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7 - Os sacramentos

«Ele que esteve visível como nosso Redentor
agora passou para os Sacramentos.»

(São Leão, o Grande)

O lugar principal na liturgia Ortodoxa pertence aos Sacramentos ou, como eles são chamados em Grego aos mistérios. É chamado de mistério, escreve São João Crisóstomo sobre a eucaristia, pois aquilo em que acreditamos não é o mesmo que nós vemos, mas vemos uma coisa e acreditamos em outra... Quando eu ouso mencionar o corpo de Cristo, eu entendo o que é dito em um sentido o descrente em outro (Homilies on I Corinthians, 7:1 (p.g. 61,55). Este duplo caráter, ao mesmo tempo exterior e interior, é o aspecto distintivo de um Sacramento: Os Sacramentos, como a Igreja, são ambos visíveis e invisíveis; em todo o Sacramento existe a combinação de um Sinal visível no exterior com uma Graça espiritual interior. No batismo o Cristão passa por uma exterior lavada na água, e é só ao mesmo tempo limpo interiormente de seu pecado; na Eucaristia ele recebe o que do ponto de vista visível parece ser pão e vinho, mas na realidade ele come o Corpo e Sangue de Cristo.

Na maioria dos Sacramentos a Igreja usa coisas materiais — água, pão, vinho, óleo e faz delas um veículo do Espírito. Desse modo os sacramentos parecem-se com a encarnação, quando Cristo tomou carne material e fez dela um veículo do Espírito; E eles parecem-se no futuro, ou melhor antecipam, a apocatastasis e a redenção final da matéria no último dia.

A Igreja Ortodoxa costumeiramente fala de sete sacramentos, basicamente os mesmo sete da teologia Católico-Romana:

  1. Batismo
  2. Crisma (Equivalente a Confirmação no Ocidente)
  3. Eucaristia
  4. Arrependimento ou Confissão
  5. Santas Ordens
  6. Sagrado Matrimônio
  7. Unção dos Enfermos (Correspondente à Extrema Unção na Igreja Católica Romana)

Somente no século dezessete, quando a influência latina estava no auge a lista tornou-se fixa e definida. Antes dessa data os escritores Ortodoxos variavam consideravelmente quanto ao número de sacramentos: São João Damasceno fala de dois, Dinis o Aeropagita de seis; Joasaph, Metropolita de Éfeso (século quinze), de dez; e aqueles teólogos Bizantinos que de fato falam de sete sacramentos diferem quanto aos itens que eles incluem em suas listas.

Ainda hoje o número sete não tem significado absoluto para a teologia Ortodoxa, mas é usado primariamente como uma conveniência para o ensino.

Aqueles que pensam em termos de sete sacramentos devem ser cuidadosos e se resguardar de duas concepções errôneas. Em primeiro lugar, enquanto todos os setes são verdadeiros Sacramentos eles não são de igual importância, mas existe uma certa hierarquia entre eles. A Eucaristia, por exemplo, aparece no coração da vida e experiência Cristã de um modo que a unção de enfermos não aparece. Entre os sete, batismo e eucaristia ocupam uma posição especial: Para usar uma expressão adotada pelo Comitê de Teólogos Romenos e Anglicanos em Bucareste em 1935 esses dois Sacramentos são proeminentes entre os Mistérios Divinos.

Em segundo lugar, quando nós falamos de sete sacramentos, nós nunca devemos isolar esses sete de muitas outras ações da Igreja que também possuem um caráter Sacramental, e que são convenientemente chamados de sacramentais. Incluídos nesses Sacramentais estão os ritos de Profissão Monástica, a Grande Benção das Águas na Epifania, o Serviço de Sepultamento dos mortos, e a Unção de um Monarca. Em todos esses existe uma combinação de sinais visíveis no exterior e graça espiritual interior. A Igreja Ortodoxa também emprega um grande número de bênçãos menores, e essas também são de natureza sacramental: benção de milho, vinho e óleo; de frutas, campos e lares, de qualquer objeto ou elemento. Essas bênçãos menores são freqüentemente muito práticas e prosaicas: há bênçãos para abençoar um carro ou uma locomotiva ou para limpar um lugar de ervas daninhas (A Religião popular da Europa Oriental é litúrgica e ritualística, mas não completamente de outro mundo. Uma Religião que continua a propagar novas formas de amaldiçoar lagartas e remover ratos mortos do fundo do poço dificilmente pode ser rejeitada como puro misticismo (G. Every, The Byzantining Patriarchate, 1ª edição, P. 198)). Entre o mais abrangente e o mais estreito sentido do termo ‘sacramento’ não existe uma divisão rígida: a completa vida Cristã deve ser vista como uma unidade, como um único mistério ou um grande sacramento, cujos diferentes aspectos são expressões em uma grande variedade de atos, alguns acontecidos de uma só vez na vida de um homem, outros talvez diariamente.

Os sacramentos são pessoais: eles são os meios pelos quais a Graça de Deus é apropriada para cada Cristão individualmente. Por essa razão na maioria dos sacramentos da Igreja Ortodoxa o padre menciona o nome Cristão de cada pessoa, enquanto administra o sacramento. Quando dando a Santa Comunhão, ele diz: "O servo (a) de Deus... (Nome) comunga o corpo e o sangue...; na unção dos enfermos, ele diz: "Ó Pai, cura o teu servo... (Nome) das doenças tanto do corpo quanto da alma.

7.1 - O Batismo

Na Igreja Ortodoxa hoje, como na Igreja dos primeiros séculos, os três sacramentos da iniciação Cristã — Batismo, Crisma, Primeira Comunhão — são ligados. Um Ortodoxo que torna-se um membro de Cristo é admitido aos privilégios completos de tal sociedade.

Crianças Ortodoxas não são só batizadas na infância, mas confirmadas na infância, e recebem comunhão na infância...."deixai vir a mim os pequeninos e não o impeçais; porque deles é o Reino dos Céus" (Mt. 19:14).

Existem dois elementos essenciais no ato do Batismo: A invocação do nome da trindade, e a tripla emersão em água. O padre diz: o servo de Deus... (Nome) é batizado em nome do Pai, amém. E do Filho, amém. E do Espírito Santo, amém. Quando o nome de cada pessoa da Trindade é mencionado, o padre mergulha a criança na fonte ou enfiando-a inteiramente sob a água, ou de qualquer forma derramando água sobre o corpo completo. Se a pessoa a ser batizada esta tão doente que a imersão colocaria em risco a sua vida, então é suficiente derramar água sobre sua fronte; mas de outra forma a imersão não deve ser omitida.

Os Ortodoxos estão muito aflitos pelo fato que o Cristianismo Ocidental, abandonando a antiga prática do Batismo por imersão, está agora satisfeito em meramente derramar um pouco de água sobre a cabeça do candidato. A Ortodoxia vê a imersão como essencial (exceto em emergências), pois se não há imersão, a correspondência entre o sinal exterior e o significado interior está perdido, e o simbolismo no sacramento é destruído. O Batismo significa um enterro místico e uma mística ressurreição com Cristo (Ro 6:4-5 e Col 2:12); e o sinal exterior desse sacramento é o mergulho do candidato na fonte, seguido por sua emergência da água. O simbolismo sacramental portanto requer que o candidato seja imerso ou "enterrado" nas águas do Batismo, e então "ressuscitado" das águas mais uma vez.

Através do Batismo nos recebemos um perdão completo de nossos pecados, sejam o original ou os presentes; nós "nos pomos em Cristo," tornando-nos membros de seu Corpo, a Igreja. Para lembrarem-se de seus Batismos, os Cristãos ortodoxos usam normalmente por toda a vida uma pequena Cruz, pendurada no pescoço por uma corrente.

O Batismo deve ser normalmente executado por um bispo ou padre: Em casos de emergência, pode ser feito por um diácono, ou por qualquer homem ou mulher, desde que sejam Cristãos Ortodoxos. Mas enquanto os teólogos Católico-Romanos sustentam que se necessário até um não-Cristão pode administrar o Batismo, a Ortodoxia sustenta que isso não é possível. A pessoa que batiza deve ela própria ter sido batizada.

7.2 - Crisma

Imediatamente após o Batismo, uma criança Ortodoxa é "crismada" ou "confirmada." O padre usa um óleo especial, o Crisma (em Grego, Myron), e com ele o Padre unge várias partes do corpo da criança, marcando-as com o sinal da Cruz: primeiro a testa, depois os olhos, as narinas, boca, orelhas, peito, mãos e pés. Enquanto unge cada parte ele diz: "O selo do dom do Espírito Santo!" A criança que foi incorporada a Cristo pelo Batismo, agora recebe na crisma o Dom do Espírito, tornando-se assim um laikos (leigo), um membro completo do povo (laos) de Deus. Crisma é a extensão do Pentecostes: O mesmo Espírito que desceu visivelmente sobre os Apóstolos em línguas de fogo agora desce invisivelmente sobre os novos batizados. Através do Crisma todo o membro da Igreja torna-se um profeta, e recebe uma parte do sacerdócio real de Cristo; todos os Cristãos, porque são crismados, são chamados a agir como testemunhas conscientes da verdade. "E vós tendes a unção (o Crisma) do Santo e sabeis tudo" (1Jo 2:20).

No Ocidente, é o normal que o bispo em pessoa confira o Crisma; no Oriente, o Crisma é administrado por um padre, mas o Crisma (Mirom) que ele usa deve ter primeiramente sido benzido por um bispo. (na prática Ortodoxa moderna, só um bispo que é chefe de uma Igreja Autocéfala goza do direito de benzer o Crisma). Assim tanto no Oriente quanto no Ocidente o bispo está envolvido no segundo sacramento da iniciação Cristã: No Ocidente diretamente, no Oriente indiretamente. O Crisma é usado também como um sacramento de reconciliação. Se um Ortodoxo se apostata para o Islamismo e depois retorna para a Igreja, quando é aceito de volta ele é crismado. Similarmente se Católicos Romanos tornam-se Ortodoxos, o Patriarcado de Constantinopla e a Igreja da Grécia normalmente os recebe pelo Crisma: mas a Igreja Russa normalmente os recebe através de uma simples confissão de fé sem os Crismar. Anglicanos e Protestantes são sempre recebidos pelo Crisma. As vezes convertidos são recebidos pelo Batismo.

Tão logo quanto possível, depois no Crisma a criança Ortodoxa é levada a comunhão. Suas memórias da Igreja estarão centradas no ato de receber os santos dons do corpo e do sangue de Cristo. Comunhão não é algo que ele recebe na idade de 6 ou 7 anos (como na Igreja Católico-Romana). Na adolescência (como no Anglicanismo), mas algo do qual ele nunca foi excluído.

7.3 - A Eucaristia

Hoje em dia a Eucaristia é celebrada na Igreja Oriental seguindo um de quatro diferentes ofícios:

As estruturas gerais das Liturgias de São João Chrisóstomo e São Basílio são como seguem:

1. A Liturgia de São João Crisóstomo (A liturgia normal aos Domingos e dias de semana);

2. A Liturgia de São Basílio, o Grande (usada dez vezes ao ano; externamente é muito pouco diferente da Liturgia de São João Crisóstomo, mas as orações ditas privadamente pelo Padre são muito mais longas).

3. A Liturgia de São Tiago, o irmão do Senhor (usada uma vez no ano, no dia de São Tiago, 23 de outubro, em alguns lugares só. (Até recentemente, usada só em Jerusalém e na Ilha Grega de Zante; agora revivida em mais alguns lugares (por exemplo Igreja Patriarcal em Constantinopla; Catedral Ortodoxa em Londres; Mosteiro Russo em Jordanville, USA).

4. Liturgia de São Gregório (dos Pré-Santificados, usada nas quartas e sextas feiras na Grande Quaresma, e nos três primeiros dias da Semana Santa. Não há consagração nessa Liturgia, mas a comunhão é dada com elementos consagrados no Domingo precedente).

As estruturas gerais das Liturgias de São João Chrisóstomo e São Basílio são como seguem:

O Ofício de preparação - A Protése ou Proskomidia: A preparação do pão e vinho a serem usados na Eucaristia.

A Liturgia da Palavra - a Synaxis

A. A abertura do ofício - A Enarxis (Estritamente falando, a Synaxis só começa com a pequena Entrada; a Enarxis é agora acrescentada ao início, mas originalmente era um ofício separado).

  • A Litania da Paz
  • Salmo 102 (103)
  • A Pequena Litania
  • Salmo 145 (146), seguido pelo hino Ó Filho Único e Verbo de Deus
  • A Pequena Litania
  • As beatitudes (com hinos especiais ou Tropários indicados para o dia).

B. A Pequena Entrada, seguida pelo Hino de Entrada ou Intróito do dia.

  • O Triságion — "Deus Santo, Santo Forte, Santo Imortal, Tem Piedade de Nós" — cantado três vezes ou mais.

C. Leituras das Escrituras

  • O Prokímenon — Versículos, usualmente dos Salmos
  • A Epistola
  • Aleluia — cantada nove vezes ou as vezes três vezes, com versículos das Escrituras intercalados.
  • O Evangelho
  • O Sermão (Homilia) — Freqüentemente transferido para o final do ofício.

D. Intercessão pela Igreja

  • Litania de Súplica ou pela Igreja
  • Litania pelos Mortos
  • Litania pelos Catecúmenos e despedida dos Catecúmenos

a. Duas Litanias curtas pelos fiéis conduzem à Grande Entrada, que é então seguida pela Litania de Súplica

b. O Beijo da Paz e o Credo

c. Anáfora Eucarística:

  • Diálogo de Abertura
  • Agradecimento — culminando com a narrativa da Última Ceia, e as palavras de Cristo: "Isto é meu Corpo... Isto é meu Sangue..."
  • Anamnesis: o ato de "trazer à memória" e oferecer. O padre trás à memória "A Morte de Cristo, sepultamento, Ressurreição, Ascensão, e Segunda Vinda, e "Oferece" os Santos Dons à Deus
  • Epiclesis — a Invocação do Espírito Santo sobre os Santos Dons
  • Grande Comemoração de todos os membros da Igreja: A Mãe de Deus, os Santos, os Mortos, e os Vivos
  • Litania de Súplica, seguida pela oração do Pai Nosso...

d. A Elevação e Fração (partir) dos Dons consagrados

E. A Comunhão do Clero e do Povo

F. Conclusão do serviço: Agradecimento e Benção Final: Distribuição do Antídoron

A primeira parte da Liturgia, o Ofício de Preparação, é feito privadamente pelo padre e diácono na Capela da Prótese. Assim a parte pública do ofício é composto de duas seções, a Synaxis (conjunto de hinos, orações e leituras das Escrituras) e a Eucaristia propriamente dita: Originalmente a Synaxis e a Eucaristia eram freqüentemente feitas separadas, mas desde o século quatro as duas virtualmente foram fundidas em um só ofício. Ambas, Synakis e Eucaristia contêm uma procissão, conhecidas respectivamente como Pequena e Grande Entrada. Na Pequena Entrada o Pão e o Vinho (preparados antes do início da Synaxis) são trazidos em procissão da Capela da Protese para o altar.

A Pequena Entrada corresponde ao Introito do Rito Ocidental. (originalmente a Pequena Entrada marcava o início da parte pública do ofício, mas no presente ela é precedida por várias Litanias e Salmos); A Grande Entrada é na essência uma Procissão de Ofertório. A Synaxis e a Eucaristia têm ambas um clima claramente marcado: na Synaxis, a leitura do Evangelho; na Eucaristia, a Epiclesis do Espírito Santo.

A crença da Igreja Ortodoxa em respeito à Eucaristia é tornada muito clara durante a Oração Eucarística. O padre lê a parte de abertura do agradecimento em voz baixa, até que ele chega nas palavras de Cristo na última Ceia: "Tomai e comei, isto é o meu corpo..." "Tomai e bebei, isto é o meu Sangue..." Essas palavras são sempre lidas em voz alta, para que toda congregação possa ouvir claramente. Em voz mais baixa, a seguir o padre recita a Anamnesis: "Celebrando, pois, Senhor, o memorial de tudo quanto foi realizado para nossa salvação: A Cruz, o Sepulcro, a Ressurreição ao Terceiro Dia, a Ascensão aos Céus, o Trono à direita de Deus Pai, a Segunda e Gloriosa vinda!"

Ele continua alto: "Aquilo que é teu, recebendo-o de Ti, nós Te oferecemos por todos e por tudo!"

Depois da consagração dos dons, o padre e o diácono imediatamente se prostram diante dos Santos Dons, que agora foram consagrados.

Ficará evidente que o "momento da consagração" é entendido de maneira um tanto diferente entre as Igrejas Ortodoxas e Católico-Romana. De acordo com a Teologia Latina, a consagração é efetuada pelas Palavras da Instituição: "Isto é meu Corpo..." "Isto é meu Sangue..." De acordo com a teologia Ortodoxa, o ato de Consagração não está completo até o final da Epiclesis, e veneração dos Santos Dons antes deste ponto é condenada pela Igreja Ortodoxa como "Artolatria" (veneração do Pão). A Ortodoxia, no entanto, não ensina que a Consagração é efetuada somente pela Epiclesis, nem olha para as Palavras da Instituição como acidentais e desimportantes. Ao contrário, ela olha para Orações Eucarísticas inteiras como formando um único e indivisível todo, de maneira que as três seções mais importantes da oração — Agradecimento, Anamnesis, Epiclesis — todas formam uma parte integral do Ato único de Consagração (Alguns escritores Ortodoxos vão além disso, e mantém que a consagração é produzida pelo processo todo da Liturgia começando com a Protesis e incluindo a Sinaxis! Tal visão, no entanto, apresenta muitas dificuldades, e tem pouco ou nenhum suporte na tradição Patrística). Mas isso logicamente significa que tivermos que escolher um "momento de consagração," tal momento não pode ser nenhum até o Amém da Epiclesis (Antes do Vaticano 2º Cânon Romano segundo todas as aparências não tinha Epiclesis; mas muitos Liturgistas Ortodoxos, mais notavelmente Nicolau Cabasilas, olham o Parágrafo Supplices te como constituindo em efeito uma Epiclesis, apesar dos Católicos Romanos hoje em dia, com algumas notáveis exceções, não entendem esse parágrafo assim).

A Presença de Cristo na Eucaristia. Como as palavras da Epiclesis deixam completamente claro, a Igreja Ortodoxa acredita que após a consagração o pão e o vinho tornam-se verdadeiramente o Corpo e o Sangue de Cristo: Eles não são só símbolos, mas a realidade. Mas enquanto a Ortodoxia sempre insistiu na realidade da mudança, ela nunca tentou explicar o modo da mudança: A Oração Eucarística na Liturgia simplesmente usa o termo neutro metaballo, "virar" e "mudar," ou "alterar." É verdade que no século dezessete não só escritores Ortodoxos individualmente, mas Concílios Ortodoxos como o de Jerusalém em 1672, fizeram uso do termo Latino "Transubstanciação" (em Grego Metousiosis), junto com a distinção escolástica entre Substância e Acidentes (Na Filo Medieval é marcada uma distinção entre a substância ou essência, substancia, isto é, tudo aquilo que pode ser percebido pelo sentido — tamanho, peso, forma, cor, sabor, cheiro e assim por diante). Uma substância é algo existente por si próprio (ens per se), um acidente só pode existir herdando de alguma outra coisa (ens in alio). Aplicando essa distinção para a Eucaristia, nós chegamos na Doutrina da Transubstancia.

De acordo com essa Doutrina, no momento da consagração na Missa há uma mudança de substância, mas os acidentes continuam a existir como antes: as substâncias do Pão e do Vinho são mudadas para aquelas do Corpo e Sangue de Cristo, mas os acidentes do Pão e Vinho — isto é, as qualidades de calor, sabor, cheiro e assim por diante — continuam miraculosamente a existir e serem perceptíveis aos sentidos). Mas ao mesmo tempo os Padres de Jerusalém foram cuidadosos em acrescentar, que o uso desses termos não constitui uma explicação da maneira da mudança, porque isso é um Mistério e deve permanecer sempre incompreensível (Sem dúvida muitos Católicos romanos diriam o mesmo). No entanto, apesar desse repúdio, muitos Ortodoxos sentiram que Jerusalém tinha se comprometido muito com a terminologia do Escolasticismo Latino, e é significativo que quando em 1838 a Igreja Russa publicou uma tradução dos Atos de Jerusalém, enquanto mantendo a palavra transubstanciação, ela cuidadosamente parafraseou o resto da passagem de modo a que os termos técnicos substância e acidentes não fossem empregados (esse é um exemplo interessante do modo da Igreja ser seletiva em suas aceitações dos Decretos dos Concílios Locais).

Hoje em dia escritores Ortodoxos ainda usam o termo transubstanciação, mas eles insistem em dois pontos: primeiro, existem muitas outras palavras que podem com igual legitimidade serem usadas para descrever a consagração, e entre todas elas, o termo transubstanciação não goza de autoridade única ou decisiva; segundo, seu uso não compromete os teólogos com a aceitação dos conceitos filosóficos Aristotélicos. A posição geral da Ortodoxia na matéria toda é claramente sintetizada no Longer Catechism, escrito por Filaret, Metropolita de Moscou (1782-1867?), e autorizado pela Igreja Russa em 1839:

Como devemos entender a palavra transubstanciação?

A palavra transubstanciação não deve ser tomada para definir a maneira como o pão e o vinho são mudados para Corpo e Sangue do Senhor: Pois isso ninguém pode entender senão Deus; mas somente isso é o significado: que o pão verdadeiramente, realmente e, substancialmente torna-se o verdadeiro Corpo do Senhor, e o vinho o verdadeiro Sangue do Senhor. (tradução do Russo para o Inglês em R. W. Blackmore, The doctrine of the Russian Church, Londres, 1845, pg.92).

E o Catecismo continua com uma citação de São João Damasceno:

"Se você pergunta como isso acontece, é suficiente para você aprender que é através do Espírito Santo... Nós não sabemos mais do que isso, que a palavra de Deus, é verdadeira, ativa e onipotente, mas na sua maneira de operar é inexplorável" . (On the Orthodox Faith, 4, 13, PG. 94, 1145A).

Em toda paróquia Ortodoxa, o Sacramento abençoado é normalmente reservado, na maioria dos casos em um tabernáculo sobre o altar, apesar de não haver regra restrita sobre o lugar de se reservar. A Ortodoxia, no entanto, não celebra ofícios de devoção pública diante do sacramento reservado, nem tem qualquer equivalente aos ofícios Católicos Romanos de exposição e benção, apesar de parecer não haver razão teológica (distinta de razão litúrgica) para não se fazer isso. O padre abençoa o povo com o sacramento durante o correr da Liturgia, mas nunca fora dela.

A Eucaristia como um sacrifício. A Igreja Ortodoxa acredita ser a Eucaristia um sacrifício; e aqui também o ensinamento básico Ortodoxo é colocado claramente no texto da própria Liturgia. "Aquilo que é Teu, nós Te oferecemos por todos e por tudo!" 1) Nós oferecemos aquilo que é teu. Na Eucaristia, o sacrifício oferecido é o próprio Cristo, e é o próprio Cristo Que na Igreja executa o ato de oferecer: Ele é tanto o padre quanto a vítima: "Pois és Tu que ofereces e é oferecido" (da oração do padre antes da Grande Entrada). 2) Nós Te oferecemos. A Eucaristia é oferecida a Deus a Trindade — não somente ao Pai mas também ao Espírito Santo e ao próprio Cristo (Isto foi estabelecido com ênfase por um Concílio em Constantinopla em 1156.). Assim se perguntarmos, o que é o sacrifício da Eucaristia? Por quem é ele oferecido? Para quem é ele oferecido? — Em dado caso a resposta é Cristo. 3) Nós oferecemos por todos e por tudo: De acordo com a teologia Ortodoxa, a Eucaristia é um sacrifício propiciatório (em Grego, Thusia Hilastirios), oferecido por conta tanto dos vivos quanto dos mortos.

Na Eucaristia, então, o sacrifício que oferecemos é o sacrifício de Cristo. Mas o que isso significa? Teólogos sustentaram e continuam a sustentar muitas teorias diferentes sobre esse assunto. Algumas dessas teorias a Igreja rejeitou como inadequadas, mas ela nunca se comprometeu formalmente com qualquer explanação particular de sacrifício eucaristico. Nicolau Cabasilas resumiu a posição padrão da Ortodoxa como se segue:

Primeiro, o sacrifício não é uma mera figura ou símbolo mas um sacrifício verdadeiro; segundo, não é o Pão que é sacrificado, mas o próprio Corpo de Cristo; terceiro, o Cordeiro de Deus foi sacrificado só uma vez, para todo o tempo... O sacrifício na Eucaristia consiste, não na real e sanguinolenta imolação do Cordeiro, mas na transformação do Pão no Cordeiro Sacrificado! (Commentary on the Divine Liturgy, 32).

A Eucaristia não é uma simples comemoração nem uma representação imaginária do Sacrifício de Cristo, mas é o próprio e verdadeiro sacrifício; no entanto de outro lado, não é um novo sacrifício, nem a repetição do sacrifício no Calvário, porque o Cordeiro foi sacrificado "somente uma vez, por todo o tempo." Os eventos no sacrifício de Cristo — A encarnação, a Crucificação, a Ressurreição, a Ascensão (note que o sacrifício de Cristo inclui muitas coisas além de Sua morte: Este é um ponto muito importante no ensinamento Ortodoxo e Patrístico) — Não são repetidos na Eucaristia, mas ele é tornado presente. "Durante a Liturgia, através de seu divino Poder, nós somos projetados para onde a eternidade corta o tempo, e nesse ponto nós nos tornamos verdadeiros contemporâneos com os eventos que nós comemoramos" (P. Evdokmov, L’Orthodoxie, pg. 241). "Todas as Santas Ceias da Igreja não são nada mais que a única e eterna Ceia, aquela de Cristo no Salão Superior. O mesmo ato divino acontece tanto num momento específico da história quanto é oferecido sempre no sacramento" (ibid pg 208).

Santa Comunhão. Na Igreja Ortodoxa os leigos como o clero recebem a comunhão ‘nas duas espécies.’ A comunhão é dada para os leigos em uma colher, contendo um pequeno pedaço do Santo Pão junto com uma porção do Santo Vinho; é recebida em pé. A Ortodoxia insiste num jejum estrito antes da comunhão, e nada pode ser bebido ou comido após o acordar na manhã ("Vós sabeis que aquele que convida o Imperador para sua casa, primeiro limpa a sua casa. Assim se vós desejais trazer Deus para vosso lar corporal para a Iluminação de vossas vidas, primeiro santificar vossos corpos pelo jejum" (do Cem Capítulos de Gennadius). Em casos de doença ou necessidade genuína, o confessor pode conceder dispensa desse jejum pré-comunhão). Muitos Ortodoxos nos dias presentes recebem comunhão com pouquíssima freqüência, talvez só cinco ou seis vezes ao ano, não por qualquer desrespeito ao sacramento, mas sim porque esse foi o jeito em que foram criados. Mas nos anos recentes algumas Paróquias na Grécia e na Diáspora Russa restauraram a antiga prática de comunhão semanal, e parece que comunhão também está se tornando mais freqüente atrás da Cortina de Ferro. Parece também esperançosa a possibilidade desse movimento pró-comunhão freqüente vir a ganhar corpo lentamente mas com segurança nos anos a vir.

Depois da benção final com a qual a Liturgia termina, o Povo vem para beijar a Cruz que o Padre segura na mão, e para receber um pequeno pedaço de Pão, chamado de Antidoron, que é abençoado mas não consagrado, apesar de ser do mesmo Pão usado na consagração. Na maioria das paróquias ortodoxas, não-Ortodoxos presentes na Liturgia são permitidos (na verdade encorajados) a receber a Antidoron, como uma expressão da amizade e amor Cristãos.

7.4 - A Penitência

Uma criança Ortodoxa recebe comunhão desde a infância. Assim que ela tem idade para saber a diferença entre certo e errado e a compreender o que é pecado, provavelmente com a idade de seis ou sete anos, ele deve ser levado para receber outro sacramento: Arrependimento e Penitência, ou Confissão (em Grego, Metanoia ou exomologisis). Através desse sacramento, pecados cometidos depois do Batismo são perdoados e o pecador é reconciliado com a Igreja: Por essa razão esse sacramento é freqüentemente chamado de "Segundo Batismo." Ao mesmo tempo o sacramento age como cura para a alma, porque o padre não dá só absolvição mas também conselho espiritual. Desde que todo pecado é pecado não só contra Deus mas também contra nosso vizinho, contra a comunidade, a confissão e a disciplina penitencial na Igreja dos primeiros tempos, era um assunto público. Mas com o passar dos séculos tanto no oriente quanto no ocidente a confissão no Cristianismo tomou a forma de uma conferência "privada" entre o padre e o penitente sozinho. O padre é estritamente proibido de revelar para qualquer terceira pessoa o que ele ouviu em confissão.

Na Ortodoxia a confissão é ouvida, não em um confessionário fechado com uma tela separando confessor e penitente, mas em qualquer parte conveniente da Igreja, usualmente no espaço imediatamente defronte à Iconostase; as vezes o padre e o penitente ficam por detrás de um anteparo, ou pode existir uma sala especial na Igreja se parada para confissões. Enquanto no ocidente o padre senta e o penitente se ajoelha, na Igreja Ortodoxa ambos ficam em pé (ou às vezes os dois sentam). O penitente fica de frente para uma mesa especial onde são colocados, a Cruz e um ícone do Salvador ou o Livro do Evangelho; o Padre fica ligeiramente de lado. Esse arranjo exterior enfatiza mais claramente que o sistema ocidental, que na confissão não é o padre mas Deus que é o Juiz, enquanto o padre é só uma testemunha e ministro de Deus. Esse ponto é reforçado pelas palavras que o padre diz imediatamente antes da confissão propriamente:

"Veja, meu filho, Cristo está aqui invisivelmente e recebe tua confissão. Por isso não fique envergonhado nem temeroso; não esconda nada de mim, mas diga-me sem hesitação tudo que tiver feito; e assim tu terás perdão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Vê, este santo ícone de Jesus Cristo está diante de nós: E eu sou só uma testemunha, levando em testemunho para Ele, todas as coisas que tu tiveres para me dizer. Mas se tu esconderes qualquer coisa de mim, tu terás pecado maior Tome cuidado, portanto, do contrário será como se tivesse ido a um médico e saísse não curado!" (essa exortação é encontrada nos livros eslavônicos mas não nos Livros Gregos).

Depois disso o padre questiona o penitente sobre seus pecados e dá-lhe conselhos. Quando o penitente tiver confessado tudo, ele ajoelha ou abaixa a sua cabeça, e o padre, colocando sua estola (epitrachilion) sobre a cabeça do penitente e pondo a sua mão sobre a estola, diz a oração de absolvição. Nos Livros Gregos a fórmula de absolvição é suplicatória (i.e. na terceira peço, "Que Deus perdoe..."), nos Livros Eslavônicos é indicativa (i.e. na primeira pessoa, "Eu, perdôo...").

A fórmula Grega diz:

«O que você tenha dito para minha humilde pessoa,
e o que você tenha falhado em dizer,
seja por ignorância ou esquecimento,
o que quer que seja,
que Deus te perdoe neste mundo e no próximo...
Não tenha mais ansiedade; vá em paz!
Em eslavônico existe esta fórmula:
"Que Nosso Senhor e Deus, Jesus Cristo,
pela graça e generosidade de Seu amor pelo homem,
Te perdoe, meu filho (nome),
todas as tuas transgressões.
E eu, um indigno padre,
pelos poderes que por Ele me foram dados,
te perdôo e te absolvo de todos os teus pecados.»

Essa fórmula usando a primeira pessoa, EU, foi originalmente introduzida nos Livros Ortodoxos sob influência Latina por Pedro Moghila na Ucrânia, e foi adotada na Igreja Russa no século dezoito.

O padre pode, se ele acha aconselhável, impor uma penitência (epitimion), mas isso não é uma parte essencial, ou sacramento, e é freqüentemente omitida. Muitos Ortodoxos tem um "Pai Espiritual" especial, não necessariamente seu padre paroquial, a quem eles procuram regularmente para confissão e aconselhamento espiritual (na Ortodoxia não é inteiramente desconhecido um leigo agir como pai espiritual; mas nesse caso, enquanto ele ouve a confissão, dá conselhos, e assegura ao penitente o perdão de Deus, ele não pronuncia a oração de absolvição sacramental, mas manda o penitente para um padre). Não há na Ortodoxia uma regra estrita que estabeleça com que freqüência se deve confessar; os Russos tendem a confessar mais freqüentemente que os Gregos. Aonde a comunhão não freqüente prevalece — por exemplo quatro ou cinco vezes por ano — espera-se que os fiéis confessem antes de cada comunhão; mas em círculos onde a comunhão freqüente foi estabelecida, o padre não necessariamente espera que seja feita confissão antes de cada comunhão.

7.5 - As Ordens Sacras

Existem três "Ordens Maiores" na Igreja Ortodoxa, Bispo, Presbítero, Diácono; e duas "Ordens Menores," Subdiáconos e Leitores (existiram no passado outras Ordens Menores, mas no presente, com exceção dessas duas, todas caíram largamente em desuso). Ordenações para as Ordens maiores sempre ocorrem durante o correr da Liturgia, e deve sempre ser feita individualmente (O Rito Bizantino, diferentemente do Romano, estabelece que não mais de um Diácono, um Presbítero e um Bispo podem ser ordenados em uma única Liturgia). Somente um Bispo tem poder para ordenar (em caso de necessidade um Arquimandrita ou Arcipreste, agindo como delegado do Bispo, pode ordenar um Leitor) e a sagração de um Bispo deve ser feita por três ou ao menos dois Bispos, nunca por um Bispo só: desde que o episcopado é de caráter "colegial," uma consagração episcopal é conduzida por um "colégio" de Bispos. Uma ordenação, enquanto feita por um Bispo, também requer o consentimento de todo Povo de Deus; assim num ponto particular do ofício a congregação reunida aclama a ordenação gritando "Axios!" ("Ele é Digno!"; O que acontece se a Assembléia grita "Anaxios!" "Ele é Digno!"). Isto não esta muito claro. Em muitas ocasiões em Constantinopla ou na Grécia durante o século vinte a congregação de fato expressou sua desaprovação desse modo, no entanto sem efeito. Mas alguns afirmam que, de qualquer modo em teoria, se os leitos expressam seu dissenso, a ordenação ou consagração não pode ser feita).

Os Presbíteros e Diáconos Ortodoxos são divididos em dois grupos distintos, os "Brancos" ou clero casado, e os "Pretos" ou monásticos. Os ordenados devem decidir antes da ordenação a que grupo eles querem pertencer, pois é uma regra estrita que ninguém pode casar depois de sua ordenação para uma ordem Maior. Aqueles que querem se casar devem portanto fazê-lo antes de serem ordenados Diáconos. Aqueles que não querem se casar devem se tornar Monges antes de sua ordenação; mas na Igreja Ortodoxa hoje em dia existe um certo número de clero celibatário que não fizeram formalmente os votos monásticos. Esses Padres celibatários, no entanto, não podem a posteriori mudar de idéia e decidir se casar. Se a mulher de um Padre morre, ele não pode se casar de novo.

Como regra o clero paroquial da Igreja Ortodoxa é casado, e um Monge só é indicado para algum cargo em uma Paróquia por razões excepcionais (de fato nos dias presentes particularmente na Diáspora os Monges são freqüentemente feitos encarregados de Paróquias. Muitos Ortodoxos, lamentam esse afastamento da prática tradicional. Bispos são escolhidos exclusivamente do clero Monástico. (Isto tem sido regra desde pelo menos o século seis; mas nos tempos primitivos existiram muitos exemplos de Bispos Casados. Por exemplo, o próprio São Pedro), apesar de um viúvo poder ser feito Bispo se ele aceitar os votos Monásticos. Tal é o estado do Monasticismo em muitas partes da Igreja Ortodoxa hoje em dia, que não é sempre fácil achar candidatos adequados para o episcopado, e alguns Ortodoxos começam a se perguntar se a limitação de Bispos provirem do clero Monástico não seria contra indicada sob as condições modernas. No entanto seguramente a verdadeira solução não será mudar a Regra presente que Bispos devem ser Monges, mas sim revigorar a própria vida monástica.

No início da Igreja o Bispo era eleito pelo Povo da Diocese, clero e leigos juntos. Na Ortodoxia de hoje é usualmente o Sínodo de cada Igreja Autocéfala que indica Bispos para tronos vacantes; mas em algumas Igrejas, Antioquia por exemplo, e Chipre, um sistema modificado de eleição ainda existe. O Concílio de Moscou de 1917-1918 estabeleceu que daí em diante os Bispos na Igreja Russa deveriam ser eleitos pelo clero e pelos Leigos; essa regra é seguida pelo grupo de Russos de Paris e pela OCA, mas as condições tornaram a aplicação dessa regra impossível dentro da União Soviética.

A ordem dos Diáconos é muito mais proeminente na Igreja Ortodoxa que nas comunidades ocidentais. No Catolicismo romano antes do Vaticano 2º o Diácono tinha se tornado simplesmente num estágio preliminar no caminho do Presbiterado, mas na Ortodoxia ele permaneceu um cargo permanente, e muitos Diáconos tem a intenção de nunca virar Presbítero. No ocidente de hoje a parte do diácono na Missa Solene é usualmente feita por um Presbítero, mas na Liturgia Ortodoxa ninguém que não seja um Diácono de fato pode executar as funções Diaconais.

A Lei Canônica estabelece que ninguém pode tornar-se Presbítero antes da idade de trinta anos nem Diácono antes da idade de vinte e cinco anos, mas na prática essa regra esta sendo relaxada.

7.5.1 - Uma nota sobre títulos eclesiásticos

Patriarca: O título usado pelos chefes de algumas Igrejas autocéfalas. Os chefes das outras Igrejas são chamados de Arcebispos ou Metropolitas.

Metropolita, Arcebispo: Originalmente um Metropolita era o Bispo da capital de uma província, enquanto Arcebispo era mais um título geral de honra, dado para Bispos de especial eminência. Os Russos ainda usam os títulos mais ou menos na forma original; mas os gregos (exceto em Jerusalém) agora dão o nome de Metropolita para todo Bispo diocesano, e chamam pelo título de Arcebispo aqueles que nos tempo anteriores eram chamados de Metropolitas. Assim entre os Gregos um Arcebispo agora está acima de um Metropolita, mas entre os Russos o Metropolita é a posição mais alta.

Arquimandrita: Originalmente um Monge encarregado com a supervisão espiritual de vários Mosteiros, ou o superior de um Mosteiro de importância especial. Atualmente usado simplesmente como título de honra para Presbíteros-Monges de distinção.

Higumenos: Entre os Gregos, o Abade de um Mosteiro. Entre os Russos, um título de honra para Presbiteros-Monges (não necessariamente Abade). Um Higumenos Russo fica abaixo de um Arquimandrita.

Arcipreste ou Protopapa: Título de honra dado a Presbítero não Monástico; equivalente a Arquimandrita.

Hieromonge: Um Presbítero Monge. Arcediago: Um título de honra dado para Diáconos Monges. (no Ocidente o Arcediago é hoje em dia um Presbítero, mas na Igreja Ortodoxa ele ainda é diácono como na Igreja Primitiva).

Protodiácono: Título de honra dado para Diáconos que não são Monges.

7.6 - O Matrimônio

O Ministério Trinitário da unidade na diversidade aplica-se não só para a doutrina da Igreja mas também para doutrina do casamento. O homem é feito à imagem da Trindade e exceto em casos especiais, não é intenção de Deus que ele viva sozinho mas em família. E como Deus abençoou a primeira família comandando que Adão e Eva fossem frutíferos e se multiplicassem, assim a Igreja dá hoje a sua benção para a união de homem e mulher. O casamento não é só um estado da natureza mas um estado de graça. Vida de casado, não menos que vida Monástica, é uma vocação especial, requerendo um particular Dom ou Carisma do Espírito Santo; e esse Dom é conferido pelo Sacramento do Santo Matrimônio.

O Ofício de Casamento é dividido em duas partes, anteriormente celebradas separadamente, mas agora celebradas em sucessão imediata: preliminarmente o Ofício de Noivado, e o Ofício de Coroação, que se constitui no próprio Sacramento. No Ofício de Noivado constitui-se principalmente da benção e troca das alianças; esse é um sinal exterior de que os parceiros juntam-se em casamento por suas próprias vontades livres e consentimento, pois sem livre consentimento dos dois lados não pode existir o Sacramento de Casamento Ortodoxo. A segunda parte do Ofício culmina com a Cerimônia de Coroação: Nas cabeças do Noivo e da noiva o padre coloca Coroas, feitas entre os Gregos de folhas e flores, mas entre os Russos de prata ou ouro. Esse, o sinal externo e visível do sacramento, significa a graça especial que o casal recebe do Espírito Santo, antes que eles se coloquem para fundar uma nova família, uma Igreja doméstica. As coroas são coroas de alegria, mas elas também são coroas de martírio, porque todo casamento verdadeiro envolve um incomensurável auto-sacrifício dos dois lados. No fim do Ofício os dois recém casados bebem da mesma taça de vinho, que relembra o milagre na festa de casamento de Canaã na Galiléa: Essa taça comum é um símbolo do fato que daí para frente eles compartilharão uma vida comum, um com o outro.

A Igreja Ortodoxa permite o divórcio e o re-casamento, baseando sua autoridade para iso no texto de Mateus 19:9 onde Nosso Senhor diz: ."..qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério..." Como Cristo permitiu uma exceção para sua regra geral acerca da indissolubilidade do casamento, a Igreja Ortodoxa também quer autorizar uma exceção. Seguramente a Ortodoxia encara o casamento como em princípio para toda a vida, e indissolúvel, e ela condena a quebra do casamento como um pecado e algo maligno. Mas enquanto condenando o pecado, a Igreja ainda deseja ajudar os pecadores e conceder-lhes uma segunda chance. Quando, portanto, um casamento cessa inteiramente de ser uma realidade, a Igreja Ortodoxa não insiste na preservação de uma ficção legal. Divórcio é visto como uma excepcional mas necessária concessão ao pecado humano; é um ato de oikonomia ("economia" ou dispensa) e de philanthropia ("gentileza amorosa"). No entanto, apesar de dar assistência a homens e mulheres a levantarem-se de novo depois de um queda, a Igreja Ortodoxa sabe que uma segunda aliança nunca pode ser igual à primeira; e então no ofício para o segundo casamento varias das alegres cerimônias são omitidas, e substituídas por orações penitenciais.

A Lei Canônica Ortodoxa, que permite o segundo e mesmo o terceiro casamento, proíbe terminantemente o quarto. Na teoria os Canons só permitem divórcio em caso de adultério, mas na prática é as vezes concedido também por outras razões.

Um ponto deve ser entendido claramente: do ponto de vista da Teologia Ortodoxa um divórcio concedido pelo Estado nas cortes civis não é suficiente. Re-casamento na Igreja só é possível se as autoridades da Igreja tiverem elas próprias concedido o divórcio.

O uso de contraceptivos e outros dispositivos para controle de natalidade são, no conjunto, fortemente desencorajados na Igreja Ortodoxa. Alguns Bispos e Teólogos condenam o emprego de tais métodos. Outros, no entanto, recentemente começaram a adotar uma posição menos estrita e argumentam que a questão é melhor que seja deixada à discrição de cada casal individual, em consulta com o pai espiritual.

7.7 - A Unção dos Enfermos

Esse Sacramento, conhecido entre os Gregos como evchelaion, "O Óleo da Oração" é descrito por São Tiago: "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da Igreja, e deixem que orem sobre ele ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados" (Tiago 5:14-15). O Sacramento, como essa passagem indica, tem um duplo propósito: não só a cura do corpo mas também o perdão dos pecados. As duas coisas vão juntas, pois o homem é a unidade de corpo e alma e não pode então haver aguda e rígida distinção entre doenças corporais e espirituais. A Ortodoxia certamente não acredita que a unção é invariavelmente seguida por uma recuperação da saúde: As vezes, na verdade, o sacramento serve como um instrumento de cura, e o paciente se recupera; mas em outras vezes ele não se recupera, caso em o sacramento ajuda de outra maneira, dando ao paciente a força espiritual para se preparar para a morte ("Esse sacramento tem duas faces: uma se volta para a cura, a outra para a libertação da doença pela morte" (S. Bulgakov, The Orthodox Churck, pg. 135). Na Igreja Católica Romana o sacramento tornou-se "Extrema Unção," dirigido só para os moribundos (Uma mudança foi feita aqui pelo Concílio Vaticano segundo); assim o primeiro aspecto do sacramento, a cura, tornou-se esquecido. Mas na Igreja Ortodoxa a Unção pode ser conferida a qualquer um que esteja doente, seja com risco de vida ou não.

 

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