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A oração oficial da Igreja Ortodoxa 

Edição: Pe. André Sperandio

Parte II

Diversas partes dos Ofícios Divinos públicos fxos

Os ofícios divinos públicos permanentes dividem-se em comuns - que se realizam todos os dias - e dominicais e festivos - que se celebram aos domingos e nos dias de festa. Ambas as partes compõem-se da Divina Liturgia,  Vésperas, Completa,  Oração da Meia-noite, Matinas e as Orações da Primeira, Terceira, Sexta e Nona horas. Essas nove orações realizam-se em três tempos: 

1. Oração de Vésperas: consta das orações da Nona Hora, de Vésperas e da completa. 2. Oração das Matinas: consta das orações de Vigília, das Matinas e da Primeira Hora. 3. Divina Liturgia: consta da oração da Terceira e da Sexta hora e do Sacrifício Eucarístico. 

Ofício de Vésperas  

Oração da Nona Hora, Oração de Vésperas e Oração das Completas

Ofício da Nona Hora: é um breve ofício que se realiza em memória da Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo na Cruz, momento de seu último suspiro que se deu na nona hora do dia, ou seja, às três da tarde. Consta da leitura de três salmos, 83, 84 e 85, do tropário do dia, dois trechos da Sagrada Escritura (leituras), do triságio, do tropário da hora, uma oração geral que se recita nas orações de todas as horas - "O que em todo tempo e em toda hora..." e a oração final: "Ó Senhor Jesus Cristo nosso Deus, bondoso..." 

Ofício de Vésperas: é realizado no fim do dia - antes do pôr-do-sol, em ação de graças ao Criador por ter passado o dia e pela santificação da noite que se aproxima. Representa, resumidamente, a Criação do mundo e do homem, sua queda e redenção que é descrita pela leitura do salmo 103, que abre o ofício exclamando: "Bendize, ó minha alma ao Senhor, Senhor meu Deus Tu és grandioso".  A queda é representada pela grande ladainha "Iriniká"  ou Grande Súplica da Paz, que se recita após a leitura deste salmo. Ladaínha, em grego, "Ecteni", é uma longa oração intercalada pelo diácono e o coro e consiste de algumas súplicas ou petições. O coro, a cada súplica, responde: "Kyrie Eleison" -  que significa, "Senhor tem piedade, ou "Atende, Senhor". 

A ladainha possui quatro formas: 

  1. Grande, também chamada "Iriniká", recitada no início do ofício e que consta de doze petições, às quais o coro responde "Kyrie eleison", sendo a primeira petição: "Em paz oremos ao Senhor". 
  2. Pequena, também chamada "Sinapti", que é um resumo das principais petições da "Iriniká"; 
  3. Trina, também chamada "Ektênia",  recitada antes de terminar o ofício, e consta de sete petições às quais o coro responde com o triplo "Kyrie Eleison". Inicia com a petição: "Digamos todos com toda a nossa alma, e com todo nosso espírito, digamos", ou "Tem piedade de nós, ó Deus, segundo a tua grande misericórdia, nós te pedimos, escuta-nos e tem piedade de nós". 
  4. Suplicante ou Insistente, também chamada "Ekticis", que é recitada antes do término do ofício e consta de seis petições às quais o coro responde: "Concede-nos, Senhor" . Tem início com a seguinte aclamação: "Completemos nossa oração ao Senhor". Segue o ofício com as leituras dos salmos indicados, -"Bem aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios", após o qual se entoam quatro salmos, 140, 141, 129 e 116, ou quatro versículos dos mesmos. Em geral são lidos doze salmos que intercalam em três baterias de quatro com as pequenas litânias. No ofício, a redenção do homem é representada pela Entrada Vesperal , em grego, "Isozon", acompanhada do tropário vespertino: "Ó luz Radiosa" ,  Em seguida, recita-se a Ladainha Trina e a oração: "Torna-nos dignos, Senhor, de nos conservarmos sem pecado..".  Segue a Ladainha Insistente e, por último, a Oração do Velho Simeão: "Agora, Senhor, deixa ir em paz o teu servo..." . O ofício é concluído com as orações finais, entre as quais o Triságio, o Tropário, a Oração à Mãe de Deus. 

Oração da Completa (menor), é um ofício divino resumido que nos prepara para dormir. Consta de três salmos, 50, 69, etc., a Grande Doxologia, a Profissão de Fé ou Credo e o ofício pessoal antes de se deitar. 

Ofício de Matinas (Orthros)

Oração da Vigília, Oração das Matinas, Oração da Primeira Hora

Oração da Vigília: é um ofício divino resumido que deve ser realizado à meia noite e refere-se à Vinda de Cristo pela segunda vez que, segundo a tradição, será a "meia noite" e inesperadamente. Consta da leitura dos salmos, tropário do Divino Noivo e de algumas orações pelos mortos. 

Oração das Matinas: é um ofício divino que se realiza de manhã bem cedo em ação de graças a Deus por nos ter concedido que passássemos a noite salvos e tranqüilos e por poder ver a luz do dia. Divide-se em quatro partes: 

  1. Orações e súplicas pelos governantes. 
  2. Salmos e orações de arrependimento e esperança na salvação, (3, 37, 62, 87, 102 e 142); Grande Ladainha  (doze petições lidas pelo sacerdote, secretamente) e, "O Senhor Deus a nós se revelou" , bem como alguns outros salmos indicados para a ocasião; 
  3. O Louvor do santo do dia ou ao acontecimento celebrado nesse dia e consta da leitura do cânone e do Evangelho; 
  4. Os Salmos de louvor, 148, 149 e150,  e a Grande Doxologia (Glória a Deus nas alturas), e as petições. 

Oração da Primeira Hora: é um sucinto ofício divino pelo qual santificamos o início do dia, recordando a entrega do Senhor à Pilatos. Consta dos salmos 5, 89 e 100, do tropário do dia, do triságio, do cântico e oração: ", da oração final "Ó Cristo, Luz verdadeira"... e do tropário "Nós, teus servos, ó Mãe de Deus"....

Ofício antes do meio-dia ou Divina Liturgia 

A Divina Liturgia consta das seguintes orações: 

a) - Oração da Terceira Hora: ofício resumido realizado em memória do julgamento de Jesus por  Pilatos e do dia de Pentecostes. Consta dos salmos 16, 24 e 50, do tropário do dia, do triságio, do tropário da terceira hora, da oração: "Em todo tempo e lugar...", complementando com a Oração Final. 

b) - Oração da Sexta Hora: é um resumido ofício realizado em memória da Paixão de Cristo na Cruz ocorrida, segundo as Escrituras Sagradas, na terceira hora do dia. Consta do tropário do dia, do triságio, da oração "Ó que a todo tempo e a toda hora."  e da oração final. 

A Divina Liturgia

No Ocidente costuma-se chamar de "Santa Missa". Para nós ortodoxos é a Divina Liturgia ou simplesmente, Liturgia, palavra derivada do grego que quer dizer "ação de graças", "atividade do povo", "ação pública do povo em direção a Deus". É o ofício no qual se realiza o santo Sacrifício e o Sacramento da Comunhão em memória de nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo. 

A Instituição da Eucaristia

A Divina Liturgia, ou a Eucaristia, foi instituída por nosso Senhor Jesus Cristo durante a Santa e Mística Ceia na tarde da quinta-feira antes da sua Paixão. Estava Jesus com seus discípulos celebrando a Páscoa (judaica). Tomou então o pão, abençoou-o, partiu-o e deu aos seus apóstolos dizendo: "Tomai e comei, isto é o meu corpo...". E, em seguida tomou o cálice, agradeceu e deu-lhes dizendo: "Bebei dele todos vós; este é o meu sangue, o sangue da nova Aliança que será derramado por vós e por muitos para a remissão dos pecados". (Mt.: 26,26-29). 

E, neste mesmo sentido, escreveu o santo apóstolo Paulo: "Pois eu recebi do Senhor o que também vos entrego agora; que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão, e havendo dado graças, o partiu e disse: 'Tomai e comei, isto é o meu corpo... e, bebei dele todos, isto é o meu sangue...; fazei isto em minha memória " . (1Cor.: 11, 23-25). 

A história do Ofício da Eucaristia ou Divina Liturgia

Séculos I e II: Os apóstolos, em cumprimento a ordem do seu Divino Mestre e seguindo seu exemplo, realizavam a Eucaristia na presença dos fiéis desde que Ele subiu ao Céu. Das santas Escrituras, nota-se que a cerimônia dos apóstolos constava da leitura das Santas Escrituras, da pregação da Palavra, salmos, hinos, orações e da santificação do pão, seguindo a comunhão geral nas duas espécies: o pão e o vinho e a ação de graças depois da comunhão. (At 2, 42; 20, 7; 1Cor 10, 16 ; 11, 20-21; Cl. 4, 16 ; Ef. 5, 19)

Séculos III, IV e V:  Aumentou, durante este período, o número das orações no ofício da Eucaristia, surgindo também um grande número de ofícios que se variavam nos detalhes e combinavam na essência, porque o fundamento era o mesmo, isto é,  apostólico. Os mais velhos e mais reputados eram dois: o primeiro atribuído a São Tiago, primo do Senhor, e o segundo ao apóstolo São Marcos. São Basílio, o Grande, arcebispo de Cesaréia da Capadócia, falecido no ano 379, reassumiu o ofício de São Tiago e, depois dele, São João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla, falecido no ano 407, reassumiu o ofício de São Basílio, o Grande. A partir deste tempo, (sec. IV), ficou comum o uso destes dois ofícios que são mantidos até os nossos dias. 

Século VI:  São Gregório, o Teólogo, bispo de Roma, falecido no ano 604, preparou um terceiro ofício conhecido com nome de "Progiazmani" ou "Liturgia dos Pré-Santificados". Esta liturgia é realizada em alguns dias da Quaresma e, mais propriamente, é um ofício de comunhão solene que se une à celebração das Vésperas e é celebrado dezenove vezes durante todo o ano. Existe ainda cerca de vinte e três dias, especialmente durante a Grande Quaresma, dias alitúrgicos, isto é, em que não não se celebra a Divina Liturgia, pois, a alegria espiritual da celebração não condiz com tempo penitencial. Nestes dias celebra-se, por isso, a Liturgia de São Gregório. 

O significado da Divina Liturgia e o tempo de sua celebração

A Divina Liturgia representa a vida de Jesus Cristo na terra, iniciando com os profetas que predisseram seu nascimento, seguindo com pregação de seus ensinamentos (Palavra), Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão aos céus. Deve ser celebrada da manhã até o meio dia, exceto na grande Liturgia Pascal, celebrada ao romper do domingo da Ressurreição. Os três ofícios acima mencionados têm dias marcados para a sua celebração. A Liturgia de São Gregório, o Teólogo, celebra-se nas quartas e sextas-feiras da Quaresma, como também na quinta-feira da quinta semana da Quaresma e nas segundas, terças e quartas-feiras da Semana Santa. 

A Liturgia de São Basílio, o Grande, é celebrada dez vezes durante o ano: nos cinco primeiros domingos da Grande Quaresma, na Quinta- feira Santa e no Sábado Santo; na festa de São Basílio - (1º de janeiro), e no dia que precede as festas de Natal e da Epifania. A estrutura é a mesma da Liturgia de São João Crisóstomo, mas apresenta as orações sacerdotais (que são rezadas em voz baixa) muito mais desenvolvidas. A Liturgia de São João Crisóstomo celebra-se no resto do ano, cerca de 312 dias. 

A Divina Liturgia de São João Crisóstomo

Por ser a mais usada e, particularmente, a nossa Liturgia, vamos nos ater somente a ela.

A Divina Liturgia divide-se em: 

  1. Sacrifício: no sentido de que realiza de modo incruento o mesmo sacrifício da Cruz; 
  2. Sacramento: no sentido de que, manifesta-nos como sinal vivo a presença real do Senhor Jesus, através das espécies do pão e do vinho. 

O Sacrifício da Divina Liturgia: Como já foi dito, a Eucaristia não é somente um Sacramento, mas também um Sacrifício, no qual Jesus é oferecido como vítima pelos nossos pecados. É o mesmo Sacrifício da Cruz, pelo qual Cristo correspondeu ao desejo do Pai eterno, redimindo a humanidade dos seus pecados, realizado agora nos altares, pelos sacerdotes, de maneira incruenta (sem derramamento de sangue), contudo real. Necessariamente, é o mesmo Sacrifício da Cruz. 

Durante a celebração é feita a consagração do pão e do vinho que são transformados no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta consagração não se dá só pelas palavras de Cristo na Última Ceia: "Tomai e comei... Bebei dele todos...", mas ainda, pela sua condição essencial que é a Epiklesis ou, invocação ao Espírito Santo para que a transmutação seja realizada. Portanto, a consagração é realizada com a invocação das Três Divinas Pessoas, de toda a Santíssima Trindade. 

Como acontece a transmutação? Só sabemos que é um mistério. Não é "transubstanciação", é transmutação, metábole e, como foi dito, é um mistério. Seguindo fielmente os ensinamentos do Evangelho e as práticas e tradições do cristianismo primitivo, a Igreja Ortodoxa admite e ensina a transmutação do pão e do vinho na Sagrada Eucaristia, por virtude do Espírito Santo, no Corpo e no Sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. Observa, porém, que é um mistério impenetrável e incompreensível ao entendimento humano, tanto quanto o da Criação, o da Encarnação e o da Trindade.

A Eucaristia é a base de toda a vida cristã e litúrgica e dos ofícios religiosos celebrados em louvor a Santíssima Trindade. Desde os tempos apostólicos seu culto foi cercado de ritos e cerimônias, dos mais solenes aos mais espirituais. Diremos, resumindo, que a Santa Liturgia é o sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo, cujo Corpo e Sangue são oferecidos nos altares e em memória do sacrifício da Cruz. 

Celebramos a Liturgia por quatro motivos: 

  1. para glorificar a Deus;
  2. para render-Lhe  ação de graças pelos dons e favores recebidos; 
  3. para suplicar suas Graças; 
  4. para obter seu perdão, para os vivos e os mortos . 

Para melhor compreendermos, podemos configurar a Divina Liturgia em 3 partes principais:

  1. preparação da oferenda ou Liturgia da prótese (Proskomidia); 
  2. Liturgia dos Catecúmenos ou Liturgia da Palavra; 
  3. Liturgia dos Fiéis ou Liturgia Eucarística. 

Simbolismo da Divina Liturgia

Os ritos da Divina Liturgia são cheios de simbolismo. E não é de estranhar, pois o próprio Cristo, como vimos, quis que a Eucaristia fosse um memorial da sua Paixão, Morte e Ressurreição. E a Igreja ordenou a Divina Liturgia de modo a nos recordar da pessoa do Salvador e os mistérios da sua vida sobre a terra. 

Quanto ao simbolismo, divide-se a Divina Liturgia em quatro partes: 

  1. Da preparação até a procissão do Santo Evangelho e simboliza a vida oculta de Cristo. 
  2. Da procissão do Evangelho até a procissão da Grande Entrada e simboliza a vida padecente de Cristo. 
  3. Da procissão da Grande Entrada até depois da Comunhão e simboliza a vida padecente de Cristo (sua Paixão e Morte). 
  4. Da Comunhão até o fim e simboliza a Vida Gloriosa de Cristo. 

A celebração de frente para o povo:  na Liturgia latina renovada, o celebrante preside a assembléia e, portanto, é seu presidente, o anfitrião dos comensais na mesa do Senhor. Por isso lhe é recomendado (não prescrito) celebrar de frente para o povo. Na Liturgia Bizantina o celebrante é considerado mais como o guia, o introdutor dos fiéis ao Divino Banquete Eucarístico e seu porta-voz na sua audiência com Deus. É como o pastor que "caminha diante do seu rebanho"  para conduzi-lo às fontes da Graça e da salvação. Ele é Cristo caminhando adiante de seus discípulos quando subia a Jerusalém ao encontro de sua Paixão e Morte, (Mc 10,32) que vai renovar misticamente sobre o altar.  A Liturgia não é unicamente Ceia, é também sacrifício. Freqüentemente, porém, o celebrante volta-se para a assembléia para transmitir-lhe os ensinamentos e os preceitos do Divino Mestre e lhe desejar a paz. Duas vezes anda no meio dela como fazia Cristo (procissão do Evangelho e procissão da Grande Entrada). 

I parte: A «Proskomídia» ou Prótese

A primeira parte da Divina Liturgia remete ao antigo costume dos cristãos de oferecer o pão e o vinho para a celebração da Eucaristia. O sacerdote, cortando o pão, representa o sacrifício de Jesus na Cruz. O Sacrifício dos sacrifícios foi realizado na Cruz e é representado na oferenda. Os cristãos, oferecendo o pão e o vinho (alimentos básicos e essenciais para a vida), retribuem o sacrifício de Cristo, oferecendo através destes alimentos (símbolos de suas vidas) o sacrifício de suas próprias vidas. A parte que é separada do pão (Prósfora) chama-se Cordeiro e deve ser assinalado por uma cruz, escrito em sua superfície as palavras: "Jesus Cristo, vence".  Segundo o costume, cinco pães são necessários para a prótese, no entanto, basta um para completar a oferenda  O apóstolo São Paulo refere-se a isto: "Visto que nós, que somos um só pão, um só corpo; pois todos participamos de um único pão". (1Cor.:10,17). As demais oferendas são recebidas e postas sobre o altar. O sacerdote separa com a lança a primeira parte, a do centro na qual está assinalada em forma de quadrado "Cristo Vence", toma-a com a mesma lança e a coloca no disco enquanto recita uma belíssima oração extraída do Profeta Isaías:

«Como uma ovelha foi levado ao matadouro. E como um cordeiro sem mancha diante de quam o tosquia não abriu sequer a sua boca. Na sua humildade, o seu julgamento foi exaltado. Quem contará a sua descendência? Porque a sua vida foi tirada da terra.» (Is 3, 7s)

Esta oração diz respeito a Jesus na Cruz que, como um cordeiro foi levado ao matadouro. Por isso essa parte quadrada chama-se "Cordeiro". O sacerdote, ou o diácono se estiver presente, mistura em seguida o vinho e água no cálice  lembrando do sangue e da água que verteram do lado de Jesus quando o perfuraram com uma lança.

Em seguida toma o segundo pão e tira dele uma partícula em forma de triângulo em memória da Santa Mãe de Deus, a "Panaghia", colocando-a à direita do Cordeiro.  

De um terceiro pão (quando necessário, do mesmo pão), retira mais nove pequenas partículas, lembrando de todos os santos, distribuindindo-as em três fileiras de três, à esquerda do Cordeiro, lembrando, respectivamente, os anjos, o profeta e precursor São João Batista, os profetas, apóstolos, os santos bispos e padres da Igreja, os mártires, os ascetas, os santos anárgiros, São Joaquim e Sant'Ana, avós do Senhor, o padroeiro da igreja e o autor da Liturgia, no caso, São João Crisóstomo. Suplica a Deus que aceite as orações pela intercessão da Mãe de Deus e de todos os santos. 

Retira depois do quarto pão partículas em memória dos vivos, mencionando seus nomes e, da mesma forma, dos falecidos, principalmente por aqueles em cuja intenção a Liturgia será celebrada. Essas partículas são colocadas na parte inferior do Cordeiro. Resplandece assim em nossas mentes a belíssima passagem do livro do Apocalipse em que se acham reunidos ao redor do Cordeiro os seus membros místicos que formam a Igreja na terra e no céu. A Igreja realiza, portanto, através dessa Liturgia, a união mística de toda a Igreja, vivos e falecidos. 

Coloca depois a estrela (asterisco) sobre o disco, cobrindo-o em seguida com o kalima - pequeno véu em forma de cruz. O mesmo faz com o cálice e, a ambos com o kalima maior. Suplica finalmente a Deus para que aceite as oferendas apresentadas, mencionando os nomes de todos os que a ofertaram. 

Neste ofício, o altar da prótese simboliza ao mesmo tempo a Gruta de Belém e a Cruz do Gólgota. 

II parte : «A Liturgia dos Catecúmenos»

Os catecúmenos eram aqueles que estavam se preparando para receber o batismo e, esta parte da Liturgia lhes era permitida para a sua instrução. Antigamente, só podiam permanecer com os fiéis durante esta primeira parte, pois ainda não eram cristãos. 

A Liturgia dos catecúmenos tem início com a principal aclamação: "Bendito seja o Reino do Pai, do Filho e do Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos", e consta das seguintes orações: 

a) Grande Ladainha ou Iriniká:  na qual elevamos a Deus nossas súplicas para que nos conceda os bens da terra e do céu. 

  • O Kyrie eleison, resposta a cada súplica,  é a oração que mereceu elogio do próprio Cristo, na parábola do Fariseu e do Publicano. Não devemos, pois, cansar-nos de repeti-la. É o grito do homem humilde, pecador e necessitado que implora a misericórdia de seu Senhor. E Deus, diz-nos o salmista, "atende à oração dos humildes e não despreza a sua prece" (Sl 101, 18). 
  • Comemorando a Mãe de Deus:  para marcar a impotência de nossas orações às quais faltam a pureza da consciência, convida-nos a dirigir o olhar para a Mãe de Deus e todos os santos, a comemorar, isto é, a recorrer àqueles que sabiam rezar melhor do que nós e que, agora, rezam por nós no céu; e a nos recomendar, nós mesmos, uns e outros e toda a nossa vida a Cristo, nosso Deus. 
  • Antífonas ou Hinos Sagrados são cantados entre as pequenas ladainhas (antífonas, tipica e sinaptes); Sinapte - isto é, resumo, que une, sintetiza as principais petições da Iriniká, formando pequenas ladainhas. 
  • Antífonas - aclamações ou preces cantadas pelo coro, intercaladas com versículos de certos salmos escolhidos de acordo com a festa celebrada e lidos pelo leitor no meio do coro. 
  • Típica - cânticos durante a Liturgia dominical, o mais usado é o das Bem-aventuranças, em grego, Macarismi, que quer dizer, bem- aventurados. 
  • c) Pequena entrada: realiza-se com a saída do sacerdote pela porta Norte com o Evangelho, precedido processionalmente por diáconos ou acólitos portando velas acesas, entrando em seguida no santuário pela porta Régia. Essa pequena entrada lembra-nos da aparição de Cristo para a pregação, o início de sua vida pública. O coro entoa o hino seguinte nos domingos: 

«Vinde, adoremos e prostemo-nos ante o Cristo. Salva-nos ó Filho de Deus que ressussitaste dentre os mortos, a nós que a Ti cantamos, aleluia!" 

E, nos dias de semana, substitui-se «que ressucitaste dentre os mortos» por: «que és admirável nos teus santos».

A luz que vem à frente do Evangelho indica o ensino do Cristo que ilumina as mentes e aquece os corações humanos.

d) Tropários: hinos ou composições poéticas sobre a festa do Senhor, da Mãe de Deus ou dos santos que a Igreja comemora naquele dia. Podem ser comparados com uma pregação feita pelo exemplo e precedem a pregação pela palavra. 

e) Triságion: do grego, três vezes santo: 

«Santo Deus, Santo Poderoso Santo Imortal,  tem piedade de nós». 

Foi extraído da visão do profeta Isaías e introduzido a partir de uma lenda sobre um milagre ocorrido na cidade de Constantinopla. Ele é substituído nos dias de Natal, Epifania, Páscoa, Pentecostes, Sábado de Lázaro e Sábado de Aleluia pelo hino do Batismo: 

«Vós que fostes batizados em Cristo,  de Cristo vos revestistes. Aleluia»

Nos tempos antigos, a Igreja saudava com este hino os que eram batizados neste dia, conforme o costume da época. 

No dia da Exaltação da Santa Cruz, 14 de setembro, e no Terceiro Domingo da Quaresma, é cantado o hino: 

«Adoramos a tua Cruz, ó Mestre,  e glorificamos a tua santa Ressurreição».

f) Liturgia da Palavra ou Leituras: epístola dos santos apóstolos, do livro Apóstolos, e o Santo Evangelho: a epístola e o Evangelho seguem o louvor trino e tem por fim preparar os fiéis para a Eucaristia, pois lembram o ensinamento de Jesus Cristo, as suas obras, os ditos dos apóstolos e as suas notícias. Informam os fiéis sobre a santa vida dos cristão primitivos, alertando-os para os seus deveres cristãos. Todos os presentes na Igreja ficam atentos à leitura da Epístola e do Evangelho. O coro, depois da Epístola, entoa o "Aeluia" e, antes e depois do Evangelho, "Glória a Ti, Senhor, glória a Ti", como prova da gratidão dos fiéis a Deus que nos entregou os Livros Santos para a nossa edificação e salvação. Com a inclinação das cabeças mostramos a nossa devoção, como se ouvíssemos o próprio Senhor Jesus Cristo em pessoa e os seus apóstolos.

g) Homilia ou Sermão: os fiéis ouvem a proclamação do Evangelho de pé com atenção e respeito, como fariam os discípulos dedicados, ouvindo os ensinamentos de seu Mestre, e como servos fiéis recebendo as ordens de seu senhor, dispostos a colocá-las em prática. Em seguida, o sacerdote, fazendo a ligação de ambas as leituras, unindo-as à Tradição da Santa Igreja, transmite os preceitos para o fiel viver durante a semana que se inicia. 

h) Orações Secretas pelos Catecúmenos: a maioria delas foram abolidas com o decorrer dos séculos, devido ao fato de atualmente não existirem mais catecúmenos. Resta apenas alguns pequenos resquícios, pelo fato de haverem ainda alguns países pagãos onde os missionários preparam os catecúmenos para o sacramento do Batismo. 

III parte: «A Liturgia dos Fiéis»

A terceira parte da Divina Liturgia chama-se Liturgia dos Fiéis, isto é, dos crentes batizados que podem participar de toda a celebração deste Santo Ofício. Tem início com orações e súplicas em favor de todos os fiéis e consta das seguintes partes: 

a) Grande Entrada: ato pelo qual os santos dons são transportados do altar da prótese para o altar principal, também denominada de Entrada Solene. O sacerdote toma o disco, coberto com a estrela e o kalima e entrega ao diácono que o segura com as duas mãos acima da cabeça. Toma em seguida o cálice e o eleva. (na ausência do diácono o sacerdote leva o cálice na mão direita e a patena na mão esquerda). Saem pela porta Norte, o diácono na frente e o sacerdote logo atrás, com o cruciferário e o turiferário seguindo na frente com a cruz e as velas, respectivamente. Passam pelo meio do povo, entram no santuário pela porta Régia, O sacerdote deposita sobre o antimênsion que já estará preparado sobre o altar, o cálice e o disco que recebe das mãos do diácono. No percurso, o sacerdote suplica ao Senhor para que se lembre em seu Reino da hierarquia eclesiástica, das autoridades civis e de todos os cristãos. 

Esta entrada solene lembra-nos Jesus em direção aos sofrimentos, a cruz, a morte e o sepultamento. O sacerdote e o diácono representam então, José e Nicodemos. Um pouco antes de iniciar a procissão, o coro canta o Hieruvikón, ou seja, o «Hino dos Querubins»: 

«Nós que, misticamente, representamos os Querubins e que cantamos o hino trinamente santo à Vivificante Trindade, afastemos de nós neste momento toda a mundanidade, a fim de acolhermos o Rei de todos, escoltado invisivelmente pelas legiões angélicas.  Aleluia, Aleluia, Aleluia!» 

b) Preparação para a Consagração: os preparativos para consagrar a oblata inclui a Ladainha pelos dons apresentados; a benção do sacerdote pela paz e o amor: "A paz esteja convosco!" E o diácono proclama: "Amemo-nos uns aos outros para que com comunhão de espírito professemos:". E o coro responde: "O Pai, o Filho e o Espírito Santo, Trindade Consubstancial e Indivisível". Segue a recitação do Credo depois que o sacerdote (ou o diácono) anuncia: "As portas, as portas, com sabedoria, estejamos atentos". Essas palavras significam que nos tempos antigos era costume guardar a porta do templo, para impedir a entrada dos catecúmenos ou dos penitentes na hora de realizar a Liturgia dos Fiéis. Era, pois, um aviso que lembrava aos guardiãos da porta os seus deveres. Agora, porém, lembra aos fiéis o dever de manter os corações atentos guardando-os da infiltração dos maus pensamentos e desejos e, principalmente, para que estejam devidamente atentos para o que se passa diante deles na Igreja. 

Consagração: induzindo os fiéis a ficarem de pé e manterem-se condignamente no momento da celebração da Eucaristia, o sacerdote admoesta:

«Permaneçamos respeitosamente de pé!  Elevemo-nos com temor!  Estejamos atentos para oferecer em paz a santa oblação».

O povo responde, ou o coro:

«A misericórdia da paz, o sacrifício de louvor»

Que significa estarem todos preparados para oferecer a oblata a Deus que é caridade para os homens e o louvor a Deus. O sacerdote então saúda os fiéis: 

«A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco!»

E, para poderem oferecer dignamente a misericórdia de paz e o sacrifício de louvor, eles precisam da ajuda do Deus Trino. Conclama-os então o sacerdote, para que se despreendam de toda a mundanidade e elevem os pensamentos a Deus. 

«Elevemos para o alto os nossos corações!» 

Quando ouvir a resposta: «Já os temos no Senhor» , isto é, já elevamos os nossos corações até o Trono de Deus, então os convida para agradecer: 

«Demos graças ao Senhor Nosso Deus!» 

Neste momento o coro entoa por todo o povo, o hino de louvor e glória: 

«É digno e justo adorar o Pai, o Filho e o Espírito Santo,  Trindade consubstancial e indivisível!» 

O sacerdote reza secretamente e, ao terminar a oração, anuncia publicamente em voz grave:

[...] «que entoam o hino da vitória  cantando, clamando, bradando e dizendo» 

E o coro canta em resposta cantando o «Hino Angelical».

«Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus do universo. Céus e terra proclamam a tua glória. Hosana nas alturas! Bendito o vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!

A elevação e consagração dos santos dons se realizam na seguinte ordem: o sacerdote lembra em primeiro lugar, a mandato divino dado pelo Senhor na Mística Ceia, recitando, baixinho, uma oração que conclui em voz alta: 

«... Tomai e comei! Isto é o meu Corpo que é partido por vós para a remissão dos pecados...»

E, em seguida: 

«... Bebei dele todos! Isto é o meu Sangue, o da Nova Aliança, que é derramado por vós e por muitos para a remissão dos pecados... (Mt.: 26,26-29)»

Os fiéis, ouvindo estes dois anúncios lembram a Ceia do Senhor, certos de estarem eles na Divina Liturgia para comungar das duas espécies, o pão e o vinho, o Corpo e o Sangue de Cristo, reais tal qual os discípulos receberam. A sua fé fica provada pela resposta do coro: "Amém", a cada um dos anúncios. Depois o sacerdote eleva a patena e o cálice dizendo: 

«O que é teu, recebendo-o de Ti,  nós te oferecemos em tudo e por tudo» 

Isto é, oferecemos esta oblata (o pão e o vinho), em nome de todos os bens recebidos de Ti. O coro então responde: 

«Nós te louvamos, te bendizemos, te damos graças, Senhor  e te suplicamos, ó nosso Deus!»

Enquanto isto, o sacerdote, no santuário, realiza o maior e o mais importante ato de toda a Divina Liturgia, a consagração e a transmutação dos santos dons no Corpo e Sangue de Cristo. Ele suplica três vezes para que o Espírito Santo desça sobre a oferenda presente e transforme o pão no Corpo e o vinho no Sangue de Cristo, fazendo o sinal da cruz sobre cada um dos santos dons em separado e sobre os dois juntos - oração chamada "Epiklese", do grego, invocação. Naquele instante realiza-se então a transmutação, invisível e inexplicavelmente, com a descida do Espírito Santo. Segue então as orações que fazem memória dos membros da Igreja celeste e terrestre, pois a Eucaristia é o sacrifício pelos vivos e pelos mortos. Por isso, depois de consagrados os santos dons, o sacerdote menciona, com gratidão, os santos, pedindo a Deus que aceite o sacrifício por sua intercessão e, 

«... especialmente pela nossa santíssima, puríssima,  bendita e gloriosa Senhora,  a Mãe de Deus e sempre Virgem Maria». 

Neste momento, enquanto incensa os santos dons sobre o Altar, os ícones e o povo, o coro canta de pé o Hino à Santíssima Mãe de Deus: 

«Verdadeiramente é digno e justo  que te bendigamos, ó bem-aventurada Mãede Deus. Tu, mais venerável que os Querubins e incomparavelmente mais gloriosa que os Serafins, deste à luz o Verbo de Deus, conservando intacta a glória de tua virgindade. Nós te glorificamos, ó Mãe de nosso Deus!» 

Durante este cântico, o sacerdote recita a oração: 

«Lembra-te em primeiro lugar, Senhor, de nosso santo pai, o patriarca [N...], de nosso metropolita [N...], de nosso bispo [N...],. Concede às tuas santas Igrejas que eles possam pregar retamente a tua Palavra de verdade, em paz, na santidade, honra, saúde e numa vida longa e fiel».

O sacerdote roga a Deus para que conceda repouso às almas dos adormecidos no arrependimento e na esperança da ressurreição para a vida eterna, depois pela saúde e salvação dos vivos. E o coro responde à súplica do sacerdote. "E de todos e por tudo", isto é, lembra-te, Senhor, dos homens e das mulheres, vivos e mortos. 

c) Preparação para Comunhão: em seguida, os fiéis preparam-se para a comunhão: primeiramente, pela Ectênia que pede: 

«Tendo comemorado todos os santos,  ainda e sempre em paz, oremos ao Senhor!»

Nesta ladainha, pedimos, antes de tudo, que o Senhor aceite o sacrifício místico e envie-nos a Graça do Espírito Santo. Em seguida vem a Oração Dominical, ou seja, o Pai-Nosso que é precedido pelo anúncio do sacerdote que diz: 

«E concede-nos, Senhor,  que com toda confiança e sem condenação,  ousando chamar-te Pai,  a Ti, que és Deus celestial, dizer:»

Em seguida, o anúncio do sacerdote, «As coisas Santas aos santos!» , isto é, a oblata é oferecida aos santos e, por isso, não deve se aproximar para participar dela, senão os santos, respondendo então o coro: 

«Um só é Santo, um só é Senhor,  Jesus Cristo, na glória de Deus Pai. Amém.» 

Significa que nenhum de nós é santo, mas só Deus é Santo, porém nós desejamos santificar-nos e por isso vamos à Eucaristia a fim de obter a santificação. 

d) Comunhão: depois do canto «Um só é Santo...» , o sacerdote e todo o clero que estiver celebrando em sua companhia, comungam no santuário os Santos Sacramentos, sob as espécies do pão e o vinho separadamente. Enquanto isso, o povo ouve cantar um versículo dos salmos que se chama «Kinonikón», ou seja, canto da comunhão, ou lê-se um sermão. 

Depois da Comunhão do sacerdote e do clero, abre-se a cortina da porta Régia (existe um antigo costume, de no momento da comunhão do clero fechar-se a cortina da porta Régia) e elevando o cálice exclama: 

«Com temor de Deus, fé e amor, aproximai-vos!» 

Os fiéis que realizaram sua preparação espiritual aproximam-se agora com fé e respeito para comungar dos Santos Sacramentos. Quando o cálice aparece para o povo, lembra-nos a aparição daqueles que se levantaram do túmulo após a Ressurreição do Senhor. Assim o coro canta: 

«O Senhor Deus, a nós se revelou,  bendito o que vem em nome do Senhor!» 

E os fiéis participam dos Santos Mistérios da Eucaristia. 

e) Ação de Graças após a comunhão: depois da Comunhão dos fiéis, o sacerdote abençoa com o cálice os fiéis, dizendo:

«Salva ó Deus o teu povo e abençoa a tua herança!» 

Esta benção lembra-nos a benção do Senhor Jesus ao subir aos céus (Ascensão). O coro responde à esta benção que é realizada com as sagradas espécies: 

«Vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste,  encontramos a fé verdadeira adorando a indivisível Trindade,  pois, foi ela que nos salvou!»

Em seguida, volta o sacerdote com o cálice dizendo secretamente: "Bendito seja, o nosso Deus"; e publicamente: "... eternamente agora e sempre e pelos séculos dos séculos." E, desta vez, lembramos a Ascensão do Senhor aos céus e da promessa que o Senhor fez antes: "E, eis que estarei convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos". Reagindo a esta aclamação do sacerdote, pedem os fiéis:

«Estejam os nossos lábios cheios do teu louvor,  para cantarmos, Senhor, a tua glória, porque nos tornaste dignos de participar dos teus divinos imortais e vivificantes mistérios. Guarda-nos no teu santuário, a fim de que, durante todo este dia, pratiquemos a tua justiça. Aleluia, aleluia, aleluia!» 

Agradecem assim ao Senhor que os ajudou a serem dignos de participar do santo Sacramento. Em seguida, o sacerdote entrega a cada fiel um pedaço do pão bento chamado Antídoron, que, recebendo-o, beija a mão do Sacerdote que lhe entregou pedindo sua benção. 

ANTÍDORON: pequenos pedaços do pão abençoado durante a Divina Liturgia, e que são distribuídos aos fiéis e àqueles que por algum motivo não puderam participar da Comunhão. 

A Estrutura da Celebração

A forma normal de celebração da liturgia bizantina requer a presença do diácono. O sacerdote, de pé diante do altar, pronuncia em voz baixa as orações sacerdotais, enquanto o diácono, do lado de fora da iconostase, canta as ladainhas correspondentes (o diácono, na liturgia ortodoxa, tem a função de pedagogo, é responsável por levar o povo à oração que, segundo São João Crisóstomo, é a melhor forma de ensino. A cada pedido ou intercessão o coro responde: Kyrie, eleison,  (Senhor tem piedade) ou atende - nos Senhor. Terminada a ladainha o sacerdote conclui em voz alta com uma doxologia (também chamada, Ecfónesis) em louvor a Santíssima Trindade, à qual o povo responde: Amém. 

Este esquema repete-se várias vezes durante a liturgia e se presta muito a que todos participem. Quando o diácono não está cantando as ladainhas, entra no santuário e se coloca à direita do sacerdote, pronto a servi - lo. Se não houver diácono é o sacerdote mesmo que canta as ladainhas, assumindo as demais funções do diácono. Quando mais sacerdotes participam da celebração, todos recitam as preces sacerdotais, cantando, por turno, as ekfónesis  e, na ausência do diácono, se alternam no canto das ladainhas. A função dos acólitos é a de portar as velas, a cruz e o turíbulo nas duas procissões da Pequena e Grande entrada, manter sempre pronto o turíbulo para as incensações, abrir e fechar as cortinas das portas santas nos momentos apropriados. Importante é a função do leitor, Anagnóskonde, o qual, além de cantar a primeira leitura com a sua introdução (Prokímenon) e com o Aleluia que precede a leitura do Santo Evangelho, terá também que desempenhar a função do coro quando este faltar. 

As Festas

A Divina Liturgia nos dias festivos é celebrada com mais brilho. As festas celebradas conforme o calendário eclesiástico, foram instituídas pela santa Igreja para glorificar a Deus e honrar a memória dos eventos mais importantes da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, de sua Santíssima Mãe, dos anjos e dos santos. As principais Festas da Ortodoxia se dividem em Festas com datas móveis e Festas com datas datas fixas:

Grandes Festas da Ortodoxia

  1. Natividade da Mãe de Deus - (08 de setembro) 
  2. Entrada da Mãe de Deus no Templo - (21 de novembro) 
  3. Anunciação da Mãe de Deus - (25 de março) 
  4. O Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo - (25 de dezembro) 
  5. Batismo de Nosso Senhor Jesus Cristo ou Santa Teofania - (06 de janeiro) 
  6. Apresentação de Nosso Senhor Jesus Cristo no Templo - (02 de fevereiro) 
  7. A Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo, no Monte Tabor - (06 de agosto) 
  8. Entrada triunfal de Nosso Senhor Jesus Cristo em Jerusalém ou Domingo de Ramos (Hosana ) - (Seis dias ou uma semana antes da Páscoa) 
  9. Páscoa Gloriosa ou Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo (Domingo entre 22 de março e 25 de abril ) 
  10. Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo - (40 dias depois da Páscoa)
  11. Pentecostes - (50 dias após da Páscoa) 
  12. Dormição da Santa Mãe de Deus - (15 de Agosto) 
  13. Exaltação da Gloriosa e Vivificante Cruz - (14 de Setembro) 

Festas Médias da Ortodoxia

  1. A Circuncisão de Nosso Senhor Jesus Cristo - (1º de Janeiro) 
  2. Festa dos Três Hierarcas ou Santos Padres: São Basílio, o Grande, São Gregório, o Teólogo e São João Crisóstomo. 
  3. Natividade de São João Batista - (24 de junho) 
  4. Festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo - (29 de junho) 
  5. Decapitação de São João Batista - (29 de agosto) 
  6. Omofórion (Proteção) da Santa Mãe de Deus - (31 de agosto) 
  7. Festa do(a)  padroeiro(a) da Paróquia é também considerada uma Festa média. 

Festas Pequenas da Ortodoxia

  1. Festa do Megalomártir São Jorge, o Vitorioso - (23 de abril) 
  2. Festa de São Nicolau, o Milagroso, Bispo de Mirra na Licia  - (6 de dezembro) 
  3. Festa do Santo Profeta Elias - (20 de julho) 
  4. Festa do Megalomártir Dimitrio, o Derramador de Aromas - (26 de outubro) 
  5.  Festa de São Miguel Arcanjo - (8 de novembro). 

Dias de Jejum

Os ofícios divinos, nos dias de jejum, distinguem-se pelos sentimentos devocionais e pela confissão dos pecados. Os dias de jejum são os dias determinados pela Igreja para distinguir-se dos outros dias por orações especiais, a abstinência de certos alimentos e bebidas, a devoção, a confissão dos pecados e pela prática das virtudes, imitando os santos como Moisés, Elias e outros do Antigo Testamento, e Nosso Senhor Jesus Cristo, que jejuou quarenta dias no deserto, cumprindo o seu divino ensinamento que nos recomenda jejuar, não somente pela aparência, mas purificando o coração e limpando a consciência. Os dias de jejum, determinados são quatro: 

  1. A Grande Quaresma, seguindo o jejum de Nosso Senhor Jesus Cristo fisicamente, no deserto, depois de seu Batismo no Jordão. É anexa à Quaresma a Semana da Paixão que foi designada em memória da Paixão de Cristo, precedendo a Páscoa Gloriosa. Durante este período abstém-se os fiéis dos alimentos gordurosos como a carne, o leite, e os ovos. Alguns abstém-se do azeite também e deixam de comer, salvo no sábado e domingo, antes do meio-dia, alguns até após o meio-dia. 
  2. Os dias de jejum Antes do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo que tem início no dia 15 de novembro e termina no dia 24 de dezembro. Os fiéis abstém-se neste período de carne, leite e ovos. 
  3. Os dias de jejum da Festa da Dormição da Mãe de Deus, que tem início em 1º de agosto e termina no dia 14 deste mês. Abstém-se os fiéis nesse período de todo alimento gorduroso e, alguns, também do azeite. 
  4. Os dias de Jejum Apostolar segundo o costume dos apóstolos que jejuavam em preparação para o Evangelho. Começa no oitavo dia depois de Pentecostes e termina no dia 28 de junho, precedendo a Festa de São Pedro e São Paulo. Nesse período faz-se abstinência de carne, leite e ovos. 

Além destes quatro períodos, a santa Igreja determinou outros dias que são: 

  1. 29 de agosto, Festa da Decapitação de São João Batista;
  2. 14 de Setembro, Festa da Exaltação da Gloriosa e Vivificante Cruz;  
  3. Quartas e sextas-feiras de cada semana, durante todo o ano,  exceto o alimento indulto que se pode comer que é o alimento gorduroso, quartas-feiras designadas em memória da prisão do Senhor Jesus e as sextas-feiras em memória de sua Morte na Cruz; 
  4. Véspera do dia do Batismo do Senhor, 6 de janeiro.

 

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