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Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo

o trigésimo nono dia após a Páscoa o Oriente bizantino celebra, ao mesmo tempo, o encerramento ou conclusão da festa da Ressurreição de Jesus Cristo - da qual se retomam quase todos os textos litúrgicos - e a Pré-festa da Ascensão de Nosso Senhor.

Subiste glorioso ao céu, Cristo nosso Deus,
enchendo de júbilo os discípulos
com a promessa do Espírito Santo
e confirmando-os com a tua bênção,
pois tu és o Filho de Deus, o Redentor do mundo.

Tropário da festa (4º tom)

O triunfo do Salvador que, com o seu corpo glorificado, volta para o céu para sentar-se à direita do Pai, era celebrado em Jerusalém com grande solenidade desde a mais remota antiguidade. Encontramos testemunhos num fragmento de Eusébio († 325) e no relato vivaz da peregrina Etéria. O Monte das Oliveiras em Jerusalém, onde se realizou o evento, já de per si convidava a uma comemoração festiva, que bem cedo se estendeu às demais Igrejas.

O conteúdo da festa é sintetizado pelo kondákion que, juntamente com o tropário acima apresentado, será repetido por oito dias após a Ascensão.

Tendo cumprido o plano salvífico sobre nós,
e reunido as criaturas terrestres às celestes,
ascendeste ao céu em glória, Cristo nosso Deus,
sem contudo te afastares de nós,
mas permanecendo conosco clamas aos que te amam:
Eu estou convosco e ninguém prevalecerá contra vós!

Kondákion (6º tom)

Não obstante se trate de uma separação entre o Mestre e seus discípulos, os textos litúrgicos conservam o caráter alegre da festa, como neste:

...Tu que, na tua ascensão,
cumulaste de júbilo os apóstolos e a Mãe que te gerou,
faz-nos dignos também a nós da alegria de teus eleitos,
graças aos seus rogos e à tua grande misericórdia.

A Virgem Santíssima e os apóstolos estão bem visíveis no ícone da festa, que há mais de um milênio acompanha a celebração litúrgica da festa da Ascensão. Basta pensar que remontam ao século V e VI as assim chamadas «galhetas de Monza», que fazem parte do tesouro da catedral daquela cidade, e em cujo lado arredondado está pintado o evento da Ascensão semelhante ao que vemos pintado nos ícones dos séculos sucessivos até aos pintados em nossos dias. Vamos nos deter um pouco para examinar o ícone da Ascensão que atualmente se encontra exposto na Galeria Tretjakov de Moscou. No alto, inscrito num círculo com raios luminosos, a figura do Cristo em sua majestade; o círculo é sustentado por dois anjos. No registro inferior, separado inclusive por tufos de árvores de oliveira que emergem de um fundo rochoso, dois grupos de apóstolos para os quais «dois homens em brancas vestes» dirigem as palavras que encontramos nos Atos dos Apóstolos: «Homens da Galiléia, que estais aí a contemplar o céu? Esse Jesus, que vos foi arrebatado, virá do mesmo modo que para o céu o vistes partir» (1:11). A idéia da segunda vinda de Jesus se encontra no Próprio da Festa, inspirando uma súplica. Diz um kathisma:

Levado pelas nuvens do céu,
após ter deixado a paz aos habitantes da terra,
subiste ao céu e te sentaste à direita do Pai,
consubstancial a ele e ao Espírito;
mesmo tendo-te mostrado na carne,
de fato permaneceste sem mudança.
Por isso aguardas o cumprimento de cada coisa
para voltar à terra para julgar o mundo inteiro.
Justo juiz, Senhor, preserva as nossas almas
e concede aos teus servos o perdão dos pecados,
tu és Deus misericordioso.

Voltando a observar o ícone da festa, o que nos chama a atenção é a centralidade da Mãe de Deus, o destaque que os dois «em brancas vestes» lhe dão, separando-a ligeiramente dos apóstolos. Depois da subida ao céu de Jesus, Maria Santíssima toma-se o centro moral da Igreja, por ela tão bem representada num gesto de orante, com as mãos erguidas em sinal de súplica. E também nos textos litúrgicos bizantinos da festa da Ascensão a Virgem tem um destaque bem mais marcante em relação à liturgia ocidental. Um destes textos explica tal afirmação:

«... convinha de fato que aquela que, como Mãe, tinha sofrido mais que qualquer outro na tua paixão, fosse cumulada de alegria acima de qualquer outra alegria, na glorificação do teu corpo...»

Ademais, todas as Odes do Cânon terminam com uma prece mariana, o que não acontece nas demais festas maiores do Senhor. Por vezes é uma prece de súplica:

Imaculada Mãe de Deus,
intercede incessantemente junto do Deus
que de ti tomou carne
sem que se afastasse do seio do Pai,
para que salve de toda tentação os que criou.

(Ode primeira)

Ou então é uma exaltação:

Salve, Mãe de Deus,
Genitora de Cristo Deus:
hoje, ao ver subir com os anjos aquele que geraste,
tu o exaltas!

(Ode nona).

Outros temas poderiam se observar nos textos litúrgicos, mas nos limitaremos a dois. A missão terrena de Jesus, chegada ao seu cumprimento, se une à promessa de enviar o Espírito Santo.e mais vezes se reza: «...envia, Senhor, o teu santíssimo Espírito, que ilumina nossas almas.»

E no começo da Litia:

Subindo aos céus de onde vieste,
não nos deixes órfãos, Senhor;
desça sobre nós o teu Espírito,
portador de paz ao mundo;
contemplem os filhos dos mortais
as obras do teu poder, ó Amigo dos homens.

Enfim, devemos lembrar que o triunfo de Cristo é agora também o de seus seguidores para os quais ele foi «preparar um lugar» no seu Reino, aliás na unidade de seu Corpo místico também nós já fazemos a nossa entrada no céu. Isso é afirmado num hino do ofício matutino:

Tu que desceste dos céus à terra
e, como Deus, reergueste a estirpe de Adão
humilhada nos grilhões do Hades,
com a tua ascensão, ó Cristo,
faze-a subir ao céu
e sentar-se contigo no trono do teu Pai,
pois tu és compassivo e amigo dos homens.


Fonte:

«O ANO LITÚRGICO BIZANTINO», Madre Maria Donadeo

 

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