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Santo Antônio, o Grande

«Santo Antônio, o Grande»

(†356) – abade

Comemoração no dia 17 de Janeiro

Imitador do zelo de Elias,
pelo teu gênero de vida
e seguindo os retos caminhos do precursor,
tu povoaste o deserto e consolidaste o mundo.
Em tuas orações, ó Santo Antônio, nosso Pai,
roga a Cristo nosso Deus
pela salvação de nossas almas!

Tropário (Modo 4)

onhecido também como Santo Antônio, o egípcio, Santo Antão do Deserto ou Santo Antônio, o Grande. No Brasil é conhecido também como Santo Antônio Abade. Foi um dos fundadores da vida monástica e é também chamado de Antônio do Egito.

Nasceu em Fayum, no Alto Egito, perto de Heracleopolis Magna cerca do ano 251. Tinha 20 anos quando seus pais faleceram e ele herdou os bens da família. Foi nesta época que, participando de uma liturgia, ouviu as palavras de Jesus: "Vai, vende tudo que tens, distribui o dinheiro aos pobres e terás um tesouro duradouro no céu; então, vem e segue-me!" (Mc 10, 21). Estas palavras atingem o jovem, que vende sua herança, coloca sua irmã em um convento e inicia uma vida de eremita. Primeiro ele se tranca em um castelo abandonado, não mantendo qualquer contato com o mundo. Ali, está ele só com Deus.

Todavia, não é somente a Deus que ele encontra, pois encontra-se também consigo mesmo. É então que ele sente o tumulto do seu interior e é confrontado com sua própria sombra. As pessoas que passam diante do castelo ouvem uma luta barulhenta. Trata-se de uma luta demoníaca, a disputa com as forças do inconsciente, as quais se comportam como animais selvagens. Os demônios lançam-se sobre Antão com ruidosa gritaria, mas ele resiste. E quando as pessoas arrombam seu castelo, vem-lhes ao seu encontro um homem "iniciado em profundo mistério e apaixonado por Deus". É assim que ele é caracterizado por Santo Atanásio, que escreveu sua biografia, contando os detalhes de suas provações, sofrimentos e milagres: "Límpida era a constituição de sua alma. Ele nem se tornou carrancudo por meio do mau humor nem dava vazão à sua alegria, como também não precisou lutar com o riso e a timidez. Ao ver a multidão, não ficava perturbado e, quando tantas pessoas o saudavam, ele não se alegrava, mas ficava perfeitamente igual em si mesmo, como alguém que a razão governa e que se encontra em seu estado natural. O Senhor curou, por meio dele, muitos daqueles que estavam presentes ali e sofriam no corpo, e purificou outros tantos dos demônios. O Senhor dava a Antão uma graça através de sua palavras, de maneira que consolava muitos aflitos e reconciliava entre si muitos que estavam em conflito."

A partir daí, Antão retira-se mais profundamente para o deserto. Vai para uma montanha em Pispir (agora Deir el-Memum) e fica lá em uma vida solitária por 20 anos. Pessoas que o apoiavam, atiravam comida sobre a parede do forte, mantendo-o vivo, mas nunca viam sua face. Vagarosamente outros construíam uma comunidade em cavernas ou cabanas por perto. Eles pediam a Antão que saísse de sua reclusão para dirigir as suas preces e dar os seus conselhos e lições. Seu exemplo faz escola. Por volta do ano 300 é possível encontrar eremitas em todos os lugares no deserto. Muitos deles discípulos de Antão.

Em 305, Antão emergiu com grande vigor e saúde. Ele ficou com os eremitas por 5 anos, regulamentando o trabalho comunitário, as orações e as penitências. Depois foi para um deserto entre o Nilo e o Mar Vermelho, em um local chamada Monte Kalzim. Um monastério, chamado Diem Mar Antonios, foi erigido neste local. Este período de reclusão não era tão restrito quanto os anteriores, pois Antão foi para Alexandria em 311 confortar os mártires das perseguições que estava acontecendo na época e voltou anos mais tarde para argumentar vigorosamente contra a heresia Ariana lado a lado com Santo Atanásio.

Antão ficou conhecido como um homem bom, generoso, corajoso, com bom senso, leal e sem nenhum excesso e ostentação. Era amigo de São Paulo de Tebas, chamado de o "eremita" que recebia meio pão por dia dos corvos. Diz a tradição que quando Antão foi visitá-lo, os corvos trouxeram um pão inteiro. O Imperador Constantino, o Grande (323-337), era um dos milhares que procuravam Antão para ensinamentos e inspirações.

Antão escreveu várias cartas e sermões para jovens eremitas. A vida de Santo Antão, descrita por Santo Atanásio, também salva muitos de seus sermões e discursos. Uma regra monástica datada daquela era é creditada como tendo os seus ideais, suas idéias e suas crenças. Morreu em 17 de janeiro de 356, com 105 anos e foi enterrado em uma cova não marcada conforme seu pedido, mas em 561 suas relíquias foram descobertas e foi trasladado para Alexandria, Constantinopla.

As relíquias de Santo Antão, acreditam os estudiosos do assunto, foram salvas dos Sarracenos em Constantinopla (agora Istambul, Turquia) em 635 e sua festa é celebrada, no Oriente e Ocidente, no dia 17 de janeiro.

 
 

Ensinamentos de Santo Antônio, o Grande:

‡ A maior obra dos homens é esta: ser capaz de manter seus pecados diante de Deus e estar preparado para a tentação até o último suspiro.

‡ "Quem não tiver sido tentado não poderá entrar no reino do céu. Se suprimires a tentação, ninguém se salvará."

‡ Aquele que senta-se em solicitude e quietude escapou de três batalhas: ouvindo, falando e vendo. Mas mesmo assim ele tem uma constante guerra: no seu próprio coração.

‡ O demônio teme a humildade, o bom trabalho e o jejum. Ele não consegue impedir a minha boca de falar contra ele. A ilusão do demônio logo desvanece especialmente, se o homem se arma com o Sinal da Cruz. O demônio treme ao Sinal da Cruz do Nosso Senhor, porque Ele triunfou sobre ele e o desarmou.

‡ Segundo o Santo Antão, as tentações são manifestamente uma condição indispensável para se entrar no céu. É através das tentações que o homem obtém um faro do Deus verdadeiro. Sem tentação o homem estaria no perigo de apoderar-se de Deus e torna-lo inofensivo e inócuo. Pela tentação, porém, o homem experimenta existencialmente a sua distância de Deus, sente a diferença entre o homem e Deus. O homem permanece em luta constante, enquanto Deus repousa em si mesmo. Deus é amor absoluto, enquanto o homem é continuamente tentado pelo maligno.

‡ Se ouvirdes atentamente a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos, porque minha é a terra, e vós constituireis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa. Ex. 19,5-6.

‡ Aproximai-vos de Cristo, pedra viva, eleita e estimada por Deus, também vós, como pedras vivas.

Vinde formar um templo espiritual para um sacerdócio santo, a fim de oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo.

‡ Sois uma estirpe eleita, sacerdócio real, gente santa, povo trazido à salvação, para tornardes conhecidos os prodígios dAquele que vos chamou das trevas para a luz admirável. 1Pd. 2, 4-5

‡ Caríssimos, não descuidemos de nossa salvação. Sabei que se alguém se entrega a Deus de todo o coração, Deus tem piedade dele e lhe concede o Espírito de conversão.

‡ Sabemos que desde as origens do mundo, os que encontraram na Lei da Aliança o caminho do seu Criador foram acompanhados por sua bondade, sua graça e seu Espírito. Mas os homens, incapazes de exercerem sua inteligência segundo o estado da criação original, inteiramente privados de razão, sujeitaram-se à criatura em vez de servir ao Criador.

‡ Eu vos suplico, irmãos, penetrai-vos bem da maravilhosa economia da salvação.

‡ Todo ser dotado de inteligência espiritual, aquele para quem veio o Senhor, deve tomar consciência de sua própria natureza, isto é, deve conhecer-se a si mesmo.

‡ Seja-vos dado tomar bem consciência da graça que Ele vos deu. Não é a primeira vez que Deus visita as suas criaturas. Ele as conduz desde as origens do mundo e, de geração em geração, mantém cada uma desperta pelos acontecimentos de sua graça. Não negligenciemos, pois, chamar a Deus dia e noite. Fazei violência à ternura de Deus. Do céu Ele vos enviará Aquele cujo ensinamento vos permitirá conhecer o que é bom para vós.

‡ Filhos, é certo que nossa enfermidade e nossa humilhação são dor para os santos e causa das lágrimas e gemidos que oferecem por nós diante do Criador do Universo.

‡ Compreendei bem o que vos digo e declaro: Se cada um de vós não chega a odiar o que é da ordem dos bens terrestres e a isso não renunciar de todo coração, assim como a todas as atividades que daí dependem, se não chega a elevar as mãos e o coração ao Céu para o Pai de todos nós, não é para si a salvação. Mas se fazeis o que acabo de dizer, Deus vos enviará um fogo invisível, que consumirá vossas impurezas e devolverá vosso espírito à sua pureza original. O Espírito Santo habitará em vós, Jesus permanecerá junto de nós e poderemos adorar a Deus como é devido.

‡ A todos os meus irmãos muito amados, a todos vós que vos preparais para vos aproximardes do Senhor, saúdo nEle, irmãos caríssimos, vossa natureza espiritual.

‡ Que Deus abra os olhos de vosso coração para que percebais os múltiplos malefícios secretos, lançados todos os dias sobre nós no decorrer do tempo. Faço votos que Deus vos dê um coração clarividente e um espírito de discernimento a fim de vos apresentardes a Ele como uma vítima pura e sem mancha.

‡ Persuadi-vos bem que vosso ingresso e vosso progresso na obra de Deus não são obra humana, mas intervenção do poder divino que não cessa de vos assistir.

‡ Sede, pois, vigilantes, caros filhos, não permitais que vossos olhos durmam nem que vossas pálpebras dormitem, mas clamai dia e noite a vosso Criador para que vossos pensamentos se firmem no Cristo.

‡ No Senhor eu vos suplico, caros filhos, deixai-vos penetrar bem pelo que vos escrevo. Voltai vossa alma para vosso Criador. Perguntai a vós mesmos o que seria possível retribuir ao Senhor por todas estas graças. É tão grande a sua bondade que Ele quis que o próprio Sol se ponha a nosso serviço nesta habitação de trevas, assim como a Lua e as estrelas, para sustentar fisicamente um ser cuja fraqueza o condenaria a perecer. Não sofreram por nós os patriarcas? Não nos dispensaram os sacerdotes os seus ensinamentos? Não combatiam por nós os juízes e reis? Não foram mortos por nós os profetas? Não sofreram os Apóstolos perseguição por nós? E não morreu por todos nós o Filho bem amado? Agora é a nossa vez de nos dispormos a ir ao nosso Criador pelo caminho da pureza.

‡ Meus caríssimos no Senhor, a vós que sois co-herdeiros dos santos, rogo que desperteis em vosso coração o temor de Deus. Preparemo-nos, pois, santamente, e purifiquemos nosso espírito para sermos puros a receber o batismo de Jesus e a nos oferecermos como vítimas agradáveis a Deus. O Espírito Consolador, recebido no Batismo, nos conduzirá a nosso estado original.

‡ Caros irmãos, chamados a partilhar da herança dos santos, agora estais próximos de todas as virtudes. Todas elas vos pertencem se não vos embaraçais na vida carnal, mas permaneceis transparentes diante de Deus. É a pessoas capazes de me compreender que escrevo, a pessoas em condições de se conhecerem a si mesmos. Quem se conhece, tem a obrigação de adorar a Deus como convém.

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