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Indicção do Novo Ano Eclesiástico

Tradução: Igúmeno Lucas

Pequena pesquisa baseada em textos de "Synaxaire Orthodoxe e Calendrier des Scooters Orthodoxes en France" - Tradução do Monastério dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo (Herzegovina)

 

Igreja de Cristo celebra neste dia a Indicção que, cuja terminologia romana significa limite, o que quer dizer o inicio do ano eclesiástico. Este termo vem da prática de que os imperadores romanos faziam cobrar, a cada ano, nesta época, um imposto sobre os seus súditos para a manutenção da armada. A taxa deste imposto anual era fixada a cada (todos os) 15 anos. E por isso que, igualmente, chamamos indiccão os ciclos de 15 anos que começam sob César Augusto, 3 anos antes do nascimento de Cristo segundo a carne.

De outra parte, o mês de setembro é a época onde regressam os frutos das colheitas nos celeiros, preparando-se ao novo ciclo agrícola e dando graças a Deus pela sua benignidade para com a Criação. Faziam já assim os judeus sob o regime da antiga Lei. O primeiro dia de seu sétimo mês (inicio de Setembro), eles celebravam a Festa das Trombetas, cessando todo trabalho a fim de se consagrarem somente a oferenda de sacrifícios de agradável aroma e em louvor a Deus (Lv. 23, 24-25).

O Cristo, Filho e Verbo de Deus, Criador do tempo e do espaço, Rei pré-eterno de todos os séculos - que encarnou a fim de conduzir todas as coisas à unidade e reconciliar todos os homens, tanto judeus como pagãos em uma única Igreja - quis também unir nele mesmo as coisas submissas às leis naturais e aquilo que ele havia promulgado pela Lei escrita. E por isso, que neste dia, onde a natureza se prepara a desenrolar um novo ciclo de suas estações, nós comemoramos o episodio onde o Senhor Jesus Cristo dirige-se à Sinagoga e, abrindo o livro de Isaias, lê a passagem onde o Profeta diz em seu Nome: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor.» (Lc. 4,18-19).

Em primeiro de setembro de 312, Constantino I, o Grande, pôs fim as perseguições aos cristãos aos quais ele concede o direito de praticar livremente sua fé. Em comemoração deste acontecimento, o Primeiro Concílio dos Padres da Igreja, reunido em Nicéia em 325, decide tomar esta data como inicio do ano eclesiástico. Esta data foi assim adotada como marco do inicio do ano civil em todo o Império Romano. Quaisquer que tenham sido as modificações, desde então, a Igreja manteve sempre o Primeiro de Setembro como início do Ano Eclesiástico. O ano eclesiástico começa e termina com uma grande festa litúrgica dedicada a Virgem: sua Natividade, em 08 [21] de Setembro,e sua Dormição dia 15 [28] de Agosto, enquanto que as grandes festas do Senhor, que comemoram os grandes eventos de Sua vida terrena, compreendendo o Pentecostes, se inserem naturalmente entre os limites da existência terrestre de sua Mãe, testemunha de todos estes acontecimentos.

O dia do ano eclesiástico não interfere no curso do ciclo litúrgico anual, que tem início após Pentecostes, a partir do qual a alternação dos 8 tons - Oktoikos - (livro dos 8 tons) se sucedem até ate a Grande Quaresma seguinte, período no qual utilizamos o Triódio da Quaresma.

FONTE:

Boletim Interparoquial - Órgão Informativo da Diocese Ortodoxa do Rio de janeiro e Olinda-Recife da
Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia.

 
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