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E C C L E S I A
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O Grande Sábado Santo

«Orthros»

I - Introdução

Ofício de Orthros (Matinas e Laudes) é uma calma meditação sobre o mistério de Cristo, adormecido no túmulo, esperando a hora da sua ressurreição. Ele está inteiramente penetrado dum profundo sentimento de fé e de esperança.

A sua parte característica é um longo poema em três estâncias cujos tropários se destinam a ser intercalados entre os versículos do salmo 119, que deve ser dito neste dia. São lamentações formando um longo "threne" que as santas mulheres são supostas de cantar junto do túmulo. Na seqüência, os "evlogitaria" da Ressurreição, pois a Igreja sabe que o adormecimento de Cristo é apenas temporário e que a sua estadia no túmulo não é mais que um sono reparador, sucedendo a um duro combate e precedendo um retumbante triunfo.

O cânone tem por objeto a descida de Cristo aos infernos e a sua vitória sobre a morte. Ele está já inteiramente repleto do pensamento da Ressurreição e da imortalidade que ela confere aos crentes.

Após a Grande Doxologia, tem lugar uma procissão com o Epitaphios, cortejo fúnebre que transportou ao túmulo o santo corpo do Senhor, e canta-se o Triságion à maneira das cerimônias fúnebres.

Enfim, o ofício termina por três leituras: profecia, epístola e evangelho.

Antes da despedida todos vêm uma vez ainda venerar o Epitáfio.

Orações Iniciais

Diante das Portas Reais (fechadas) o diácono, com uma vela na mão, exclama:
Diácono: Abençoa, Mestre!
Sacerdote: Bendito seja o nosso Deus, a todo momento,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos.
Coro: Amém
Segue-se a incensação inicial da igreja.
Leitor: Rei celestial, Consolador, Espírito da verdade,
presente em toda parte e ocupando todo lugar,
tesouro dos bens e dispensador da vida,
vem e habita em nós,
purifica-nos de toda a mancha
e salva, ó Filantropo, as nossas almas!
  Santo Deus , Santo poderoso, Santo imortal,
tem piedade de nós. (3 vezes)
  Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.
  Santíssima Trindade, tem piedade de nós;
Senhor, concede-nos a remissão de nossos pecados;
Mestre soberano, perdoa as nossas ofensas;
ó Santo, volta teu olhar para nós
e cura nossas doenças, pelo teu santo nome.
  Kyrie, eleison! (3 vezes)
  Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.
  Pai nosso que estás nos céus,
santificado seja o teu nome;
venha a nós o teu reino,
seja feita a tua vontade,
assim na terra como no céu.
  O pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
perdoa-nos as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos aos nossos devedores,
e não nos deixes cair em tentação,
mas livra-nos do mal.
Sacerdote: Pois teu é o Reino, o Poder e a Glória, Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre, pelos séculos dos séculos.
Leitor: Kyrie, eleison! (12 vezes)
  Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.
Coro: Amém.

Ofício Real

Leitor: Vinde adoremos e prostremo-nos
diante de Deus, nosso Rei!
  Vinde adoremos e prostremo-nos
diante de Cristo Deus, nosso Rei.
  Vinde adoremos e prostremo-nos
diante de Cristo, nosso Rei e nosso Deus.
Salmos 20 e 21
O leitor canta os salmos 20 e 21, seguidos de:
Leitor: Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.
Tropários
Leitor: Salva, Senhor, o teu povo
e abençoa a tua herança!
Concede à tua Igreja a vitória sobre o mal
e guarda o teu povo pela tua Cruz.
  Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo...
  Ó Cristo Deus, que voluntariamente foste suspenso à Cruz,
tem compaixão do povo que traz o teu Nome.
Alegra, pelo teu poder, a tua santa Igreja
dando-lhe a vitória sobre o mal.
Que tua aliança seja para nós
uma arma de paz e um troféu de vitória.
  Agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.
  Temível protetora, que não temes a confusão,
sê atenta a voz de nossa súplica,
ó bondosa e venerada Mãe de Deus;
consolida as nações ortodoxas,
salva aqueles que foram instituídos para governar
e, do alto do céu, concede-lhes a vitória,
pois tu deste à luz nosso Deus, ó Santíssima.
Súplica Insistente
Diácono: Tem piedade de nós, ó Deus, segundo a tua grande misericórdia,
nós te suplicamos, escuta-nos e tem piedade de nós.
Coro: Kyrie, eleison! (3 vezes, e assim a cada súplica)
Diácono: Oremos, pelo nosso santo pai o patriarca N. ... ,
pelo nosso metropolita N. ... ,(arcebispo ou bispo),
e pela venerável ordem dos sacerdotes e dos diáconos em Cristo.
  Oremos, pelos servos de Deus N. ... (os monges deste santo monastério)
os habitantes deste país, desta cidade e por todos os fiéis ortodoxos:
Sacerdote: Pois tu és um Deus Filantropo, e nós te glorificamos,
Pai , Filho e Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos.
Coro: Amém.

Salmos Matutinos

Bênção
Diácono: Em nome do Senhor, abençoa, Mestre!
Sacerdote: Gloria a Santíssima Consubstancial, Vivificante e Indivisível Trindade,
a todo momento, agora e sempre, pelos séculos dos séculos.
Coro: Amém.
Hexapsalmo
Leitor: Glória a Deus no mais alto dos céus,
paz na terra e benevolência aos homens! (3 vezes)
  Abre , Senhor, os meus lábios
e a minha boca proclamará o teu louvor. (2 vezes)
O sacerdote sai do santuário pela porta norte para fazer as orações secretas diante das portas reais.
Salmos 3, 38 e 63
O leitor canta os salmos 3, 38 e 21, seguidos de:
Leitor: Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.
  Aleluia, aleluia, aleluia! Glória a Ti, ó Deus! (3 vezes)
Salmos 88, 103 e 143
O leitor canta os salmos 88, 103 e 143, seguidos de:
Leitor: Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.
  Aleluia, aleluia, aleluia! Glória a Ti, ó Deus! (3 vezes)
Enquanto o leitor canta ou recita os salmos, o sacerdote dirige para as portas santas e, parando diante delas, recita silenciosamente as orações:

Orações Matutinas

Sacerdote: Nós te damos graças, Senhor nosso Deus,
que nos fizeste levantar de nossos leitos
e colocaste em nossos lábios uma palavra de louvor,
de adoração e de invocação do teu santo Nome.
Nós te pedimos, pela benignidade com que tens cumulado a nossa vida,
envia teu auxílio sobre os que se apresentam diante da tua santa glória
e que esperam a tua abundante misericórdia,
e concede-lhes, a eles que te servem com temor e amor
e louvam a tua indescritível bondade.
  Pois a Ti pertencem toda a glória, honra e adoração,
Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
Segunda Oração
Sacerdote: De madrugada nossos corações se voltam para Ti,
porque teus mandamentos iluminam a terra.
Desejamos praticar a caridade e a santidade
vivendo em teu temor,
pois é a Ti que nós glorificamos,
tu, nosso Deus verdadeiro.
Ouve-nos e atende-nos,
lembra-te, Senhor, de todos aqueles que te fizeram súplicas,
de cada um por seu nome,
e atende-os por teu poder.
Salva o teu povo e abençoa a tua herança!
Dá a paz ao mundo que é teu, às tuas Igrejas,
aos teus servos e a todo teu povo.
  Pois o teu bendito Nome é digno de toda honra e exaltação,
ó Pai , Filho e Espírito Santo, agora e sempre pelos séculos. Amém
Terceira Oração
Sacerdote: De madrugada nossos corações se voltam para Ti,
porque teus mandamentos iluminam a terra.
Ensina-nos, Senhor, a tua justiça,
os teus preceitos e os teus julgamentos;
ilumina os olhos de nosso entendimento,
e as trevas de nosso coração,
para que não adormeçamos em pecado.
Concede-nos a graça do sol de justiça;
protege a nossa vida dos ataques do mal,
pelo selo do teu Santo Espírito;
guia nossos passos no caminho da paz;
concede-nos ver com alegria a aurora deste dia,
para elevarmos a Ti as nossas orações matutinas.
  Pois a Ti pertencem o reino, o poder, a força e a glória,
Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém
Quarta Oração
Sacerdote: Ó Deus, santo e inacessível,
que ordenaste à luz iluminar as trevas,
e nos concedeste, depois do repouso noturno
levantar-nos pela manhã para louvar tua bondade,
e comovidos, suplicar por tua grande misericórdia,
atende-nos, a nós que te clamamos,
em adoração e ação de graças,
e concede-nos o que te pedimos para a nossa salvação.
Torna-nos filhos da luz e do dia,
e herdeiros dos teus bens eternos.
Lembra-te, Senhor, em tua abundante compaixão,
do teu povo que reza conosco,
e de todos os nossos irmãos e irmãs,
que, em toda parte do mundo, estão sujeitos ao teu poder
e imploram por tua imensa misericórdia.
Atende-nos, Senhor, em teu grande amor pela humanidade,
para que, salvos da alma e do corpo,
possamos, livremente, louvar sem cessar,
o teu admirável e magnífico Nome,
Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Quinta Oração
Sacerdote: Pai Santo, Tesouro de bens,
Fonte inesgotável, Autor das coisas prodigiosas,
todo-poderoso e Mestre de todas as coisas,
Nós te adoramos e te pedimos,
apelando à tua piedade e compaixão,
o auxílio e o socorro da nossa miséria.
Lembra-te de nós, Senhor, que te suplicamos!
recebe a nossa oração matutina
como o incenso que se eleva diante de Ti
e concede que nenhum de nós seja excluído,
mas, protege-nos, por a tua compaixão.
Lembra-te, Senhor dos que vigiam e cantam à tua glória,
do teu Filho Único, nosso Deus e teu Espírito Santo.
Sê nosso amparo e nosso auxílio,
e recebe as nossas orações no teu altar celeste e espiritual.
  Pois que tu és o nosso Deus e nós te damos glória,
Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém!
Sexta Oração
Sacerdote: Nós te damos graças, Senhor, Deus da nossa salvação,
por tudo o que fazes para o bem da nossa vida,
para que, sem cessar, nossos olhos estejam voltados para Ti,
Salvador e Benfeitor das nossas almas.
Pois concedeste-nos repousar durante a noite,
e despertaste-nos dos nossos leitos
para a adoração do teu Nome venerável.
Por isso te pedimos, Senhor,
concede-nos graça e força,
para que sejamos dignos de cantar sem cessar a tua honra,
com temor e tremor,
para a nossa própria salvação,
com o auxílio do teu Cristo.
Lembra-te, Senhor,
daqueles que ao nascer do dia clamam à Ti;
atende-os e tem piedade deles,
esmaga sob seus pés os inimigos invisíveis.
  Pois que tu és o Rei da Paz e Salvador das nossas almas
e nós te damos glória, Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém!
Sétima Oração
Sacerdote: Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
que nos fizeste levantar de nossos leitos
e que nos reuniste para a oração comum,
dá-nos a graça de abrirmos nossos lábios
e acolhe as nossas ações de graças;
ensina-nos a tua justiça,
pois não sabemos orar como deve ser,
se tu, Senhor, não nos ensinares pelo teu Espírito Santo.
Por isso te pedimos:
livra-nos, reabilita-nos, perdoa nossos pecados
cometidos por palavras, atos ou pensamentos,
voluntária ou involuntariamente.
Pois se tu expias as nossas iniqüidades, Senhor,
Senhor quem as pode manter?
Pois que é em Ti que está a nossa redenção.
Só Tu és Santo, Salvador e poderoso defensor da nossa vida
e para Ti se eleva o nosso cântico para sempre.
  Que a força do teu reino seja bendita e glorificada,
Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
Oitava Oração
Sacerdote: Senhor, nosso Deus,
que dissipaste em nós a indolência do sono,
e que nos fizeste ouvir teu santo chamamento
para que, durante a noite, elevássemos as mãos
para te honrar pelos teus justos julgamentos,
recebe os nossos pedidos, as nossas súplicas,
as nossas homenagens e adorações noturnas.
Concede-nos, ó Deus, uma fé sólida,
uma esperança firme e uma caridade não dissimulada;
abençoa as nossas entradas e saídas,
os nossos trabalhos e ações,
as nossas intenções e palavras,
e concede-nos chegar ao princípio do dia,
cantando e bendizendo a grandeza de tua bondade.
  Pois teu santo Nome é bendito e teu Reino glorificado,
ó Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
Nona Oração
Sacerdote: Ó Senhor, Deus de amor e bondade
faze brilhar em nossos corações
a luz incorruptível do teu conhecimento;
abre os olhos da nossa inteligência
para que possamos compreender
a mensagem do teu santo Evangelho.
Inspira, também, o temor aos teus mandamentos,
a fim de que, reprimindo os desejos da carne,
vivamos segundo o espírito,
orientando todos os nossos atos
de acordo com a tua vontade.
  Pois Tu és a luz de nossas almas e de nossos corpos, ó Cristo Deus,
e nós te glorificamos, assim como ao teu eterno Pai
e ao teu santíssimo, bom e vivificante Espírito,
agora e sempre, e pelos séculos dos séculos.
Décima Oração
Sacerdote: Senhor nosso Deus,
que nos concedestes pela penitência
a remissão dos nossos pecados,
e que, como exemplo de reconhecimento
e confissão dos nossos pecados,
nos mostraste a penitência que fez o Profeta David
para obter o teu perdão,
Mestre, na tua grande misericórdia, tem piedade de nós
que caímos em numerosas e grandes faltas.
Por tua imensa compaixão,
dissipa as nossas iniqüidades
pois foi contra Ti que pecamos, Senhor,
Tu que conheces os recessos invisíveis
e ocultos do coração dos homens
e, somente tu, tens o poder de perdoar os pecados.
Depois de teres estabelecido em nós um coração puro
e de nos firmares pelo Espírito de força,
e de nos fazeres conhecer a alegria da tua salvação,
não nos afastes para longe da tua face,
mas torna-nos dignos, tu que és bom e amigo dos homens,
de te trazer, até nosso último suspiro,
um pão de justiça e uma oferenda sobre o teu santo altar.
  Pela misericórdia e grande amor de teu Filho Unigênito,
com o qual és bendito, e com o teu santíssimo, bom e vivificante Espírito, agora e sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém!
Décima-primeira Oração
Sacerdote: Senhor, nosso Deus,
que submeteste à tua vontade
os poderes espirituais e intelectuais do Universo,
nós te pedimos e suplicamos,
aceita os nossos cânticos,
pelos quais, nós e todas as criaturas
te glorificamos na medida da força,
e concede-nos, as graças abundantes da tua bondade.
Pois diante de Ti dobram os joelhos
os seres celestes, terrestres e infernais,
e toda a criatura canta à tua glória inacessível,
porque só Tu és um Deus Verdadeiro e rico em misericórdia.
  Por isso todos os Poderes celestes te louvam
e nós te glorificamos, Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém!
Décima-segunda Oração
Sacerdote: Nós te louvamos, nós te cantamos,
te bendizemos, te glorificamos, ó Deus de nossos pais,
por nos teres afastado a sombra da noite
e revelado de novo a luz do dia
e suplicamos à tua bondade:
concede a expiação dos nossos pecados,
e recebe a nossa oração
na tua imensa misericórdia,
pois em Ti nos refugiamos, ó Deus onipotente e piedoso.
Faze brilhar em nossos corações o verdadeiro sol da justiça;
ilumina o nosso entendimento
e conserva todos nossos sentidos
a fim de que, caminhando, como em pleno dia,
sob a luz dos teus mandamentos,
sejamos dignos da Luz inacessível.
e alcancemos a vida eterna,
pois em Ti está a fonte da vida.
  Pois que tu és nosso Deus e nós te glorificamos,
Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre, e pelos séculos dos séculos. Amém!
Concluído o Hexapsalmo, o sacerdote entra novamente no santuário, pela porta sul, para a Grande Súplica da Paz. A cada pedido o coro responde cantando: “Kyrie, eleison!”
Grande Súplica da Paz
Diácono: Em paz, oremos ao Senhor!
Coro: Kyrie, eleison! (e assim, a cada súplica)
Diácono: Pela paz que vem do alto e pela salvação de nossas almas,
oremos ao Senhor.
  Pela paz do mundo inteiro, pela estabilidade da santa Igreja de Deus
e pela união de todos, oremos ao Senhor.
  Por este santo templo e por todos que nele entram com fé,
devoção e temor de Deus, oremos ao Senhor.
  Pelo nosso santo pai o patriarca N. ... ,
pelo nosso metropolita N. ... , (arcebispo ou bispo)
pela venerável ordem dos sacerdotes e dos diáconos em Cristo
e por todo o clero e o povo, oremos ao Senhor.
  Pelo Brasil, nosso amado país, protegido por Deus,
seus governantes, forças armadas e por todo o seu povo,
oremos ao Senhor.
  Por esta cidade, por todas as cidades e vilas
e pelos fiéis que nelas residem, oremos ao Senhor.
  Pela salubridade do ar, pela abundância dos frutos da terra
e por tempos pacíficos, oremos ao Senhor.
  Pelos viajantes, doentes, aflitos e cativos
e pela salvação de todos, oremos ao Senhor.
  Para que sejamos livres de toda aflição,
ira, perigo e adversidade, oremos ao Senhor.
  Protege-nos, salva-nos, tem piedade de nós
e conserva-nos, ó Deus, com a tua graça.
Coro: Amém
  Comemorando a nossa santíssima, puríssima,
bendita e gloriosa Senhora, Mãe de Deus
e sempre Virgem Maria e todos os santos,
recomendemo-nos mutuamente, uns aos outros,
e toda a nossa vida, a Cristo nosso Deus.
Coro: A Ti, Senhor!
Sacerdote: Pois a Ti se deve toda a glória, honra e adoração,
Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos.
Coro: Amém.

Versículos Matutinos

Leitor: O Senhor é Deus e a nós se revelou.
Bendito o que vem em nome do Senhor.
Coro: O Senhor é Deus e a nós se revelou...
Leitor: Confessai o Senhor e invocai o seu santo Nome.
Coro: O Senhor é Deus e a nós se revelou...
Leitor: Tentaram-me e perseguiram-me,
mas eu os venci em nome do Senhor.
Coro: O Senhor é Deus e a nós se revelou...
Leitor: É do Senhor que isso nos veio
como um acontecimento admirável aos nosso olhos.
Coro: O Senhor é Deus e a nós se revelou...

Tropários

(Automélio, 2º tom)
  O nobre José desceu do madeiro o teu corpo imaculado,
envolveu-o num lençol puro, cobriu-o de aromas
e depositou-o com cuidado num túmulo novo.
  Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo...
  Quando desceste até a morte, ó vida imortal,
aniquilaste os infernos pelo esplendor de tua divindade;
e quando ressuscitaste os mortos debaixo da terra,
todas as Forças celestes exclamaram:
”Ó Cristo, nosso Deus, autor da vida, glória a Ti!”
  Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
  O Anjo, sentado junto do túmulo,
disse às mulheres portadores de aroma:
“Os aromas convém aos mortos.
Cristo, porém, foi alheio à corrupção”.
Segue a procissão com o Santo Sudário em torno da Igreja.

 

Os Encômios
Em seguida, cantam-se os seguintes tropários ou Evlóguios. Intercalam-se as estrofes entre os versículos do salmo 119 que se divide em 3 Encômios. [O sacerdote, diante do epitáfio (esquife), ladeado pelos ceroferários, incensa-o, bem como aos fiéis, cantando: “Ó Cristo, ó vida ...” O coro ou os fiéis, segurando nas mãos velas acesas, cantam os encômios seguintes:

Primeira Estância:

Leitor: Tu és bendito, Senhor, ensina-me pelos teus mandamentos.
Sl 119, 1: Bem-aventurados os que trilham caminhos retos
e andam na lei do SENHOR.
O sacerdote, incensando o epitáfio, canta, (ou o leitor) a 1ª estrofe dos Evloguios: 1º tom plagal (5º).
Coro: Ó Cristo, ó Vida, foste colocado num túmulo,
e os Exércitos Angélicos ficaram estupefatos,
glorificando a tua condescendência.
O sacerdote prossegue incensando lentamente toda a igreja e os fiéis, enquanto o leitor e o coro alternam o salmo e seus Evloguios.
Sl 119, 2: Bem-aventurados os que guardam os seus testemunhos
e o buscam de todo o coração.
Coro: Como podes morrer, ó Vida, como podes habitar num túmulo?
Na verdade, porém, aniquilaste o poder da morte
e despertaste os mortos nos infernos.
Sl 119, 3: E não praticam iniqüidade,
mas andam em seus caminhos.
Coro: Nós te glorificamos, ó Jesus, nosso Rei,
e veneramos a tua Paixão e sepultura,
pelas quais nos salvaste da corrupção.
Sl 119, 4: Tu ordenaste os teus mandamentos,
para que diligentemente os observássemos.
Coro: Tu, que fixaste os limites da terra, ó Jesus, Rei de todos,
habitais hoje num sepulcro estreito,
ressuscitando os mortos dos túmulos.
Sl 119, 5: Tomara que os meus caminhos sejam dirigidos
de maneira a poder eu observar os teus estatutos.
Coro: Ó Jesus, meu Cristo, Rei de todas as coisas,
que foste buscar junto aos que estão nos infernos?
Porventura, libertar o gênero dos mortais?
Sl 119, 6: Então, não ficaria confundido,
atentando eu para todos os teus mandamentos.
Coro: O Senhor de toda Criação vê-se hoje morto
e, aquele que esvaziou os túmulos dos mortos é posto num túmulo novo.
Sl 119, 7: Louvar-te-ei com retidão de coração,
quando tiver aprendido os teus justos juízos.
Coro: Tu que és a Vida, ó Cristo, foste depositado no túmulo,
pela morte venceste a morte e fizeste brotar a vida np mundo.
Sl 119, 8: Observarei os teus estatutos;
não me desampares totalmente.
Coro: Ó Cristo, foste posto no número dos malfeitores, como malfeitor,
para nos justificar a todos
da maldade de nosso antigo inimigo.
Sl 119, 9: Como purificará o jovem o seu caminho?
Observando-o conforme a tua palavra.
Coro: O mais belo de todos os homens
e que embeleza toda a natureza,
aparece como morto sem forma.
Sl 119, 10: De todo o meu coração te busquei;
não me deixes desviar dos teus mandamentos.
Coro: Como suportará o inferno a tua vinda?
Não ficará antes despedaçado, cego,
ofuscado pelo fulgor resplandecente de tua luz?
Sl 119, 11: Escondi a tua palavra no meu coração,
para eu não pecar contra Ti.
Coro: Ó meu doce Jesus, minha salvação e minha luz,
como te ocultaste num túmulo escuro?
Ó submissão indizível e inefável!
Sl 119, 12: Bendito és tu, ó SENHOR!
Ensina-me os teus estatutos.
Coro: A natureza dos racionais e a multidão dos incorpóreos
ficaram atônitos, ó Cristo, diante do mistério,
incompreensível e indescritível de teu sepultamento.
Sl 119, 13: Com os meus lábios
declarei todos os juízos da tua boca.
Coro: Ó prodígio extraordinário, ó acontecimento estranho!
Aquele que me deu o sopro da vida
é carregado sem vida nos braços de José.
Sl 119, 14: Folgo mais com o caminho dos teus testemunhos
do que com todas as riquezas.
Coro: Agora, o corpo de Deus está oculto sob a terra,
como uma lâmpada de luz debaixo do alqueire
e expulsa as trevas infernais.
Sl 119, 15: Em teus preceitos meditarei
e olharei para os teus caminhos.
Coro: Verdadeiro Rei do céu e da terra,
se bem que encerrado em tão estreito sepulcro:
eis o que toda a criatura reconhecia, ó Jesus!
Sl 119, 16: Alegrar-me-ei nos teus estatutos;
não me esquecerei da tua palavra.
Coro: Quando foste depositado no túmulo, ó Cristo,
os fundamentos do inferno foram abalados,
e os túmulos dos mortos se abriram.
Sl 119, 17: Faze bem ao teu servo,
para que viva e observe a tua palavra.
Coro: Aquele que sustenta a terra com sua mão,
estando morto, é retido corporalmente sob a terra,
enquanto liberta os mortos do constrangimento do inferno.
Sl 119, 18: Desvenda os meus olhos,
para que veja as maravilhas da tua lei.
Coro: Ó minha Vida, tu te levantaste acima da corrupção, meu Salvador,
ainda que morto, mas vivo com os mortos,
despedaçaste as barreiras do inferno.
Sl 119, 19: Sou peregrino na terra;
não escondas de mim os teus mandamentos.
Coro: Agora, o corpo de Deus está oculto sob a terra,
como uma lâmpada de luz debaixo do alqueire
e expulsa as trevas infernais.
Sl 119, 20: A minha alma está quebrantada
de desejar os teus juízos em todo o tempo.
Coro: A multidão dos exércitos espirituais acorre com José e Nicodemos,
para te encerrar num estreito túmulo,
a Ti, a quem o universo não pode conter.
Sl 119, 21: Tu repreendeste asperamente os soberbos,
amaldiçoados, que se desviam dos teus mandamentos.
Coro: Ó meu Jesus, Tu que morreste voluntariamente
e foste depositado no túmulo, Tu, a Fonte de Vida,
vivificaste-me, a mim que tinha sido morto por uma amarga desobediência.
Sl 119, 22: Tira de sobre mim o opróbrio e o desprezo,
pois guardei os teus testemunhos.
Coro: Toda Criação ficou confundida pela tua Paixão
todas as coisas sofreram contigo, ó Verbo,
pois, sabiam que tu conténs todas as coisas
Sl 119, 23: Enquanto os príncipes conspiravam e falavam contra mim,
o teu servo meditava nos teus estatutos.
Coro: Quando o inferno voraz engoliu a pedra da. vida,
ele vomitou os mortos que desde sempre devorara.
Sl 119, 24: Também os teus testemunhos
são o meu prazer e os meus conselheiros.
Coro: Foste depositado num sepulcro novo, ó Cristo,
e renovaste a natureza dos mortais, ao ressuscitares como Deus
Sl 119, 25: A minha alma está pegada ao pó;
vivifica-me segundo a tua palavra.
Coro: Tu Desceste à terra para salvar Adão,
e não o tendo encontrado nela, ó Mestre,
foste procurá-lo até no inferno.
Sl 119, 26: Meus caminhos te descrevi, e tu me ouviste;
ensina-me os teus estatutos.
Coro: A terra toda foi sacudida de medo
e o sol escondeu sua luz, ó Verbo,
quando tua grande luz ocultou-se na terra.
Sl 119, 27: Faze-me entender o caminho dos teus preceitos;
assim, falarei das tuas maravilhas.
Coro: Sendo mortal, tu morres voluntariamente, ó Salvador
e, sendo Deus, ressuscitas os mortais dos túmulos
e do abismo dos seus pecados.
Sl 119, 28: A minha alma consome-se de tristeza;
fortalece-me segundo a tua palavra.
Coro: A toda pura, ó Jesus, chorou por Ti com lágrimas abundantes
e na sua aflição de mãe, exclamou:
”Como te reclinarei, ó meu Filho?”
Sl 119, 29: Desvia de mim o caminho da falsidade
e concede-me piedosamente a tua lei.
Coro: Enterrado, como grão de trigo, nas entranhas da terra,
germinaste uma espiga bem fértil,
ressuscitando os mortais da raça de Adão.
Sl 119, 30: Escolhi o caminho da verdade;
propus-me seguir os teus juízos.
Coro: Ocultaste-te sob a terra, como o sol nesta hora
e revestiste-te da noite da morte;
mas levantas-te com mais fulgor, ó meu Salvador!
Sl 119, 31: Apego-me aos teus testemunhos; ó SENHOR,
não me confundas.
Coro: Como a lua esconde o disco solar, ó Salvador,
O túmulo te mantém agora encoberto,
tu que, na carne, te entregas à morte.
Sl 119, 32: Correrei pelo caminho dos teus mandamentos,
quando dilatares o meu coração.
Coro: A Vida, isto é, Cristo, tendo provado a morte,
libertou os mortais da morte
e agora deu a vida para todos.
Sl 119, 33: Ensina-me, ó SENHOR, o caminho dos teus estatutos,
e guarda-lo-ei até o fim.
Coro: Ó meu Salvador, pela tua morte tornaste a chamar à vida Adão
que, outrora, tinha sido morto pelo desejo,
tu que apareceste encarnado como o novo Adão.
Sl 119, 34: Dá-me entendimento, e guardarei a tua lei
e observa-la-ei de todo o coração.
Coro: Vendo-te as estendido morto por nós, ó meu Salvador,
as falanges espirituais ficaram estupefatas
e cobriam a face com as suas asas.
Sl 119, 35: Faze-me andar na verdade dos teus mandamentos,
porque nela tenho prazer.
Coro: Após teres sido descido morto da Cruz, ó Cristo,
José coloca-te agora no sepulcro;
mas, ressuscitaste salvando todos os homens, pois tu és Deus.
Sl 119, 36: Inclina o meu coração a teus testemunhos
e não à cobiça.
Coro: Ó Salvador, nascido para ser a alegria dos anjos,
tornaste-te, neste momento, causa de sua tristeza
pois contemplam-te, na carne, morto e sem vida.
Sl 119, 37: Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade
e vivifica-me no teu caminho.
Coro: Suspenso no madeiro, elevaste contigo todos os viventes,
e, descendo às profundezas da terra,
ressuscitaste aqueles que nela jaziam.
Sl 119, 38: Confirma a tua promessa ao teu servo,
que se inclina ao teu temor.
Coro: Como um leão, ó Salvador, adormeceste na carne
e como um leãozinho ressuscitaste,
livrando-te do fardo da carne.
Sl 119, 39: Desvia de mim o opróbrio que temo,
pois os teus juízos são bons.
Coro: Como tiraste de Adão uma costela e formaste Eva,
assim o teu lado foi aberto por uma lança
e dele jorraram as fontes da purificação.
Sl 119, 40: Eis que tenho desejado os teus preceitos;
vivifica-me por tua justiça.
Coro: Antigamente o cordeiro era imolado em segredo;
mas tu, ó Salvador, imolado em pleno dia
e aceitando-o plenamente, purificaste toda a Criação.
Sl 119, 41: Venham também sobre mim as tuas misericórdias, ó SENHOR,
e a tua salvação, segundo a tua palavra.
Coro: Quem poderia exprimir algo tão terrível e tão novo?
O Mestre da Criação aceita a dor neste dia e morre por nós.
Sl 119, 42: Assim, terei que responder ao que me afronta,
pois confio na tua palavra.
Coro: "Como se mostra na morte o Intendente da vida?"
exclamavam os anjos no seu assombro.
"Como se encerrou no túmulo, o Senhor?"
Sl 119, 43: E de minha boca não tires nunca de todo a palavra de verdade,
pois me atenho aos teus juízos.
Coro: De teu lado traspassado pela lança, ó Salvador,
fazes jorrar a vida sobre Eva, a mãe da vida
e vivificas-me com ela que me expulsou da vida.
Sl 119, 44: Assim, observarei de contínuo a tua lei,
para sempre e eternamente.
Coro: Estendido sobre o madeiro, ó Jesus, juntaste todos os mortais
da chaga do teu lado, de onde brota a Vida,
tu fazes derramar sobre todos o perdão.
Sl 119, 45: E andarei em liberdade,
pois busquei os teus preceitos.
Coro: Um nobre homem, tremendo, veste teu corpo,
e, com respeito, deposita-o no sepulcro,
e olha estupefato as tuas augustas vestes.
Sl 119, 46: Também falarei dos teus testemunhos perante os reis
e não me envergonharei.
Coro: Como um morto, ó Jesus,
desceste voluntariamente às profundezas da terra
e conduziste aos céus os que nela haviam caído.
Sl 119, 47: E alegrar-me-ei em teus mandamentos, que eu amo.
Coro: Morto na carne, estavas vivo como Deus,
dando vida aos que estavam na morte
e morte à minha mortalidade.
Sl 119, 48: Também levantarei as minhas mãos para os teus mandamentos, que amo,
e meditarei nos teus estatutos.
Coro: Que alegria aquela!
Com que grande deleite cumulaste os mortos detidos no Inferno,
ao fazeres brilhar a luz nas suas profundezas sombrias!
Sl 119, 49: Lembra-te da palavra dada ao teu servo,
na qual me fizeste esperar.
Coro: Eu venero a tua paixão, canto o teu sepulcro,
enalteço a tua força, ó Amigo dos homens,
pois, por elas fui libertado das paixões corruptoras.
Sl 119, 50: Isto é a minha consolação na minha angústia,
porque a tua palavra me vivificou.
Coro: Foi contra Ti que a espada brilhou, ó Cristo,
o gáudio do forte embotou,
e a espada do Éden afastou-se.
Sl 119, 51: Os soberbos zombaram grandemente de mim;
apesar disso, não me desviei da tua lei.
Coro: A Cordeira, vendo o seu Cordeiro imolado,
como por uma espada traspassada, gemeu abundantemente,
levando todo o rebanho a chorar com Ela.
Sl 119, 52: Lembrei-me dos teus juízos antiqüíssimos, ó SENHOR,
e, assim, me consolei.
Coro: Mesmo quando eras colocado no túmulo,
no momento em que ias aos infernos, ó Cristo,
abrias os túmulos dos mortos e despojavas o inferno.
Sl 119, 53: Grande indignação se apoderou de mim
por causa dos ímpios que abandonam a tua lei.
Coro: Voluntariamente descido às profundezas da terra, ó Salvador,
deste a Vida aos mortos e os conduziste à glória paterna.
Sl 119, 54: Os teus estatutos têm sido os meus cânticos
na casa da minha peregrinação.
Coro: Uma das Pessoas da Trindade sofreu por nós
uma morte vergonhosa, em sua carne.
Sl 119, 55: Lembrei-me do teu nome, ó SENHOR, de noite,
e observei a tua lei.
Coro: Os filhos da tribo de Judá, oriundos de uma amarga fonte,
depositaram no fosso a Jesus,
Aquele que os alimentara dando-lhes o maná.
Sl 119, 56: Isto fiz eu, porque guardei os teus mandamentos.
Coro: O Juiz, como um réu, foi apresentado a Pilatos
e condenado a uma morte injusta sobre o madeiro da cruz.
Sl 119, 57: O SENHOR é a minha porção;
eu disse que observaria as tuas palavras.
Coro: Israel, soberbo, de que te queixavas tu,
para libertares Barrabás e entregar à Cruz o teu Salvador.
Sl 119, 58: Roguei deveras o teu favor com todo o meu coração;
tem piedade de mim, segundo a tua palavra.
Coro: Tu, que modelaste Adão com barro, com as tuas próprias mãos,
te fizeste homem por ele e foste crucificado por tua vontade.
Sl 119, 59: Considerei os meus caminhos,
e voltei os meus pés para os teus testemunhos.
Coro: Ó Verbo, obedecendo a teu Pai,
desceste até o inferno e ressuscitaste o gênero humano.
Sl 119, 60: Apressei-me, e não me detive,
a observar os teus mandamentos.
Coro: Infeliz Luz do mundo! Minha Luz infeliz!
Meu Jesus tão saudoso - clamava a Virgem,
lamentando-se amargamente.
Sl 119, 61: Bandos de ímpios me despojaram,
mas eu não me esqueci da tua lei.
Coro: Povo invejoso, assassino, enganador,
se ao menos tivésseis vergonha ao veres os lençóis
e o próprio sudário de Cristo ressuscitado.
Sl 119, 62 A meia noite me levantarei para te louvar,
pelos teus justos juízos.
Coro: Então vem aqui, infame discípulo assassino,
mostra-me a medida da malícia que tez entregar Cristo?
Sl 119, 63 Companheiro sou de todos os que te temem
e dos que guardam os teus preceitos.
Coro: Tu punhas a máscara de um amigo amigo dos homens,
louco e cego, todo cheio de crimes e implacável,
tu que vendeste o Aroma pelo valor do dinheiro.
Sl 119, 64 A terra, ó SENHOR, está cheia da tua benignidade;
ensina-me os teus estatutos.
Coro: Que quantia recebeste pelo aroma celeste?
Que obtiveste em troca pelo seu valor?
Tu encontraste a loucura furiosa, ó maldito satanás.
Sl 119, 65 Fizeste bem ao teu servo, SENHOR,
segundo a tua palavra.
Coro: Se és amigo dos pobres e te entristeces
pela efusão dum perfume para a consolação duma alma,
como vendeste tu a Luz, a tão elevado preço?
Sl 119, 66 Ensina-me bom juízo e ciência,
pois cri nos teus mandamentos.
Coro: "Ó Deus e Verbo! Ó minha Alegria!
Como suportar o teu sepultamento por três dias?
Neste momento as minhas entranhas de mãe estão dilaceradas".
Sl 119, 67 Antes de ser afligido andava errado;
mas agora tenho guardado a tua palavra.
Coro: "Quem me dará uma fonte do águas torrenciais
- dizia a Virgem Esposa de Deus
- para que eu chore o meu doce Jesus?"
Sl 119, 68 Tu és bom e fazes bem;
ensina-me os teus estatutos.
Coro: "Colinas e vales, e vós, multidão humana, chorai;
e vós, universo inteiro, lamentai-vos comigo,
a Mãe do vosso Deus".
Sl 119, 69 Os soberbos forjaram mentiras contra mim;
mas eu com todo o meu coração guardarei os teus preceitos.
Coro: "Quando te verei eu, Salvador,
a Luz eterna, a alegria e o deleite do meu coração?"
- clamava a Virgem nos seus gemidos.
Sl 119, 70 Engrossa-se-lhes o coração como gordura,
mas eu me recreio na tua lei.
Coro: Tu sofreste a lapidação, como uma pedra tosca, ó meu Salvador,
e fizeste jorrar água viva, pois Tu és a fonte da vida.
Sl 119, 71 Foi-me bom ter sido afligido,
para que aprendesse os teus estatutos.
Coro: Regados pelo rio duplo
que, como de uma fonte dupla, corre do teu lado,
nós bebemos a vida imortal.
Sl 119, 72 Melhor é para mim a lei da tua boca
do que milhares de ouro ou prata.
Coro: Foi por tua vontade, ó Verbo, que foste visto morto num túmulo,
mas tu vives e, como o predisseste,
despertarás os mortos pela Tua Ressurreição.
Leitor: Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo ...
Coro: Nós cantamos a Ti, ó Verbo, Deus de todas as coisas
com o Pai e o Espírito Santo, e glorificamos a tua divina sepultura.
Leitor: Agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.
Coro: Nós te enaltecemos, ó Puríssima Mãe de Deus e veneramos fielmente
a sepultura por três dias do teu Filho e nosso Deus.
Repete-se o 1º Tropário.
  Ó Cristo, ó Vida, foste colocado num túmulo,
e os Exércitos Angélicos ficaram estupefatos,
glorificando a tua condescendência.
Pequena Súplica
Diácono: Ainda e sempre em paz, oremos ao Senhor!
Coro: Kyrie, eleison!
Diácono: Protege-nos, salva-nos, tem piedade de nós
e conserva-nos, ó Deus, com a tua graça.
Coro: Amém.
Diácono: Comemorando a nossa santíssima, puríssima,
bendita e gloriosa Senhora, Mãe de Deus
e sempre Virgem Maria e todos os santos,
recomendemo-nos mutuamente, uns aos outros,
e toda a nossa vida, a Cristo nosso Deus.
Coro: A Ti, Senhor!
Sacerdote: Pois teu Nome é bendito e o teu Reino é glorificado,
Pai , Filho e Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos.
Coro: Amém.

Segunda Estância

O sacerdote incensa o epitáfio e o povo, enquanto se canta a Segunda Parte do Encômio no mesmo tom:
Coro: É justo que te engrandeçamos, ó Doador da vida,
que estendeste os braços sobre a Cruz
e quebrantaste a força do inimigo.
Sl 119, 73 As tuas mäos me fizeram e me formaram;
dá-me inteligência para entender os teus mandamentos.
Coro: É digno que te enalteçamos, ó Criador de todas as coisas,
porquanto, pelos teus sofrimentos, possuímos a impassibilidade,
e somos libertos da corrupção.
Sl 119, 74 Os que te temem alegraram-se quando me viram,
porque tenho esperado na tua palavra.
Coro: A terra tremeu e o sol encobriu-se, ó Cristo Salvador,
ao ver-Te, Luz sem crepúsculo,ocultar no túmulo o Teu corpo.
Sl 119, 75 Bem sei eu, ó SENHOR, que os teus juízos säo justos,
e que segundo a tua fidelidade me afligiste.
Coro: Tu adormeceste no túmulo, ó Cristo, com um sono fecundo,
e tiraste da humanidade o sono pesado do pecado.
Sl 119, 76 Sirva pois a tua benignidade para me consolar,
segundo a palavra que deste ao teu servo.
Coro: «Só eu,entre todas as mulheres,
Te trouxe ao mundo sem dor, meu Filho,
mas agora sofro uma dor intolerável por causa da Tua Paixão»,
dizia a venerável Virgem.
Sl 119, 77 Venham sobre mim as tuas misericórdias,
para que viva, pois a tua lei é a minha delícia.
Coro: No alto dos Céus, ó Salvador,
Tu estás inseparavelmente unido ao Pai,
e aqui na terra, onde jazes na morte,
os Serafins tramem ao olhar para Ti.
Sl 119, 78 Confundam-se os soberbos,
pois me trataram duma maneira perversa, sem causa;
mas eu meditarei nos teus preceitos.
Coro: O véu do templo rasga-se por causa da Tua Crucifixão, ó Verbo,
o sol, os astros escondem a sua luz quando te ocultas sob a terra.
Sl 119, 79 Voltem-se para mim os que te temem,
e aqueles que têm conhecido os teus testemunhos.
Coro: Aquele que, desde o princípio, fixou, com um sinal da cabeça a órbita da terra,
desceu sem vida sob a terra.
Perante esta vuisão o céu treme.
Sl 119, 80 Seja reto o meu coraçäo nos teus estatutos,
para que näo seja confundido.
Coro: Tu, que fizeste o homem com as tuas próprias mãos,
deceste abaixo da terra afim de, pela tua omnipotência,
reergueres os mortais da sua queda.
Sl 119, 81 Desfalece a minha alma pela tua salvaçäo,
mas espero na tua palavra.
Coro: Vinde, cantemos a Cristo morto uma santa lamentação,
como outrora as mulheres miróforas
a fim de conhecermos, como elas, a tua salvação!
Sl 119, 82 Os meus olhos desfalecem pela tua palavra;
entrementes dizia: Quando me consolarás tu?
Coro: Tu é, verdadeiramente, o perfume inesgotável, ó Verbo!
É por isso que as miróforas ofereciam os seus perfumes,
a Ti que é o vivente, como se estivesses morto.
Sl 119, 83 Pois estou como odre na fumaça;
contudo näo me esqueço dos teus estatutos.
Coro: Sepultado, ó Cristo, Tu destróis o reino do Inferno;
pela tua morte, fazes morrer a morte e resgatas os mortais da corrupção.
Sl 119, 84 Quantos seräo os dias do teu servo?
Quando me farás justiça contra os que me perseguem?
Coro: A sapiência d'Aquele que derrama a vida em torrentes,
vivifica, ao entrar no túmulo,
aqueles que estão encerrados nas profundezas insondáveis do Inferno.
Sl 119, 85 Os soberbos me cavaram covas,
o que näo é conforme a tua lei.
Coro: Para renovar a natureza caída dos mortais,
Eu sou voluntariamente mortificado na minha carne;
Mãe, não batas assim no peito em tuas lamentações!,
Sl 119, 86 Todos os teus mandamentos säo verdade.
Com mentiras me perseguem; ajuda-me.
Coro: Tu desceste sob a terra, Astro de justiça,
e despertaste os mortos do seu sono,
após haveres dissipado toda a escuridão no Inferno.
Sl 119, 87 Quase que me têm consumido sobre a terra,
mas eu näo deixei os teus preceitos.
Coro: A semente fecunda de duas naturezas
é neste dia semeada com lágrimas nas entranhas da terra;
e quando ela tiver germinado, dará alegria ao mundo.
Sl 119, 88 Vivifica-me segundo a tua benignidade;
assim guardarei o testemunho da tua boca.
Coro: Adão temeu quando Deus foi ao Paraíso;
mas rejubilou quando Cristo estacionou nos infernos:
antes estava caído, e agora, levanta-se.
Sl 119, 89 Para sempre, ó SENHOR,
a tua palavra permanece no céu.
Coro: Aquela que te deu à luz, ó Cristo,
derramava torrentes de lágrimas quando teu corpo descia ao túmulo
e clamava: "Ressuscita, meu Filho, como havias anunciado".
Sl 119, 90 A tua fidelidade dura de geraçäo em geraçäo;
tu firmaste a terra, e ela permanece firme.
Coro: Ocultando-te respeitosamente num túmulo novo,
José te louva, ó Salvador, no meio de suas lágrimas,
um hino fúnebre e digno da divindade.
Sl 119, 91 Eles continuam até ao dia de hoje, segundo as tuas ordenaçöes;
porque todos säo teus servos.
Coro: Tua Mãe, ó Verbo, vendo-te traspassado pelos cravos sobre a Cruz,
ficou ferida na sua alma pelos cravos
e pelas flechas de uma amarga dor.
Sl 119, 92 Se a tua lei näo fora toda a minha recreaçäo,
há muito que pereceria na minha afliçäo.
Coro: Quando te viu, Doçura do universo,
beber uma bebida amarga,
tua Mãe e encheu os olhos de lágrimas de dor.
Sl 119, 93 Nunca me esquecerei dos teus preceitos;
pois por eles me tens vivificado.
Coro: "Estou duramente ferida e minhas entranhas dilaceradas, ó Verbo,
quando vejo a tua injusta imolação",
clamava nas suas lamentações a Puríssima.
Sl 119, 94 Sou teu, salva-me;
pois tenho buscado os teus preceitos.
Coro: O teu olhar tão doce e os teus lábios,
como os fecharei eu, ó Verbo?
Como te prestarei os deveres que se dão a um morto", clamava José, tremendo.
Sl 119, 95 Os ímpios me esperam para me destruírem,
mas eu considerarei os teus testemunhos.
Coro: José e Nicodemos
cantam agora o seu hino fúnebre a Cristo morto;
e com eles cantam os Serafins.
Sl 119, 96 Tenho visto fim a toda a perfeiçäo,
mas o teu mandamento é amplíssimo.
Coro: Tu penetras na terra, Sol de justiça;
é por isso que a Lua que te deu à luz se eclipsa,
sendo privada de te ver.
Sl 119, 97 Oh! quanto amo a tua lei!
É a minha meditaçäo em todo o dia.
Coro: O Inferno tremeu ao ver-te,
a Ti que deste a vida, despojá-lo da sua riqueza,
e ressuscitar os mortos dos últimos tempos.
Sl 119, 98 Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais sábio do que os meus inimigos;
pois estäo sempre comigo.
Coro: O Sol brilha com novo fulgor após a noite, ó Cristo;
mas Tu bem podes resplandecer com um brilho soberano após a tua morte
quando dela te levantares como de teu leito nupcial.
Sl 119, 99 Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres,
porque os teus testemunhos säo a minha meditaçäo.
Coro: A terra que te recebeu em seu seio, ó Criador,
estremeceu e foi abalada,
e esse terremoto dá a vida aos mortos.
Sl 119, 100 Entendo mais do que os antigos;
porque guardo os teus preceitos.
Coro: Ao sepultar-te com os seus aromas, ó Cristo, de uma maneira inteiramente nova,
Nicodemos e o nobre José clamavam: “Ó terra, treme toda inteira!”
Sl 119, 101 Desviei os meus pés de todo caminho mau,
para guardar a tua palavra.
Coro: Tu te deitaste, ó Autor da luz, e o sol também o fez;
toda a criação treme e te proclama Criador de todas as coisas.
Sl 119, 102 Näo me apartei dos teus juízos,
pois tu me ensinaste.
Coro: A pedra talhada encobre a Pedra Angular;
é assim que um homem mortal esconde no túmulo sua divindade.
Treme, ó terra!
Sl 119, 103 Oh! quäo doces säo as tuas palavras ao meu paladar,
mais doces do que o mel à minha boca.
Coro: Olha o discípulo que tu amas e tua Mãe, meu Filho,
e concede-lhes a doçura de uma palavra,
clamava a Puríssima Virgem nas suas lágrimas.
Sl 119, 104 Pelos teus mandamentos alcancei entendimento;
por isso odeio todo falso caminho.
Coro: Tu, o Autor da vida, ó Verbo,
não fizeste morrer os Judeus, estando estendido na Cruz,
mas ressuscitaste os seus mortos.
Sl 119, 105 Lámpada para os meus pés é tua palavra,
e luz para o meu caminho.
Coro: Há pouco, já não tinhas beleza nem rosto, ó Verbo, em teu sofrimento;
mas, ressuscitado, brilhaste com um fulgor incomparável
embelezando os mortais com a tua Luz divina.
Sl 119, 106 Jurei, e o cumprirei,
que guardarei os teus justos juízos.
Coro: Astro sem crepúsculo, te deitaste sob a terra em teu corpo;
e o sol, não sofrendo, ao ver isto,
cobriu-se de trevas no meio de seu percurso
Sl 119, 107 Estou aflitíssimo;
vivificame, ó SENHOR, segundo a tua palavra.
Coro: O sol e a lua, cobrindo-se ao mesmo tempo de trevas,
assemelhavam-se ao o servos devotos que levam vestes de luto.
Sl 119, 108 Aceita, eu te rogo, as oferendas voluntárias da minha boca, ó SENHOR;
ensina-me os teus juízos.
Coro: "O centurião reconheceu-te como, Deus, mesmo quando foste morto.
Como te invocarei, então, com as minhas mãos, ó meu Deus?"
Clamava José, tremendo.
Sl 119, 109 A minha alma está de contínuo nas minhas mäos;
todavia näo me esqueço da tua lei.
Coro: Adão adormeceu, mas, do seu lado faz sair a morte;
e tu também adormeceste, ó Verbo de Deus,
mas, do teu lado, fazes brotar a vida para o mundo.
Sl 119, 110 Os ímpios me armaram laço;
contudo näo me desviei dos teus preceitos.
Coro: Tu adormeceste por um pouco de tempo,
e ao ressuscitares deste a vida aos mortos;
Ressuscitaste contigo aqueles que tinham adormecido
desde todo o tempo, ó Deus bom.
Sl 119, 111 Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança para sempre,
pois säo o gozo do meu coraçäo.
Coro: Foste arrancado da terra, mas deste um jorro de vinho salutar,
ó Vinha de onde brota a vida;
eu glorificarei a tua Cruz e a tua Paixão.
Sl 119, 112 Inclinei o meu coraçäo a guardar os teus estatutos,
para sempre, até ao fim.
Coro: Como é que os chefes dos exércitos espirituais, ó meu Salvador,
vendo-te nu, sangrando e condenado,
suportaram a audácia daqueles que te crucificavam?
Sl 119, 113 Odeio os pensamentos väos, mas amo a tua lei.
Coro: Raça dos Hebreus rapinante e cheia de astúcia,
tu conheceste a reconstrução do templo:
será por isso que condenaste a Cristo?
Sl 119, 114 Tu és o meu refúgio e o meu escudo; espero na tua palavra.
Coro: Tu te vestes com um manto do escárnio ó Ordenador de todas as coisas,
que semeaste o céu de constelações
e que tão maravilhosamente embelezaste a terra.
Sl 119, 115 Apartai-vos de mim, malfeitores,
pois guardarei os mandamentos do meu Deus.
Coro: Ferido no peito como o pelicano, ó Verbo,
Tu deste a vida a teus filhos que estavam mortos,
dando-lhes de beber de uma fonte vivificante.
Sl 119, 116 Sustenta-me conforme a tua palavra, para que viva,
e näo me deixes envergonhado da minha esperança.
Coro: Josué deteve outrora o sol para vencer os estrangeiros;
e tu o escondeste quando esmagavas o príncipe das trevas.
Sl 119, 117 Sustenta-me, e serei salvo,
e de contínuo terei respeito aos teus estatutos.
Coro: Sem deixares o seio de teu Pai, te dignaste tornar-te homem,
e desceste aos infernos, ó Cristo compassivo.
Sl 119, 118 Tu tens pisado aos pés todos os que se desviam dos teus estatutos,
pois o engano deles é falsidade.
Coro: