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São Pedro Mohyla

São Pedro II (Mohyla) de Kiev

Por: Metropolita Savas

m seu último encontro, 26 de março de 2002, o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia reconheceu a canonização de uma das mais importantes personalidades da nossa história: São Pedro II - Metropolita de Kiev. Depois desta decisão, Sua Beatitude, o Metropolita Savas, escreveu este breve artigo sobre a vida do novo santo. Reconhecemos neste artigo, nas palavras do nosso Metropolita primaz, uma oportunidade para conhecer este importante ponto da história da Igreja Polonesa, para nossos queridos fieis de Portugal e Brasil.
São Pedro II, Metropolita de Kiev, nasceu em 21 de dezembro de 1596, na famosa dinastia Mohyla, terceiro filho de Simeão, Príncipe da Moldavia. Esta grande dinastia é aparentada com as grandes famílias principescas da Polônia: os príncipes Potocki, Wisniowiecki e Kozecki. O pai de São Pedro, recebeu o título nobiliárquico da coroa da Polônia no mesmo ano em que São Pedro nasceu. Recebeu também terras na Coroa Polonesa e no Principado de Kiev. Toda a Dinastia dos Mohyla foi fiel à santa fé ortodoxa e generosa colaboradora da Santa Igreja Ortodoxa. De modo particular, a dinastia dos Mohyla mantiveram a Fraternidade Ortodoxa de Lwow. Jeremias e Simeão Mohyla construíram a Igreja Ortodoxa da Dormição da Mãe de Deus em Lwow, em 1591. Esta igreja pertence ao Principado de Walachia e Moldavia.

São Pedro recebeu sua educação primária e secundária na escola da Fraternidade Ortodoxa de Lwow. Depois, estudou no Colégio dos Jesuítas em Lwow, continuando, no Ocidente, seus estudos de teologia ocidental. Adquiriu fluência nas línguas grega e latina.

Na corte do Príncipe Stanislao Zolkiewski, Pedro estudou as artes militares, que mais tarde lhe serviria na guerra turco-polonesa em Chocim, no ano de 1621. Pedro serviu sob o príncipe Pedro Sagajdacznyj, comandante da Armada Russa nesta guerra, tendo sido mortalmente ferido em 1622. Depois da morte do Príncipe Pedro Sagajdacznyj, São Pedro foi a Kiev e lá iniciou sua formação sob o metropolita Job de Kiev, seu pai espiritual. Metropolita Job teve forte influência na formação do então jovem Pedro que decidiu, nesta época, abandonar a vida militar e seguir a vida monástica, servindo a santa Igreja.

Isto ocorreu trinta anos depois da "União de Briesf". A esta altura, a vida da Igreja Ortodoxa encontrava-se totalmente desorganizada. Os cristãos ortodoxos estavam desprovidos dos seus templos, mosteiros e terras. Neste difícil momento da história, o Senhor nosso Deus chamou este santo e enérgico jovem para servir sua Igreja. Após os votos monásticos, em 1627, Pedro foi elevado à função de arquimandrita da Grande Lavra das Cavernas de Kiev. Trabalhou juntamente com os novos bispos sagrados pelo Patriarca de Jerusalém, Teófilo, combatendo corajosamente tudo o que era contrário a santa Fé Ortodoxa. Simultaneamente, o jovem arquimandrita demonstrou grande respeito por tudo o que julgava inofensivo nas outras religiões.

Para libertar a Igreja Ortodoxa de sua difícil situação, São Pedro concentrou seus trabalhos no ensino em publicações e na educação e ensino aos fiéis ortodoxos. Criou, na Santa Lavra de Kiev, uma Editora e, em 1631, abriu uma escola na Santa Lavra, promovendo lá um período de obras significativas, como por exemplo, a reconstrução do grande Katholikon da Dormição da Mãe de Deus e o envio de muitos monges para estudar em outros países.

A grande conquista de São Pedro, neste tempo, foi a legalização dos direitos da Igreja Ortodoxa perante a Coroa da Polônia e do Principado da lituânia. Da União de Briest, em 1595, até aquele momento, a Igreja Ortodoxa não era ainda reconhecida pela Coroa, e os cristãos ortodoxos não tinham respeitados seus direitos.

O objetivo da vida de São Pedro foi a firme determinação de servir na Santa Igreja Ortodoxa. Em 1528 (1628?), por exemplo, foi convocado um Concílio Local da Igreja Ortodoxa na Polônia. O objetivo deste concílio era o de encontrar pontos de comparação entre as Igrejas Ortodoxa e Católico-romana. Os trabalhos estavam sob a presidência de Meletios Smotrycki, que em secreto submetera-se à Roma, escrevendo uma "Apologia para os países do Oriente", na qual afirmava que a causa do cisma na Santa Igreja teria sido o erro dos ortodoxos. Esta "Apologia" causou grande consternação. Uma comissão foi então convocada para estudar este documento; uma das pessoas desta comissão era São Pedro que produziu um estudo sobre "Apologia" de Meletios Smotrycki, na qual apontava 105 pontos da Fé Ortodoxa. Depois disto, Meletios Smotrycki pediu perdão e renegou todos os seus erros.

A esta altura, São Pedro expandiu seus trabalhos e publicações. Reorganizou a velha gráfica Jelesiej Pletniecki, a primeira gráfica de Kiev que iniciou suas atividades em 1615. Em 1629 São Pedro publica seu "Sluzebnik" (Livro dos Serviços Divinos) que foi muito importante para unificar e precisar a o modo próprio de realizar os ofícios divinos, particularmente, a Divina Liturgia, e para formar uma disciplina litúrgica para os clérigos. Em 1631, São Pedro publica seu "Triodion Pascal". o prefácio desta obra, São Pedro escreve uma grande exposição do que era esperado dos clérigos e dos fieis e o necessário para suprir todas as demandas da liturgia, da cultura e da vida moral dos cristãos ortodoxos naqueles tempos difíceis.

Nos dias que se seguiram a morte do metropolita Job de Kiev, dia 11 de Fevereiro de 1631, São Pedro unificou as duas escolas da Igreja Ortodoxa de Kiev, a da Lavra das Cavernas de Kiev e a da Fraternidade Ortodoxa de Kiev, fazendo, no Katholikon da Sé de Kiev, sua Academia: o Collegium Kieviensis-Moghilanum, primeira Universidade Ortodoxa na Polônia.

São Pedro organizou sua Academia baseado nas estruturas das academias e Universidades do Ocidente. No início, o Rei da Polônia não concedeu permissão para o ensino da teologia neste colégio, uma vez que este estabelecimento não havia ainda recebido oficialmente o titulo de "academia". O objetivo do colégio de São Pedro era a capacitação e formação de "defensores da fé ortodoxa. São Pedro convocou os maiores professores ortodoxos da época que vieram de diferentes países: Ignacio Giziel, Epifanio Slawinski, Sofronio Poczaskij, Tarasios Zemke, Lazaro Baranowicz etc.

São Pedro abriu ainda escolas em outros cidades. Em 1634, na cidade de Winnicy; em 1639, escolas nas cidades de Hoszczy, Krzemíeiec e Pereiaslav. Mantinha sob sua direção pessoal todas estas escolas sendo reconhecido com o titulo de "reitor" de todas elas. Abriu escolas também em outros paises, como por exemplo, as escolas Slavônica, Grega e Latina em Jassi, na Moldavia.

[...]

O Collegio Kieviensis-Moghilanum, cumpriu um papel importante na história da Igreja Ortodoxa na Polônia. Foi o responsável pela preparação dos novos clérigos, teólogos e professores que muito contribuíram com seus serviços à Igreja Ortodoxa, não somente na Polônia como também fora de suas fronteiras.

Depois da morte do Rei Sigismundo III, em 1632, uma delegação da Igreja Ortodoxa seguiu para o Sejm (Parlamento) da Polônia. O presidente desta delegação era São Pedro que, com grande empenho, lutou pelos direitos da Igreja Ortodoxa: contra a liquidação de todos direitos anteriores dos fiéis ortodoxos; pelo direito de abrir novas escolas ortodoxas e editoras; pelo retorno de todas as terras e edifícios confiscados da Igreja Ortodoxa. Os esforços de São Pedro e sua delegação influenciaram na publicação de um documento pelo então candidato à Coroa da Polônia, Ladislao Vasa (o Rei Ladislao IV), conhecido como "Parágrafos para Pacificar a Nação Russa". A notável posição de São Pedro no Sejm em 1632, resultou na sua eleição para o trono dos metropolitas de Kiev em 10 de Outubro de 1632, numa eleição que teve o apoio do novo Rei da Polônia, Ladislao IV, e a benção do Patriarca Ecumênico (a quem a Metropólia de Kiev pertencia nesta época). São Pedro foi sagrado, em Lwow, na festa da Dormição da Mãe de Deus, em 1633. Sua entronização em Kiev foi entusiasticamente comemorada, reconhecendo-se assim seus grandes serviços em benefício da Igreja.

O historiador Golubiev escreveu sobre São Pedro: "Ele viveu com devoção, com nobreza e com temperança à serviço da Igreja; sempre com vigilância pela maior unidade da Igreja; era um bom pastor de seu rebanho".

Alguns historiadores teceram especulações sobre possíveis tendências uniatas em São Pedro. Outros até chegaram a insinuar que São Pedro teria sido um "cripto-uniata". Chegaram a produzir "documentos" a este respeito que, até hoje se encontram nos arquivos do Vaticano, como por exemplo o "Memorial Petrus Moghilensis". (...)

São Pedro foi um homem de zelo exemplar e grande defensor dos direitos da Igreja Ortodoxa. Lutou abertamente contra a União de Briest, escrevendo, com toda clareza, sobre o fato de que, o objetivo da União de Briest não era uma proposta que visava a unidade das Igrejas Oriental e Ocidental; antes, um modo de converter a Igreja Ortodoxa ao Catolicismo Romano.

Das grandes contribuições dados por São Pedro, destaca-se seu esforço para organizar e ordenar a vida da Igreja: na Liturgia, nos serviços, na moralidade, na canonicidade, no chamado ao respeito aos santos cânones e, portanto, pondo fim à anarquia. Lutou contra todos os abusos, particularmente contra a ingerência na Igreja por parte de seus "protetores". Dedicou atenção especial à preparação e formação dos candidatos à clérigos. Iniciou a prática de manter os livros de batismos, casamentos e funerários sempre atualizados. Fazia freqüentes visitas pastorais e publicava muitos textos com orientações sobre todos estes temas.

Para promover a vida espiritual de seus fiéis São Pedro, em 1634, fez a canonização dos santos da Grande Lavra das Cavernas de Kiev. Em 1640 convocou um concílio local em Kiev, para promover a vida espiritual dos fiéis; Neste concílio elaborou uma catequese chamada, "Catequese da Fé Ortodoxa de Pedro Mohyla". Em 1643, em Jassi na Moldavia, convocou um concílio local e promoveu sua "Catequese da Fé Ortodoxa". Em 1649 esta obra foi publicada em Moscou e, em 1662 em Amsterdã. Trata-se de um opúsculo teológico que faz uma exposição da fé ortodoxa. Mais tarde esta obra foi aceita e aprovada pelos Patriarcados de Constantinopla, Alexandria, Antioquia, e Moscou.

São Pedro não evitou polêmicas e confrontos com os católicos e mesmo com os ortodoxos. Quando Cassião Sakowicz converteu-se ao catolicismo romano, escreveu seu livro "Perspectiva". São Pedro respondeu em 1664 com seu livro chamado "Litos" (Pedra), no qual rebate todos os erros de Cassião Sakowicz. Mais tarde, o metropolita Macário de Kiev faz notar que "Litos" é uma apologia da Igreja Ortodoxa da Polônia dirigida aos uniatas e católicos romanos. "Litos" é também uma exposição de todos os serviços, sacramentos, ritos, quaresmas e festas ortodoxas.

Para o bem da Igreja, São Pedro escreveu e publicou muitas hagiografias (vidas dos santos). Em 1635, publicou o "Paterikon" de Silvestre Kosowo; em 1638 a obra, "Milagres das Cavernas de Kiev", escrito por Atanasio Kolnofajski.

A última publicação de São Pedro ocorrida em 16 de dezembro de 1646, duas semanas antes de sua morte, foi o "Trebnik" (Eucologhion - Livro dos Ritos e Serviços). Trata-se de um grande tomo com cerca de 1700 páginas contendo instruções para todos os serviços e ritos, sacramentos e outras ofícios dos clérigos da Igreja Ortodoxa. Vale notar, que muitos ofícios católicos na Polônia sofreram a influência das práticas e da cultura dos cristãos ortodoxos, graças a este livro.

Os muitos trabalhos de São Pedro II em defesa da fé e da Igreja Ortodoxa dirigidas aos governos e países, exigiram muita diplomacia, tato e saúde. Em 1640, quando tinha apenas 44 anos de idade, Pedro escreveu: "Com os novos problemas contra a Igreja Ortodoxa eu vou, no Sejm, participar e dar o que resta de minha vida para defesa de nossa fé".

A vida de São Pedro II não foi longa mas, plena de serviço e de sacrifícios para Cristo e sua santa Igreja Ortodoxa na Polônia. Em 22 de dezembro de 1646 São Pedro II escreveu: "Nesta Santa Fé nasci; nesta Santa Fé eu fui ensinado; nesta Santa Fé, pela Graça de Deus, fui entronizado metropolita e nesta Santa Fé, quero terminar minha vida e me apresentar diante da Divina Majestade."

São Pedro II morreu em 1º de janeiro de 1647 com 50 anos de idade. Suas relíquias estão na Santa Lavra das Cavernas de Kiev. A Santa Igreja Ortodoxa Autônoma da Ucrânia canonizou São Pedro II de Kiev em 15 de setembro de 1996: Em seu encontro de 26 de março de 2002, o Santo Sínodo da Santa Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia reconheceu a canonização e acrescentou o nome de São Pedro II de Kiev em seu calendário litúrgico.

Em suma, da vida e obras de São Pedro II de Kiev para a Igreja na Polônia, vale destacar que tinha grande talento para a organização do ensino, tendo contribuído muito para Igreja com sua luminosa e elevada posição intelectual. Por seu trabalho, a Igreja foi reconhecida pelos governos e teve a possibilidade de expandir suas atividades não apenas localmente, mas em todo mundo. Ele não só organizava a vida canônica da Igreja, mas também deu importante contribuição à cultura e teologia ortodoxa. Finalmente, é preciso notar que a história da Igreja, nesta época, é chamada a "Época de Mohyla".

O cego e o mudo

É ainda Jesus, enquanto aquele que cura, que nos é mostrado no evangelho do 7° domingo após o Pentecostes (Mt.9,27-35). Nosso Senhor devolve a visão a dois cegos. Ele devolve a palavra a um mudo possesso. Muitos detalhes deste episódio - sobretudo a pergunta de Jesus aos cegos: "Credes que eu possa fazer isso?"- mereceriam nossa atenção. Entretanto concentrar-nos-emos sobre a própria natureza dos dois milagres. A cegueira e a mudez: são também duas grandes enfermidades espirituais. O cego espiritual não vê a Luz do Mundo. Ele se move num espaço de trevas. Não somente não vê o reflexo divino, como também não sabe ver os homens, pois ver verdadeiramente os homens não é possível senão na Luz que vem do alto; muito freqüentemente nossa própria imaginação, não purificada nem esclarecida por Deus, representa-nos os outros homens monstruosamente deformados. A mudez espiritual não pode falar aos outros homens; o verdadeiro diálogo, a troca dos supremos valores entre um "tu" e um "eu" lhe é inacessível; ele está condenado a um contínuo e estéril monólogo, pois, no fundo, só procura a si mesmo, de maneira egoísta. Por uma forte razão não pode anunciar aos outros o que é de Deus. Não pode nem mesmo falar com Deus; a oração o importuna e exaspera. Aquele que não recebe a Palavra tornada carne está privado de toda palavra; aquele que não recebe a Luz do Mundo está privado de toda a luz. Ó meu Salvador, faze com que eu veja! Faze com que eu fale!

A parte da epístola que lemos hoje (Rm 15,1-7), assim como a do domingo anterior, contém observações práticas. São Paulo insiste sobre a paciência e a condescendência para com os fracos. "E um dever para nós os fortes carregar as fraquezas daqueles que não tem esta força e não buscarmos somente aquilo que nos agrada!" São Paulo começa como se fosse simplesmente escrever um capítulo de honesta moral humana. Mas logo o seu pensamento toma a direção de Jesus, que permanece inspiração e modelo em todas as circunstâncias. "Sede acolhedores uns para com os outros como Cristo o foi convosco, para glória de Deus". Esta atitude para com os homens não é possível senão se o próprio Cristo, curando cegos e mudos, não nos houver aberto os olhos e soltado a nossa língua.


Fonte:

Extraído de “WIADOMOZCI”, Revista informativa da Eparquia do Rio de janeiro e Olinda-Recife, da Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia - Ed. Ago/02. Boletim Interparoquial..

 

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