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O Sacramento do Santo Matrimônio

Protopresbítero John Meyendorff
(teólogo ortodoxo)

Tradução de Jawarjios Tueini

 

Um grande mistério

Apóstolo Paulo, em sua Epístola aos Efésios (5,25-32), na passagem que é lida na cerimônia da coroação matrimonial, dá o novo sentido cristão à união entre homem e mulher. Refere-se ao texto do Gênesis, mas adiciona a seu significado uma nova dimensão inteira:

Maridos, amem suas esposas, como Cristo amou a Igreja e a ela Se entregou... porque somos membros de Seu corpo... Isso é um grande mistério, e eu o tomei para indicar a Cristo e à Igreja.

O homem foi criado a fim de participar da comunhão de Deus, e Deus, através de sua vinda por Cristo, ao se tornar Ele próprio homem, não só restaurou o que o pecado humano havia corrompido, mas também deu ao homem a possibilidade de partilhar da vida divina. Quando um homem é batizado, ele aceita em sua própria carne, o poder da morte e ressurreição de Cristo, e deve, então, “andar em vida nova” (Rm 6,4). Quando participa da comunhão com o Corpo e Sangue de Cristo, torna-se membro de Cristo.

O matrimônio, assim, deixa de ser uma simples satisfação do instinto natural dos homens, ou a realização da busca humana para felicidade terrestre. É um evento que concerne não só ao dois recém-casados, mas também ao próprio Cristo, porque dois de Seus membros foram juntados em um dentro de toda a Igreja que é o Corpo de Cristo. As coroas que são colocadas nas cabeças do casal são as coroas dos mártires, como é indicado pelo hino “Ó Santos Mártires” que é cantado durante a procissão circular em torno da mesa durante o serviço da coroação. “Mártir”, em grego, significa “testemunha”. O novo marido e a nova esposa são chamados pela Igreja a serem eternamente – o círculo é sempre símbolo da eternidade – testemunhas da união de Cristo com a Igreja. Casamento, então, cessa de ser um affair privado. O significado da vida cristã é precisamente ir além dos simples interesses egoístas do homem. Essa nova dimensão é o que constitui toda a diferença entre o casamento cristão e aquele feito fora da Igreja.

Nos primeiros dias da Igreja, o casamento não era celebrado como hoje, durante uma cerimônia especial, na qual vai quem é convidado. Ele tomava lugar, depois que o bispo havia dado permissão para a união, na Divina Liturgia de domingo. Toda a comunidade era reunida junta como Corpo de Cristo e o casal junto recebia solenemente a comunhão, com toda Igreja testemunhado o dom de estarem unidos e seu desejo para constituir uma nova família cristã. Em nosso rito atual, muitos elementos lembram essa fase primitiva da celebração do casamento: a cerimônia da coroação começa, assim como a Liturgia, com a exclamação “Bendito seja o Reino” e o rito mesmo inclui esses elementos como o canto do “Pai Nosso” seguido da participação do casal em um cálice comum de vinho. Não é lugar aqui de discutir a razão de este cálice ter cessado de ser o cálice da comunhão do Corpo e Sangue de Cristo, mas é importante entender que a Santa Igreja Ortodoxa considerou sempre o casamento em sua relação com a vida comum no Corpo de Cristo. Ao duas almas e dois corpos aceitarem ser unidos no casamento, temos um grande mistério, que se refere a Cristo e à Igreja.

O casamento cristão é, portanto, não uma simples realização de um conjunto de regras que existem mesmo fora da Igreja, como fidelidade mútua, honradez social, e responsabilidade da educação das crianças. É muito mais que isso. É:

— Fidelidade mútua, não só para o benefício do humano, social ou psicológico, mas porque Cristo habita tanto em nossas almas, quanto em nossos corpos, e Ele está relacionado com o que fazemos com eles; quando S. Paulo foi confrontado com questões sobre os pecados da carne, escreveu: “Vós não sabeis que vosso corpo é um templo do Espírito Santo “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? ... Tomarei, então, os membros de Cristo e os farei membros de uma prostituta? De modo algum! (I Cor 6, 19: 15)

— Esforço constante para viver não para si mesmo, mas para o outro, porque “Cristo amou a Igreja e deu a Si mesmo pore la” (Ef 5,25); dedicação mútua é o conteúdo psicológico e moral principal do casamento, tanto para o homem, quanto para a mulher. O papel de direção e iniciativa, que pertence ao homem é primeiramente um trabalho e uma responsabilidade. Não indica nenhuma superioridade moral do homem sobre a mulher.

— Concepção de filhos que é para ser entendida no contexto daquilo pelo que a Igreja espera: o nascimento de novos membros de Cristo. Os pais, cuja união precisa naturalmente resultar no aparecimento de nova vida humana, são também responsáveis pelo nascimento espiritual de suas crianças, sua participação nos sacramentos e sua educação religiosa; um casal que evita uma dessas responsabilidades – real concepção de filhos, seguido de cuidado material e espiritual – trai não só a graça do Sacramento do Matrimônio, mas como seu próprio status como cristãos ortodoxos, membros do Corpo de Cristo.

Todos esses elementos são, é claro, incompreensíveis, se não se entende que o Reino de Deus convoca à transfiguração e renovação de todo ser, corpo e alma, e que todo passo de nossa existência – nosso nascimento, casamento, morte – torna-se realmente diferente quando realizados em Cristo. Por que se preocupar com sacramentos, se todo resto permanece o mesmo? Essa diferença foi ressaltada pelo Senhor mesmo, quando, depois de dar Seu ensinamento sobre o matrimônio como uma união inseparável de seres, escutou de Seus discípulos; “Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar!”; e respondeu “Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado” (Mt 19,10-11)

(...)

(Texto disponível em: http://www.holy-trinity.org/morality/meyendorff-marriage.html

O Santo Sacramento do Matrimônio

St. Paul the Apostle Orthodox Church

“Ó, Senhor, coroai-os com glória e honra!”

(da Liturgia do Matrimônio da Igreja Ortodoxa)

eus declarou o matrimônio honrável por Sua presença nas Bodas de Caná na Galiléia. Só é justo, assim, que os casamentos que sejam realizados na Igreja tenham seus casais dedicado juntos suas novas vidas a Deus. (...) Há muitas partes diferentes da cerimônia com muitos símbolos para expressar o amor de Deus à Sua criação e Sua benção ao casal.

A cerimônia começa na parte detrás da Igreja onde o casal troca as alianças e entram juntos na Santa Casa de Deus. Há uma série de orações chamada “Litania” que pede a benção de Deus ao casal, ao povo e à Igreja. As alianças são então trocadas pelo casal três vezes em lembrança da Santíssima Trindade, e colocada no quarto dedo da mão direita. É tradicional de o casal portar suas alianças na mão direita, uma vez que é ela a mão da benção na Bíblia. Segue-se outra oração que cita os muitos exemplos de casamentos divinos da Bíblia e incentiva o casal a segui-los. O sacerdote conduz os noivos para o centro da Igreja.

No centro da Igreja há uma mesa onde são colocados os itens litúrgicos usados na cerimônia. Há um par de coroas que o sacerdote coloca nas cabeças do casal para abençoá-los e os lembrar das coroas que os mártires vestiram por testemunhar o Cristo. Há um cálice comum de o casal bebe para simbolizar sua unidade. Há um par de velas que o casal segura para mostrar que a luz de Cristo brilha em suas vidas. Há um lenço com o qual o sacerdote amarra juntas as mãos do casal para simbolizar sua unidade. Finalmente, há o Evangelho que o sacerdote lê e com o qual benze em forma de cruz o casal.

A liturgia começa com o canto do Salmo 128 que lembra o casal da benção de Deus sobre Jerusalém. O sacerdote acende as velas ao casal e pergunta a cada um sobre suas intenções. Há novamente uma litania e orações de benção que lembram o casal de sua obrigação perante a Deus e ao outro. Em seguida, o sacerdote abençoa o casal com uma coroa e coloca uma em cada cabeça. Lê-se a Epístola de S. Paulo aos Efésios (5,20-33), que fala da obrigação do matrimônio e o compara a Cristo e à Igreja. Há depois a leitura do Evangelho de S. João (Jo 2,1-11), que fala da benção de Cristo nas Bodas de Caná.

Seguindo as leituras, há outra litania e mais orações. O casal então partilha do mesmo cálice três vezes para uni-los. O sacerdote amarra juntas as mãos dos noivos e lhes entrega a cruz. Há uma procissão feita três vezes em torno da mesa enquanto o coro canta um belo hino. Interessantemente, é o mesmo hino que é cantado na ordenação do clero. O sacerdote agora abençoa o casal, desata suas mãos e remove suas coroas. Usualmente, há um sermão, e depois a benção final. Assim, o casal é unido a Cristo e a cada um no Santo Matrimônio.

O Matrimônio não é uma simples troca de votos ou um contrato, mas um sacramento da Igreja, como todos os outros, que nos unem a cristo. Os recém-casados não são unidos apenas entre si, mas são unidos a Cristo e à Sua Santa Igreja. Não é meramente um affair privado, mas algo testemunhado pela Igreja como Corpo de Cristo, levando-os a uma comunhão mais próxima com todos. Pelo casamento, suas vidas são transfiguradas, pois juntos buscam a salvação neste mundo.


Disponível em: http://www.lasvegasorthodox.com/library/index.html

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