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II ASSEMBLÉIA ECUMÊNICA EUROPÉIA:

«Uma festa de comunhão»

Graz (Áustria), 23 - 29 de Junho de 1997

Mensagem Final:

(A 1) Vindos de todas as Igrejas cristãs da Europa e de todas as regiões do nosso continente nós, os 700 delegados(as) estivemos reunidos em Graz. Tivemos a sorte de ter entre nós convidados de outras religiões e continentes, como também alguns milhares de participantes. "Reconciliação dom de Deus e fonte de vida nova" é o tema que nos reuniu nesta Segunda Assembléia Ecumênica Européia.

Apesar de entre nós existirem divergências eclesiológicas notórias que provocaram cisões no interior do mundo cristão, sabemos que Jesus Cristo nos une no nosso sofrimento comum face ao escândalo da divisão e na procura partilhada da reconciliação. Neste espírito, propomos algumas observações e sugestões em vista a uma compreensão mais global da necessidade de reconciliação. Todavia, de modo nenhum compreendemos que se negligencie a importância em ultrapassar as diferenças eclesiológicas que continuam a existir e das quais estamos profundamente conscientes. Para chegar a uma melhor cooperação entre as Igrejas da Europa, torna-se indispensável que todas se esforcem em fazer face aos graves problemas espirituais e sociais do nosso tempo.

(A 2) O que pode significar "reconciliação" na Europa, se tivermos em conta as numerosas pessoas que entre nós ainda sofrem as conseqüências de duas terríveis guerras mundiais, de guerras desumanas que, desde a queda do Muro de Berlim, devastaram o nosso continente? Com que autoridade ousamos, como cristãos, falar de reconciliação neste final de milênio, quando este milênio começou com a ruptura entre as Igrejas do Ocidente e do Oriente?

A resposta a estas questões encontra-se numa confissão de fé comum e renovada, e na esperança em Deus "por Nosso Senhor Jesus Cristo por quem desde agora recebemos a reconciliação" (Rom 5,11).

Mas antes de dar conta, às nossas Igrejas e comunidades, da nossa busca do dom da reconciliação e de formas de vida reconciliada, queremos expressar quanta alegria nos trouxe esta Assembléia de Graz. Quem ousaria esperar, há oito anos, quando da primeira Assembléia Ecumênica Européia de Basiléia, que nos encontraríamos numa Europa tão profundamente transformada? Alegramo-nos pelo dom da liberdade e da livre circulação reencontradas, saudamos as possibilidades de nos compreendermos mutuamente, de nos ajudarmos uns aos outros e de vivermos juntos.

Estes dias encheram-nos de alegria, tanto mais que, como povo de Deus, empreendemos uma peregrinação no nosso ardente desejo de unidade.

1. A riqueza das nossas culturas e tradições

(A 3) Alegramo-nos com a riqueza que constituem as nossas diferentes culturas e tradições. Pouco a pouco, recuperamos uma consciência mais viva da extensão e da diversidade deste continente, embora nos debatamos sempre com as conseqüências da confrontação Este-Oeste que dominou a Europa durante quatro décadas. Tínhamo-nos tornado estrangeiros uns dos outros. Mas nesta simpática e acolhedora cidade de Graz, vivemos uma festa de comunhão e ganhamos novos amigos. Sobretudo, experimentamos a profundidade do vínculo da nossa fé.

2. A comunhão, apesar das maiores contradições

(A 4) Não desejamos negligenciar os contrastes e contradições subjacentes na diversidade que caracteriza o nosso continente. Em Basiléia, no ano de 1989, numerosos eram aqueles que não previam as enormes alterações que se preparavam. Na Europa Central e Oriental, as condições sociais e econômicas de uma grande parte da população sofreram mudanças radicais. Embora existam ainda variações consideráveis em várias regiões, parece surgir uma tendência generalizada para uma maior liberdade e perspectivas mais alargados. Em numerosos países, outrora socialistas, surgiram problemas devido à tradição jurídica e às instituições se terem desenvolvido lentamente e não estarem preparadas para a sua renovação. Todavia, as mudanças que começaram muito antes de 1989 representam um desafio para todas as sociedades européias, maior ou menor conforme cada uma: aceder a uma nova compreensão delas próprias e redefinir as relações entre elas.

(A 5) A alegria que experimentamos aqui, em Graz, na Segunda Assembléia Ecumênica Européia, reforçou a nossa convicção de que a Europa deve ser um continente aberto. Seja por razões geográficas, históricas, religiosas ou culturais, ficou sempre claro que a Europa é impensável sem os outros continentes. A diversidade da Europa está fundada na sua abertura que é ao mesmo tempo a sua força e a sua vulnerabilidade. É por isso que a paz é cada vez mais urgente.

3. Da alegria ao reconhecimento: a reconciliação - dom do Deus Misericordioso

(A 6) A alegria da comunhão que nos é dada abre os nossos corações à gratidão para com Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Criador do Mundo e Senhor da história. Só podemos falar de reconciliação na medida em que a recebemos na vida das nossas Igrejas como o dom de Deus a quem a Bíblia testemunha como sendo "misericordioso e bondoso" (cf. Êxodo 34, 6; Salmo 103, 8; 145, 8; 122, 4; Joel 2, 13; Jonas 4, 2; Luc 1, 50; 2 Cor 1, 3). A Sagrada Escritura fala também da cólera e do ciúme de Deus, mas fá-lo sempre baseada na misericórdia e no amor divinos. Neste ponto, judeus, cristãos e muçulmanos estão de acordo. Aí reconhecemos uma profunda semelhança que oferece uma base de ação comum, ao sair da longa e amarga história de perseguições e de guerras de religiões que a ocultou.

4. A Criação subsiste pelo amor de Deus

(A 7) "Fomos amados antes do princípio do mundo", diz a mística inglesa Julienne de Norwich (séc. XIV). Com esta afirmação, testemunha que a origem da criação se encontra no amor de Deus. Este amor sustém e mantém a cada instante a vida do mundo. No Livro das Lamentações, lemos: "Os favores de Iahweh não terminaram, suas compaixões não se esgotaram; elas se renovam todas as manhãs, grande é a sua fidelidade!" (Lam 3, 22-23). O Sirácide diz: "O Senhor tem piedade de todas as criaturas" (Sir 18, 13). Estas reflexões mostram que o amor de Deus abarca todo o universo. A luz da inabalável bondade de Deus é a beleza do mundo, embora sabendo quanto o sofrimento e a banalidade a impregnam.

5. Jesus Cristo é o amor de Deus em pessoa.

(A 8) Damos graças a Deus porque em Jesus Cristo uma imagem luminosa do seu amor nos foi dada. Num ato de abandono em que Ele próprio, o Filho de Deus, encama e Se torna obediente até à morte e mesmo morte de cruz (cf. Fil 2, 5-11). A sua ressurreição anuncia o cumprimento de todas as coisas. Paulo declara: "Era Deus quem em Cristo reconciliava o mundo consigo, não imputando aos homens as suas faltas e colocando em nós a palavra da reconciliação" (2 Cor 5, 19). Segundo o testemunho do Apóstolo, Deus começa uma nova criação ressuscitando Jesus dentre os mortos. Somos chamados a quebrar o ciclo da violência cuja conseqüência se traduz por uma culpabilidade e castigo contínuos, uma cólera e vingança constantes. Podemos e devemos sair dos laços da culpabilidade e das relações cortadas para ter acesso à paz de Deus. Nós, cristãos, fomos várias vezes indignos mensageiros da reconciliação.

Muitas vezes, as nossas vidas e os nossos atos não são nem reconciliados nem fundados na misericórdia de Deus que nos foi revelada em Jesus Cristo. É por isso que, em Graz, quisemos escutar o apelo do Apóstolo: "Deixai-vos reconciliar com Deus" (2 Cor 5, 20).

6. O Espírito de Deus age entre nós como força de reconciliação

(A 9) Damos graças a Deus porque a novidade da reconciliação está em ação no mundo. É o dom do Espírito Santo conferido no Pentecostes, no qual fazemos a experiência da presença permanente, na história, de Cristo Ressuscitado (Mat 18, 20; 28, 20). Chamamos "santo" o Espírito, não só porque vem de Deus, mas porque Ele tem o poder de santificar a nossa vida, isto é, de a transformar de alto a baixo e de criar novas relações. É o que significa a palavra grega para reconciliação, "katallagé" (literalmente, transformação total, nova criação - 2 Cor 5, 17). Ainda que levemos sempre traços da nossa falta de reconciliação, acreditamos que esta energia da reconciliação continua em ação entre nós hoje. Ela manifesta-se já no nosso desejo de reconciliação (cf. Rom 8, 26s.) e prepara-nos a deixar transformar os nossos pensamentos e os nossos atos.

7. A Trindade - o movimento do Amor Universal

(A 10) Ao testemunhar o mistério do amor de Deus, os cristãos professam a sua fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Deste modo exprimem a experiência da revelação do amor do Pai na pessoa de Jesus, que aceita dar a sua vida por nós. Pela morte e ressurreição de Jesus, recebemos o dom do Espírito Santo que nos faz participar do amor dinâmico da Santíssima Trindade. Este movimento do amor de Deus, que é único e engloba tudo, envolve toda a criação. É capaz de penetrar e de transformar o coração de cada pessoa, revelando-nos a origem, o modelo e a finalidade da nossa existência, segundo a oração de Jesus ao seu Pai: "Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós" (João 17,21).

8. A bondade de Deus conduz-nos ao arrependimento

(A 11) À luz da misericórdia de Deus, tomamos simultaneamente consciência dos nossos pecados individuais e coletivos. Compreendemos a pergunta do Apóstolo Paulo: "Desprezas a riqueza da sua bondade, paciência e longanimidade, desconhecendo que a benignidade de Deus te convida à conversão?" (Rom 2, 4). Lemos a parábola de Jesus sobre o servo mau que, por cem denários, põe o seu companheiro na prisão, quando o rei lhe tinha perdoado uma dívida de dez mil talentos, o que representa cerca de 50 milhões de denários (cf. Mat 18, 23-35). Incapazes de medir a imensidade da bondade de Deus, sentimos como somos indignos. A nossa gratidão pela generosidade e paciência de Deus conduz-nos a confessar abertamente a nossa dívida, a nossa culpabilidade e os nossos fracassos.

(A 12) Estamos conscientes do fato de que a culpabilidade e o sofrimento se encontram repartidos entre nós de um modo muito desigual. É por isso que não nos queremos empenhar numa auto-humilhação generalizada. Temos todas as razões para estarmos reconhecidos por todas as mulheres e todos os homens, do passado e do presente, que foram embaixadores obedientes e fiéis da reconciliação de Deus, ao ponto, muitas vezes, de sacrificarem as suas vidas por Cristo. Mas quando nos dirigimos a Deus, cheios de gratidão pela sua bondade sem medida, tomamos consciência da nossa condição comum de pecadores e das nossas vidas despedaçados diante de Deus ("coram Deo"). Do mesmo modo que a Assembléia de Basiléia adotou uma confissão detalhada de pecados e insistiu sobre a necessidade de voltar para Deus (metanóia, cf. §§ 4lss.), aqui em Graz somos convidados a confrontar as nossas faltas e os nossos fracassos à luz do apelo à reconciliação que Deus nos dirige. Se aceitamos denunciar as nossas faltas e as nossas omissões e conseguimos confessar a pena provocado pelas injustiças sofridas, só então podemos esperar libertar-nos desses fardos e encontrar novos caminhos para o futuro. A reconciliação que vem de Deus conduz-nos, pela porta estreita do arrependimento, para os grandes espaços da vida reconciliada.

(A 13) Se, aqui em Graz, falamos do pecado no contexto da reconciliação, não é só para visar, certamente em primeiro lugar, o comportamento errado de grupos ou de indivíduos. Desejamos sobretudo abordar as dimensões do mal que estão profundamente enraizados nas nossas memórias de comunidades cristãs na Europa e que nos perseguem até hoje.

9. As divisões entre as Igrejas.

(A 14) Juntos confessamos diante de Deus que obscurecemos a unidade pela qual Cristo orou (cf. João 17, 9s). Oferecemos ao mundo o espetáculo aflitivo de um mundo cristão despedaçado pelas suas divisões. Trata-se de conseqüências fatídicas do fato de, ao longo da história, termos tirado conclusões diferentes para a vida das nossas Igrejas. Isto levou muitas vezes a acusações recíprocas, a condenações e perseguições. Deste modo, a credibilidade do nosso testemunho cristão comum foi enfraquecido.

10. Cristãos e judeus

(A 15) Temos uma longa história de culpabilidade em relação ao povo judeu. Embora Jesus seja originário do povo judeu segundo a carne, e embora a nossa fé seja inconcebível sem a fé do Povo da Aliança, a nossa cultura está marcada até hoje por traços de anti-semitismo. Ao longo dos séculos, os judeus foram perseguidos em numerosas partes da Europa "cristã". Cristãs e cristãos contribuíram para tal, porque eles não compreenderam, ou mesmo negaram, que Deus permanece fiel às suas promessas. Encontramos exemplos desde o começo da era cristã, que se multiplicam nas perseguições da Idade Média. No nosso século, em particular, a Europa foi testemunha da abominável tragédia da Shoah. Lembramos com gratidão aqueles que entre os cristãos, e com o preço da própria vida, salvaram judeus da morte. Apesar disso, o anti-semitismo renasce sem cessar das suas cinzas.

11. Homens e mulheres

(A 16) Confessamos diante de Deus que uma atitude indigna face às mulheres subsiste ainda nas nossas Igrejas e nas nossas sociedades. Deus criou o homem e a mulher à sua imagem. Jesus Cristo, Deus encarnado, considerava o homem e a mulher como iguais, e sublinhava não as suas diferenças, mas a sua unidade, como o exprime a epístola aos Gálatas 3, 28. Entretanto, de maneira implícita, persiste a opinião, por vezes justificado com referências às Escrituras e à Tradição, de que a mulher é em relação ao homem uma imagem menos completa de Deus. Por conseqüência, todo o seu ser, bem como a sua missão, seria de menor valor e mereceria um respeito menor. Também as mulheres foram subordinadas aos homens na família, na Igreja e na sociedade. Isto reflete-se no fato de, no momento atual, não se encontrar espaço suficiente para que as mulheres possam exprimir a riqueza dos seus carismas e vocações nos diversos ministérios (1 Cor 12, 4-13) e órgãos de decisão das nossas Igrejas. A violência física dos homens contra as mulheres estende-se desde a discriminação sistemática, aos níveis econômico e político, até às formas quotidianas de opressão doméstica. Se devemos levar a sério o sentido do batismo como incorporação de todos os cristãos batizados no corpo de Cristo, qualquer ato de violência contra a mulher, como contra cada ser humano, deve ser considerado como uma ferida infligido no corpo de Cristo.

12. Ruptura entre as gerações

(A 17) Confessamos que, enquanto cristãos e Igrejas, contribuímos para a ruptura entre as gerações. A Igreja, bem como a sociedade, é preocupação comum de todas as gerações: crianças, jovens, adultos e idosos. No entanto, o processo de decisão e as estruturas são limitadas aos membros de algumas gerações, ainda que as decisões dizem respeito a todos. Isto contradiz a imagem dinâmica da Igreja como Povo de Deus em marcha, no seio do qual todos os batizados partilham, segundo os seus carismas, a responsabilidade comum. As Igrejas sofrem, por conseguinte, uma perda da sua credibilidade junto das jovens gerações.

13. Complexo de superioridade dos povos europeus

(A 18) Muitas das nossas Igrejas contribuíram para o desenvolvimento do sentimento de superioridade européia que permitiu justificar a dominação da Europa sobre outros povos da terra. Faltou muitas vezes às nossas Igrejas a lucidez e a força para reprimir a destruição de culturas estrangeiras, evitar genocídios ou o tráfico de escravos. Construímos muitas vezes impérios e estabelecemos estruturas de poder que procuramos legitimar a partir da religião. Até aos nossos dias, esta forma de superioridade européia encontra a sua expressão quando nos arrogamos o direito de nos apropriar das riquezas e dos mercados dos outros continentes, ignorando totalmente os seus problemas mais agudos e pisando novamente as vítimas que aí estão na miséria. Com esta atitude, traímos o amor de Deus, um amor sem discriminação de raça, de religião e de cultura. Por esta razão, não podemos ser observadores silenciosos. Enquanto estamos reunidos aqui, milhares de cristãos sofrem a perseguição e as provas em várias partes do mundo. Não podemos ficar indiferentes à realidade de governos europeus continuarem a manter relações económicas e políticas com países nos quais os cristãos sofrem.

14. Abusos sobre a Criação

(A 19) Não pusemos em prática o mandamento divino de tratar com respeito a criação inteira e de trabalhar para garantir a sua integridade. Interpretamos abusivamente a exortação bíblica de "submeter e dominar", como se nos dessem licença para explorar conscientemente e de maneira egoísta as riquezas da criação, quando de fato se trata de um apelo a sermos administradores. Até hoje, e apesar de estarmos conscientes do problema, teimamos em viver segundo os nossos esquemas habituais e o conforto trazido pelo consumismo.

15. O arrependimento não dissimula as diferenças entre nós

(A 20) O arrependimento não dissimula as diferenças entre nós. No espelho da bondade de Deus, reconhecemos não só a nossa dívida comum a Deus e a nossa necessidade de perdão, mas também a dívida que não cessamos de ter aos outros e ao mundo. Esta tomada de consciência mais nos leva a distinguir imediatamente entre nós a parte da falta e do sofrimento que se manifesta de novo em cada um. As mulheres sofreram, e ainda sofrem, mais do que os homens. As crianças sofrem mais do que os adultos. Os povos pequenos foram e são ainda submetidos sem defesa à agressividade de povos mais poderosos, muitas vezes sem nenhuma proteção. O direito das minorias foi e continua a ser calcado aos pés. Isto diz respeito, por exemplo, aos ciganos, cuja história amarga, em toda a Europa, é realidade vergonhosa feita de desprezos e perseguições. Isto diz também respeito àqueles que, originários de África, da Ásia e das Caraíbas, são sempre novas vítimas do racismo e da xenofobia. Não negamos as profundas diferenças entre autores e vítimas. Não dizemos que somos todos igualmente culpados ou que o nosso sofrimento é idêntico. Também é nossa preocupação, daqueles de nós que vimos de países da Europa Ocidental, afirmar sem rodeios que, durante anos, muitos de nós ignoraram os sofrimentos dos cristãos, obrigados a viver em países sob dominação comunista. Não se trata de esquecer. Está em jogo mais do que o respeito pela nossa memória. Compreendemos a reconciliação entre nós como a tentativa sempre renovada de extrair das nossas memórias o veneno da amargura para permitir que sejam curadas.

16. A reconciliação não substitui a justiça e a verdade

(A 21) Confirmamos expressamente que a mensagem da reconciliação não substitui a busca da justiça e da verdade. Infelizmente, o termo "reconciliação" tomou-se para muitos uma noção barata porque foi freqüentemente utilizado para minimizar a culpa e para cobrir com o manto da tolerância acontecimentos que exigiam uma denúncia crítica. Aquela ou aquele que é vítima de uma injustiça deve poder ter confiança num Estado de direito, representado por juizes íntegros que garantam uma justiça eqüitativa, para que a sua dignidade seja restaurada e o mal sofrido seja compensado. Quem transgride o direito deve esperar ser castigado. O autor de uma injustiça não tem direito a exigir reconciliação, do mesmo modo que não deveremos esperar que a vítima da injustiça esteja inclinada a perdoar automaticamente.

17. A Graça transcende a justiça

(A 22) Afirmamos firmemente, no entanto, que as leis estabelecidas e observadas pelos seres humanos devem apoiar-se na compaixão de Deus. Esta é a única forma de contrariar o perigo de ver o direito transformar-se em instrumento de luta pelo poder ou defesa de interesses egoístas. A reconciliação de Deus ultrapassa toda a forma de expiação, de reparação ou de reajuste que os nossos sistemas legais possam oferecer, pois ela pode em simultâneo curar as nossas vidas feridas e restabelecer a nossa dignidade violada. Uma vez tocados pela força desta reconciliação, podemos renunciar a contabilizar e comparar os nossos prejuízos, do mesmo modo que podemos deixar de negar ou ocultar os nossos erros. Agraciados sem medida nem limite por Deus, compreendemos quanto a graça excede o direito.

18. A escola da misericórdia

(A 23) "Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso", está escrito em Lucas (6, 36). Um dos numerosos testemunhos, freqüentemente desconhecidos, desta mensagem foi Isaac, o Sírio (séc. VII). Ele comparava a nossa vida de cristãos a uma "escola da misericórdia". Tinha a convicção de que o Espírito Santo do Deus misericordioso queria criar em nós um "coração compassivo". "O que é um coração compassivo? É um coração que se consome pelo mundo inteiro, pela humanidade, os pássaros, os animais, os demônios e todas as criaturas. Pela sua grande compaixão, o seu coração torna-se completamente humilde e não suporta ver ou ouvir o mínimo atentado ou o mínimo dano feito contra a criação" (Homilia 71).

Descobrimos nestas palavras uma espiritualidade da "compaixão" pela criação de Deus que não deixa de evocar numerosos movimentos cristãos de reforma, nomeadamente, o de S. Francisco de Assis. Esta compaixão significa muito mais que simpatia ou piedade. Fundamenta-se num conhecimento profundo do sofrimento das vítimas. Conseqüentemente, procura as vias e meios para restabelecer na sua integridade aqueles que foram humilhados e convida os culpados a renunciar à sua pretensão de poder. Reerguer, retificar, libertar, renunciar fazem parte integrante da prática da reconciliação. Ela encontra-se plenamente expressa no mandamento de Jesus: "Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros" (João 13, 34-35). Viver este amor na compaixão e na reciprocidade é, ao mesmo tempo, necessário e possível.

19. A corrente de amor entre gerações

(A 24) A "escola da misericórdia" existe também nos nossos dias e em muitos lugares. Ela tem a sua primeira expressão na família. Numerosas mulheres e homens, avós, pais e filhos, vizinhos e amigos dão prova disso cada dia através da prática de uma compaixão silenciosa. Uma corrente de amor passa de uma geração a outra. Manifesta-se sem grandes discursos, quando as diferenças são aplanadas, quando se responde ao mal com o bem, quando os adversários procuram ganhar aos seus opositores com doçura e amor (cf. Mt 5, 44). Dada a amplitude dos conflitos entre gerações e a extensão da violência que conhecem, insistimos na importância da reconciliação entre os sexos e entre as gerações. A dignidade das pessoas idosas e a dos jovens, a proteção dos fracos e a salvaguarda do direito das crianças à vida, incluindo daquelas que ainda não nasceram, são a medida com que será julgada a humanidade das nossas sociedades. A afirmação da dignidade e da santidade da vida é um grande desafio para as Igrejas.

20. Reconciliados para ser companheiros na alegria

(A 25) Na "escola da misericórdia", o trabalho pela comunhão visível (koinonia) das Igrejas é, por assim dizer, uma disciplina principal. O apóstolo exorta os cristãos de Éfeso nestes termos: "... suportem-se uns aos outros com amor, procurando conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz" (Ef 4, 2). Temos todas as razões para dar graças pelas vias que nos aproximaram uns dos outros. Referimo-nos, por exemplo, à declaração do 5º Encontro Ecumênico entre a KEK e a CCEE (Santiago de Compostela, 1991), aos acordos de Leuenberg, de Meissen e de Porvoo. Ao mesmo tempo, devemos constatar que existem novas dificuldades e situações complexas que nos levam a imaginar novas iniciativas. Tal como as gerações que nos precederam, somos chamados a procurar a unidade visível querida por Cristo. Devemos ao mundo a preservação da palavra da reconciliação em nós e no seio das nossas Igrejas. Temos, em primeiro lugar, que reconhecer honestamente aquilo que ainda nos separa, para ultrapassar os preconceitos e a desconfiança. Temos, igualmente, que fazer juntos tudo o que em consciência podemos fazer juntos.

O que é muito mais do que comumente supomos. As mulheres provaram ter um dom especial para desenvolver uma espiritualidade de partilha, de mediação e de celebração. O apóstolo Paulo escreveu: "Não tencionamos dominar a vossa fé, mas colaboramos para que tenhais alegria; é pela fé que estais firmes" (2 Cor 1, 24). Isto inclui a oração e a intercessão, a partilha de ministérios nos nossos bairros e cidades, projetos comuns de formação e de diaconia e programas comuns de missão. Consideramos também que é importante que as Igrejas majoritárias respeitem e apóiem, nos seus respectivos países, as preocupações das Igrejas minoritárias.

21. Uma parceria reconciliada e o diálogo com as outras religiões e culturas

(A 26) Esforçamo-nos por tomar a peito que Deus "... não está longe de cada um de nós", como assegura o apóstolo Paulo aos Atenienses (At 17, 27).

A fidelidade à nossa fé deveria andar de mãos dadas com o respeito das convicções de outros crentes. É urgente que as Igrejas reflitam sobre a relação entre o Evangelho e a Cultura. É também importante repensar as nossas práticas missionários. A gravidade desta atitude torna-se evidente face à recordação das guerras de religião, que traçaram um caminho de sangue ao longo da história do nosso continente. Até aos dias de hoje, as oposições religiosas podem ser recuperadas para apoiar os conflitos políticos. Cabe também às nossas Igrejas a responsabilidade de se empenharem ativamente e com determinação a favor da erradicação de estereótipos hostis e da criação de redes de alianças viáveis. Não podemos admitir o abuso das convicções religiosas para justificar conflitos armados. O que implica o nosso empenhamento para eliminar os mal entendidos e as rivalidades relacionadas com as outras religiões. Contra todos os defensores de um "confronto das civilizações", queremos promover a tolerância e a cooperação. Temos uma tarefa particularmente urgente no que respeita ao Islã, não só porque cerca de trinta milhões de muçulmanos vivem hoje na Europa, mas também porque o Cristianismo e o Islã têm uma longa e amarga história de recriminações e de hostilidade, que deve ser ultrapassada num espírito de reconciliação entre vizinhos. Os jovens têm também de desempenhar um papel significativo no diálogo inter-religioso e inter-cultural dos dias de hoje. O processo de globalização, a mobilidade acrescida e meios de comunicação mais eficazes contribuíram para criar novas possibilidades para este diálogo e, ao mesmo tempo, uma nova abertura e uma maior tolerância para com a diversidade.

22. A proteção dos fracos: economia sob o signo da misericórdia

(A 27) A Europa é sem contestação possível um continente rico, não só em recursos naturais mas também pela sua tradição de iniciativa e de criatividade humanas. No entanto, os batalhões de desempregados, de beneficiários do rendimento mínimo, o número de desalojados e de infelizes não param de aumentar. A liberdade política e o reforço das condições democráticas dos nossos países, que desde 1989 fizeram progressos tão consideráveis, aumentaram ainda mais a disparidade das condições econômicas e sociais. As pessoas que mais sofrem com isso são os idosos, as famílias numerosas, as mães solteiras e os jovens. As pessoas com deficiências estão mais marginalizadas que nunca, ainda que alguns países tenham feito um esforço para melhorar as suas possibilidades de desenvolvimento. Os que procuram asilo são cada vez mais rejeitados e os incidentes racistas multiplicam-se em toda a parte.

(A 28) No espelho da misericórdia de Deus, a sociedade de concorrência fundada nos interesses puramente monetários e a procura desenfreada de lucros aparece profundamente brutal e impiedosa. Defendemos nas nossas Igrejas o desenvolvimento de sistemas econômicas que visem proteger os fracos em toda a terra e tenham como critério a dignidade inerente a todos os seres humanos. Procuramos fórmulas que encorajem os seres humanos a desenvolver a sua criatividade, não só para obter lucro, mas também a favor da solidariedade e da solução dos problemas sociais, através de uma parceria entre o Estado e as iniciativas individuais e coletivas. É malévolo e insensato fazer da Europa uma fortaleza que procura aferrolhar-se contra as desgraças dos outros continentes. O direito à vida das futuras gerações exige de nós, igualmente, que cessemos desde já de adiar para o futuro o custo a pagar pelas nossas gestões inconsideradas. A reconciliação implica a renúncia aos ganhos excessivos e ao consumo intempestivo. Cabe-nos desenvolver critérios para as soluções sociais, econômicas e políticas que nos permitam avaliar em que medida estas se relacionam com a dignidade humana, a justiça, a liberdade e a solidariedade.

23. A reconciliação e a política de paz

(A 29) A dimensão política é um domínio importante para a reconciliação. Reclamamos o desenvolvimento de sistemas de segurança que abarquem toda a Europa e que impeçam a Europa de constituir uma ameaça para outras partes do mundo. O desenvolvimento de instituições democráticas comuns e de uma cooperação política e econômica em toda a região da Europa reforçará a sua estabilidade e reduzirá o risco de conflitos. Por outro lado, quando partes da Europa estão desprovidas de garantias de segurança, torna-se mais fácil manipular as velhas tensões políticas. As instituições européias devem servir de instrumentos de reconciliação com vista à criação de uma Europa sem fronteiras, na qual se procura a segurança pela cooperação, e não pela dissuasão militar. Retomamos para nós a declaração de Basiléia, segundo a qual, "nos nossos países e no nosso continente, não existe nenhuma situação que exija ou justifique o recurso à violência" (§ 61). Não deixamos abalar a nossa convicção de que a reconciliação entre os povos é possível, mesmo que muitas vezes se tenha abusado desta fórmula. É por isso que apoiamos a promoção do desenvolvimento e a extensão do serviço voluntário pela justiça, a paz e a integridade da criação.

24. A reconciliação na gestão da vida

(A 30) Acontece que somos a primeira geração da longa história da humanidade a poder contemplar a terra a partir do exterior. Vemo-la como "o planeta azul", rodeada de um fino véu de ar e de gás, perdida na imensidão incomensurável do universo. O nosso espanto é ainda maior ao ver que esta Terra abriga uma diversidade tão inumerável de criaturas vivas. Começamos a aprender que este planeta é limitado, vulnerável e pequeno, enquanto nós estávamos habituados a considerá-lo como "um mundo sem fim". Razão por que nos atribuímos a liberdade de explorar as riquezas da Terra sem preocupação com a sua própria dignidade, sem considerar o seu valor intrínseco e sem respeitar limites. Agora damo-nos conta de que estamos a ultrapassar os limites da sua viabilidade e a destruir a habitação dos seres vivos, que é também a nossa própria casa. A reconciliação com a natureza implica, entre outros, um compromisso da nossa parte para preservar a integridade das condições climáticas e dos sistemas ecológicos, e o reconhecimento da necessidade de prudência no que respeita às manipulações na composição genética de todas as espécies.

25. A reconciliação e a distribuição mundial das riquezas

(A 31) A história da Europa, tal com a das nossas Igrejas, está de muitas maneiras inextricavelmente ligada à dos outros continentes. A época do colonialismo deu lugar a uma nova era onde as grandes potências reivindicam com insistência o seu direito de governar. A Europa, no entanto, continua a ser uma grande potência mundial e os projetos atuais de reforçar e alargar a União Européia devem reger-se por uma consciência de responsabilidade mundial. Naquilo a que chamamos a "Aldeia Global", os Estados têm cada vez mais dificuldade em assegurar sozinhos o necessário para o que chamamos uma vida melhor. Com a crescente mundialização, vemo-nos confrontados com um perigo real: que os seres humanos sejam submetidos às leis do mercado e do comércio. Como crentes, não podemos aceitar que a riqueza esteja concentrada nas mãos de uma minoria privilegiada. Os novos horizontes à escala mundial pedem uma regulamentação planetária, e o comércio mundial exige uma rede mundial de solidariedade. A Terra é a nossa morada, preciosa mas também vulnerável. É preciso verificar com muito cuidado qual o nosso contributo para a dívida ecológica e reavaliar a parte da dívida financeira que todos os povos da Terra deverão assumir, porque o pagamento da dívida é uma condição prévia. A verdadeira reconciliação exige que nos perguntemos em que medida as nossas práticas de gestão, de produção e de consumo são realmente duráveis. Não haverá uma justa distribuição e salvaguarda dos recursos da Terra senão na medida em que nos mostrarmos prontos a abandonar as nossas vantagens injustas.

26. A reconciliação - assumir a nossa finitude

(A 32) A reconciliação não se limita aos imperativos éticos. A idéia de deixar o que temos e da renúncia relaciona-se com a essência da existência humana. Subjacente às tentativas de tudo adquirir, possuir, controlar e defender, revela-se o desejo insensato de negar a proximidade da morte ou, pelo menos, de evitar os riscos da existência e de os dominar tanto quanto possível. Inversamente, logo que assumimos a nossa finitude, abrimo-nos às possibilidades que nos são dadas na partilha com os outros seres humanos e com as outras criaturas num mundo finito. Aprendendo a "contar os nossos dias" (Salmo 90, 12), aproximamo-nos da medida do humano e assim também da medida do que é viável para todas as criaturas. A "escola da misericórdia" de que falamos não significa um lugar de contemplação, mas sim um movimento de resistência contra a tendência corrente de dividir as pessoas em "ganhadores" e "perdedores", e de medir o seu valor por este critério. Sabemo-nos submetidos à finitude, mas ousamos esperar novos céus e uma nova terra.

A espera do Reino de Deus está para além do nosso horizonte; ela ajuda-nos a encontrar a medida da nossa humanidade mortal e a combater as múltiplas tentações do poder e do orgulho. O Magnificat da Mãe de Jesus lembra-nos que Deus depõe os poderosos do seu trono e exalta os humildes (cf. Lc 1, 59).

27. Celebrar a reconciliação

(A 33) A reconciliação reclama toda uma vida. É no entanto mais do que uma obra e não poderia ser coerciva. Continua a ser uma fonte de energia em Deus, que nos atinge e nos sustenta. Deste modo, um certo número das nossas Igrejas entende o arrependimento e a reconciliação como um sacramento, como uma dimensão profunda da nossa existência, que facilmente perdemos de vista na agitação do quotidiano.

Esta dimensão sacramental foi expressa de formas diferentes nas nossas Igrejas, mas o que é importante é medir tudo o que temos em comum.

Mantemos que o Domingo é mais que um dia feriado e esforçamo-nos por santificá-lo através da celebração do culto. Testemunhamos, assim, que nós, os humanos, não somos donos do tempo, mas que temos de reconhecer o nosso lugar no tempo. Cada batismo manifesta a dignidade única de todo o ser humano. Na água do batismo reconhecemos a presença do Espírito que é fonte de toda a vida e nos incorpora no corpo de Cristo. Na Eucaristia, celebramos fundamentalmente a nossa participação na obra do Reconciliador, que deu a sua vida para que fôssemos restabelecidos na nossa integridade e curados nas nossas feridas (cf. Is 53, 5). Ele nos reúne e ajuda-nos a procurar as próximas etapas que temos de percorrer no nosso caminho comum.

28. Um Jubileu no espírito da reconciliação

(A 34) Os desafios e as exigências que a família dos cristãos da Europa enfrenta adquirem toda a sua importância à luz da celebração do milênio do nascimento de Cristo, nosso Senhor e Salvador. Este "ano da graça do Senhor" representa um momento crucial da nossa história, no qual nós somos renovados pela unção do Espírito que nos torna discípulos de Cristo. É o Espírito que nos envia a proclamar a Boa Nova. A nossa fé cristã obriga-nos a lutar pela liberdade e a dignidade de todos os povos. Na nossa fome de justiça, elevamos a voz em nome dos pobres, nomeadamente pelos países cujo próprio porvir se encontra ameaçado pela dívida internacional que os paralisa e pela cupidez da nossa exploração dos seus recursos não renováveis. É o Espírito que nos chama à conversão e à renovação, como pessoas reconciliadas com Deus e umas com as outras. O Espírito pressiona-nos para trabalhar e rezar sem cessar para eliminar as trágicas divisões que tanto martirizaram o corpo de Cristo. É o Espírito que nos leva ao terceiro milênio e que nos recorda a promessa de Jesus de estar sempre conosco. O Espírito enche-nos de confiança, de coragem e da consciência da mensagem e do ministério da reconciliação que nos foram confiados.

(A 35) Vivemos uma celebração da reconciliação ao longo destas jornadas, na oração e na escuta da palavra de Deus. Experimentamos deste modo o dom de Deus que nos aproxima uns dos outros e nos permite discernir as próximas etapas a percorrer no nosso caminho. Recordamos as maravilhas do amor de Deus e o nosso compromisso de seguir Jesus amando o próximo como a nós mesmos. Fomos exortados a perseverar com firmeza na espera do Reino de Deus. "Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação" (2 Cor 1, 3).


Fonte:

Presbyterian Church of Portugal

 

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