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«Mensagem de SS. Papa João Paulo II a SS. Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla, na Festa de Santo André de 2001».

A Sua Santidade Bartolomeu I
Arcebispo de Constantinopla, Patriarca Ecumênico

«Graça, misericórdia e paz da parte de Deus e de Jesus Cristo,
o Filho do Pai, na verdade e no amor» (1Jo, 1, 3).

Com esta bênção do Apóstolo João, eu vos saúdo, Santidade, assim como a todos os membros do Santo Sínodo e a todos os fiéis do Patriarcado ecumênico nesta alegre celebração da festa de Santo André, apóstolo e irmão de Pedro. A delegação presidida em meu nome pelo nosso irmão o Cardeal Walter Kasper, Presidente do Pontifício Conselho para a promoção da unidade dos cristãos, assegurará a participação fraterna da Igreja de Roma. Ela unir-se-á a vós para implorar do Senhor " a estabilidade das santas Igrejas de Deus e a união entre todos" (Liturgia de São João Crisóstomo).

A festa de Santo André, o primeiro dos Apóstolos a ser chamado por Jesus, lembra-nos constantemente o mistério da vocação cristã e o dever de anunciar a Boa Nova: "André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que, tendo ouvido João, seguiram Jesus" (Jo, 1, 40). A vocação cristã está intimamente ligada ao reconhecimento do Messias, designado pelo Baptista: "Eis o Cordeiro de Deus" (Jo 1, 36) que os Apóstolos não deixarão de proclamar por palavras e ações, pela sua vida e até ao martírio como Pedro e André.

Nos nossos dias, os discípulos de Cristo são chamados a proclamar com uma só voz o anúncio da salvação. Celebrando juntamente André e Pedro, manifestamos a nossa vontade comum de transmitir em conjunto a fé apostólica aos homens do nosso tempo, que se deixam muitas vezes apanhar por uma indiferença religiosa que leva à perda do sentido da existência. Numa preocupação missionária, é-nos pedido um comum e fiel testemunho cristão "na verdade e no amor". As divisões que ainda persistem e a animosidade que, por vezes, se manifesta entre cristãos enfraquecem a força da pregação cristã, que proclama o amor de Deus e do próximo. Mas tenho confiança, porque "o Senhor concedeu aos cristãos do nosso tempo a possibilidade de reduzir o contencioso tradicional" (Encíclica Ut unum sint, n. 49).

Desejo manifestar-vos, Santidade, toda a minha gratidão pela disponibilidade que manifestou com constância ao responder favoravelmente aos pedidos de colaboração que provêm da Igreja católica e encorajando as iniciativas das Igrejas ortodoxas que prevêem a participação da Igreja de Roma. Apreciei em particular a nomeação de um Delegado fraterno do Patriarcado ecumênico à recente Assembléia geral ordinária do Sínodo dos Bispos da Igreja católica. Foi uma nova ocasião de diálogo, de partilha fraternal e de conhecimento recíproco.

A Igreja católica está pronta a fazer tudo o que está em seu poder para promover o desenvolvimento das relações com as Igrejas ortodoxas. As dificuldades encontradas nos últimos anos pela Comissão mista internacional de diálogo teológico devem ser analisadas e ultrapassadas. O diálogo deve encontrar o seu espírito positivo inicial e ser animado pela vontade de resolver os verdadeiros problemas. Ele também deve dar provas de um certo entusiasmo que só a fé e a esperança teologais podem alimentar.

Segundo o convite do segundo Concílio do Vaticano (cf. Unitatis redintegratio, n. 24), ponhamos a nossa esperança em Deus para avançarmos no caminho da unidade e o mundo conhecer um futuro melhor! Nestes últimos tempos, o terrorismo e as guerras, com todo o peso de morte e de desastres que trazem consigo, criaram uma ansiedade que paralisa as populações e transtorna o curso normal da vida civil. Para implorar de Deus a sua proteção sobre todos os povos e para reavivar a consciência dos homens, julguei oportuno convocar todos os crentes para uma jornada de jejum e de oração pela paz, no dia 24 de Janeiro próximo. O Senhor ouvirá o pedido que, num só coração, elevaremos pela salvação de toda a humanidade.

Na iminência da festa do Apóstolo Santo André, antes desta próxima reunião, elevemos em conjunto a nossa oração ao Senhor e façamos nosso o convite do Senhor, que João, na sua segunda Carta, dirige aos cristãos da Ásia Menor: "Amemo-nos uns aos outros" (2 Jo 1, 5). Caminharemos assim no amor e na verdade. E a paz estará em todos nós.

Nesta esperança, rezando por todos os membros do seu Patriarcado, troco com Vossa Santidade o beijo da paz e asseguro-Lhe a minha afeição fraterna.

Vaticano, 22 de Novembro de 2001

Fonte:

http://www.vatican.va


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