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América Latina, Justiça social e Santos Padres 

A Denúncia social e a defesa dos direitos humanos dos «Loucos por Cristo» na Antiga Rússia

Por Vladika Gorazd*

Trad. do espanhol por Pe. André Sperandio
[Tradução e publicação com permissão do autor]

Na história da Igreja Russa, há uma categoria de santos chamados «loucos por Cristo». Algo semelhante a um São João de Deus da Igreja Latina. Esses homens eram chamados, em russo, de «yurodivi», que significa alguma coisa como louco e vagabundo. Tornaram-se conhecidos especialmente nos séculos XIV, XV e XVI, e depois, nos séculos XIX e XX.

O objetivo desta loucura é a humilhação, tratando-se de uma loucura simulada por razões ascéticas, ou simplesmente a consequência de serem autênticos «pobres em espírito». Em ambos os casos, o resultado é idêntico: a aspiração à uma sabedoria nova, sobrenatural, à uma «sabedoria do coração», que se manifesta pela paz da alma, o amor aos inimigos, o dom da oração fervorosa e, às vezes, por um conhecimento profético do futuro ou dos pensamentos mais secretos do homem.

Os famosos «loucos» no século XVI, cujo profetismo político e social lhes assemelhava aos profetas do Antigo Testamento, se serviam da «loucura» para fustigar o «bom senso» e a moral farisaica dos «justos», e se atreviam a humilhar o Czar, os ricos e os poderosos. São Basílio, o «yurodivi» (em cuja memória está edificada a mais famosa catedral de Moscou), proclamando o paradoxo cristão do amor de Deus para com os pecadores, beijava os muros  das casas ímpias (prostíbulos). Outros sublinhavam a sua «amizade» com as mulheres de má fama e, inversamente, insultavam publicamente os guardiões da moralidade e os representantes das forças de segurança.

Um dos «loucos por Cristo» convidou ao Czar Ivan IV, o Terrível, (admirador e amigo epistolário  de Felipe II) para compartilhar com ele sua comida. Era Sexta-feira Santa e o Czar retornava da «pacificação» da cidade rebelde de Novgorod. Quando o Czar, muito supersticioso, entrou na casa do «yurodivi» e este lhe ofereceu um pedaço de carne crua e um copo de sangue, ele exclamou, assombrado:

— Mas, é Sexta-feira Santa!

— E, o que dirás da carnificina de tuas vítimas em Novgorod? – perguntou o «yurodivi».

Para o povo russo, os «loucos por Cristo» sempre foram (e ainda o são, hoje em dia) a imagem viva daqueles pequenos, daqueles «pobres em espírito» daquelas «crianças» a quem são revelados os mistérios do Reino de Deus. São portadores da sabedoria sobrenatural, que só aparece depois de haver humilhado o que se chama de «razão natural». A «loucura da cruz» pregada por São Paulo, a sabedoria misteriosa e escondida em Deus, é o que veneram os cristãos russos nos seus «loucos por Cristo», lembrando que:

[...] «o que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes; e o que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são.  Assim, nenhuma criatura se vangloriará diante de Deus». (ICor I, 27-29).


*Vladika Gorazd é Bispo para Argentina da Igreja Ortodoxa de Montenegro

Fonte: Pró-Ortodoxia

 

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