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O Cânon Vicentino

Vicente Lerinense, Commonitorium (434)

(Ed. Moxon, Cambridge PatristicTexts)

BETTENSON, Henri (editor). Documentos da Igreja Cristã.
São Paulo: Ed. Aste/Simpósio, 1998 - nº 131 - pp. 148-150

II. (1) Eis porque dediquei, constantemente, meus maiores desvelos e minhas diligências a investigar, entre o maior número possível de homens eminentes em saber e santidade, a maneira de achar uma norma de princípios fixos e, se possível, gerais e orientadores, para distinguir a verdadeira fé católica das degradantes corruptelas da heresia. A resposta invariável que recebi resume-se no seguinte: querendo eu ou querendo alguém descobrir as fraudes dos hereges evitar as armadilhas e permanecer robusto e firme na fé sadia, devemos, com ajuda do Senhor, fortificar nossa fé de duas maneiras: primeiramente, confiando na autoridade da Lei divina e, em segundo lugar, perseverando na tradição da Igreja Católica.

(2) Aqui, talvez alguém perguntará: estando o cânon das Escrituras completo e suficiente em si, que necessidade ainda temos de lhe juntar a interpretação da Igreja? A resposta é essa: sendo profundas as Escrituras, não lhes dão a mesma interpretação todos os homens. As proposições dum mesmo escritor são comentadas diversamente por homens diversos, a tal ponto que parece ser possível delas serem extraídas tantas opiniões quantos forem os homens. Novaciano1 comenta desta maneira, Sabélio daquela, Donato de outra, e de outra Ário, Eunômio5 e Macedônio6; Fotino7, Apolinário e Prisciliano9 explicam de um modo joviniano10, Pelágio e Celestio explicam de outro modo, e, recentemente, Nestório tem interpretado diferentemente dos outros. Sendo, pois, tão intrincado e multiforme o erro, temos grande necessidade de estabelecer uma regra de interpretação dos profetas e apóstolos que se harmonize com o padrão interpretativo da Igreja Católica.

(3) Ora, na própria Igreja Católica toma-se o máximo cuidado por conservar AQUILO QUE FOI DITO E CRIDO, EM TODO LUGAR, EM TODO TEMPO E POR TODO FIEL.

É genuíno e propriamente “católico”, como declara o sentido do termo, aquilo que compreende tudo universalmente. A regra nossa será, pois, guardada, se aceitarmos os critérios de universalidade [isto é, ecumenicidade], antiguidade e concordância. Universalidade, reconhecendo que a única fé verdadeira é aquela que toda a Igreja professa em todo o mundo. Antiguidade, não nos apartando das interpretações manifestamente aceitas por nossos antepassados. Concordância, dando crédito fiel, inclusive em se tratando da antiguidade, às definições e opiniões de todos ou de quase todos os bispos e doutores.

Notas:

  1. Um extremado quanto à readmissão na Igreja daqueles que negaram a fé durante as perseguições. Apostatou em 251, tornando-se o primeiro antipapa.
  2. Um ariano radical que dizia ser o Filho diferente (anomoios) do Pai e de uma substância diferente (heterooysios).
  3. Bispo de Constantinopla, 342. Negou a divindade do Espírito Santo. Deposto em 360.
  4. Bispo de Esmirna, na segunda metade do século IV. Um “monarquiano adocionista”.
  5. Bispo de Abila, na Espanha, que ensinava uma espécie de gnosticismo maniqueísta (Ver Parte I, Seção IV, VII,b. Foi executada (c. 385), sendo o primeiro a ser executado por heresia (pois seus ensino conduzia a imoralidade.
  6. C. 385. Jerônimo refutou sua depreciação pela virgindade e pelo ascetismo.

 

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