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9. A Igreja Ortodoxa e a unidade dos cristãos

«O maior infortúnio que aconteceu na humanidade
foi, sem dúvida, o cisma entre Roma e a Igreja Ecumênica.
E a maior benção que a humanidade pode esperar
será a reunião do Oriente e Ocidente,
a reconstituição da grande unidade Cristã»

(General Alexander Kireev, 1832-1910)

«Igreja Una, Santa, Católica»: O que queremos dizer?

A Igreja Ortodoxa com toda humildade acredita ser ela mesmo a "Una, Santa, Católica e Apostólica Igreja" da qual o Credo fala: Essa é uma convicção fundamental que guia os Ortodoxos em suas relações com outros Cristãos. Existem divisões entre os Cristãos, mas a própria Igreja não está dividida e nunca estará.

Cristãos das tradições reformadas talvez protestarão: "Essa é uma afirmação dura; quem pode ouvi-la?" Pode parecer a eles que essa reivindicação exclusiva do lado Ortodoxo impeça qualquer sério "dialogo ecumênico" com os Ortodoxos, e qualquer trabalho construtivo de reunião. E no entanto eles estariam redondamente enganados ao tirar essa conclusão: Pois, suficientemente paradoxal, nas últimas décadas existiram um grande número de contatos encorajadores e frutíferos entre Ortodoxos e outros Cristãos. Apesar de enormes obstáculos ainda permanecerem, tem havido grandes progressos na direção de uma reconciliação.

Se os Ortodoxos reclamam serem a Uma Verdadeira Igreja, o que eles consideram ser o estado daqueles Cristãos que não pertencem à sua comunhão? Ortodoxos diferentes responderiam de maneiras ligeiramente diferentes, pois apesar de todo Ortodoxo leal concordar com o ensinamento fundamental da Igreja, eles não concordam inteiramente com as conseqüências práticas que decorrem desse ensinamento. Primeiro existe um grupo mais moderado, que inclui a maioria daqueles Ortodoxos que tiveram contatos pessoais próximos com outros Cristãos. Esse grupo sustenta que, enquanto é verdadeiro dizer que a Ortodoxia é a Igreja, é falso concluir daí que aqueles que não são Ortodoxos não podem de modo algum pertencer à Igreja. Muitas pessoas podem ser membros da Igreja sem serem visivelmente isso; laços invisíveis podem existir apesar de uma separação exterior. O Espírito de Deus sopra onde quer, e, como disse Irineu, onde está o Espírito está a Igreja. Nós sabemos onde a Igreja está mas não podemos ter certeza de onde ela não esta; e então devemos refrear em fazer julgamentos sobre Cristãos não-Ortodoxos. Nas palavras eloqüentes de Khomiakov:

«Tanto quanto a Igreja terrena e visível não é a totalidade e completitude do toda da Igreja que o Senhor indicou para aparecer no julgamento final de toda criação, ela age e conhece somente o que está dentro dos seus limites próprios; e... não julga o resto da humanidade, e só olha para aqueles como excluídos, isto é, não pertencendo a ela, aqueles que se excluíram a si próprios. O resto da humanidade, seja estranho à Igreja, ou a ela unidos por laços que Deus não quis revelar a ela, ela deixa para o julgamento do Grande Dia» (The Church is One, Seção 1).

Existe só uma única Igreja, mas existem muitos meios diferentes de ser relacionado com essa única Igreja, e muitos meios diferentes de estar-se separado dela. Alguns não-Ortodoxos estão de fato muito próximos da Ortodoxia, outros nem tanto; alguns são amistosos à Igreja Ortodoxa, outros indiferentes ou hostis. Pela graça de Deus a Igreja Ortodoxa possui a totalidade da verdade (assim seus membros são levados a crer), mas existem outras comunhões Cristãs que possuem em maior ou menor grau uma medida genuína de Ortodoxia. Todos esses fatos devem ser levados em conta: não se pode simplesmente dizer que todo não-Ortodoxo está fora da Igreja, e deixar isso assim; não se pode tratar outros Cristãos como se eles estivessem no mesmo nível dos descrentes.

Essa é a visão do partido mais moderado. Mas também existe na Igreja Ortodoxa um grupo mais rigoroso, que sustenta que já que a Ortodoxia é a Igreja, qualquer um que não é Ortodoxo não pode ser membro da Igreja. Assim o Metropolita Antony, chefe da Igreja Russa no Exílio e um dos mais distinguidos dos teólogos Russo moderno, escreveu em seu Catecismo:

«É possível admitir-se que uma divisão dentro da Igreja ou entre as Igrejas possa um dia ter lugar? Nunca. Heréticos e cismáticos de tempos em tempos caíram fora da Igreja indivisível e, por fazer isso, eles cessaram de ser membros da Igreja, mas a Igreja, ela própria, nunca poderá perder sua unidade de acordo com a promessa de Cristo«

Com certeza (assim esse grupo estrito acrescenta) a graça divina é ativa entre muitos não-Ortodoxos, e se eles são sinceros em seu amor por Deus, então vós podemos estar seguros que Deus terá misericórdia por eles; mas eles não podem em seu estado presente, ser denominados membros da Igreja. Trabalhadores pela unidade Cristã que não encontram com freqüência essa escola rigorista não podem esquecer que tais opiniões são sustentadas por muitos Ortodoxos de grande erudição e santidade.

Por que eles acreditam ser sua Igreja a verdadeira Igreja, os Ortodoxos só podem ter um desejo definitivo: a conversão ou reconciliação de todos os Cristãos para ou com a Ortodoxia. No entanto não deve ser entendido que os Ortodoxos desejam a submissão de outros Cristãos e um centro particular de poder e jurisdição (A Ortodoxia não deseja a submissão de qualquer pessoa ou grupo; ela deseja fazer com que cada um compreenda, S. Bulgakov, The Orthodox Church, pg.21)). A Igreja Ortodoxa é uma família de Igrejas irmãs, descentralizadas em estrutura, o que significa que comunidades separadas podem ser integradas sem perder sua autonomia: A Ortodoxia deseja a reconciliação delas, não sua absorção (comparar o título de um famoso trabalho escrito por Dom Lambert Beauduin e lido pelo Cardeal Mercier nas conversações Malines, "The Anglicam Church United, Not Absorbed"). Em todas discussões em reuniões os Ortodoxos são guiados (ou de qualquer modo deveriam ser guiados) pelo princípio da unidade na diversidade. Eles não procuram transformar Cristãos ocidentais em Bizantinos ou "Orientais," nem desejam impor uma rígida uniformidade em todos os semelhantes: Pois há espaço na Ortodoxia para muitos modelos culturais diferentes, para muitos meios diferentes de louvação, e mesmo para muitos sistemas diferentes de organização exterior.

No entanto há um campo no qual diversidade não pode ser permitida. A Ortodoxia insiste sobre unidade em questões da Fé. Antes que possa haver reunião entre os Cristãos, deve existir primeiro completa concordância na fé: Este é um princípio básico para os Ortodoxos em todas as suas relações ecumênicas. É a unidade da fé que conta, não a unidade organizacional; e assegurar unidade de organização ao preço de um compromisso no dogma e como atirar fora a semente de uma noz e guardar a casca. Os Ortodoxos não estão desejosos de tomar parte num esquema de Reunião "mínima," que assegure concordância em alguns pontos e deixe todo resto para opiniões particulares. Só pode existir uma base para a união — A totalidade da fé; pois os Ortodoxos olham para a fé como um todo unido e orgânico. Falando da conferência Anglo-Russa em Moscou em 1956, o Arcebispo de Canterbury, Dr. Michael Ramsey, expressou o ponto de vista Ortodoxo com exatidão: "Os Ortodoxos com efeito disseram:..."A Tradição é um fato concreto aqui está ela, em sua totalidade. Vocês Anglicanos aceitam-na, ou vocês a rejeitam? A Tradição é para os Ortodoxos um todo indivisível: A vida inteira da Igreja em sua completitude de crença e costumes através dos séculos, incluindo Mariologia e a veneração dos ícones. Defrontado com esse desafio, a resposta tipicamente Anglicana foi: "Nós não olharíamos veneração de ícones e Mariologia como inadmissíveis, desde que em determinando o que é necessário para a salvação, nós nos confinemos à Sagrada Escritura." Mas essa resposta só põe em relevo o contraste entre o apelo Anglicano para o que considerado necessário para a salvação e o apelo ortodoxo para o organismo Uno e Indivisível da Tradição, e que mexer com qualquer parte do qual é estragar o todo do mesmo modo que uma única mancha numa pintura pode estragar sua beleza. ("The Moscou Conference in Retrospect" Em Sobormost, serie 3, nº23, 1958, pg. 562-563).

Nas palavras de outro escritor Anglicano: "Foi dito que a Fé é como uma rede e não um ajuntamento de dogmas separados; corte-se um fio e a rede toda perde seu significado" (T.M.Parker, "Devotion to the Mother of God," em The Mother of God, editado por E.L.Mascall, pg. 74). Os Ortodoxos, então, pedem aos outros Cristãos que eles aceitem a Tradição como um todo; mas deve ser lembrada a diferença entre Tradição e Tradições. Muitas crenças mantidas pelos Ortodoxos não são parte da Tradição Una, mas são simples opiniões teológicas, theologumena; e não pode haver a questão de impor simples questões de opinião a outros Cristãos. Os homens podem possuir completa unidade na fé, e no entanto sustentar opiniões teológicas divergentes em certos campos.

Esse princípio básico — não reunião sem unidade na Fé — tem um corolário importante: Até que a união na Fé tenha sido alcançada, não haverá comunhão nos sacramentos. Comunhão na Mesa do Senhor (A maioria dos Ortodoxos crê) não pode ser usada para assegurar a unidade na fé, mas deve vir como conseqüência e coroamento de uma unidade já obtida. A Ortodoxia rejeita todo o conceito de "Intercomunhão" entre corpos Cristãos separados, e não admite a forma de companheirismo sacramental antes da comunhão total. Ou as Igrejas estão em comunhão umas com as outras, ou não estão: Não pode haver meio-termo. (Essa é a posição padrão Ortodoxa. Mas há teólogos Ortodoxos individuais que acreditam que algum degrau de intercomunhão é possível, mesmo antes de se atingir um completo acordo dogmático. Uma leve qualificação deve ser acrescida. Ocasionalmente Cristãos Ortodoxos, se inteiramente cortados das ministrações de sua própria Igreja, são permitidos com permissão especial a receber a comunhão de um Padre Ortodoxo. Mas o inverso não é verdadeiro pois os Ortodoxos são proibidos de receber comunhão de qualquer um que não seja um Padre de sua própria Igreja). Algumas vezes é dito que os Anglicanos ou a Velha Igreja Católica estão "em comunhão" com os Ortodoxos, mas este não é o caso. As duas não estão em comunhão, nem podem estar, até que os Anglicanos e Ortodoxos concordem em matéria de Fé.

 

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