October 22, 2014

«Se acreditásseis em Moisés, talvez acreditásseis em Mim, porque ele escreveu a Meu respeito»

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Moisés disse: «O Senhor, teu Deus, suscitará em teu favor um profeta saído das tuas fileiras, um dos teus irmãos, como eu: é a ele que escutarás» (Dt 18,15). O próprio Moisés explica [...] o que acabou de anunciar: «Foi o que pediste ao Senhor teu Deus no monte Horeb, no dia da Assembleia, quando Lhe disseste: ‘Não quero mais ouvir a voz do Senhor, meu Deus, nem tornar a ver mais este fogo intenso, pois tenho medo de morrer’» (v. 16).

Moisés afirma veementemente que lhe foi então atribuído um papel de mediador, uma vez que a assembleia dos judeus ainda estava incapaz de contemplar as realidades que a excediam: uma visão de Deus extraordinária e aterradora para os olhos, sons de trombeta estranhos e intoleráveis para os ouvidos (Ex 19,16). O povo tinha, portanto, a prudência de renunciar ao que excedia as suas forças, e a mediação de Moisés auxiliava a fraqueza dos homens da sua geração: ele estava encarregado de transmitir os mandamentos divinos ao povo reunido.

Mas se procurares descobrir sob este símbolo a realidade prefigurada, compreenderás que ela visa Cristo, «Mediador entre Deus e os homens» (1Tim 2,5): é Ele que, com a Sua voz humana, voz recebida quando nasceu para nós de uma mulher, transmite aos corações dóceis a vontade sublime de Deus Pai, que é Ele o único a conhecer enquanto Filho de Deus e Sabedoria de Deus, «perscrutando tudo, mesmo as profundezas de Deus» (1Cor 2,10). Não podíamos atingir com os nossos olhos de carne a glória inexprimível, pura e nua, d’Aquele que está para lá de tudo – «o homem não pode ver o Meu rosto, disse Deus, e ficar vivo» (Ex 33,20). Por isso, o Verbo, o Filho único de Deus, devia amoldar-Se à nossa fraqueza revestindo um corpo humano [...] segundo o desígnio redentor, para nos revelar a vontade de Deus Pai, como Ele próprio disse: «tudo o que ouvi de Meu Pai vo-lo dei a conhecer» (Jo 15,15), e ainda: «não falei por Mim mesmo; o Pai, que Me enviou, foi Quem determinou o que devo dizer e anunciar» (Jo 12,49).

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São Cirilo de Alexandria (380-444),
Comentário sobre o Evangelho de João, III, 3
Fonte: Evangelho Cotidiano

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