Portal Ecclesia
A Igreja Ortodoxa Atualizações e notícias Seleção de textos Subsidios homiléticos para Domingos e Grandes Festas Calendário litúrgico bizantino Galeria de Fotos Seleção de ícones bizantinos Clique aqui para enviar-nos seu pedido de oração Links relacionados Clique para deixar sua mensagem em nosso livro de visitas Contate-nos
 
 
Loading
Biblioteca Ecclesia
 
 
 

 

II ASSEMBLÉIA ECUMÊNICA EUROPÉIA:

«Uma festa de comunhão»

Graz (Áustria), 23 - 29 de Junho de 1997

Recomendações:

1. A procura da undade visível das Igrejas

1.1. Recomendamos às Igrejas que, por ocasião do ano 2000, exprimam a sua comunhão fraterna preparando iniciativas e ações simbólicas, litúrgicas e pastorais. Ao entrar no terceiro milênio, deviam sobretudo esforçar-se por celebrar na mesma data a Festa da Páscoa; deviam tender para o reconhecimento mútuo, solene e oficial do Batismo por todas as Igrejas cristãs.

Argumento: A preparação da celebração do milênio já começou num certo número de Igrejas. Achamos que é desejável coordenar estes esforços. Seria bom que as Igrejas agarrassem a ocasião oferecida pela atenção geral suscitada pelo ano 2000 para reforçar a credibilidade ecumênica, dando testemunho em comum. Há vários modelos à disposição, como o Dia Mundial de Oração das Mulheres; mas o certo é que, num espírito de criatividade, podem ser elaboradas novas iniciativas.

1.2. Recomendamos que as Igrejas redijam uma Carta Comum dos direitos e deveres ecumênicos fundamentais; e que se ponham de acordo sobre uma série de diretivas, regras e critérios, a fim de ajudar as Igrejas - os responsáveis e todos os membros - a distinguir entre o proselitismo e o testemunho cristão, entre o fundamentalismo e a verdadeira fidelidade à fé, dando enfim uma forma às relações entre Igrejas majoritárias e minoritárias que esteja de acordo com o espírito ecumênico.

Argumento: A situação atualmente difícil do ecumenismo é devida a múltiplos problemas. Têm que se tomar medidas apropriadas. É preciso promover uma cultura ecumênica, fundada em disposições firmes, que permita aos membros das diferentes Igrejas viverem e trabalharem juntos.

1.3. Recomendamos fortemente às Igrejas que promovam a formação e educação ecumênicas. Devem organizar estudos bíblicos comuns; devem esforçar-se por atingir uma interpretação comum da sua história; devem aproveitar todas as ocasiões para se conhecerem melhor mutuamente e multiplicar as experiências em comum.

Argumento: A tarefa ecumênica das Igrejas não pode ficar à margem da vida eclesial. Pelo contrário, deve ter na prática e na piedade das Igrejas e dos cristãos o mesmo impacto que as suas preocupações sociais e políticas. O que só será possível na medida em que o ecumenismo se tome um princípio diretor em todos os domínios da vida eclesial que dizem respeito à formação e ao desenvolvimento das pessoas.

2. Diálogo entre religiões e culturas

2.1. Recomendamos às Igrejas que contribuam, por todos os meios apropriados, para a salvaguarda da liberdade religiosa e dos direitos das pessoas, a fim de preservar a dignidade e a identidade de todos os seres humanos.

Argumento: O respeito dos direitos fundamentais é a base indispensável da coexistência das religiões no mundo moderno e a salvaguarda da diversidade das convicções e dos estilos de vida.

2.2. Recomendamos às Igrejas que apóiem os grupos que se consagram ao diálogo inter-religioso. As experiências e conhecimentos adquiridos com este diálogo servir-lhes-ão sobretudo no campo da formação e da educação, para transmitir informações objetivas e eliminar preconceitos.

Argumento: Se as pessoas e os grupos de convicções religiosas e filosóficas diferentes quiserem viver em conjunto com harmonia, é absolutamente essencial que aprendam a conhecer-se e a apreciar-se mutuamente. Isto supõe, a longo prazo, experiência e trabalho pacientes.

2.3. Recomendamos às Igrejas que consagrem, como já fizeram na Itália e na Alemanha, um dia para o diálogo com o judaísmo e para o encontro com a fé viva dos judeus. Do mesmo modo, outros dias e ocasiões podem ser consagrados às relações com as outras religiões.

Argumento: O encontro entre as pessoas humanas não se desenrola apenas no plano intelectual. As dimensões simbólica e espiritual são indispensáveis para tornar esse encontro profundo e sólido.

3. Empenhamento pela justiça social, sobretudo para vencer a pobreza, a exclusão e outras formas de discriminação.

3.1. Recomendamos que as Igrejas lancem um processo de consulta a propósito das questões econômicas e sociais. Deste modo, contribuirão para dar valor ao direito que cada pessoa tem de participar na vida econômica.

Argumento: A integrarão dos mercados ao nível internacional e mundial tende a enfraquecer as tradições européias de justiça social. O desemprego maciço em quase todos os países é um desafio lançado às Igrejas. Devem dar particular atenção às categorias mais atingidas - os jovens e as mulheres - e trabalhar por um sistema eqüitativo de segurança social.

3.2. Recomendamos às Igrejas que se empenhem numa política justa e humana de imigração, particularmente no que diz respeito aos refugiados de guerra e aos que pedem asilo. A legislação dos diferentes países e os acordos internacionais devem ter em conta os critérios humanitários estabelecidos nas declarações relativas aos direitos humanos, e tentar desenvolvê-los mais.

Argumento: Os países da Europa Ocidental tornam-se cada vez mais inacessíveis às pessoas que procuram uma nova pátria. Todas as formas de racismo e xenofobia são contrárias à ética cristã, porque os cristãos crêem em Jesus que fez do estrangeiro um irmão e que ultrapassou todas as fronteiras étnicas.

3.3. Recomendamos às Igrejas que lutem, a todos os níveis e por todos os meios, contra a discriminação das mulheres, e que procurem caminhos para que as mulheres sejam tratadas com mais justiça, de modo especial ultrapassando as práticas sexistas na vida econômica e pública.

Argumento: Em numerosos países, as mulheres são vítimas das mudanças sociais. São ameaçados pela violência e a exploração de muitas maneiras, sobretudo no domínio sexual. As nossas Igrejas são chamadas a reconhecer e a denunciar tais ameaças e a contribuir para a sua supressão. Podem ser pensadas neste sentido: o trabalho caritativo, a formação, a informação da opinião pública e os programas específicos de ajuda.

3.4. Recomendamos às Igrejas que intensifiquem as medidas de proteção e de amparo à família, tomando especialmente em conta a situação dos jovens e dos idosos.

Argumento: A família é o lugar de um amor fiel e capaz de perdoar; está ao serviço do futuro da sociedade. A expansão demográfica implica particular vigilância em relação aos idosos. As Igrejas podem ajudar eficazmente estes grupos da população: programas educativos e de apoio para as famílias; escolas, desde o jardim de infância às universidades; hospitais e lares de terceira idade. Assim se manifestará com clareza o amor do cristão pelo seu próximo.

4. Compromisso pela reconciliação entre os povos e pela promoção de métodos não violentos para a resolução de conflitos.

4.1. Recomendamos às Igrejas que se empenhem ativamente no debate sobre os processos do desenvolvimento político europeu, criando instrumentos de ação comum e reforçando as instituições que já existem.

Argumento: As instituições européias (OSCE, Parlamento Europeu, União Européia) são os motores da reestruturação política do conjunto da Europa. Se as Igrejas não se querem ver excluídas deste processo, precisam de tomar iniciativas comuns, prosseguir uma troca de experiências constante e proceder à permanente análise do desenvolvimento europeu. Na primeira linha, estão os esforços de limitação de armamento (por exemplo, pela promoção de códigos de conduta europeus) e o protesto contra a produção, exportação e utilização das minas anti-pessoais.

4.2. Queremos pedir às Igrejas que tenham um papel ativo e permanente na transformação pacífica dos conflitos (por exemplo, na Irlanda do Norte e em Chipre) e nos processos de pacificação e de reconciliação que deveriam seguir-se aos conflitos armados (entre outros, na Bósnia, Croácia, Sérvia, Tchechénia).

Argumento: As Igrejas têm deveres quando se trata de reconciliação e não podem deixar de apoiar todos os passos que forem dados para estancar a violência e curar as feridas que dela resultaram. Podemos assinalar, como exemplos, as diferentes formas de mediação dos conflitos, os esforços para a reconstrução e o cuidado de garantir aos refugiados que regressem às suas terras as condições para refazer a vida dignamente.

4.3. Recomendamos à K.E.K. [Conferência das Igrejas Européias] e ao C.C.E.E. [Conselho das Conferências Episcopais Européias] e às suas Igrejas - membros que promovam a troca de experiências sobre os processos de paz e reconciliação, a partir de iniciativas particulares, de instituições, de paróquias, de centros de animação e de formação.

Argumento: O desenvolvimento de uma cultura da não-violência exige um processo de formação, no qual as experiências locais se ligam às experiências internacionais. Estes programas de formação deviam incluir sobretudo os jovens, os militares e os profissionais da política.

4.4. Recomendamos à K.E.K. e ao C.C.E.E. que estabeleçam uma comissão permanente para a análise e o estudo dos conflitos. Esta comissão deveria suscitar processos de reconciliação e explorar as possibilidades de instituir a formação, a nível europeu, de especialistas na resolução não-militar dos conflitos.

Argumento: Há projetos para institucionalizar a investigação quanto ao tratamento e resolução não-militar dos conflitos, os quais são discutidos tanto a nível internacional como nacional. É muito urgente que as Igrejas da Europa tomem parte ativa nestas discussões. Reforçariam a sua própria credibilidade se se empenhassem de maneira clara. Contribuiriam para honrar o compromisso tomado em Basiléia com vista a criar "serviços Shalom", estruturas comuns para os serviços profissionais de paz.

5. Nova prática da responsabilidade ecológica, para os dias de hoje e para as gerações futuras.

5.1. Recomendamos à s Igrejas que considerem e promovam a salvaguarda da criação como uma parte integrante da vida eclesial. Poder-se-ia planear, a exemplo do que é feito pelo Patriarcado Ecumênico, a celebração de uma festa comum da criação.

Argumento: O problema ecológico é duma tal importância para o futuro da humanidade que merece conscientização e animação perseverantes no seio das Igrejas, de tal modo que a salvaguarda da criação seja reconhecida como uma dimensão inerente à vida eclesial e não um sector particular que as Igrejas poderiam deixar de parte.

5.2. Recomendamos às Igrejas que promovam um estilo de vida conforme aos critérios de desenvolvimento sustentável e de justiça social, apoiando todas as iniciativas tendentes a uma economia que satisfaça esses critérios.

Argumento: A responsabilidade ecológica deve determinar a ação não só ao nível pessoal, mas também aos níveis político e econômico. Segundo os critérios de desenvolvimento sustentável, é sempre importante poupar energia e criar e utilizar formas de energia renováveis. Cristãs e cristãos podem, com o apoio da sua paróquia e da sua Igreja, adotar um estilo de vida exemplar, que demonstre que podemos libertar-nos do consumismo, e sublinhar o valor da verdadeira qualidade de vida.

5.3. Recomendamos às Igrejas que adiram à Agenda 21, associando-a ao processo ecumênico ou conciliar de Justiça, Paz e Salvaguarda da Criação.

Argumento: A Agenda 21 apresenta uma base de ação, obtida em convênios de nível internacional, com importantes características comuns ao processo "Justiça, Paz e Salvaguarda da Criação". Esta facilita a colaboração com as instâncias sociais e políticas de nível local e comunitário.

5.4. Recomendamos à K.E.K. e ao C.C.E.E. que estabeleçam uma rede de responsáveis do ambiente, com os quais trabalhariam em parceria.

Argumento: Para enraizar a solicitude em relação à salvaguarda da criação na vida da Igreja e assegurar-lhe eficácia política, é indispensável dar provas de competência profissional. As Igrejas membros e as conferências episcopais deviam nomear responsáveis pelas questões do ambiente. A K.E.K. e o C.C.E.E. deviam, de seguida, na sua qualidade de organizações parceiras, erigir as estruturas de uma rede constituída por tais responsáveis.

6. Partilha eqüitativa com as outras regiões do mundo

6.1. Recomendamos às Igrejas européias, no espírito do Ano Jubilar, que promovam um movimento em favor da anulação da dívida dos países mais pobres. O princípio do milênio seria uma boa data simbólica para este efeito.

Argumento: A questão do perdão da dívida deve ocupar um lugar especial na ordem do dia das reuniões do G-7 em Birmingham (Junho 1998) e em Berlim (l999). As Igrejas deveriam fazer uma campanha pública nessa ocasião, em defesa dos interesses dos países mais pobres. Deveriam igualmente persuadir os governos europeus para trabalharem, no quadro do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, para procurar uma solução realista e durável para os problemas da dívida.

6.2. Recomendamos às Igrejas que recordem, nos seus países respectivos, que já há 25 anos as Nações Unidas propuseram, a título indicativo, que O, 70/,, do produto nacional bruto seja consagrado à ajuda ao desenvolvimento. Recomendamos igualmente que as Igrejas se comprometam a afetar 2% das suas receitas para a ajuda ao desenvolvimento.

Argumento: Embora o abismo entre ricos e pobres continue a crescer a nível mundial, a percentagem de ajudas ao desenvolvimento diminui de maneira contínua, tendo atingido em 1995 o nível mais baixo: 0,27 % do produto nacional bruto dos principais países doadores. As Igrejas devem tomar posição contra esta tendência, dando elas mesmas um exemplo que interpele constantemente a consciência do público e do mundo político.

6.3. Recomendamos às Igrejas que apóiem iniciativas cristãs exemplares no domínio da atividade econômica, que organizem campanhas contra o trabalho das crianças, o turismo sexual, a venda de mulheres e outras formas de exploração.

Argumento: Já existem nas Igrejas uma série de iniciativas notáveis como, por exemplo, "Fair Trade" ou a Sociedade Cooperativa Ecumênica para o Desenvolvimento (SCOD), cuja finalidade é demonstrar que as relações econômicas eqüitativas são realizáveis. As Igrejas deveriam dar prioridade a estes modelos. Deviam prestar, nas suas relações públicas, uma atenção muito particular à luta contra as formas mais odiosas da exploração humana.

6.4. Recomendamos às Igrejas que dêem prioridade à formação ecumênica nos seus programas pedagógicos, sublinhando as questões de alcance planetário e a importância da partilha das riquezas materiais, culturais e espirituais.

Argumento: A comunidade ecumênica mundial deve conceber-se como uma comunidade de aprendizagem mútua. Para corresponder ao seu dever de reconciliação, as Igrejas devem facilitar e enriquecer a vida de todos no nosso planeta, trocando informações sobre a marginalizarão, a exploração e a repressão, e partilhando entre si bens de toda a espécie.


Fonte:

Presbyterian Church of Portugal

Voltar à página anterior Topo da página
NEWSIgreja Ortodoxa • Patriarcado Ecumênico • ArquidioceseBiblioteca • Sinaxe • Calendário Litúrgico
Galeria de Fotos
• IconostaseLinks • Canto Bizantino • Synaxarion • Sophia • Oratório • Livro de Visitas