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06 de Janeiro: Santa Teofania de Nosso Senhor Jesus Cristo
Era um dia em que os catecúmenos recebiam solenemente o batismo, como na Páscoa. Os textos litúrgicos da festa da Teofania resumem bem os mistérios fundamentais da fé cristã: encarnação do Verbo, com muitas alusões ao nascimento, e a unidade de Deus na Trindade. Os textos do Próprio são abundantes, também porque a pré-festa começa no dia 2 de janeiro e a pós-festa prolonga-se até o dia 14 do mesmo mês. O tropário principal, por isso o mais repetido, assim reza: Em teu batismo no Jordão, Senhor, O kondakion da festa, também ele muito repetido, é de Romanós, o Melode. Hoje, Senhor, te manifestaste ao universo, A manifestação, a Teofania, ocorreu nas águas do Jordão na hora em que Cristo foi batizado; é o que confirma também o ícone da festa, no qual vemos Cristo Jesus, despido das vestes habituais, imerso na água. À sua direita vemos João Batista, humildemente curvado, que por obediência lhe dá o batismo. A cena de fundo mostra um deserto estilizado com uma amostra de vegetação. Do lado oposto estão uns anjos, atônitos, considerando o admirável evento. Suas mãos estão encobertas pelas extremidades dos mantos, sinal de respeito habitual, nesse caso também sinal de disponibilidade em servi-lo quando sair das águas. No alto do ícone, além do nome "Teofania do nosso Salvador Jesus Cristo," escrito em caracteres abreviados, notamos um semicírculo que indica os céus abertos e do qual desce um raio que, após a figura da pomba, torna-se tríplice, clara alusão à Trindade. No nimbo cruciforme do Cristo notam-se as três letras gregas significando «Aquele que é». Voltemos aos textos litúrgicos nos quais encontramos a explicação da festa. Num dos textos das Vésperas, São João Damasceno (†749) afirma: Querendo salvar o homem perdido, Senhor Deus, São Cosme de Maiúma (†760), no Cânon Matutino explica: «O Senhor que tira a impureza dos homens, purificando-se por eles no Jordão, fez-se voluntariamente semelhante a eles, permanecendo contudo o que era; e ilumina os que estão nas trevas, porque recobriu-se de glória.» E evoca o ensinamento profético: «Isaías proclama: Lavai-vos, purificai-vos, despojai-vos da vossa malícia perante o Senhor; vós que tendes sede aproximai-vos da água viva. Cristo de fato vos asperge com a água renovando os que se aproximam com fé, e batiza no Espírito para a vida eterna.» Por fim, nas Laudes, assim se expressa o Patriarca Germano (†733): Luz da luz, Cristo nosso Deus, Ao ser batizado no Jordão, Salvador nosso, A verdadeira luz apareceu e a todos ilumina. Uma cerimônia muito antiga, a bênção da água, caracteriza a festa do dia 6 de janeiro. Após o ofício das Vésperas, ou depois da Liturgia eucarística, celebrantes e fiéis dirigem-se a um curso de água, uma fonte, ou então a uma bacia de água colocada no meio da igreja, enquanto o coro canta: A voz do Senhor ecoa sobre as águas dizendo: E acrescenta o tropário da festa (já apresentado na p. 49). Seguem as leituras bíblicas, entre as quais Mc. 1:9-11, uma longa prece litânica, na qual se pede também para que a água sirva para a cura da alma e do corpo. O sacerdote acrescenta uma antiga e longa oração e mergulha por três vezes a cruz na água dizendo: Tu mesmo, Senhor, A água é bebida em parte pelo povo e, com ela, o sacerdote asperge os fiéis e suas casas. Aqui não se trata da bênção da água para o batismo, embora se encontrem referências bíblicas comuns. O tema do Cristo, luz do mundo, que insistentemente aparece nos textos litúrgicos da festa, explica o porquê da denominação «Festa das luzes» dado às vezes a essa solenidade. Nela vibra também um sentido cósmico: «Hoje resplandece toda a criação...» «as criaturas celestes fazem festa unidas às terrestres...» e o convite se estende até nós, para que possamos tomar parte na alegria do mundo redimido e iluminado pelo nosso Senhor Jesus Cristo. Fonte: «O ANO LITÚRGICO BIZANTINO»
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