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As Doze Festas do Calendário Litúrgico Bizantino Pentecostes
Os textos dos Ofícios unem, porém, os dois aspectos do mistério e já nas Vésperas encontramos seja um breve hino trinitário muito conhecido, porque cantado a cada liturgia eucarística, logo depois da comunhão dos fiéis: Vimos a verdadeira luz, Seja a invocação ao Espírito Santo com a qual começam quase todas as orações litúrgicas e particulares dos fiéis ortodoxos e católicos de rito bizantino: Rei celeste, Consolador, Espírito de verdade, No ofício das Vésperas, três leituras tiradas do Antigo Testamento (Nm 11:16-17.24-29; Jl 3:1-2 e Ez 36:24-28) evocam as obras do Espírito em épocas longínquas, para fazer melhor entender a ação transformadora ocorrida nos apóstolos nos inícios da história do Reino de Deus, assim sintetizada no tropário (8º tom) conclusivo: Bendito és tu, Cristo nosso Deus, Outro hino, repetido várias vezes durante a semana de Pentecostes, é o kondakion, que faz alusão ao fato bíblico da confusão das línguas durante a construção da torre de Babel: Quando o Altíssimo desceu à Terra Kondakion (8º tom) É sabido que importância têm na teologia e na liturgia bizantina a pessoa e a obra do Paráclito; o Ofício de Pentecostes, em vários momentos, se detém em descrevê-las. É suficiente, como exemplo, este hino tirado das Laudes: «O Espírito Santo era, é e será sem princípio e sem fim, O ícone da festa, com sua mensagem visual, reforça nos fiéis o conhecimento do evento e do mistério de Pentecostes. Também ele se fundamenta no dado escriturístico (At 2), porém com uma releitura eclesial que, no seu tratado Hermenêutica da pintura, Dionísio de Furná no século 18, relatando uma tradição quase milenária, assim expõe. «Os doze Apóstolos estão sentados em círculo e, abaixo deles, numa pequena abóbada semicircular, está a figura de um velho com uma coroa na cabeça; com ambas as mãos segura uma faixa na qual estão envolvidas doze cartas. Sobre a cabeça aparece a inscrição: 'O Cosmo...´» O mundo inteiro, representado pelo velho homem coroado, prisioneiro das trevas do mal e que estende os braços para receber os doze rolos, isto é, a pregação apostólica, é, dessa maneira, iluminado pelo evento de Pentecostes que continua ainda hoje: estende-se no anúncio missionário e alcança também a nós. Se no universo perdura o "mistério da iniqüidade" em tantos acontecimentos e situações dolorosas, a graça e a luz do Espírito pode renovar e divinizar tudo. No ícone descrito, aparece no centro a Virgem numa atitude orante e, ao mesmo tempo, de acolhida; à sua direita está São Pedro e os outros apóstolos. Entre eles podemos ver anacronismos como, por exemplo, as imagens de São Paulo ou de alguns evangelistas indicados pelos nomes inscritos nos nimbos, como querendo melhor sublinhar a ação permanente do Espírito Santo que funda e anima a Igreja. No alto, ao centro, o fogo da divindade, da qual se depreendem línguas de fogo colocadas sobre a cabeça da Mãe de Deus e dos apóstolos. Afirma outro hino litúrgico: O Espírito Santo distribui todos os benefício, Sete longas orações, recitadas pelo celebrante ajoelhado, como também todos os fiéis, constituem uma particularidade da festa de Pentecostes; fazem parte do ofício das Vésperas do domingo à tarde. A autoria da primeira oração é atribuída a São Basílio. Somente elas mereceriam um tratado à parte. Entre os hinógrafos da festa cujos nomes chegaram até nós, assinalamos: São Romanós, o Melode, que compôs uma oração recitada depois do kondakion e que na Quaresma bizantina é repetida todos os dias na Hora terça; Leão, imperador bizantino († 912), compôs um comentário ao Triságion e São Cosme de Maiúma, autor do primeiro Cânon no ofício das Matinas. Esses autores são os representantes daquela Igreja indivisa do primeiro milênio em que cristãos do Oriente e do Ocidente, mesmo com algumas diversidades, viviam unidos, testemunhando melhor que, graças aos apóstolos, sustentados pelo Paráclito, «o mundo inteiro é iluminado para honrar a Santa Trindade.» A força divina, descida hoje sobre nós, Ode Quinta do Cânon Invoquemos, pois, o Espírito Santo também para o restabelecimento da unidade plena entre os cristãos, para o louvor e glória da Santíssima Trindade! Fonte: «O ANO LITÚRGICO BIZANTINO»
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