Portal Ecclesia
A Igreja Ortodoxa Atualizações e notícias Seleção de textos Subsidios homiléticos para Domingos e Grandes Festas Calendário litúrgico bizantino Galeria de Fotos Seleção de ícones bizantinos Clique aqui para enviar-nos seu pedido de oração Links relacionados Clique para deixar sua mensagem em nosso livro de visitas Contate-nos
 
 
Loading
Biblioteca Ecclesia
 
 
 
Procissão

A Procissão

Ohomem gosta de ser exaltado, durante a vida e após a morte. Reis e generais vencedores de batalhas eram recebidos em triunfo, quando voltavam depois das suas conquistas. Grandes cortejos os precediam em meio a cantos e aclamações.

O mesmo cortejo, dessa vez triste e com lamentações, levava os mortos ilustres à sua última morada. Quanto mais ilustre for o defunto, maior o cortejo.

O que os antigos faziam a seu modo e com os meios a seu alcance, os modernos não aboliram, só que o fazem de outro modo e com outros meios aperfeiçoados pelas descobertas científicas. Não foram, porém, dispensados os cortejos de pedestres, carros ou carruagens.

O cristianismo adotou muitos dos costumes puramente humanos e até pagãos, dando-lhes um sentido espiritual e um valor sobrenatural. Um desses costumes é a procissão que, apesar de não se constituir em elemento essencial da vida religiosa, não deixa de ser um incentivo para a piedade.

O próprio Cristo não hesitou em recorrer a ela: aceitou e, talvez pudéssemos dizer, provocou a sua Entrada Triunfal em Jerusalém, uma semana antes da sua morte, montado num jumentinho e precedido e seguido por imensa multidão que segurava palmas e ramos de oliveira e gritava: Hosana! Bendito seja o que vem em nome do Senhor! Logo que entrou em Jerusalém, toda a cidade se pôs em alvoroço (Mt 21.10).

Há procissões triunfais, procissões fúnebres e procissões penitenciais. Há procissões litúrgicas, isto é, que fazem parte dos ofícios litúrgicos, como as duas procissões da missa: a da Pequena Entrada feita com o santo Evangelho e a da Grande Entrada, ou ofertório, feita com o cálice e a patena, que contêm as oferendas que vão ser consagradas. Temos também a Procissão do Enterro de Cristo na sexta-feira santa; e as procissões do fogo sagrado no sábado santo, etc.

Há procissões de devoções particulares como a procissão com o ícone do Padroeiro da Igreja paroquial no dia da sua festa e outras. As procissões, até de devoções particulares, têm geralmente um efeito benéfico, sobre a fé dos fiéis. Eis um exemplo tocante a esse respeito: durante a última guerra mundial, quando, na Grécia, Atenas foi libertada da ocupação inimiga, o povo, civis e militares, governantes e governadores, entraram na capital do país em procissão triunfal, seguidos pelo arcebispo metropolitano, segurando o ícone da Mãe de Deus, a Theotókos, e todos cantando à Virgem Maria o seguinte hino litúrgico:

«Nós, teus servos, ó Mãe de Deus,
te registramos os lauréis da vitória,
penhor da nossa gratidão,
como a um general que combateu por nós
e nos salvou de terríveis calamidades.
E como tens um poder invencível,
livra-nos dos perigos de toda espécie,
para que te aclamemos:
Salve, Esposa sempre Virgem!»

A história da Igreja, no Oriente, como no Ocidente, registra muitas dessas procissões de agradecimento a Cristo e à sua Mãe por vitórias ganhas ou calamidades afastadas. Registra também procissões penitenciais para implorar a misericórdia de Deus, a fim de que envie chuva, depois de longa seca, para livrar de uma epidemia, alastrando-se e fazendo vítimas etc.

Pastoralmente tais procissões produzem um efeito salutar, maior, talvez, que o melhor sermão, pronunciado pelo melhor dos pregadores. O efeito é ainda maior quando se unem os dois: procissão e pregação. Por isso, nas missões promovidas nas paróquias, por ocasião de acontecimentos importantes, os missionários não dispensam nos programas uma ou mais procissões.

Não se pode negar que as procissões, como qualquer ato humano, podem dar margem a abusos ou talvez ser consideradas por alguns (geralmente sem fé ou com fé adormecida) como promoções folclóricas, mas isso não constitui motivo para serem desprezadas ou suprimidas. Pelo contrário, deve-se esclarecer a sua finalidade e, por meio delas, despertar a fé, sacudindo-a de seu torpor.

Fonte:

ARBEX, Mons. Pedro. Teologia Orante na Liturgia do Oriente. São Paulo, Ed. Ave Maria - 1998.

 

Voltar à página anterior Topo da página
NEWSIgreja Ortodoxa • Patriarcado Ecumênico • ArquidioceseBiblioteca • Sinaxe • Calendário Litúrgico
Galeria de Fotos
• IconostaseLinks • Canto Bizantino • Synaxarion • Sophia • Oratório • Livro de Visitas