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A antiga liturgia de Jerusalém

 

O rito de Jerusalém é o de Antioquia. Ou seja, a liturgia que se tornou célebre por ser aquela utilizada pela Igreja do Patriarca de Antioquia. Graças à influência desta Igreja, o rito de Jerusalém se estendeu pela Síria e Ásia menor. Este fato serviu como ponto de partida para o desenvolvimento do Rito Bizantino que, em sua origem, era a liturgia original de Jerusalém, não de Antioquia. E nada menos que a célebre Liturgia do Apóstolo São Tiago. Que tenha sido realmente composta pelo Apóstolo São Tiago, o Menor, primeiro bispo de Jerusalém, hoje já não se crê; mas, duas de suas fórmulas mostram que foi originalmente empregada como rito local da cidade de Jerusalém.

Há uma referência à cruz entre as orações para os catecúmenos –“elevem o chifre dos cristãos pelo poder venerável e salvador da Cruz” - o que sempre se supôs ser uma referência à invenção de Santa Helena da verdadeira Cruz de Jerusalém no início do século IV.

Sendo assim, teríamos uma data aproximada desta oração. Uma referência muito mais clara encontra-se na intercessão após a Epíclese: “Oferecemos-te, ó Senhor, pelos santos lugares que glorificaste pela aparição divina de teu Cristo e pela vinda do teu Espírito Santo” (os vários santuários da Palestina) “especialmente pela Santa e gloriosa Sião, mãe de todas as igrejas” (por Sião, na linguagem cristã, sempre entendemos a Igreja Local de Jerusalém. (Leia-se JERUSALÉM) “e por tua Santa Igreja, católica e apostólica, espalhada por todo o universo” (kata pasan ten oikoumenen, que poderia significar “ao longo de todo o Império”). Esta única referência então, à única Igreja Local em toda a liturgia - o fato da intercessão, em que se suplica por todas as pessoas e causas, começa com a oração pela Igreja de Jerusalém, o que pode ser uma indicação clara de seu lugar de origem.

Temos mais evidências nos Discursos Catequéticos de São Cirilo de Jerusalém. Estes ocorreram por volta do ano 347 ou 348 na Igreja do Santo Sepulcro; é óbvio que descrevem a liturgia conhecida para seus ouvintes ali. Probst examinou estes discursos sob este ponto de vista (“Liturgie des IV Jahrhunderts”, Muster, 1893, 82­106) e descreve a liturgia que pode ser deduzida destes.

Permitindo algumas reservas, especialmente nas primeiras instruções para os catecúmenos (arcani disciplina) e algumas pequenas diferenças, como aquelas que o tempo sempre causa em um novo rito vivo, é evidente que a liturgia de São Cirilo é a que conhecemos como a do Apóstolo São Tiago. Como um exemplo óbvio, poderíamos citar a descrição de Cirilo do início da Anáfora. Ele menciona o versículo do celebrante, (...) “Demos graças a Deus" e a resposta do povo, “É justo e necessário”. E segue dizendo: “Depois, recordamos o céu, a terra e o mar, o sol e a lua, as estrelas e toda a criação racional e irracional, Anjos, Arcanjos, Poderes, Dominações, Principados e Tronos, assim como os Querubins que proclamam também as palavras de Davi: “Aclamemos ao Senhor!” Recordamos também os Serafins que Isaías viu no espírito, parados ao redor do trono de Deus, que com duas asas cobriam seus rostos; com duas cobriam seus pés e com duas voavam e diziam:  “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos exércitos. Também dizemos estas divinas palavras dos Serafins, para participarmos, assim, dos hinos do Espírito Santo” (Catequeses Mistagógicas, Vol. 6). Esta é uma descrição exata do início da Anáfora na Liturgia de São Tiago Apóstolo.

Temos assim algumas evidências de que a Liturgia de São Tiago Apóstolo é o rito local original de Jerusalém. O que nos leva a perguntar sobre a relação com a célebre liturgia do oitavo livro das Constituições Apostólicas. É óbvio que as duas estão relacionados. (A questão é debatida na Liturgia de Antioquia). Também é óbvio que o rito segundo a Constituição Apostólica é mais antigo. A do Apóstolo São Tiago deve ser considerada uma versão mais recente, aumentada e expandida. Mas a Liturgia das Constituições Apostólicas não é da Palestina, mas de Antioquia (é o que se mostra neste mesmo artigo). O rito do Apóstolo São Tiago é, pois, uma adaptação do outro (não necessariamente do mesmo que temos nas Constituições Apostólicas, mas do antigo rito da Síria, (do qual as Constituições Apostólicas nos dão uma versão para uso local em Jerusalém). Depois, se estendeu por todo o Patriarcado. Vale recordar que, até o Concílio de Éfeso (431), Jerusalém pertencia ao Patriarcado de Antioquia. Tendo chegado à Antioquia, esta liturgia substituiu o antigo rito das Constituições Apostólicas. Adotada sem qualquer alteração em Antioquia (a referência a “Santa e gloriosa Sião” foi mantida sem alteração) e imposta com nova autoridade, agora de Igreja Patriarcal.

As descoberts mais recentes que temos de um rito de Antioquia mostram que este é o rito de São Tiago Apóstolo. Não há nenhuma evidência externa de que o rito da Constituição Apostólica fosse usado em qualquer outro lugar; somente através de muito esforço foi possível deduzir que o sírio é o de Antioquia. Sob esta nova denominação de Liturgia de Antioquia, o rito de São Tiago Apóstolo foi usado na Síria, Palestina e Ásia menor. Quando Jerusalém tornou-se Patriarcado, manteve este mesmo uso. A liturgia de São Tiago Apóstolo existe em grego e siríaco. É provável que tenha sido originalmente usado indistintamente em qualquer destes idiomas, em grego nas cidades helênicas e em siríaco na Síria.  Da relação entre estas duas versões podemos dizer com certeza que a versão grega atual é a mais antiga. A liturgia siríaca atual é uma tradução do grego. Há boas razões para supor que em Jerusalém, como em todos os outros lugares, a língua litúrgica original fosse o grego. As igrejas monofisitas que surgiram nos séculos V e VI, na Síria, mantiveram o rito de São Tiago Apóstolo, em siríaco. Os ortodoxos usaram este rito na versão grega até ter sido substituído pelo Rito de Constantinopla, por volta do século XII. Atualmente, o antigo rito de Jerusalém é usado, em siríaco, pelos jacobitas e pelos siríacos unidos; também, na versão siríaca modificada, por maronitas. A versão grega foi reintroduzida pelos ortodoxos em Jerusalém uma vez por ano – dia 31 de dezembro.

Escrito por Adrian Fortescue. Transcrito por Joseph P.  Thomas.
Tradutor (español): Domingo Latorraca Donato – 14/outubro/2007.
Tradutor (portugués): Pe. André Sperandio 13/outubro/2016.

Em resumo:

O “Rito de Jerusalém” é a liturgia mais antiga da cristandade. Tornou-se célebre por ter sido o esboço e o início do desenvolvimento dos vários ritos litúrgicos, particularmente no Oriente. Originalmente, foi a liturgia local de Jerusalém e não outra senão a liturgia celebrada por São Tiago, primeiro Bispo de Jerusalém e o “irmão do senhor”.

Evidências históricas de suas origens estão até mesmo no próprio texto. Por exemplo, uma clara alusão à lugares sagrados de Jerusalém aparece após a Epíclese: “Oferecemos-te ó Senhor, por teus santos lugares, que glorificaste com aparições divinas de teu Cristo e pela vinda do teu Espírito Santo, especialmente a santa e gloriosa Sião, mãe de todas as Igrejas” (Sião, na linguagem cristã originária, referia-se sempre à Igreja local de Jerusalém).

Temos evidências posteriores nos discursos catequéticos de São Cirilo de Jerusalém, que tiveram lugar no ano 348 na Igreja do Santo Sepulcro. É óbvio que descrevam a Liturgia como era conhecida por seus ouvintes, e é também evidente que a Liturgia de São Cirilo é a que agora conhecemos como de São Tiago.

A liturgia atribuída a São Tiago expandiu-se através do Patriarcado de Jerusalém. (Note-se que até o Concílio de Éfeso, Jerusalém pertencia ao Patriarcado de Antioquia). Assim, a liturgia de São Tiago tornou-se a Liturgia de Antioquia, tomando o lugar do rito das Constituições Apostólicas.

Adotada sem qualquer alteração em Antioquia (a referência a “Santa e gloriosa Sião” foi mantida sem alteração) e imposta com nova autoridade, agora de Igreja Patriarcal. Os ortodoxos usaram este rito na versão grega até ter sido substituído pelo Rito de Constantinopla, por volta do século XII. Atualmente, o antigo rito de Jerusalém é usado, em siríaco, pelos jacobitas e pelos siríacos “da Unidade”; também, na versão siríaca modificada, pelos maronitas. A versão grega foi reintroduzida pelos ortodoxos em Jerusalém uma vez ao ano – dia 31 de dezembro, festa da Divina Liturgia de São Tiago. Hoje, além de seu valor histórico, é uma oportunidade aos cristãos modernos de beber e serem formados pela fonte original da piedade litúrgica que inspirou, de um ponto para outro, todas as famílias litúrgicas.

 

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