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O Sinaxário na Tradição da Igreja

os primórdios da vida da Igreja, quando os cristãos estavam organizados em pequenas comunidades locais, freqüentemente clandestinas e escondidas por medo das perseguições, as festas litúrgicas não eram tão numerosas nem tão faustuosas quanto hoje em dia.

A vida litúrgica era, então, centralizada na celebração semanal do Dia do Senhor (domingo) onde todos comungavam os Santos Mistérios. Havia, igualmente, o hábito de celebrar a Eucaristia no túmulo dos mártires da comunidade, no dia do aniversário de seu "nascimento para o céu".

Por ocasião desta Reunião (Synaxis), o bispo local ou o bispo de uma comunidade vizinha, conhecido pela sua eloqüência, pronunciava o panegírico do Santo. Quando havia, lia-se os Autos do processo e da execução do mártir, e depois lia-se a narrativa de seus milagres póstumos piedosamente reunidos.

Cada igreja local tinha, assim, seu próprio calendário litúrgico, chamado "Martirólogo". Porém, pouco a pouco o culto de alguns santos expandiu-se além dos limites de sua igreja de origem: principalmente por causa dos milagres realizados por suas relíquias. Estas atraíam os peregrinos e encorajavam outras igrejas a honrar o santo a fim de gozarem de sua proteção; sobretudo as que haviam conseguido alguns fragmentos de relíquias.

Apareceram, então, os Martirólogos gerais, comuns a grandes regiões eclesiásticas, que não suprimiram os regionais mas desenvolveram-se paralelamente e progressivamente os absorveram.

Com as lutas contra as heresias e os numerosos confessores da fé que elas ocasionaram, acrescentaram-se às festas dos mártires, as dos santos bispos ou padres que deram a vida pela pureza da doutrina. Daí em diante as comunidades maiores não podiam mais se reunir em casas particulares, e por isso construíram-se vastas basílicas sobre o túmulo dos mártires e criou-se o hábito de reunirem-se não somente para a festa mas também para as Sinaxes regulares, semanais ou mesmo cotidianas.

No século IV, com o fim das perseguições e, em seguida, o reconhecimento do Cristianismo como religião oficial do império romano, esta evolução litúrgica precipitou-se. Em todo o lugar construíram-se igrejas esplendidamente ornamentadas, desenvolveu-se a poesia litúrgica, instituíram-se novas festas: a do Senhor, a da Mãe de Deus, a dos santos e dos mártires universais, de maneira que cada dia do ano fosse ocupado pela memória de um ou alguns santos (mártires, confessores, ascetas, etc). A leitura dos Autos foi relegada a um plano extra-litúrgico e substituída por hinos.

Acentuava-se mais o aspecto dos mistérios iniciáticos da assembléia litúrgica, considerada como "o Céu na terra", antecipação neste mundo do Reino dos Céus, o momento temível da reconciliação de todas as coisas no Corpo de Cristo, sob a forma dos preciosos Dons eucarísticos. O aspecto universal e cósmico da Igreja se sobrepõe, doravante, sobre o aspecto local e de refeição fraterna dos primeiros séculos. É por isso que, durante todo o período bizantino, o calendário dos santos tendeu constantemente à unificação com o calendário da Grande Igreja (Santo Sophia) em Constantinopla, sem por isso perder sua leveza ou cor local. Até o século XV, por exemplo, cada igreja e cada mosteiro de Constantinopla tinha um calendário próprio, mas cujas datas, dos principais santos coincidiam com o calendário geral.

Nos éculos VIII e IX, a heresia iconoclasta, atacando [a prática da veneração] às imagens santas, visava também o culto dos santos e em geral de todo intermediário entre nós e Deus.

Em reação a isto, os Ortodoxos insistiram ainda mais no culto de veneração aos santos. Com o fim da heresia, as igrejas foram cobertas de ícones, escreveu-se com ardor a vida dos heróis da Ortodoxia, e contemplaram-se o calendário e os ofícios litúrgicos. Os santos hinógrafos do mosteiro de Studion (São Teodoro, São José, etc...) deram aos nossos ofícios a forma que tem hoje, e deixaram em seus hinos um lugar reduzido à leitura do resumo da vida dos santos do dia - depois da 6ª ode do cânone das matinas - que se chama "Sinaxário": um artigo das primeiras assembléias litúrgicas. Do século IX ao século XI completou-se a redação destas notas curtas do Sinaxário, que são mais freqüentemente resumos de vidas feitos por São Simeão Metafraste (séc. X) ou por grandes historiadores eclesiásticos (Euzébio de Cesaréa, Sócrates, Sozomenes, Theodoreto).

As notas do Sinaxário, inseridas depois em nossos menólogos, não são senão lembretes. A vida dos santos, suas citações, seus milagres eram difundidos em suas biografias e sobretudo pela tradição oral e popular, como se pode observar ainda hoje nos paises tradicionalmente ortodoxos.

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