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JERUSALÉM. A Terra Santa

1. Jerusalém

1.1 A Basílica do Santo Sepulcro

1.2 A Basílica da Agonia no Jardim de Getsêmani

1.3 A capela franciscana Dominus Flevit

1.4 O Cenáculo no Monte Sion

1.5 O Monte do Templo

1.6 O Muro Ocidental

1.7 Yad Vashem

2. Nazaré, a Cidade

2.1 A Basílica da Anunciação

3. Cafarnaum - O sítio

3.1 A Igreja da Casa de São Pedro

3.2 A Igreja Greco-ortodoxa dos Sete Apóstolos

3.3 A Sinagoga

4. Tabga - O sítio

4.1 A Capela da Primazia

4.2 O Santuário das Beatitudes

4.3 A Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes

 

1. Jerusalém

1.1 - A Basílica do Santo Sepulcro

«No lugar onde Jesus fora crucificado,
havia um jardim,
e neste um sepulcro novo …
e por estar perto o túmulo,
depositaram o corpo de Jesus.» (Jo 19:41-42)

construção da primeira Igreja do Santo Sepulcro começou em 326 por ordem do Imperador Constantino. Ela foi erigida no sítio de um templo e santuário romano do século II que, segundo uma tradição local, tinha sido construído sobre o lugar onde Jesus fora crucificado e sepultado. Quando os edifícios romanos foram demolidos, foram descobertas várias tumbas cortadas na rocha. Uma delas foi identificada como sendo a de José de Armitéia. A rocha inclinada era cortada em torno desta tumba, deixando uma beirada perpendicular livre no sítio do atual Edículo.

Pouca coisa resta da estrutura bizantina original, que foi incendiada e saqueada pelos persas em 614, parcialmente reconstruída pelo Patriarca Modesto, danificada pelo terremoto de 808, e destruída em 1009 por ordem do califa fatímida al-Hakim. Uma parte foi reconstruída pelo Imperador bizantino Constantino Monômaco, em 1048, mas a maior parte do presente edifício é o resultado da reconstrução feita pelos cruzados no século XII, assim como de renovações posteriores. Os últimos trabalhos de restauração e preservação começaram em 1959 e ainda não se completaram. O atual edifício ocupa metade da área da igreja bizantina original, e somente a Rotunda é uma réplica aproximada, em forma e traçado, do original do século IV.

Desde o tempo dos cruzados, os recintos e o edifício da Basílica do Santo Sepulcro tornaram-se propriedade das três maiores denominações - os greco-ortodoxos, os armênio-ortodoxos e os católicos romanos. Outras comunidades - os copta-ortodoxos egípcios, os etíope-ortodoxos e os sírio-ortodoxos - também têm certos direitos e pequenas propriedades dentro ou a pouca distância do edifício. Os direitos e os privilégios de todas estas comunidades são protegidos pelo Status quo dos Lugares Santos (1852), conforme estabelece o Artigo LXII do Tratado de Berlim (1878).

Após o terremoto de 1927, a autoridade política local teve que intervir a fim de realizar reparos de emergência (segundo as previsões do Status Quo dos Lugares Santos). Tal intervenção não tem sido necessária desde 1959, quando as três principais comunidades estabeleceram um Escritório Técnico Comum.

Alguns assuntos, contudo, permanecem sem solução; um deles é a contínua disputa entre os coptas e etíopes ortodoxos a respeito dos direitos de propriedade na Capela dos Etíopes (sobre o telhado da Capela de Santa Helena). Desde o início da disputa, o governo (em seu papel de autoridade política) preferiu não intervir, na esperança de que as duas comunidades resolvam o conflito entre si.

«Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém,
que se resseque a minha mão direita.
Apegue-se-me a língua ao paladar,
se não me lembrar de ti,
se não preferir eu Jerusalém
à minha maior alegria.» (Sl 137:5-6)

Jerusalém capital de Israel e sede de seu governo, é a maior cidade do país. Seus 634.000 habitantes (dos quais 14.000 são cristãos) constituem um mosaico de diversas comunidades nacionais, religiosas e étnicas. Jerusalém é uma cidade com sítios históricos cuidadosamente preservados e restaurados e modernos edifícios, bairros em constante expansão, zonas comerciais, centros comerciais, parques industriais de alta tecnologia e áreas verdes bem cuidadas. É uma cidade antiga e moderna ao mesmo tempo, com tesouros do passado e planos para o futuro.

A santidade de Jerusalém é reconhecida pela três grandes religiões monoteístas - o judaísmo, o cristianismo e o islã - mas a natureza desta santidade difere nas três crenças.

Para o povo judeu, a própria cidade é santa. Escolhida por Deus em sua aliança com David, Jerusalém é a essência e o centro da existência e continuidade espiritual e nacional judaicas. Durante 3.000 anos, desde o tempo do Rei David e da construção do Primeiro Templo por seu filho, o Rei Salomão, Jerusalém tem sido o foco da prece e da devoção judaicas. Há quase 2.000 anos os judeus se viram na direção de Jerusalém e do Monte do Templo quando rezam, onde quer que estejam.

Para os cristãos, Jerusalém é uma cidade de Lugares Santos associados a eventos da vida e ministério de Jesus e ao início da igreja apostólica. Estes são locais de peregrinação, prece e devoção. As tradições que identificam alguns destes sítios datam dos primeiros séculos do cristianismo.

Na tradição muçulmana, o Monte do Templo é identificado como "o mais remoto santuário" (em árabe: masjid al-aksa), de onde o profeta Maomé, acompanhado pelo Anjo Gabriel, fez a Jornada Noturna ao Trono de Deus (Alcorão, Surata 17:1, Al-Isra).

A Lei de Proteção dos Lugares Santos (5727-1967) garante a liberdade de acesso aos locais sagrados para os membros das diferentes religiões.

A soberania judaica sobre a cidade terminou no ano 135, com a repressão da Segunda Revolta Judaica contra Roma; e só foi restaurada em 1948, quando o Estado de Israel foi estabelecido. Durante todos aqueles séculos, Jerusalém esteve sob o domínio de poderes estrangeiros. Contudo, através dos tempos, sempre houve judeus vivendo em Jerusalém, e desde 1870 eles constituem a maioria da população da cidade.

Em conseqüência dos combates durante a Guerra da Independência, em 1948, e a subseqüente divisão de Jerusalém, as sinagogas e academias religiosas históricas no Quarteirão Judaico da Cidade Velha foram destruídas ou seriamente danificadas. Com a reunificação da cidade após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, elas foram restauradas e o Quarteirão Judaico reconstruído.

Hoje em dia, Jerusalém é uma cidade movimentada e vibrante. É um centro cultural de renome internacional, que oferece festivais de cinema e artes dramáticas, concertos, museus singulares, grandes.

«Três mil anos de história nos contemplam hoje, na cidade de cujas pedras a antiga nação judaica se ergueu; e deste ar puro da montanha, três religiões absorveram sua essência espiritual e sua força...»

«Três mil anos de história nos contemplam hoje, na cidade onde as bênçãos dos sacerdotes judeus misturam-se aos chamados dos muezins muçulmanos e aos sinos das igrejas cristãs; onde em cada alameda e em cada casa de pedra foram ouvidas as admoestações dos profetas; cujas torres viram nações se erguerem e caírem - e Jerusalém permanece para sempre...»

«Três mil anos de Jerusalém são para nós, agora e eternamente, uma mensagem de tolerância entre religiões, de amor entre os povos, de entendimento entre as nações...»

(Yitzhak Rabin, setembro de 1995).

No correr dos séculos, Jerusalém foi conhecida por muitos nomes que expressam admiração e reverência. O mais adequado é "Cidade da Paz".

1.1 - A Basílica da Agonia no Jardim de Getsêmani

«... Jesus saiu juntamente com seus discípulos
para o outro lado do ribeiro Cedrom, onde havia um jardim;
e aí entrou com eles»

(Jo 18:1)

A Basílica da Agonia foi construída em 1924 no sítio onde, segundo a tradição, encontrava-se o Jardim do Getsêmani; nela encontra-se uma parte da rocha identificada como o lugar onde Jesus orou sozinho no Jardim, na noite em que foi aprisionado. Embora não haja certeza de ser este o ponto exato, o cenário se adapta à descrição do Evangelho e a basílica atual, projetada pelo arquiteto Antonio Barluzzi, ergue-se sobre as fundações de dois santuários construídos no passado: uma capela dos cruzados, do século XII, abandonada em 1345; e uma basílica bizantina mais antiga ainda, do século IV, destruída pelo terremoto de 746. Uma pedra no caminho que sobe ao Monte das Oliveiras é mencionada pelo Peregrino de Bordéus em 333, e ele a identifica como sendo o local onde Judas Iscariotes traiu Jesus.

Os vitrais da atual basílica são feitos de alabastro translúcido, púrpura-azulado, que produzem intencionalmente uma filtração da iluminação. Seis colunas monolíticas sustentam 12 zimbórios, cujos interiores são decorados com mosaicos representando o emblema nacional das comunidades doadoras. Esta decoração deu origem ao nome popular "Igreja de Todas as Nações".

O nome Getsêmani é uma forma grega da expressão hebraica gat shemanim (prensa de azeite). As oito oliveiras no jardim adjacente são muito velhas. É difícil estipular a idade de uma oliveira, pois estas árvores renovam a estrutura tanto do tronco como das raízes; assim, uma árvore de aparência jovem pode ter, de fato, raízes centenárias.

No jardim há um altar ao ar livre, colocado pelos padres franciscanos num gesto ecumênico para com a comunidade anglicana, que realiza aí anualmente os serviços de quinta-feira santa.

1.2 - A capela franciscana Dominus Flevit (em latim: «o Senhor chorou»)

«Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou...»

(Lc 19:41)

Foi construída em 1955, perto do sítio que peregrinos medievais identificaram como o lugar onde Jesus chorou pela cidade. O sítio, comprado pelos franciscanos em 1881, ficava no roteiro de procissão que partia do Monte das Oliveiras até a Basílica do Santo Sepulcro. Escavações arqueológicas realizadas antes da construção descobriram as fundações de um mosteiro e capela do século V.

O santuário moderno foi projetado por Antonio Barluzzi, o arquiteto de vários santuários construídos durante a primeira metade do século XX para a Custódia Franciscana da Terra Santa. Afastando-se radicalmente de seu estilo tradicional, Barluzzi projetou a capela com os contornos de uma lágrima estilizada, sendo o edifício construído na forma de uma cruz grega. Uma janela por trás do altar, na parede ocidental, forma uma moldura à paisagem da Cidade Velha.

1.3 - Cenáculo no Monte Sion

«Então voltaram para Jerusalém,
do monte chamado das Oliveiras,
que dista daquela cidade
tanto como a jornada de um sábado.
Quando ali entraram,
subiram para o cenáculo onde se reuniam.»

(At 1:12-13)

O edifício identificado como o Cenáculo é uma pequena estrutura de dois andares dentro de um grande conjunto de construções no alto do Monte Sion. O pavimento superior foi construído pelos franciscanos no século XIV, em recordação à Última Ceia. Ele é identificado também como "a sala superior", na qual o Espírito Santo desceu sobre os Discípulos em Pentecostes (Atos 2:2-3). Na tradição cristã, a área da cidade onde eles viviam naquela época era o atual Monte Sion (o nome geográfico foi transferido, de alguma maneira, do Monte do Templo a esta colina situada na extremidade sudoeste da cidade - possivelmente por causa de um erro de leitura de Miquéias 3:12, ocorrido no século IV, que parece referir-se a duas colinas: «a Montanha do Senhor e de Sion»).

A sala situada no andar térreo, sob o Cenáculo, contém um cenotáfio que desde o século XII é conhecido como "a tumba de David" - embora esteja escrito que o local do sepultamento do rei foi na "Cidade de David", no cume do Ofel (I Reis 2:10). Sob o nível do chão atual encontram-se fundações antigas, dos tempos dos romanos, bizantinos e cruzados. Uma abside por trás do cenotáfio é paralela ao Monte do Templo, o que leva à especulação de que esta parte do edifício tenha sido uma sinagoga, ou até mesmo "a sinagoga" mencionada pelo Peregrino de Bordéus em 333.

Esta área da colina tornou-se parte da Basílica de Santo de Sion (assinalada no Mapa de Madabá em mosaico, do século VI). Esta basílica foi destruída pelos persas em 614. O Mosteiro e a Igreja de Santa Maria, construídos pelos cruzados no século XII, foram erguidos sobre as fundações daquela basílica mais antiga, mas foram por sua vez destruídos em 1219 (provavelmente durante a demolição das muralhas e fortificações da cidade ordenada pelo sultão aiúbida Al-Muazzam).

A atual capela do Cenáculo foi construída pelos franciscanos por ocasião de seu retorno à cidade em 1335. A abóbada de arestas do teto é típica do estilo Lusignan, ou cipriota gótico. O mihrab esculpido, nicho de orações muçulmano, foi acrescentado em 1523, quando os franciscanos foram expulsos do edifício e a sala foi convertida em mesquita.

1.4 - O Monte do Templo: O Haram Esh-Sharif

«Começou Salomão a edificar a Casa do Senhor em Jerusalém,
no Monte Moriá, onde o Senhor aparecera a David, seu pai,
lugar que David tinha designado
na eira de Araúna, o jebuseu.»

(II Crônicas 3:1)

«Glória a Ele que tomou Seu servo a uma Jornada à noite
desde o Sagrado Santuário ao mais remoto Santuário,
cujos recintos Nós abençoamos...»

(Alcorão, Surata Al-Isra 17:1)

O Monte do Templo (em hebraico: Har Habait; em árabe: Haram esh-Sharif, o Nobre Santuário), local do Primeiro e do Segundo Templo, é identificado tanto na tradição judaica quanto na muçulmana como o Monte Moriá, onde Abrahão ofereceu seu filho Isaac em sacrifício (Gênesis 22:1-18; Alcorão, Surata Al-Safat 37:102-110).

Aqui o Rei Salomão construiu o Primeiro Templo, há quase 3.000 anos atrás. Este foi destruído pelos babilônios em 586 a.C.. 70 anos depois, porém, os judeus que retornaram do exílio construíram o Segundo Templo no mesmo sítio. O Rei Herodes o reformou, transformando-o num edifício imponente.

Na tradição muçulmana, o local é conhecido como "o mais remoto santuário" (em árabe: masjid al-aksa) de onde o Profeta Maomé, acompanhado pelo Anjo Gabriel, fez a Viagem Noturna ao Trono de Deus (Alcorão, Surata Al-Isra 17:1).

Após a destruição de Jerusalém pelos romanos, no ano 70, a área do Templo foi deliberadamente deixada em ruínas (primeiro pelos romanos, e depois pelos bizantinos). Esta profanação durou até a conquista da cidade pelos muçulmanos, em 638, quando o califa Omar ibn-Khattab ordenou que o local fosse limpo e nele se construísse «uma casa de oração.»

Cerca de 50 anos depois, o califa omíada Abd al-Malik construiu a Cúpula da Rocha, para ser o relicário de um afloramento rochoso que se crê ser o "local do sacrifício" no Monte Moriá. Ele (ou seu filho, o califa al-Walid I) construiu também a grande mesquita na extremidade meridional do Haram, que recebeu o nome de al-Aksa, segundo o nome dado pelo Alcorão a toda a área.

A Cúpula da Rocha (em árabe: Kubat al-Sakhra) é uma dos esplendores arquitetônicos do mundo, sendo o único santuário islâmico antigo que sobreviveu intacto. O traçado do edifício é basicamente bizantino - ambulatórios duplos octogonais circundando a Rocha Sagrada. É um relicário, não uma mesquita, e é o terceiro lugar em santidade para os muçulmanos, depois da Kaaba em Meca e da Mesquita do Profeta em Medina.

A Cúpula da Rocha é a expressão arquitetônica do Islã em plena expansão. Os mosaicos interiores de vidro no corpo cilíndrico e na cúpula contêm representações de jóias do império bizantino; e uma das inscrições ornamentadas diz que Deus é Um e não três, e que Jesus foi um apóstolo de Deus e de Sua palavra, mas não Seu filho.

O santuário situa-se no local ou muito próximo do sítio do Templo judeu (embora os eruditos discutam se era o Santo dos Santos ou o altar que se erguia sobre a rocha). Foi sugerido até que o edifício do Templo erguia-se 80 m mais ao norte, no lugar do pequeno Kubat al-Arwah (em árabe: A Cúpula dos Ventos ou dos Espíritos), que data do século XVI, ou sobre um eixo leste-oeste na continuação da atual Porta Dourada.

O exterior da Cúpula da Rocha já passou por várias reformas. Os azulejos exteriores foram restaurados uma última vez em 1963; a cúpula folheada a ouro, em 1994.

A Mesquita al-Aksa, na extremidade meridional da plataforma do Monte do Templo, foi reconstruída pela última vez em 1035 e passou, desde então, por várias restaurações - sendo a mais recente em 1938-42; e outra vez a partir de 1969, para reparar os grandes danos causados por um incêndio deliberado ateado por um turista cristão desequilibrado.

O traçado do edifício é o de uma basílica, com uma nave central estreita ladeada por seis naves laterais (na construção do século VIII havia 14 naves laterais). A decoração do mihrab (nicho de orações) na parede meridional foi uma doação do Sultão Salah al-Din (Saladino). O belo minbar embutido (púlpito, também doado à mesquita por Salah al-Din), de madeira de cedro, foi destruído no incêndio de 1969.

Uma escadaria diante da entrada setentrional da Mesquita al-Aksa conduz mais abaixo a uma passagem abobodada até a Porta Hulda, hoje emparedada, que era a entrada para a plataforma do Monte do Templo na época do Segundo Templo reformado por Herodes.

Durante os períodos mameluco e otomano, e até a metade do século XIX, não-muçulmanos eram proibidos de entrar no Haram. A primeira exceção de que se tem notícia foi feita por ordem do sultão otomano, em 1862, por ocasião da visita do Príncipe de Gales, mais tarde o Rei Eduardo VII.

1.5 - O muro ocidental

«Porém muitos dos sacerdotes e levitas
e chefes de famílias já idosos,
que tinham visto o Primeiro Templo,
choraram em voz alta quando à sua vista
foram lançados os alicerces deste [segundo] Templo..»

(Esdras 3:12)

Após a repressão da Segunda Revolta Judaica contra Roma, em 135, os judeus foram proibidos de viver em Jerusalém, que foi reconstruída pelo Imperador Adriano e recebeu um novo nome, Aelia Capitolina. Mesmo assim, há referências no Talmud e outros escritos que a peregrinação judaica prosseguia, mesmo que fosse apenas para prantear o Templo destruído.

O Imperador Constantino e seus sucessores cristãos mantiveram o édito de Adriano que proibia os judeus de viver na cidade; mas permitiram que os judeus subissem ao Monte do Templo todo ano, no dia 9 do mês judaico de Av, dia da destruição do Templo, para chorar em suas ruínas, que os bizantinos deixaram deliberadamente desoladas. Isto é mencionado por um visitante cristão, o Peregrino de Bordéus, em 333.

Os escritos rabínicos deste período também se referem ao fato de que os judeus rezavam no Muro Ocidental (Hakotel Hamaaravi), um remanescente do muro de arrimo da plataforma do Monte do Templo, construído por Herodes. Tal costume continuou após a conquista muçulmana em 640, quando os judeus receberam novamente permissão para viver na cidade, mas foram excluídos do Monte do Templo, transformado em santuário muçulmano (o Haram esh-Sharif).

A presença judaica em Jerusalém foi novamente interrompida em 1099, com a conquista da cidade pelos cruzados e o conseqüente massacre das comunidades judaica e muçulmana. Somente no final do período cruzado os judeus receberam novamente autorização de viver na cidade. Segundo relata o viajante judeu Biniamin de Tudela, que aqui esteve em 1163, cerca de 200 judeus viviam perto da "Torre de David, trabalhando como curtidores, pagando uma taxa ao rei". Ele conta também que em frente ao Templo Domino podia-se ver o «muro ocidental … e todos os judeus se aglomeravam naquele lugar para dizer suas preces perto do muro do pátio.»

Desde o século XII, com exceção do período de 19 anos entre 1948 e 1967 (quando a Cidade Velha esteve sob o domínio da Jordânia) o Muro Ocidental tornou-se o local mais reverenciado de prece judaica. Quando, durante a Guerra dos Seis Dias, a Rádio de Israel anunciou: «Har Habait Beiadeinu» (o Monte do Templo está em nossas mãos), os judeus de todo mundo regozijaram-se.

Assim como fora o Templo no passado, o Muro Ocidental é também um local de peregrinação nas três principais festas do calendário religioso judaico: Pessach (a Páscoa judaica), Shavuot (Pentecostes, a "Festa das Semanas") e Sucot (Tabernáculos).

Segundo o costume judaico tradicional, há áreas de oração separadas para homens e mulheres.

1.6 - Yad Vashem

«Darei na minha casa e dentro dos meus muros um memorial...
um nome eterno, que nunca se apagará.»

(Isaías 56:5)

O Yad Vashem, a Autarquia Nacional para a Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto, foi estabelecido em 1953 por uma lei do Knesset (o parlamento de Israel) a fim de preservar a memória dos seis milhões de judeus - homens, mulheres e crianças - assassinados pelo nazistas e seus colaboradores durante os anos 1933-1945. A instituição recorda também o heroísmo e a luta dos combatentes (partisans) judeus e dos que lutaram nas revoltas dos guetos, assim com as ações dos «Justos entre as Nações» (não-judeus que salvaram vidas judias).

Localizado no Har Hazikaron (em hebraico: Colina da Recordação), uma elevação na área ocidental de Jerusalém, o Instituto e Museu Yad Vashem inclui vários monumentos, um museu histórico, um arquivo central e um centro de pesquisa e documentação do Holocausto.

A função do Yad Vashem é perpetuar a memória e as lições do Holocausto para as futuras gerações.

Anualmente são realizadas no Yad Vashem cerimônias governamentais centrais no Dia da Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto, observado, segundo o calendário judaico, no dia 27 de Nissan (2 de maio, este ano), que marca o aniversário do início da Revolta do Gueto de Varsóvia, em 1943.

O Salão da Lembrança (Ohel Yizkor) é o local central de recordação do Yad Vashem. É uma severa estrutura de concreto murada, de teto baixo imitando o de uma tenda, e que está vazia, salvo pela presença de uma chama eterna. Gravados no chão de basalto negro estão os nomes de 21 campos de extermínio, campos de concentração e centros de assassínio dos nazistas, na Europa Central e Oriental. Uma cripta diante da chama recordatória contém cinzas das vítimas.

Chega-se ao Salão da Lembrança através de uma trilha ladeada por árvores plantadas em homenagem aos homens e mulheres não-judeus - os "Justos entre as Nações" - que, arriscando as próprias vidas, tentaram salvar judeus do Holocausto. Várias destas árvores homenageiam membros do clero cristão, como um frade franciscano em Assis, o bispo da ilha grega Zakinthos, uma freira polonesa na Lituânia e um pastor protestante francês. Mais de 16.000 pessoas foram homenageadas com o título "Justo entre as Nações". Uma das últimas pessoas homenageadas com este título foi o padre Arturo Paoli, residente no Brasil.

Aproximadamente 1,5 milhão de crianças judias pereceram no Holocausto. Elas são especialmente recordadas no Pavilhão da Criança, uma caverna subterrânea na qual as chamas tremulantes das velas de recordação se refletem numa infinidade de pequenas luzes, dentro da escuridão reinante.

Um elemento central do Yad Vashem é o Museu Histórico, que apresenta a história do Holocausto através de fotografias, artefatos, documentos e recursos audiovisuais. A apresentação é cronológica, mostrando a progressão da política anti-judaica nazista, de perseguição ao confinamento nos guetos até o assassinato sistemático em massa. O museu apresenta também a história da resistência judaica ao Holocausto, inclusive o heroísmo dos combatentes judeus.

A coleção do arquivo do Yad Vashem, a maior e mais ampla sobre o Holocausto em todo o mundo, compreende cerca de 55 milhões de páginas de documentos, aproximadamente 100.000 fotografias, filmes e testemunhos de sobreviventes gravados em vídeo. A biblioteca compreende mais de 80.000 títulos, milhares de revistas e um grande número de documentos raros.

O Instituto Internacional de Pesquisa do Holocausto coordena e patrocina pesquisas a nível nacional e internacional, organiza conferências e encontros e publica vários importantes trabalhos sobre o Holocausto, inclusive memórias e diários. Até a presente data, o Instituto já publicou 18 dos 32 volumes programados da Enciclopédia das Comunidades (Pinkassei Hakeilot), um compêndio histórico-geográfico a respeito de cada comunidade judaica destruída pelos nazistas e seus colaboradores.

A principal missão do Yad Vashem é educação. A Escola Internacional de Estudos do Holocausto realiza anualmente cursos para mais de 100.000 estudantes, 50.000 soldados e milhares de educadores. São oferecidos cursos para professores em sete idiomas, além do hebraico, e a escola envia também sua equipe profissional ao exterior para aprofundar a educação sobre o Holocausto.

2. Nazaré, a cidade

«No sexto mês foi o anjo Gabriel enviado da parte de Deus,
para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré...»

(Lc 1:26)

Nazaré é a maior cidade árabe de Israel, com cerca de 60.000 habitantes, dos quais estima-se que 30 a 35% sejam cristãos.

Nazaré é mencionada pela primeira vez nas narrativas do Evangelho. Achados arqueológicos indicam que era uma aldeia agrícola, com apenas algumas dezenas de famílias. Isto talvez explique a ausência de referências anteriores, e por que ela não foi incluída na lista de Flávio Josefo das 45 cidades da Galiléia, nem entre as 63 cidades da Galiléia mencionadas pelo Talmud; e também o espanto de Natanael de Caná, que pergunta ao Apóstolo Filipe se por acaso de um vilarejo tão insignificante pode sair alguma coisa boa (Jo 1, 46).

Vários Lugares Santos cristãos em Nazaré são associados à Anunciação, à infância e ao início do ministério de Jesus. Além da imponente Basílica da Anunciação, há ainda a Igreja greco-ortodoxa do Arcanjo Gabriel (construída acima da fonte conhecida como "O Poço de Maria"), a "Igreja-Sinagoga", greco-católica (o lugar identificado como a sinagoga onde o jovem Jesus recebeu ensinamentos, e onde posteriormente leu as profecias do Livro de Isaías), e a Igreja franciscana de S. José (construída sobre uma caverna identificada, desde o século XVII, como a «oficina» de José).

Em Nazaré encontram-se também alguns importantes sítios históricos para a comunidade muçulmana. Assim como as igrejas cristãs da cidade, a maioria destes edifícios são de construção relativamente recente. A mesquita mais antiga da cidade, el-Abyad, ao norte da Basílica da Anunciação, foi construída em 1812.

A tumba de Makam Shihab el-Din, líder muçulmano e sobrinho de Salach al-Din (Saladino), localizada 100 m ao sul da Basílica da Anunciação, foi o centro de recente controvérsia entre as comunidades cristã e muçulmana de Nazaré. O terreno desocupado entre a igreja e a tumba é de propriedade estatal, e estava destinado a transformar-se numa grande praça pública. Ativistas muçulmanos, contudo, exigiram que pelo menos uma parte do terreno fosse usado para a construção de uma mesquita. Um acordo de concessões de iniciativa do governo não satisfez completamente a nenhum dos dois lados da disputa.

2.1 - A Basílica da Anunciação

«E entrando o anjo onde ela estava, disse:
Salve! Agraciada; o Senhor está contigo.»

(Lc 1:28)

Apesar da importância de Nazaré na vida de Jesus e seus pais, ela não se tornou imediatamente um local de peregrinação cristã. O primeiro santuário foi provavelmente construído lá pelos meados do século IV.

A peregrina espanhola D. Egéria, que visitou Nazaré em 383, foi conduzida a "uma grande e esplêndida caverna na qual Maria viveu. Um altar tinha sido ali colocado". Esta era provavelmente a maior das cavernas que hoje em dia está conservada como relíquia dentro da gruta da Basílica da Anunciação. Segundo a tradição católica, é este o local onde o anjo Gabriel apareceu a Maria.

Em 570, já havia sido construída uma igreja neste sítio. Foi encontrada uma inscrição em grego num mosaico datado do século IV ou V, com a dedicatória: «A Conon, Diácono de Jerusalém.»

Os peregrinos que vinham a Nazaré no período bizantino visitavam também uma caverna com uma fonte, da qual Maria tirava água (provavelmente, a fonte sob a atual Igreja greco-ortodoxa do Arcanjo Gabriel), e a "sinagoga" onde Jesus leu as profecias do Livro de Isaías. Vários relatos mencionam a existência de igrejas nos três sítios. Estas antigas igrejas aparentemente sobreviveram à conquista árabe, porque o peregrino Arculf, bispo da Gália que aqui esteve em 670, visitou duas "grandes igrejas" na cidade. Mas quando os cruzados conquistaram o país, em 1099, encontraram todos os Lugares Santos cristãos de Nazaré em ruínas.

O rei normando Tancredo, Príncipe da Galiléia, ordenou imediatamente a construção de uma nova catedral sobre a caverna, no centro da cidade. Esta foi a maior das igrejas construídas pelos cruzados, e o peregrino anglo-saxônico Saewulf, que visitou a cidade em 1102, descreveu-a como "um mui nobre mosteiro" (ele relatou também que a cidade tinha sido completamente arrasada pelos sarracenos). Esta catedral dos cruzados foi aparentemente danificada pelo terremoto de 1170. Foram iniciadas as obras de reparação, mas antes que se completassem os cruzados foram derrotados na Batalha de Hattin e expulsos da cidade.

Uma série de tratados posteriores permitiram a continuação da peregrinação cristã à Gruta da Anunciação durante os cem anos subseqüentes, mesmo depois de 1263, quando a cidade foi saqueada e as igrejas destruídas por ordem do sultão mameluco Baybars. As possibilidades de peregrinações terminaram de todo em 1291, com a queda de Acre e a expulsão final dos cruzados das fortalezas e povoados francos remanescentes ao longo da costa.

Somente em 1620 foi restabelecida a presença clerical católico-romana em Nazaré, quando o emir druso Fakhr-a-Din permitiu que os frades franciscanos comprassem as ruínas da catedral cruzada e a gruta. Em 1730, os franciscanos obtiveram um firman (decreto) do sultão otomano, permitindo-lhes construir uma nova igreja sobre o local. A estrutura foi aumentada em 1877, mas completamente demolida em 1955, a fim de permitir a construção de uma nova basílica. Antes do início da construção, o Studium Biblicum Franciscanum (de Jerusalém) realizou uma minuciosa pesquisa arqueológica no sítio.

Projetada pelo arquiteto Giovanni Muzio, a atual Basílica da Anunciação foi construída em dois níveis. O nível superior segue os contornos da catedral cruzada do século XII (uma nave central e duas laterais), reconstruindo parcialmente a abside oriental. O nível inferior contém a gruta bizantina.

A nova basílica, que é o maior santuário cristão no Oriente Médio, foi inaugurada em 1964 pelo Papa Paulo VI, durante sua histórica visita à Terra Santa, e consagrada em 23 de março de 1969. Um segundo serviço ecumênico teve lugar dois dias depois, com a presença de prelados e clérigos das igrejas greco-ortodoxa, armênia, copta, etíope, síria e luterana.

3. Cafarnaúm - o Sítio

«Ouvindo, porém, Jesus que João fora preso,
retirou-se para a Galiléia;
e deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum,
situada à beira do lago,
nos confins de Zebulom e Naftali.»

(Mt 4:12-13)

O sítio da antiga aldeia de pescadores Cafarnaum (em hebraico Kfar Nachum, a Aldeia de Naum) situa-se na costa noroeste do Lago Kineret (o Mar da Galiléia), 2,5 km a nordeste de Tagba e a uns 15 km ao norte de Tiberíades.

O vilarejo é mencionado pela primeira vez no Novo Testamento, onde figura de forma proeminente nas narrativas do Evangelho, como o lugar onde Jesus viveu durante grande parte de seu ministério na Galiléia. Foi aqui, segundo o Novo Testamento, que ele "curou muitos que estavam doentes", e também "expeliu os espíritos" dos endemoninhados.

Vários dos Apóstolos - Simão (chamado Pedro) e seu irmão André; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João - viviam na aldeia, além de Mateus (Levi, filho de Alfeu), que era coletor de impostos no local.

Há evidência arqueológica de que a aldeia foi estabelecida no início da Dinastia dos Hasmoneus (as moedas mais antigas encontradas no local datam do século II a.E.C.). O vilarejo, próximo à fronteira da província da Galiléia, situava-se num caminho transversal da rota comercial Via Maris. Na época narrada no Evangelho, havia em Cafarnaum um posto alfandegário e uma pequena guarnição romana comandada por um centurião.

A aldeia não participou das duas principais revoltas dos judeus contra Roma, e os escritos judaicos do período identificam Kfar Nachum como uma das quatro localidades que incluíam minim (em hebraico, sectários) entre seus habitantes. Isto pode ser uma referência a um dos pequenos grupos de judeus-cristãos, que foram excluídos, no final do século I, da participação nos serviços da sinagoga, quando a inclusão da "Bênção referente aos minim" foi acrescentada às "Dezoito Bênçãos" da prece diária.

Após ter sido seriamente danificada no terremoto de 746, a aldeia foi reconstruída a pequena distância, mais ao nordeste (onde se situa a atual Igreja Greco-Ortodoxa), mas pouco se conhece de sua história posterior, seu declínio e eventual abandono durante o século XI. Apesar da importância de Cafarnaum na vida de Jesus, não há indicação de nenhuma construção durante o período dos cruzados. Um viajante do século XIII encontrou apenas as cabanas de sete pescadores pobres.

O sítio foi "redescoberto" em 1838 pelo geógrafo bíblico americano Dr. Edward Robinson. Em 1866, o Capitão Charles W. Wilson, explorador britânico, identificou as ruínas da sinagoga e, em 1894, a Custódia Franciscana da Terra Santa comprou uma parte do antigo sítio. As principais escavações franciscanas realizaram-se entre 1968 e 1984, e as escavações do sítio vizinho, greco-ortodoxo, entre 1978 e 1982.

3.1 - A Igreja da Casa de São Pedro

«E, saindo eles da sinagoga, foram, com Tiago e João,
diretamente para a casa de Simão e André.»

(Mc 1:29)

Pesquisas arqueológicas realizadas pelo Studium Biblicum Franciscanum (de Jerusalém), no início do século XX, durante 70 anos, revelaram uma estrutura eclesiástica octogonal, do século V, construída em torno de uma residência mais antiga de um cômodo, que data do século I d.C.. O santuário central octogonal, que circunda uma estrutura de basalto, de paredes construídas sem argamassa, era cercado por um ambulatório semelhante ao da Rotunda do Santo Sepulcro em Jerusalém, e ao santuário islâmico construído posteriormente no Haram es-Sharif (o Monte do Templo).

A sala que se encontra dentro do santuário central octogonal parece ter sido parte de uma insula (um conjunto de pequenas salas residenciais de um só pavimento e pátios) que, lá pelo final do século I era de utilização pública, possivelmente como domus ecclesia, isto é, uma casa particular usada como igreja. Nas paredes rebocadas da sala-relicário havia grafites em aramaico, grego, siríaco e latim, contendo as palavras "Jesus", "Senhor", "Cristo" e "Pedro".

Presume-se que a sala-relicário seja a "Casa de Simão, chamado Pedro", à qual se refere a peregrina espanhola, Doña Egéria, que visitou o vilarejo aproximadamente em 381-384, durante sua peregrinação à Terra Santa. Ela descreve com alguns detalhes como a casa do "príncipe dos apóstolos" fora transformada em igreja, com as paredes originais ainda de pé.

Nos meados do século V, esta sala foi encerrada dentro de um edifício octogonal. Esta foi a igreja posteriormente descrita no século VI pelo Peregrino de Piacenza: "A casa de S. Pedro é atualmente uma basílica". Assim como a sinagoga situada nas proximidades, a igreja octogonal foi destruída no início do século VII, provavelmente na época da invasão persa.

A atual igreja franciscana foi construída em 1990, sobre o sítio da Insula Sacra, para preservar os achados arqueológicos e permitir aos visitantes e fiéis a contemplação de seus variados elementos arquitetônicos.

3.2 - A igreja greco-ortodoxa dos Sete Apóstolos

«Mas, ao clarear da madrugada,
estava Jesus na praia;
todavia, os discípulos não reconheceram que era ele.»

(Jo 21:4)

A pequena igreja greco-ortodoxa dos Sete Apóstolos, com sua cúpula vermelha, foi construída em 1931 e marca o sítio para onde foi transferida a aldeia de Cafarnaum após o terremoto de 746. A igreja é dedicada aos sete apóstolos mencionados no Evangelho de S. João (Simão, chamado Pedro; Tomé, chamado Dídimo; Natanael, que era de Caná, na Galiléia, os filhos de Zebedeu; "e mais dois dos seus discípulos") quando Jesus reaparece a seus discípulos «junto ao mar de Tiberíades.»

Escavações arqueológicas realizadas em quatro pontos deste sítio, entre 1978 e 1982, revelaram as fundações de construções residenciais com as mesmas paredes sem argamassa de pedras basálticas negras, conforme encontradas em construções mais antigas em Cafarnaum.

Atenção especial deve ser dada aos remanescentes de um muro de basalto, de 2m largura, ao longo da praia. Este muro talvez tenha sido parte de um cais ao longo de toda a linha da costa em frente ao vilarejo. Uma passagem aberta no muro, de 20 m de largura, perto da igreja greco-ortodoxa, era emoldurada por dois molhes de pedra que se estendiam em ângulo reto em direção ao lago, e que provavelmente constituíam um ancoradouro abrigado e um local onde os botes eram puxados para fora da água.

Um antigo barco de pesca, construído no século I a.C., foi descoberto em 1986, quando o nível da água do Kineret havia baixado de forma extraordinária. O barco, de 8 m de comprimento, ficara preservado na lama do fundo do lago, e nele foram encontrados vários implementos, entre os quais uma lâmpada de óleo e uma panela. A embarcação, conhecida como "o barco de Jesus", foi cuidadosamente preservada e está exposta no kibutz vizinho Guinossar.

3.3 - A Sinagoga

«Depois entraram em Cafarnaum;
e, logo no sábado, Jesus foi ensinar na sinagoga.»

(Mc 1:21)

As ruínas da grande sinagoga foram identificadas pela primeira vez em 1866, durante uma pesquisa do cartógrafo britânico Charles W. Wilson. Tendo sido parcialmente reconstruída em 1926, a data de sua construção original continua sendo assunto de debate. O certo é que as imponentes ruínas não são da sinagoga à qual se refere o Evangelho de S. Marcos, embora aparentemente o edifício tenha sido erguido no sítio de uma construção anterior, do século I.

Construída com pedras calcárias brancas importadas, sobre fundações de rocha basáltica, o traçado do chão é semelhante ao da sinagoga em Korazim, do século IV, situada 4km mais ao norte, e ao da sinagoga de Baram (na Galiléia setentrional), que data do século III. A ornamentação arquitetônica da sinagoga de Cafarnaum, porém, é muito mais elaborada, com capitéis coríntios e intrincados trabalhos em relevo lavrados em pedra (folhas de parreira e figueira, desenhos geométricos, águias, etc). Um dos relevos, de uma carroça, talvez represente a Arca da Aliança portátil. Os visitantes ficam às vezes desconcertados pela presença de suásticas na decoração arquitetônica; mas este era um desenho geométrico comum naquele período.

Uma inscrição em aramaico, datando do século IV, numa das colunas quebradas, recorda o nome do doador, "Halfu, filho de Zebida". Estes nomes (Alfeu e Zebedeu) são mencionados no Novo Testamento.

A sinagoga, conforme era em 381, foi descrita pela peregrina espanhola Doña Egéria, que relata que o caminho de acesso à estrutura era através de muitos degraus, e que o edifício fora construído com pedras adornadas.

A própria grandiosidade da sinagoga de Cafarnaum é que contribuiu para a controvérsia a respeito da data exata de sua construção. Várias teorias foram propostas. A evidência de que a sinagoga tenha sido construída no século IV baseia-se em parte das moedas e objetos de cerâmica encontrados sob o piso. Os partidários de data anterior, no século II, argumentam que estes objetos talvez tenham sido deixados durante renovações posteriores, possivelmente após o terremoto de 363. Outra possibilidade é que a sinagoga tenha sido erguida durante o curto reinado do Imperador Juliano, "o Apóstata" (361-363), que corresponde também com a data do terremoto.

A sinagoga e a igreja de Cafarnaum foram destruídas no início do século VII (um pouco antes da conquista árabe em 636). Conhecendo-se a permanente tensão existente entre as comunidades cristã e judaica, sugeriu-se que a igreja tenha sido destruída durante a invasão persa de 614 e a sinagoga, 15 anos mais tarde, como ato de retaliação, durante o breve restabelecimento do governo bizantino. Se for assim, é bastante apropriado que um dos primeiros encontros do moderno "diálogo interconfessional" entre cristãos e judeus tenha se realizado na vizinha cidade de Tiberíades, em 1942, durante uma série de debates entre o Rev. George L. B. Sloan, ministro da Igreja da Escócia em Tiberíades, e o escritor e conferencista judeu Dr. Shalom Ben-Chorin.

4. Tabga, o Sítio

«Então foram sós no barco para um lugar solitário.»

(Mc 6:32)

Tabga, o local onde, segundo a tradição, ocorreu a multiplicação dos pães e peixes, está situada perto da costa nordeste do Lago Kineret (o Mar da Galiléia), 2,5 km ao sul de Cafarnaum e cerca de 12 km ao norte de Tiberíades. O nome "Tabga" é uma deturpação árabe da palavra grega Heptapegon (o lugar das sete fontes). Várias fontes ainda emanam nesta região, também associada ao ensinamento das Beatitudes e à confirmação da primazia de Pedro.

A peregrina Egéria, que aqui esteve em 383, refere-se a alguns degraus na praia, onde Jesus pisou uma vez; um campo gramado adjacente, onde Jesus alimentou a multidão com cinco pães e dois peixes; e uma caverna no "lado da montanha" onde Jesus fez o sermão das Beatitudes. Ela menciona apenas uma igreja (onde se encontrava a pedra sobre a qual Jesus colocou os pães para dividi-los entre a multidão), mas pesquisas arqueológicas modernas descobriram que haviam sido construídas pequenas capelas nos três sítios, durante a segunda metade do século IV. Estas pesquisas determinaram também que o sítio combina com a descrição do Evangelho de "um lugar solitário", pois não foram encontradas evidências de casas ou campos cultivados.

No século V, a igreja situada no local onde se presume que ocorreu a multiplicação dos pães e peixes foi reconstruída e ampliada, mas este edifício e as duas capelas próximas foram destruídos durante o século VII, provavelmente na época da invasão persa. O Bispo Arculf, que visitou o local em 670, encontrou apenas uma planície coberta de erva, sem nenhum traço de construções, exceto algumas colunas em torno de uma fonte.

A pequena capela na beira do lago foi reconstruída posteriormente, mas os cruzados a encontraram em ruínas quando aqui chegaram, em 1099. Eles a reconstruíram, mas também esta capela foi destruída em 1187, após a derrota dos cruzados em Hittim. Novamente erguida cerca de 1260, a capela foi arrasada pelos mamelucos em 1263.

A atual capela da Primazia de S. Pedro foi construída pela Custódia Franciscana da Terra Santa em 1933. O mosteiro beneditino vizinho e a Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes foram inaugurados em 1982.

4.1 - A capela da Primazia

«Pela terceira vez Jesus lhe perguntou:
Simão, filho de João, tu me amas?»

(Jo 21:17)

A capela à beira do lago - a pequena distância da Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes - marca o sítio onde, segundo a tradição cristã, Jesus apareceu a seus discípulos pela terceira vez e confirmou a primazia espiritual do Apóstolo Pedro.

A presente capela, construída de pedras basálticas negras, foi erigida pela Custódia Franciscana da Terra Santa em 1933, sobre as ruínas de um santuário mais antigo. Elementos da igreja do século IV podem ser vistos ao longo da base externa de três das paredes mais distantes do altar.

A pedra achatada em frente ao altar dentro da atual capela é chamada popularmente Mensa Christi ("a mesa de Cristo", em latim), o lugar onde se acredita que Jesus ofereceu o café da manhã a seus discípulos.

No lado da capela próximo ao lago há doze degraus cortados na pedra, possivelmente os que Doña Egéria, a peregrina espanhola, descreveu no século IV.

O Papa Paulo VI visitou esta capela em 5 de janeiro de 1964, durante sua peregrinação histórica à Terra Santa.

4.2 - O Santuário das Beatitudes

«Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte,
e como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos;
e ele passou a ensiná-los, dizendo:
'Bem-aventurados os pobres de espírito'...»

(Mt 5:1-3)

O local do Sermão das Beatitudes, mencionado pela peregrina do século IV, Doña Egéria, situa-se numa encosta, cerca de 60 m a nordeste da Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes, bem acima da estrada que conduz a Cafarnaum.

Em 1937 foi escolhido um sítio mais apropriado (e espetacular) para o novo santuário das Beatitudes, num ponto mais alto da encosta.

O edifício foi projetado por Antonio Barluzzi, em estilo néo-renascentista. Construído com pedras de cores contrastantes: de calcário brancas e de basalto negras, tem pórticos arqueados em seus quatro lados. Sobre o prédio de um só pavimento sobressai a cúpula octogonal erguendo-se sobre a capela principal. A forma octogonal recorda as Oito Beatitudes. O santuário em torno do altar é circundado por um ambulatório aberto, em forma de arco. As janelas na parede exterior proporcionam uma vista panorâmica do Lago Kineret.

O santuário e a hospedaria para peregrinos adjacente são administrados pelas Irmãs Franciscanas do Imaculado Coração de Maria. A propriedade pertence a uma sociedade católica italiana (Associazione Nazionale per soccorrere I Missionari Italiani).

Em janeiro de 1999, em sítio próximo, foi lançada a pedra fundamental do Domus Galilaeae, um novo centro espiritual para peregrinos e eruditos cristãos. Esta pedra fundamental veio da tumba de S. Pedro, em Roma, e foi abençoada por sua Santidade o Papa João Paulo II na véspera de Natal de 1998.

4.3 - A Igreja da Multiplicação dos Pães e Peixes

«Tomando ele os cinco pães e os dois peixes,
erguendo os olhos ao céu, os abençoou;
e partindo os pães, deu-os aos discípulos para que os distribuíssem;
e por todos repartiu também os dois peixes.»

(Mc 6:41)

Quando os persas destruíram a Igreja bizantina da Multiplicação dos Pães e Peixes, em 614, o sítio exato do santuário deixou de ser conhecido, sendo redescoberto somente 1.300 anos depois.

O local foi comprado em 1888 por uma sociedade católica alemã (Deutsche Katholische Palaestinamission), associada à Diocese de Colônia. Desde 1939, lá servem os frades beneditinos, sendo uma filial da Abadia da Dormição de Jerusalém.

Em 1892 foi realizada uma pesquisa arqueológica inicial. As escavações começaram realmente em 1932 e resultaram na descoberta do piso de mosaico da igreja do século V (que fora construída, segundo se constatou, sobre as fundações de uma antiga capela, muito menor, datada do século IV).

O pavimento de mosaico nos dois transeptos é decorado com desenhos de várias aves e plantas aquáticas em paisagens características do Nilo, muito populares na arte romana e bizantina inicial.

O mais famoso dos pavimentos de Tabga é o mosaico restaurado encontrado bem em frente ao altar. Nele há o desenho de dois peixes ladeando uma cesta de pães.

A atual igreja, inaugurada em 1982, foi construída segundo o traçado da igreja bizantina do século V. A entrada é através de um atrium (pátio) colunado e um narthex (vestíbulo). A igreja propriamente dita tem uma nave central e duas naves laterais. O santuário (a área em torno do altar) fica por trás de uma abside (um recesso semi-circular e semi-abobadado), com um transepto em cada lado.

Segundo a peregrina Egéria, a igreja do século IV continha também a pedra sobre a qual Jesus colocou o pão. O bloco de pedra nua exposto sob o altar atual foi encontrado durante as escavações arqueológicas.

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