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Comissão «Fé e Constituição» 
do Conselho Mundial de Igrejas, 1982.

Texto de Lima:

«Convergência da Fé»

(Batismo, Eucaristia, Ministério), 1982


II - O BATISMO

I. A instituição do Batismo

1. O batismo cristão tem o seu fundamento no ministério de Jesus de Nazaré, na sua morte e ressurreição. É incorporação em Cristo, o Senhor crucificado e ressuscitado; é entrada na Aliança nova entre Deus e o seu povo. O batismo é um dom de Deus, e é conferido no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O evangelho de S. Mateus conta que o Senhor ressuscitado, ao enviar os seus discípulos ao mundo, ordenou-lhes que batizassem (Mat. 28:18-20). A prática universal do batismo pela Igreja apostólica, desde os primeiros dias, é atestada nas cartas do Novo Testamento, nos Atos dos apóstolos e nos escritos patrísticos. As Igrejas, hoje, continuam esta prática como um rito de empenho para com o Senhor, que espalha a sua graça sobre o seu povo.

II. A significação do Batismo

2. O batismo é o sinal da vida nova em Jesus Cristo. Une o batizado com Cristo e o seu povo. As Escrituras do Novo Testamento e a liturgia da Igreja desenvolvem a significação do batismo, utilizando imagens variadas, exprimindo as riquezas de Cristo e os dons da sua salvação. Estas imagens estão algumas vezes em relação com os usos simbólicos da água no Antigo Testamento. O batismo é participação na morte e na ressurreição de Cristo (Rom 6:3-5; Col 2:12); purificação do pecado (1 Cor 6:11); novo nascimento (João 3:5); iluminação por Cristo (Ef. 5:14); mudança de vestuário em Cristo (Gal 3:27); renovação pelo Espírito (Tit 3:5); experiência de livramento através das águas do dilúvio (1 Ped 3: 20,21); salda da escravatura (1 Cor 10: 1,2); libertação em vista de uma nova humanidade na qual são ultrapassadas as barreiras entre os sexos, as raças e as situações sociais (Gal. 3: 27, 28; 1 Cor 12:13). As imagens são numerosas, mas a realidade é uma.

a - Participação na Morte e na Ressurreição de Cristo

3. O batismo significa uma participação na vida, na morte e na ressurreição de Jesus Cristo. Jesus desceu ao Jordão e foi batizado, em solidariedade com os pecadores, a fim de cumprir toda a justiça (Mat 3:15). Este batismo conduziu Jesus no caminho do Servo sofredor, manifestado pela sua paixão, morte e ressurreição (Mc 10: 38-40, 45). Pelo batismo os cristãos são imersos na morte libertadora de Cristo, onde os seus pecados são sepultados, onde o "velho Adão" é crucificado com Cristo, e onde o poder do pecado é quebrado. Deste modo, os batizados não são mais escravos do pecado, mas livres. Totalmente assimilados à morte de Cristo, eles são sepultados com ele e ressuscitam, aqui e agora, para uma vida nova no poder da ressurreição de Jesus Cristo, confiantes de que um dia serão também unidos a ele numa ressurreição semelhante à sua (Rom 6:3-11; Col 2:13; 3:1; Ef 2:5,6).

b - Conversão, perdão, purificação

4. O batismo, que faz dos cristãos participantes no mistério da morte e da ressurreição de Cristo, implica a confissão do pecado e a conversão do coração. Já o batismo administrado por João era um batismo de conversão em vista do perdão dos pecados (Mc 1:4). O Novo Testamento sublinha as implicações éticas do batismo, representando-o como uma ablução que lava o corpo com uma água pura, uma purificação do coração de todo o pecado, e um ato de justificação (Heb 10:22, 1 Ped 3:21; Act 22:16; 1 Cor 6:11). Assim, os batizados são perdoados, purificados e santificados por Cristo; recebem uma nova orientação ética, sob a conduta do Espírito Santo, que faz parte da sua experiência batismal.

c - Dom do Espírito

5. O Espírito Santo opera nas vidas antes, durante e depois do batismo. É o mesmo Espírito que revelou Jesus como o Filho (Mc 1:10,11) e que deu o seu poder aos discípulos, assim como a unidade, no Pentecostes (Act 2). Deus derrama sobre cada batizado a unção do Espírito Santo prometido, marca-o com o seu selo e põe no seu coração a garantia da sua herança como Filho de Deus. O Espírito Santo alimenta a vida da fé no seu coração, até à libertação final, altura em que tomarão posse da sua herança, para louvor da glória de Deus (2 Cor 1:21,22; Ef 1:13,14).

d - Incorporação no Corpo de Cristo

6. Celebrado em obediência ao nosso Senhor, o batismo é um sinal e um selo do nosso empenho comum de discípulos. Através do seu próprio batismo, os cristãos são conduzidos à união com Cristo, com cada um dos outros cristãos e com a Igreja de todos os tempos e de todos os lugares. O nosso batismo comum, que nos une ao Cristo na fé, é assim um vínculo fundamental de unidade. Somos um só povo e somos chamados a confessar e a servir um só Senhor, em cada lugar e no mundo inteiro. A união com Cristo que partilhamos pelo batismo tem implicações importantes para a unidade cristã: "Há... um só batismo, um só Deus e Pai de todos..." (Ef. 4:4-6). Quando a unidade batismal se realiza na Igreja una, santa, católica e apostólica, um testemunho cristão autêntico pode ser prestado ao amor de Deus que cura e reconcilia. É por isso que o nosso único batismo em Cristo constitui um apelo dirigido às Igrejas, para ultrapassarem as suas divisões e manifestarem visivelmente a sua comunhão.

Comentário:

Quando as Igrejas são incapazes de reconhecer que as suas diversas práticas do batismo são uma participação no único batismo, e quando elas permanecem divididas não obstante o seu reconhecimento mútuo do batismo, dão a imagem dramática de um testemunho dividido da Igreja. Quando as Igrejas aceitam, em certos lugares e tempos, que as diferenças de sexo, de raça, de situações sociais, dividam o Corpo de Cristo, estão a pôr em causa a autenticidade da unidade batismal da comunidade cristã (Gal. 3:27,28) e comprometem seriamente o seu testemunho. A necessidade de reencontrar a unidade batismal situa-se no coração do trabalho ecumênico; é igualmente central para viver uma autêntica comunhão no seio das comunidades cristãs.

e - Sinal do Reino

7. O batismo abre à realidade da vida nova dada neste mundo. Faz participar na comunidade do Espírito Santo. É um sinal do Reino de Deus e da vida do mundo futuro. Graças aos dons da fé, da esperança e do amor, o batismo possui uma dinâmica que atinge toda a vida, estende-se a todas as nações e antecipa o dia quando toda a língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus o Pai.

III. O Batismo e a fé

8. O batismo é simultaneamente o dom de Deus e a nossa resposta humana a este dom. Tende a um crescimento em direção ao estado de adulto, à estatura de Cristo na sua plenitude (Ef. 4:13). Todas as Igrejas reconhecem a necessidade da fé para receber a salvação implicada e manifestada no batismo. O empenho pessoal é necessário para se ser um membro responsável no corpo de Cristo.

9. O batismo não consiste somente numa experiência momentânea, mas tem que ver com o crescimento de toda uma vida na comunhão de Cristo. Os batizados são chamados a refletir a glória do Senhor, a ser transfigurados nesta mesma imagem, com uma glória cada vez maior, pelo poder do Espírito Santo (2 Cor 3:18). A vida do cristão é necessariamente um combate contínuo, mas também uma contínua experiência da graça. Nesta relação nova, os batizados vivem para Cristo, para a sua Igreja e para o mundo que ele ama, aguardando na esperança a manifestação da nova criação de Deus e do tempo em que Deus será tudo em todos (Rom 8:18-24; 1 Cor 15: 22-28, 49-57).

10. Crescendo na vida da fé, os crentes batizados manifestam que a humanidade pode ser regenerada e libertada. Eles têm a responsabilidade comum de, aqui e agora, prestarem testemunho conjunto ao Evangelho de Cristo, o libertador de todos os seres humanos. O contexto deste testemunho comum é a Igreja e o mundo. Nesta comunhão de testemunho e de serviço, os cristãos descobrem a plena significação do único batismo como dom de Deus a todo o seu povo. Do mesmo modo, reconhecem que o batismo na morte de Cristo tem implicações éticas, que não somente chamam à santificarão pessoal, como também empenham os cristãos na luta para que se realize a vontade de Deus em todos os sectores da vida (Rom 6:9 ss; Gal 3:26-28; 1 Ped 2:21 - 1 Ped 4:6).

IV. A Prática do Batismo

a - Batismo dos adultos e Batismo das crianças

11. É possível que o batismo das crianças tenha sido praticado no período apostólico, mas o batismo depois de uma profissão de fé pessoal é a forma mais claramente atestada nos documentos do Novo Testamento. No decurso da história, a prática do batismo desenvolveu-se segundo formas variadas. Certas Igrejas batizam crianças apresentadas por pais ou por responsáveis dispostos a criá-las, na e com a Igreja, segundo a fé cristã. Outras Igrejas praticam exclusivamente o batismo dos crentes capazes de fazer uma confissão de fé pessoal. Entre estas Igrejas há as que recomendam que os recém-nascidos ou as crianças sejam apresentados e abençoados no decurso de um serviço que compreende habitualmente uma ação de graças pelo dom da criança, assim como a manifestação do empenho da mãe e do pai em serem pais cristãos. As Igrejas batizam crentes que, provenientes de outras religiões ou da descrença, aceitam a fé cristã e participam numa instrução catequética.

12. O batismo dos adultos e o batismo das crianças têm lugar, um e o outro, no seio da Igreja como comunidade de fé. Quando um crente responsável é batizado, uma confissão de fé pessoal fará parte integrante do serviço batismal. Quando uma criança é batizada, a resposta pessoal ocorrerá mais tarde na sua vida. Nos dois casos, o batizado terá que crescer na compreensão da fé. No caso dos batizados que confessam pessoalmente a fé, há sempre a exigência de um crescimento contínuo da resposta pessoal na fé. No caso das crianças, espera-se para mais tarde uma confissão pessoal; a educação cristã é orientada tendo em vista o desenvolvimento dessa confissão.

Todo o batismo é fundado na fidelidade de Cristo até à morte, e proclama essa fidelidade. Está situado no coração da vida e da fé da Igreja, e revela a fidelidade de Deus, fundamento de toda a vida na fé. Em cada batismo, a comunidade inteira reafirma a sua fé em Deus e empenha-se para proporcionar ao batizado um ambiente de testemunho e de serviço. O batismo deveria, pois, ser sempre celebrado e desenvolvido no contexto da comunidade cristã.

Comentário:

Quando se utilizam as expressões "batismo das crianças" e "batismo dos adultos", é preciso ter presente que a distinção verdadeira é entre aqueles que batizam em qualquer idade e aqueles que batizam somente os crentes capazes de pronunciarem por eles próprios a confissão de fé. Há uma diferença menor entre o batismo das crianças e o batismo dos adultos, se se reconhece que as duas formas de batismo implicam a iniciativa de Deus em Cristo e exprimem uma resposta da fé no seio da comunidade crente.

A prática do batismo das crianças insiste na fé comunitária e na fé que a criança partilha com os seus pais. A criança nasceu num mundo dividido e partilha essa ruptura. Pelo batismo, a promessa e o apelo do Evangelho pousam sobre a criança. A fé pessoal do batizado e a sua participação fiel na vida da Igreja são essenciais para que o batismo produza todos os seus frutos.

A prática do batismo dos adultos sublinha a confissão explícita da pessoa que responde à graça de Deus, na e através da comunidade de fé, pedindo o batismo. As duas formas de batismo exigem uma atitude responsável idêntica no tocante à educação cristã. Uma redescoberta do caráter permanente da formação cristã pode facilitar a aceitação mútua de diferentes práticas de iniciação.

Em certas Igrejas que reúnem as duas tradições, a do batismo das crianças e a do batismo dos adultos, foi possível considerar como alternativas equivalentes para a entrada na Igreja, por um lado a forma em que o batismo na infância é seguido mais tarde por uma profissão de fé, e por outro lado a forma em que o batismo de adultos vem na seqüência de uma apresentação e bênção na infância. Este exemplo convida outras Igrejas a decidirem se, igualmente, não poderiam reconhecer alternativas equivalentes nas suas relações recíprocas e nas negociações de união entre Igrejas.

13. O batismo é um ato que não pode ser repetido. Deve-se evitar toda e qualquer prática que possa ser interpretada como um "re-batismo".

Comentário:

Algumas Igrejas que têm insistido numa forma particular do batismo, ou que têm levantado sérias questões a propósito da autenticidade dos sacramentos e dos ministérios de outras Igrejas, têm por vezes pedido a pessoas vindas de outras tradições eclesiásticas para serem batizadas antes de se tornarem plenamente membros comungantes. Em virtude de as Igrejas não só chegarem a uma compreensão mútua maior ao aceitarem-se umas às outras, mas também entrarem assim em relações mais estreitas de testemunho e de serviço, abster-se-ão de toda a prática que possa pôr em questão a integridade sacramental de outras Igrejas ou atenue o fato de que o sacramento do batismo não pode ser repetido.

b - Batismo - Crisma - Confirmação

14. Na obra de Deus para a salvação, o mistério pascal da morte e da ressurreição de Cristo está inseparavelmente ligado ao dom pentecostal do Espírito Santo. Do mesmo modo, a participação na morte e na ressurreição de Cristo está inseparavelmente ligada à recepção do Espírito. O batismo no seu sentido pleno significa e cumpre ambas as coisas.

Os cristãos diferem na sua compreensão do lugar do sinal do dom do Espírito. A transmissão do Espírito tem sido associada a gestos diferentes. Para alguns é o próprio rito da água. Para outros, é a unção com o crisma e/ ou a imposição das mãos a que em muitas Igrejas chamam confirmação. Para outros ainda são os três, pois consideram que o Espírito age através de todo o rito. Todos estão de acordo para dizer que o batismo cristão é um batismo na água e no Espírito Santo.

Comentário:

(a) Em certas tradições explicam que, assim como o batismo nos conforma ao Cristo crucificado, sepultado e ressuscitado, assim também, pelo crisma, os cristãos recebem o dom do Espírito do Pentecostes da parte do Filho que recebeu a unção.

(b) Se o batismo, como incorporação no Corpo de Cristo, tende, pela sua própria natureza, à comunhão eucarística no corpo e no sangue de Cristo, levanta-se a questão de saber por quê ajuntar um rito separado entre batismo e admissão à comunhão. As Igrejas que batizam crianças, mas recusam-lhes a comunhão na eucaristia antes de um tal rito, deveriam interrogar-se se terão ou não assaltado e aceite plenamente as conseqüências do batismo.

(c) O batismo deve ser sem cessar reafirmado. A forma mais natural de uma tal reafirmação é a celebração da eucaristia. A renovação dos votos do batismo poderá assim ocorrer em certas ocasiões, como por exemplo na celebração anual do mistério pascal ou na altura do batismo de outras pessoas.

c - Para um reconhecimento mútuo do Batismo.

15. As Igrejas são cada vez mais capazes de reconhecer o batismo umas das outras como o único batismo de Cristo, na medida em que Jesus Cristo é confessado como Senhor pelo candidato, ou, no caso de um batismo de criança, quando essa confissão é feita pela Igreja (os pais, responsáveis, padrinhos, madrinhas, e a comunidade) e afirmada mais tarde na fé pessoal e no compromisso. O reconhecimento mútuo do batismo é evidentemente um sinal importante e um meio de exprimir a unidade batismal dada em Cristo. Em toda a parte onde tal é possível, as Igrejas deveriam exprimir de maneira explícita o reconhecimento mútuo dos seus batismos.

16. Com o fim de superar as suas diferenças, os que praticam o batismo dos adultos e os que batizam as crianças deveriam reconsiderar certos aspectos dos seus modos de agir. Os primeiros deveriam procurar exprimir mais visivelmente o fato de que as crianças estão colocadas sob a proteção da graça de Deus. Os segundos deveriam guardar-se contra a prática de batismos aparentemente sem julgamento prévio, e tomar mais a sério a sua responsabilidade na educação das crianças batizadas tendo em vista um compromisso adulto por Cristo.

V. A celebração do Batismo

17. O batismo é celebrado com água, no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

18. Na celebração do batismo, o valor simbólico da água deveria ser tomado a sério e não reduzido. O ato da imersão pode exprimir de maneira concreta o fato que, no batismo, o cristão participa na morte, na sepultura e na ressurreição de Cristo.

Comentário:

Em certas tradições teológicas, o uso da água, todas as suas associações positivas com a vida e a bênção, significam a continuidade entre a antiga e a nova criação, manifestando desse modo a significação do batismo não somente para os seres humanos mas também para todo o cosmos. Ao mesmo tempo, o uso da água representa uma purificação da criação, uma morte para tudo o que é negativo e destruidor no mundo: os que são batizados no Corpo de Cristo são feitos participantes de uma nova existência.

19. Como acontecia nos primeiros séculos, o dom do Espírito no batismo pode ser significado de maneiras diversas: por exemplo, pelo sinal da imposição das mãos e pela unção ou crisma. O sinal da cruz evoca a marca do selo do Espírito prometido, sinal escatológico e garantia da herança final no Reino de Deus (Ef. I: 13,14). A redescoberta de tais sinais concretos pode aprofundar a liturgia.

20. Numa liturgia completa do batismo, dever-se-iam encontrar pelo menos os elementos seguintes: uma invocação do Espírito Santo; uma renúncia ao mal; uma profissão de fé em Cristo e na Trindade; o uso da água; uma declaração de que as pessoas batizadas adquiriram uma nova identidade como filhos e filhas de Deus, e como membros da Igreja, chamados a dar testemunho do Evangelho. Certas Igrejas consideram que a iniciação cristã não é completa sem o selo do Espírito Santo dado ao batizado, e a participação na comunhão.

21. Convém que, no contexto do serviço batismal, se dê uma explicação do sentido do batismo, conforme à Escritura: participação na morte e na ressurreição de Cristo, conversão, perdão e purificação, dom do Espírito, incorporação no corpo de Cristo e sinal do Reino.

Comentário:

Algumas discussões recentes têm mostrado que conviria dar mais atenção a mal-entendidos alimentados pelo contexto sócio-cultural no qual se situa o batismo.

(a) Em certas partes do mundo, o uso de dar um nome ao batizado no decurso da liturgia batismal conduziu à confusão entre batismo e costumes locais da atribuição de um nome. Esta confusão torna-se particularmente lamentável se, em culturas predominantemente não cristãs, aos batizados são dados nomes cristãos não enraizados na sua tradição cultural. Ao elaborarem as suas disciplinas do batismo, as Igrejas deveriam ter todo o cuidado no acento a pôr na verdadeira significação do batismo, para evitar que os batizados sejam inutilmente afastados da sua cultura local pela imposição de nomes estrangeiros. Um nome recebido da sua própria cultura de origem enraíza o batizado nessa cultura e, ao mesmo tempo, manifesta a universalidade do batismo, incorporação na Igreja una, santa, católica e apostólica, que se estende sobre todas as nações da terra.

(b) Em muitas Igrejas multitudinárias européias e norte-americanas, pratica-se freqüentemente o batismo das crianças aparentemente sem nenhuma discriminação. Uma tal prática contribui para que as Igrejas que praticam o batismo dos adultos se sintam pouco motivadas para reconhecer a validade daquele batismo; este fato deveria conduzir a uma reflexão mais crítica sobre a significação do batismo no seio das próprias igrejas multitudinárias.

(c) Certas Igrejas africanas praticam o batismo do Espírito Santo, sem água, pela imposição das mãos, reconhecendo contudo o batismo das outras Igrejas. Torna-se necessário um estudo no respeitante a esta prática e à sua relação com o batismo de água.

22. O batismo é normalmente celebrado por um ministro ordenado, ainda que em certas circunstâncias outros sejam autorizados a batizar.

23. Visto o batismo estar estreitamente ligado à vida comunitária e ao culto da Igreja, deveria ser celebrado durante um serviço litúrgico público. Assim os membros da comunidade poderiam evocar o seu próprio batismo, acolhendo os batizados na sua comunhão fraterna e comprometendo-se a formá-los na fé cristã. Como era prática na Igreja antiga, as grandes festas da Páscoa, do Pentecostes e da Epifania são muito adequadas para a celebração do batismo.

Fonte:

Presbyterian Church of Portugal

 

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