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O Jejum na Igreja Ortodoxa

Por Ricardo Williams G. Santos,
baseado em texto original de John Brady


os dias de hoje, o ensinamento tradicional da Igreja sobre o jejum é desconhecido por grande parte de seus fiéis. Este texto visa, humildemente, tentar auxiliar os cristãos Ortodoxos que desejam seguir a regra do jejum da Igreja Ortodoxa.

Embora estas regras pareçam bastante severas para aqueles que nunca as viram antes, elas se aplicam a todos os cristãos Ortodoxos, não apenas aos monges. Como nem todos os leigos conseguem guardar essas regras em sua plenitude, o objetivo deste texto é apresentá-las sem decidir o que é “mais apropriado”, já que cada cristão deve seguir o jejum de acordo com sua disposição e situação particular, e sempre sob a orientação de seu pai espiritual.

Deve-se mencionar também que na Igreja Ortodoxa, o jejum consiste de dois importantes aspectos: o físico e o espiritual. O primeiro implica na abstinência de certos alimentos. Já o jejum espiritual consiste da prática de orações constantes e sinceras somada à abstinência de pensamentos, desejos e atos ruins e maldosos.

O principal objetivo do jejum é a obtenção de autodisciplina e de controle sobre as paixões da carne – ou seja, libertar-se da dependência das coisas mundanas para se concentrar nas coisas do Reino de Deus, a fim de fortalecer a alma para não ceder à tentação e ao pecado. Segundo São Serafim de Sarov, o jejum é “algo indispensável para se adquirir os frutos do Espírito Santo em nossa vida”.

Portanto é importante sempre ter em mente que o jejum não é um objetivo em si mesmo, nem um ato de mortificação sem um objetivo maior, tampouco uma "penitência" para agradar a Deus, e muito menos uma punição angustiante que fazemos para pagar nossos pecados.

Ao contrário, para o Cristão Ortodoxo, o jejum deve ser acompanhado de júbilo, pois jejuar é um ato de autodisciplina que impomos voluntariamente a nós mesmos para nos tornarmos pessoas melhores.

Também devemos sempre ns lembrar que para os cristãos, todos os alimentos são puros. Quando há prescrição de jejuns, nos abstemos por razões disciplinares, e não porquê este ou aquele alimento é “impuro” (vide São Marcos 7:15-23 e Atos dos Apóstolos 10:9-15).

Por fim, jamais podemos esquecer lembrar que catecúmenos e pessoas em processo de conversão não tem obrigação de jejuar – e mesmo os fiéis Ortodoxos devem jejuar sempre sob acompanhamento de seu pai espiritual, para que tal disciplina não se torne algo farisaico ou não cometamos o pecado do orgulho.

Jejum semanal

Exceto quando estamos em períodos onde há dispensa (ver abaixo), todos os cristãos Ortodoxos devem manter o jejum estrito todas as quartas e sextas-feiras. Nesses dias deve-se evitar o consumo dos seguintes alimentos:

• Carnes, incluindo aves, e produtos derivados, como toucinho e caldo de carne.

• Peixes com espinha – mariscos e frutos do mar são permitidos.

• Ovos e laticínios.

• Azeite de oliva.

• Vinho e bebidas alcoólicas. Na tradição eslava, permite-se o consumo de cerveja.

Quanto?

Ao jejuar, devemos sempre nos alimentar de modo simples e sem exageros, para evitar a gula. Em dias de jejum estrito, monges consomem apenas uma refeição – ou duas, em dias que se permite o consumo de vinho e azeite. Em caso de dúvida, fale sempre com seu pai espiritual.

Dispensas

Crianças pequenas, enfermos, convalescentes, idosos, gestantes e lactantes, bem como pessoas que tenham algum problema de saúde, como diabetes ou úlcera, por exemplo, estão dispensados do jejum estrito pela Igreja.

Jejum eucarístico

Para que o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor sejam as primeiras coisas que consumimos no dia da Comunhão, praticamos o chamado jejum eucarístico, que é parte integral da preparação para a recepção da Santa Comunhão.

Essa preparação tem início com o ofício de Vésperas – realizado no sábado anterior, por volta de 18:00. Após o ofício, os fiéis devem preparar-se através de orações, como as orações preparatórias para a Comunhão e a leitura de salmos.

A partir de meia-noite, devemos nos abster de consumir quaisquer alimentos sólidos ou líquidos até recebermos a Santa Comunhão. Se a Comunhão for à noite, como ocorre com a Liturgia dos Pré-Santificados na Quaresma, por exemplo, devemos iniciar o jejum eucarístico completo a partir de meio-dia.

Alguns fiéis costumam adotar certas práticas pias individuais, como não consumir carne vermelha ou bebidas alcoólicas desde o dia anterior, e alguns casais casados se abstêm de relações sexuais. Essas práticas, porém, não estão prescritas nos cânones da Igreja, e jamais devem ser feitas isoladamente, mas sim como parte de um ato de autodisciplina, cujo objetivo é evitar qualquer coisa que atrapalhe nossa preparação. Em caso de dúvida, sempre consulte seu pai espiritual.

Jejum da Quaresma

Na Quaresma, por ser o período preparatório para a celebração da Ressurreição de Nosso Senhor, praticamos o jejum mais estrito do ano.

• Na semana anterior à Quaresma (também chamada de “Semana dos laticínios” ou “da tirofagia”): carnes e derivados estão proibidos, mas permite-se o consumo de ovos e laticínios, mesmo na quarta e sexta-feira.

• Primeira semana da Quaresma: não se consome nenhum alimento nos primeiros cinco dias da Quaresma, exceto por uma refeição diária na quarta e sexta-feira após a Liturgia dos Pré-Santificados, mantendo-se as restrições usuais. Hoje em dia, essa disciplina é mantida apenas por comunidades monásticas.

• Dias da semana durante a Quaresma: durante as seis semanas da Quaresma, mantemos o jejum estrito, ou seja, não consumimos carnes e derivados, peixes com espinha, ovos, laticínios, vinho e azeite de oliva.

• Aos sábados e domingos, o consumo de vinho e azeite é permitido.

Semana Santa: Nesse dia permite-se o consumo de vinho e azeite. Nas comunidades monásticas, a refeição da noite da quinta-feira é a última até o dia de Páscoa. Na Sexta-feira Santa praticamos o jejum mais estrito do ano, e mesmo aqueles que tiveram alguma dispensa durante o período são encorajados a jejuar neste dia.

O jejum da Quaresma encerra-se após a Liturgia de Páscoa no domingo.

Dispensas:

Permite-se o consumo de vinho, peixe e azeite nas festas da Anunciação e no Domingo de Ramos, bem como nas festas dos principais santos e do padroeiro da paróquia que o fiel freqüenta.

Jejum dos Apóstolos

Tem duração variável a cada ano, e vai da segunda-feira após o Domingo de Todos os Santos até o dia 28 de junho, véspera da Festa de São Pedro e São Paulo.

• Segunda, quarta e sexta-feira: jejum estrito.

• Terças e quintas-feiras: permite-se o consumo de vinho e azeite.

• Sábado e domingo: permite-se o consumo de vinho, azeite e peixes.

Jejum da Dormição da Mãe de Deus

Que vai de 1o. a 14 de agosto.

• Segunda a sexta-feira: jejum estrito

• Sábado e domingo: permite-se o consumo de vinho e azeite.

Advento

Período de preparação para a Festa da Natividade de Nosso Senhor. Vai de 15 de novembro até 24 de dezembro (Véspera de Natal). Divide-se em dois períodos:

Primeiro período (15/11 a 19/12)

• Segunda, quarta e sexta-feira: jejum estrito.

• Terça, quinta, sábado e domingo: permite-se o consumo de vinho, azeite e peixe.

Segundo período (20/12 a 24/12)

• Segunda a sexta-feira: jejum estrito.

• Sábado e domingo: permite-se o consumo de vinho e azeite.

Outros períodos de jejum

Também são considerados dias de jejum:

• Véspera da Teofania (05/01);

• Festa da Exaltação da Santa Cruz (14/07);

• Comemoração da Decapitação de São João Batista (29/08).

Nesses dias permite-se o consumo de vinho e azeite.

Períodos de dispensa

Nos seguintes períodos não praticamos jejum em nenhum dia (incluindo quartas e sextas):

• De 25 de dezembro até 04 de janeiro.

• Na semana do Domingo do Fariseu e do Publicano (segunda semana do Triódion).

• Na semana da Páscoa.

• Na Semana da Santíssima Trindade (do Domingo de Pentecostes até o Sábado de Todos os Santos).

• Quando uma das festas de Nosso Senhor e da Mãe de Deus caírem durante um período de jejum, permite-se o consumo de peixe, vinho e azeite. Nas festas dos principais Santos, permite-se o consumo de vinho e azeite – e também de peixe, se o(a) Santo(a) for o padroeiro de sua paróquia.


Principais fontes consultadas:

OCA (Orthodox Church in America) – Fasting and Fast-free Seasons of the Church

The Meaning of Fasting in the Orthodox Church, by Fr. Milan Savich

The Fasting Rule of the Orthodox Church, by John Brady

Agradecimentos especiais ao Pe. John Matusiak (OCA – Diocese do Meio-Oeste)


O jejum dos amigos do Esposo

São Pedro Crisólogo (cerca de 406-450),
bispo de Ravena, Padre da Igreja

or que é que nós e os fariseus jejuamos freqüentemente e os teus discípulos não jejuam?» Por quê? Porque, para vós, o jejum é uma questão de lei e não de dom espontâneo. Em si mesmo, o jejum não tem valor, o que conta é o desejo daquele que jejua. Que proveito pensais tirar, vós que jejuais constrangidos e forçados?

O jejum é uma charrua maravilhosa para lavrar o campo da santidade: revolve os corações, desenraiza o mal, arranca o pecado, enterra o vício, semeia a caridade; alimenta a fecundidade e prepara a colheita da inocência. Quanto aos discípulos de Cristo, eles estão postos mesmo no coração do campo maduro da santidade; recolhem os feixes das virtudes; alimentam-se do Pão da nova colheita; por isso, não podem praticar jejuns que já não têm valor...

“Porque é que os teus discípulos não jejuam?” O Senhor responde-lhes: “Os amigos do Esposo poderão jejuar, enquanto o Esposo está com eles?” Aquele que toma esposa deixa de lado o jejum, abandona a austeridade; entrega-se inteiramente à alegria, participa nos banquetes; mostra-se afável, amável e alegre; faz tudo o que lhe inspira a sua afeição pela noiva. Cristo celebrava nessa altura as suas bodas com a Igreja: por isso, ele aceitava tomar parte em refeições, não se recusava aos que o convidavam; cheio de benevolência e de amor, mostrava-se humano, acessível, amável. É que ele queria unir o homem a Deus e fazer dos seus companheiros membros da família divina.

 

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