. Esse trabalho se realiza sob a coordenação e a tutela da santa Igreja primacial do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, que nós – como Igreja da Grécia – apoiamos com grande senso de responsabilidade diante da história.

Quanto ao tema da autoridade do bispo de Roma, nós nos sentimos “em boas mãos”, visto que sua santidade o papa Bento sempre frisou que “Roma não deve exigir do Oriente, com relação à doutrina do primado, mais do que foi formulado e vivido durante o primeiro milênio”!

— No campo ortodoxo, até à margem ao trabalho da comissão mista, abriu-se um debate aceso sobre o papel do Patriarcado Ecumênico...

CHRISTODOULOS: As Igrejas ortodoxas devem tomar as decisões de maneira sinodal, também no diálogo teológico com a Igreja Católica. Mas no seio da Ortodoxia o Patriarcado Ecumênico tem a tarefa de coordenar e favorecer a unidade, pondo em prática essas decisões.

— O metropolita Ioannis de Pérgamo, co-presidente ortodoxo da Comissão Mista, propõe que a solução a respeito do tema do primado possa ser buscada a partir de dois axiomas: “Onde está a eucaristia está a Igreja” e “não pode haver sinodalidade sem primado, não pode haver primado sem sinodalidade”...

CHRISTODOULOS: São dois bons pontos de referência para iniciar o diálogo a respeito de um ponto tão controverso.

— Às vezes parece que a unidade entre os cristãos seja um terreno de interesse apenas para círculos eclesiásticos restritos. Qual é o caminho mais simples por meio do qual todos os fiéis possam contribuir para o caminho rumo à unidade?

CHRISTODOULOS: O coração da vida de todo cristão é a oração. É a sua janela aberta para Deus. Sem ela, o próprio movimento ecumênico seria uma árvore sem raízes, condenada a morrer mais cedo ou mais tarde. Congratulo a 30Dias por toda bela e útil iniciativa que chame a atenção para isso!

— O senhor descreveu o papa Ratzinger lembrando-o como “teólogo eminente, pesquisador assíduo dos Padres gregos do Oriente”. Como julga a abordagem de Bento XVI e de seus colaboradores em relação às Igrejas ortodoxas?

CHRISTODOULOS: Sua santidade o papa Bento XVI é um intelectual de fama internacional, um sábio do nosso tempo. É um grande conhecedor e um grande amigo da Ortodoxia. Esperamos muito dele e estamos seguros de que com suas energias e seu carisma marcará nossas relações entre cristãos. Ao seu lado está um homem muito douto, capaz, preparado e sério como o cardeal secretário de Estado Tarcisio Bertone. É um verdadeiro amigo nosso e estamos certos de que dará sua contribuição máxima às relações entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa! Estamos próximos de ambos de bom grado, com a nossa incessante oração ao Senhor, doador de todo bem!

— O senhor por acaso teve a oportunidade de convidar Bento XVI para visitar a Grécia numa peregrinação seguindo os passos de São Paulo?

CHRISTODOULOS: Uma visita do Pontífice à Grécia não depende apenas da nossa boa intenção, mas também do programa e das necessidades pastorais do próprio Papa. A Grécia é um país famoso por sua hospitalidade generosa e está aberto a todos. No momento oportuno, saberá fazer todo o necessário para estar à altura das circunstâncias históricas, como soube fazer também durante a histórica visita a Atenas do grande papa de bem-aventurada memória João Paulo II, em 2001.

Fonte:

Revista 30Dias na Igreja e no Mundo, edição Novembro 2006, pp. 22/23.

 

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