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Sobre a Maçonaria

Declaração oficial do Santo Sínodo da Grécia - 1933

Tradução de Ricardo Williams

Sínodo da Igreja da Grécia reuniu-se no dia 12 de outubro de 1933 em sessão especial para tratar do estudo e investigação da organização secreta internacional conhecida como “Maçonaria”. Os bispos ouviram com diligência a exposição introdutória da Comissão formada por quatro Bispos indicados pelo Santo Sínodo em sessão anterior, bem como a opinião de estudiosos da Faculdade de Teologia da Universidade de Atenas e a opinião particular do professor Panag Bratsiotis, que contribuiu com este estudo. O Sínodo também analisou uma ampla gama de materiais relacionados a este assunto publicado na Grécia e no exterior. Após o debate, chegou-se à seguinte conclusão, unanimemente aceita por todos os Bispos:

A Maçonaria não é simplesmente uma organização filantrópica ou uma escola filosófica e, sim, um sistema mistagógico com raízes nas antigas seitas e religiões de mistério dos pagãos – dos quais descende, é sucessora, e aos quais dá continuidade. Professores proeminentes das Lojas não apenas admitem como confirmam este fato, ao afirmar com orgulho e de modo literal que: “somente na Maçonaria sobrevivem os antigos mistérios, dos quais ele á considerada guardiã”. A Maçonaria é fruto direto dos mistérios egípcios: “as humildes oficinas das Lojas Maçônicas nada mais são do que as cavernas e a escuridão das florestas de cedros da Índia, as profundezas obscuras das pirâmides e as criptas dos magníficos templos de Ísis; nos mistérios eleusinos da Maçonaria, transmitidos através das vias luminosas do conhecimento e, sob os mistagogos hierarcas Prometeu, Dionísio e Orfeu, foram formuladas as leis eternas do Universo!”

Tais elos entre a Maçonaria e os antigos mistérios idólatras também se manifestam em tudo aquilo que se faz e representa durante seus ritos de iniciação. Assim como nos rituais dos antigos mistérios idólatras, repete-se a dramatização do labor e da morte de um “deus misterioso”, e na repetição iniciática deste drama o iniciado morre com o patrono da religião – sempre uma personagem mítica que simbolizava o sol ou a natureza, que perece no inverno e ressurge na primavera.

Isso ocorre, por exemplo, na iniciação do Terceiro Grau, onde se homenageia Hiram, o patrono da Maçonaria – em uma espécie de representação teatral de sua morte, o iniciado compartilha do sofrimento de Hiram, ao ser golpeado e “morto” do mesmo modo que seu patrono. De acordo com a confissão de um eminente professor da Maçonaria, Hiram é “como Osíris, como Mitra e como Baco, uma das personificações do Sol”.

Portanto a Maçonaria é, sem dúvida, uma religião de mistério, completamente diferente, estranha e contrária à fé cristã. Isso fica bem claro ao vermos que ela possui seus próprios templos dotados de altares, definidos por seus membros como “oficinas onde não há menos história ou santidade do que na Igreja”, e como templos de virtude e sabedoria onde se adora o Ser Supremo e se ensina a verdade.

A Maçonaria possui suas próprias cerimônias religiosas, como a cerimônia da adoção ou “batismo maçônico”; a cerimônia do reconhecimento conjugal ou “casamento maçônico”; o serviço fúnebre maçônico; e o ofício de consagração de um templo maçônico, dentre outros. Possui, ainda, seus próprios ritos de iniciação, suas cerimônias ritualísticas, sua própria hierarquia e uma disciplina definida. Portanto podemos concluir, através dos ágapes maçônicos e das festas dos solstícios de inverno e de verão, com suas celebrações e banquetes religiosos, que a Maçonaria é uma religião fisiolátrica. [1]

É verdade que à primeira vista a Maçonaria parece compatível com qualquer outra religião, pois não importa a religião que seus iniciados professam. Isso ocorre devido à sua natureza sincrética que prova que, também neste aspecto, a Maçonaria é produto e continuação de antigos mistérios idólatras, que aceitavam dentre seus iniciados adoradores de todos os deuses.

Mas assim como as religiões de mistérios – que apesar do aparente espírito de tolerância e aceitação a todos os deuses – produziram um sincretismo que minou e abalou outras religiões, a Maçonaria hoje, que busca cingir toda a humanidade e promete nos levar a perfeição moral e ao conhecimento da verdade, se apresenta como um tipo de “super-religião”, vendo outras religiões – incluindo aí o cristianismo – como inferiores a si mesma. Assim ela incute em seus iniciados a idéia de que apenas nas lojas maçônicas pode-se dar forma e brunir as pedras desbastadas e ásperas. E o próprio fato de que a Maçonaria forma uma irmandade que exclui de seu seio todas as outras irmandades – as quais considera “ignorantes”, mesmo quando se refere ao cristianismo – é prova cabal de sua pretensão de tornar-se uma “super religião”. Isso significa que através da iniciação maçônica um cristão torna-se irmão de um muçulmano, de um budista ou de qualquer tipo de racionalista, enquanto o cristão não-iniciado na Maçonaria lhe é um estranho.

Por outro lado, ao exaltar notoriamente o conhecimento e ao apoiar o livre exame, com a justificativa de “não impor limites à busca da verdade” – segundo seus rituais e constituição – e de adotar uma suposta ética natural, vemos que a Maçonaria está em veemente contradição com o cristianismo. Pois o cristianismo exalta a fé acima de tudo, e restringe a razão humana aos limites traçados pela Revelação Divina que levam à santidade através da ação sobrenatural da graça. Em outras palavras, enquanto o que o cristianismo, como uma religião de revelação que possui seus dogmas e verdades racionais e transracionais, requer primeiramente a fé e fundamenta sua estrutura moral na Graça Divina sobrenatural, a Maçonaria possui apenas a verdade natural e oferece aos seus iniciados o livre-pensamento e a busca pela verdade somente através da razão. Ela baseia suas estruturas morais somente nas forças humanas, possuindo objetivos exclusivamente naturais.

Portanto, a contradição incompatível entre o cristianismo e a Maçonaria é claríssima, e obviamente várias igrejas de outras tradições cristãs se posicionaram contra a Maçonaria. Não apenas a igreja romana, por seus próprios motivos, condenou o movimento maçônico através de inúmeras encíclicas papais, mas as tradições luterana, metodista e presbiteriana também a declararam incompatível com o cristianismo. E também a Igreja Católica Ortodoxa, que mantém o tesouro da fé cristã em sua plenitude, condenou a Maçonaria nas inúmeras vezes em que esta questão veio à baila.

Recentemente, uma Comissão Inter-ortodoxa composta por representantes de todas as Igrejas Autocéfalas, reuniu-se no Monte Atos e definiu a Maçonaria como um “sistema falso e anti-cristão”.

A assembléia dos Bispos da Igreja da Grécia ouviu com satisfação e anuiu às seguintes conclusões resultantes das investigação e debates de seu primaz, Sua Graça Arcebispo Crisóstomo de Atenas, e proclamadas na sessão supramencionada:

“A Maçonaria é incompatível com o cristianismo porque é uma organização secreta, que age em segredo, ensina mistérios e exalta o racionalismo. Ela aceita como membros não apenas cristãos, mas também judeus e muçulmanos. Portanto, não permitimos que membros do clero façam parte de tal associação – qualquer membro do clero que se associar será destituído de sua dignidade clerical. Faz-se necessário que todos aqueles que se associaram sem refletir ou examinar o que realmente é a Maçonaria rompam tais vínculos, pois o cristianismo é a única religião que ensina a verdade absoluta, e completa todas as necessidades morais e religiosas do homem. Unanimemente e a uma só voz todos os Bispos da Igreja da Grécia aprovaram esta decisão, declarando que todos os filhos da Igreja devem desligar-se da Maçonaria.

Com fé inabalável em Nosso Senhor Jesus Cristo, em quem ‘pelo seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas de sua graça que derramou profusamente sobre nós, em torrentes de sabedoria e prudência’ (Efésios 1:7-8), e de posse da verdade por Ele revelada e pregada pelos Apóstolos não “na eloqüência persuasiva da sabedoria” (I Coríntios 2:4), mas ao partilharmos dos Divinos Sacramentos, através dos quais somos santificados e salvos pela vida eterna, não devemos rejeitar a graça de Cristo ao partilhar de outros mistérios. Não é lícito pertencer a Cristo e ao mesmo tempo buscar a redenção e a perfeição moral fora Dele. Por esses motivos, o verdadeiro cristianismo é incompatível com a Maçonaria.

Portanto, todos aqueles que se envolveram ou foram iniciados nos mistérios maçônicos devem, a partir deste momento, romper todos os vínculos com as lojas maçônicas e abandonar todas as atividades ali praticadas, com a certeza de estarem renovando seus laços com Nosso único Senhor e Salvador, laços estes que se enfraqueceram por ignorância ou por um senso distorcido de valores.

O Sínodo dos Bispos da Igreja da Grécia espera isso, em espírito de caridade, especialmente de todos aqueles que receberam a iniciação maçônica sem consciência de que estavam adentrando em outra religião, e ao invés disso, criam que não estavam indo contra sua fé. E em espírito solidariedade o Sínodo dos Bispos pede aos fiéis da Igreja que orem com sinceridade e amor cristão que o Senhor Jesus Cristo, que é “o caminho, a verdade e a vida”, possa iluminar e trazer de volta à verdade aqueles que, em ignorância, perderam-se no meio do caminho.

[1] Derivado de fisiolatria, palavra que designa o culto dos fenômenos naturais.

 

Declaração oficial da OCA
(Orthodox Church in America) - 1960

Sua Eminência Reverendíssima Leôncio,
Arcebispo de Nova Iorque e Primaz da Metropolia Ortodoxa Russa da América

9 de maio de 1960
Encíclica no. 18.649

A todo o clero e comitês paroquiais da Metropolia Ortodoxa Russa na América.

O Santo Sínodo dos Bispos da Metropolia Ortodoxa Russa na América, em sua sessão de 29 de março de 1960, decidiu: anunciar novamente a todos os seus membros sua resolução acerca da Maçonaria, sancionada pelo Santo Sínodo dos Bispos em 25 de outubro de 1949, que diz:

a) Todos os membros da Igreja Ortodoxa Russa na América, especialmente os párocos, devem estar cientes da incompatibilidade de ser, simultaneamente, membros da Igreja de Cristo e de lojas maçônicas, que mesclam rituais pagãos e outras religiões com certas “iniciações” secretas praticadas pela organização;

b) É necessário esclarecer aos fiéis que nossa Igreja concorda plenamente com o ensinamento da Igreja Ortodoxa Grega a respeito da Maçonaria e aceita a resolução de seu Primaz, Sua Eminência Reverendíssima Crisóstomo, Arcebispo de Atenas, publicada em 12 de outubro de 1933, com relação a:

- Nenhum dos fiéis da Igreja deve ter vínculos com a Maçonaria. Com fé inabalável em Nosso Senhor Jesus Cristo, e de posse da verdade por Ele revelada e pregada pelos Apóstolos, ao partilharmos dos Divinos Sacramentos, através dos quais somos santificados não devemos rejeitar a graça de Cristo ao partilhar de outros mistérios. Não é lícito pertencer a Cristo e ao mesmo tempo buscar a redenção e a perfeição moral fora Dele.

- Todos aqueles que se envolveram ou foram iniciados nos mistérios maçônicos devem, a partir deste momento, romper todos os vínculos com as lojas maçônicas e abandonar todas as atividades ali praticadas, com a certeza de estarem renovando seus laços com Nosso único Senhor e Salvador, laços estes que se enfraqueceram por ignorância ou por um senso distorcido de valores.

c) Reiteramos a declaração das Igrejas Ortodoxas de que àqueles que se tornaram membros sem perceber que estavam adentrando outra religião comparável aos cultos gnósticos do Egito, Síria, Ásia Menor, Pérsia e Grécia, a Igreja espera em espírito de caridade a contrição daqueles que deixaram a Cristo por ignorância, e convoca aos fiéis da Igreja para que orem com sinceridade e amor cristão que o Senhor Jesus Cristo, que é “o Caminho, a Verdade e a Vida”, possa iluminar e trazer de volta à verdade aqueles que, em ignorância, perderam-se no meio do caminho.

d) Advertimos a todos os fiéis, especialmente os jovens, que sigam as orientações de nosso Episcopado a respeito da Maçonaria. Que a graça de Deus esteja com eles, com seus pais e parentes, para que permaneçam leais à Igreja Ortodoxa.

Esta resolução deve ser divulgada a todos os interessados e publicada no órgão de imprensa da Metropolia e, se possível, circular por todas as paróquias para orientação de todos.”

Ao informarmos a todos os membros da Igreja Ortodoxa na América da resolução acima, o Santo Sínodo dos Bispos recomenda a todos os párocos que admoestem seus paroquianos que são membros de lojas maçônicas e usem de sua influência como pais espirituais, durante esta época de penitência, para que se arrependam e deixem a maçonaria. Os paroquianos que se recusarem a deixar a maçonaria serão proibidos, como pecadores que não expressam arrependimento, de receberem a santa comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo, a quem louvamos e glorificamos. Amém.

Deve-se manter um registro paroquial com os nomes daqueles que estão impedidos de receberem a Comunhão como evidência de sua exclusão dos conselhos paroquiais e diocesanos e do impedimento de se tornaram representantes do Sínodo.

 

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