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Luz e Ressurreição

Pe. Paulo Augusto Tamanini

ornou-se freqüente noticiar pela mídia que na noite do Sábado Santo, em Jerusalém, na Igreja do Santo Sepulcro, muitos hierarcas ortodoxos celebram o rito da Bênção do Fogo e a sua distribuição aos fiéis que para lá acorrem todos os anos. Os meios de comunicação mundial divulgam o fato, pois perceberam que a quantidade de pessoas que lá vão buscar o “fogo santo” cresce a cada ano. Talvez porque se têm lá, registros de curas, de verdadeiros milagres realizados na Noite da Ressurreição.

A luz que brota do sepulcro é o sinal sensível do milagre da vida. É a prova cabal da derrota da morte frente ao Doador da Vida. “Cristo havia de padecer e seria o primeiro que, pela ressurreição dos mortos, havia de anunciar a luz ao povo judeu e aos pagãos” (At 26,23). Ele é o primogênito dos mortos. A morte foi vencida, regozigemo-nos e alegremo-nos n’Ele!

“Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Jesus, nesta passagem do Evangelho revela-se como sendo Luz do mundo. Ora, Ele mesmo um dia advertiu que “ninguém acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa”. (Mt 5,15)

Assim sendo, como poderia então, a verdadeira Luz do Mundo permanecer escondida no interior de um túmulo?

Foram apenas três dias. Dias estes que os discípulos amedrontados se recolheram no cenáculo, apavorados pela situação. Estavam sem seu Mestre, estavam acéfalos, e sem respostas frente às tantas perguntas que nasciam de seu coração quase sem fé naquele que dissera ser a Luz. Os apóstolos estavam reclusos no mesmo lugar em tinham celebrado, na noite anterior, o Mandamento Novo. Certamente as lembranças daquela noite santa e do flagelo criminoso de seu Senhor povoaram suas mentes, buscando explicações estéreis. Eles estavam se sentindo sós.

Jesus também se encontrava em um lugar escondido, onde nada parecia lembrar vida, somente abandono, escuridão e morte. Estava ali, pois ali o puseram. Os discípulos, ao contrário, correram para o cenáculo, escondendo-se, por vontade própria, com medo e desespero.

O corpo de Jesus estava inerte, seus sinais vitais eram nulos. Parecia que a morte, finalmente, tinha trazido para junto si o Filho de Deus. Tudo isso se modificou: no silenciar da madrugada, eis que a Luz ressurge, mais forte do que nunca, flamejante. Luz esta que brotou do túmulo de Cristo, rodeando o Corpo Santo d’Aquele que é Ressurreição e Vida Plena.

Da mesma forma que a luz não pode estar escondia, sob o alqueire, pois se assim acontecer inutiliza sua função, Cristo, sendo a Luz do Mundo, não poderia permanecer encoberto, no interior de uma tumba fechada por uma pedra. A luz, para iluminar, como disse o Senhor, deve se posicionar em lugar alto, assim a escuridão se dissipa em um diâmetro muito maior.

Para nós cristãos, o candeeiro é a cruz. “E quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32). É por ela que podemos enxergar a Luz do Ressuscitado. É ela que é o novo candeeiro; é ela que mostra ao mundo o vencedor da morte; é ela que ostenta ao mundo Aquele que venceu a morte pela morte. Com ela, a luz ganha altitude, seus raios penetram toda a escuridão.

Lembremo-nos, entretanto, que foi graças à cruz que a pedra do sepulcro foi removida pelo Ressuscitado, abrindo as portas do Paraíso, para todos nós, antes fechadas desde a queda dos primeiros pais.

A claridade proporcionada pela luz nos facilita a visão, nos dá certeza do lugar onde pisamos, amplia nosso espaço de movimentação, faz-nos enxergar os detalhes, aproxima da vista aquilo que se distanciava por causa da pouca luminosidade. Igualmente, para nós, sob a luz do Ressuscitado, caminhemos na estrada da vida guiados pela certeza de que Deus nos acompanha passo a passo, todos os dias de nossas vidas (cf. Mt 28,20).

O que acontece na noite do Sábado Santo, no Santo Sepulcro, em Jerusalém, repete-se em cada igreja ortodoxa espalhada pelo mundo. A bênção do Fogo Novo e sua distribuição aos fiéis, seguida de luminosa procissão, faz parte dos Ritos Pascais celebrados com fé e devoção, desde as grandes Catedrais até a mais longínqua igreja. O Celebrante acende o círio pascal do fogo abençoado. O círio está amarrado por uma fita vermelha à cruz de bênção, testificando que a cruz é parte integrante da Ressurreição.

O cristão é o homem da esperança e da eternidade. “Tenho esperança em Deus, como também eles esperam, de que há de haver a ressurreição dos justos e dos pecadores” (At 24,15). Com a Ressurreição do Senhor, sabemos que a morte não é o fim, é apenas uma passagem, rumo à eternidade. Somos cidadãos dos céus e não do mundo. Como cidadãos da eternidade vivemos para a eternidade, não depositamos nossa esperança última nas coisas perecíveis, mas naquelas que não passam. Vivemos no mundo, mas não somos do mundo. Trilhemos as veredas que conduzem a Deus, guiados pelo Espírito Santo, sob à luminosidade da Luz que brota do túmulo de Cristo. Esta é a nossa fé, é por ela vivemos .

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