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Dormição da Mãe de Deus:

Salvos pela vigilante intercessão

"A liturgia da festa de hoje é também uma confissão de fé na verdadeira Encarnação do Verbo de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem: e a ascensão de Cristo enfatiza a verdadeira natureza divina, a Dormição e a Assunção ao céu de sua mãe, enfatiza a verdadeira natureza humana", explica o teólogo e padre Manuel Nin, professor do Pontifício Colégio Grego, de Roma, em artigo publicado por L'Osservatore Romano, 13-08-2016. A tradução é de Ramiro Mincato. Fonte: IHU

No calendário das Igrejas de tradição bizantina, a “Dormição da Mãe de Deus” é a última das grandes festas. O ciclo litúrgico anual tem a primeira festa no dia 8 de setembro, com a celebração do “Nascimento da Mãe de Deus”, e termina com a “Dormição”, seu glorioso trânsito para o céu, acolhida nos braços de seu filho. Os textos da liturgia abundam na exegese de caráter cristológico e eclesiológico de muitas passagens do Antigo Testamento, propondo especialmente imagens bíblicas aplicadas a Maria e ao seu papel no mistério da encarnação do Filho e Verbo de Deus.

Uma das imagens mais presentes na liturgia de hoje é a da arca, "toda de ouro, nova Arca da Aliança, trazida para o santuário", uma imagem tirada do livro do Êxodo (25,10). Assim como a arca é trazida para dentro do templo, Maria é comparada em seu trânsito, em sua entrada para a glória de Deus. Este título aplicado à Mãe de Deus também encontra-se em outra dentre as grandes festas litúrgicas, a de 21 de novembro, ou seja, de sua entrada no templo.

Maria, apresentada no templo quando menina, e entrando agora na glória do céu, é apresentada como a nova Arca da Aliança que carrega em seu ventre o Verbo de Deus encarnado.

Em alguns textos litúrgicos há imagens que destacam a relação entre o céu e a terra, entre a divindade e a humanidade no mistério celebrado neste dia:

"O extraordinário prodígio! A fonte da vida colocada num sepulcro, o túmulo como escada para o céu. Alegrai-vos, Getsêmani, santo sacrário da Mãe de Deus".

Estas imagens, quase opostas, entre a fonte da vida e a sepultura, entre o túmulo na terra e a escada subindo para o céu, também são encontradas nos textos do Sábado Santo, no canto da morte e do sepultamento de Cristo.

A liturgia da festa de hoje é também uma confissão de fé na verdadeira Encarnação do Verbo de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem: e a ascensão de Cristo enfatiza a verdadeira natureza divina, a Dormição e a Assunção ao céu de sua mãe, enfatiza a verdadeira natureza humana:

"convinha que as testemunhas oculares e ministros da Palavra também vissem a Dormição da Mãe, segundo a carne, o último dos mistérios a este respeito, para que não resultassem apenas espectadores da ascensão do salvador, da terra para o céu, mas também o trânsito daquela que o havia gerado”.

Os textos enfatizam a relação materna de Maria com seu filho, mas também o relacionamento conjugal:

"A noiva imaculada e mãe do beneplácito do Pai, aquela que foi escolhida por Deus, como lugar da sua união, sem confusão, entrega hoje a alma imaculada a Deus, o Criador".

A exegese cristológica e mariológica, especialmente dos salmos, está muito presente nos textos litúrgicos da festa. Vários tropários ecoam o Sl 30,6: "Em tuas mãos entrego o meu espírito, Senhor, Deus fiel", aplicada ao trânsito de Maria ao céu, e também destacam no ícone da festa a alma de Maria acolhida nos braços do Filho:

"Ela, que reina sobre todos, entrega sua alma nas mãos do Filho. Deposta tua alma nas mãos de alguém que, teu Criador e Deus, por meio de ti, por nós se encarnou, nas mãos daquele que por meio dela, sem sêmen, se encarnou".

A liturgia, com este versículo do salmo, enfatiza duas imagens que encontramos em muitos tropários: Maria nas mãos do filho e nas mãos do criador. Além Sl 30, outros salmos são aplicados alegoricamente ao mistério que se celebra hoje (23, 7, 44, 15) e, especialmente, o Salmo 131, em diferentes versículos, particularmente no versículo 8: "Levanta-te, ó Senhor, para o teu repouso, tu e a arca da tua santidade".

Um dos tropários das Vésperas coloca em paralelo de modo contrastante Maria, que deu à luz ao Verbo encarnado, e o céu que abre seu ventre para recebê-la, quase para concebê-la, numa nova vida:

"Vinde, assembleia dos amigos da festa, vinde e formemos um coro, no dia em que a arca de Deus vem ao seu lugar de descanso. Hoje, de fato, o céu abre seu ventre para receber aquela que deu à luz quem o universo não podia conter; e a terra, entregando a fonte da vida, se reveste de bênção e decoro. Os anjos fazem coro com os apóstolos, olhando, cheios de temor, para ela que tinha dado o autor de nossa vida, enquanto passa da vida à vida".

O duplo coro, dos anjos no céu e dos apóstolos na terra, também se torna um ícone da confissão de fé da Igreja na Palavra de Deus encarnada, como verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Outros textos ainda retomam essa comparação entre o ventre de Maria, que acolhe a Palavra de Deus na Encarnação, e do céu que a acolhe gloriosa neste dia:

"Sepulcro e morte não retiveram a Mãe de Deus, sempre viva com sua intercessão, imutável esperança e proteção; como mãe da vida, para a vida foi levada, por aquele que, em seu ventre sempre virgem, tinha tido habitação. Aquele que, encanando-se, ó Mãe de Deus, extraordinariamente habitou no teu seio imaculado, acolhendo teu sacratíssimo espírito, em si mesmo dá-lhe repouso. Hoje, a Mãe de Deus tornou paraíso o túmulo que habitou".

O colo e os braços de Maria acolhem a encarnação do Filho de Deus, o céu e os braços do Filho tornam-se o trono para a Mãe de Deus.

Muitos tropários cantam finalmente Maria como aquela que intercede. Num dos textos encontra-se uma imagem excelsa da intercessão, da oração de Maria, vigilante para a Igreja: "Pela Dormição da única Mãe de Deus alegrem-se os corações de todos os fiéis, salvos por sua vigilante intercessão". Maria é aquela que, como os monges da Igreja, vigia insone em oração.

Em tantos outros tropários da festa encontramos essa insistência na oração intercessora de Maria junto ao Filho: "Não te esqueças, soberana, daqueles que festejam com fé a tua santíssima Dormição". Ela "que intercede incessantemente para que seja doada paz e grande misericórdia à toda a terra".


A Dormição de Maria nos textos litúrgicos
das tradições sírias

Queremos nestas linhas nos debruçar sobre a festa da Páscoa da Mãe de Deus, na forma de testemunho, de comunhão e de oração com e pelos nossos irmãos cristãos no Iraque e no Oriente Próximo. A reflexão é do teólogo e padre Manuel Nin, professor do Pontifício Colégio Grego, de Roma, em artigo publicado no jornal L'Osservatore Romano, 14-08-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A festa da Páscoa da Mãe de Deus, no dia 15 de agosto, a sua morte e a sua plena glorificação são celebradas nas Igrejas orientais com grande solenidade. Festa precedida também por um período quaresmal de preparação, como ocorre para a Páscoa de Cristo.

Queremos nestas linhas nos debruçar sobre isso, na forma de testemunho, de comunhão e de oração com e pelos nossos irmãos cristãos no Iraque e no Oriente Próximo, sobre os textos litúrgicos das duas tradições siríacas, a ocidental e a oriental, textos que serão cantados e rezados nessa festa, mas, ao mesmo tempo, textos que, em muitas igrejas no Iraque e no Oriente Próximo, não serão mais cantadas nem rezados.

Trata-se de textos litúrgicos em que é repetidamente enfatizada a alegria de toda a criação ao acorrer à celebração do trânsito de Maria. Textos que evidenciam a presença, nessa celebração gloriosa e festiva, dos anjos, dos apóstolos, de toda a Igreja. Textos, enfim, que repetidamente invocam Maria como aquela que intercede pelo povo.

Demos simplesmente a tradução de alguns trechos pertencentes à tradição siro-ocidental, em primeiro lugar, e à siro-oriental, em segundo lugar. Textos cuja atribuição aos grandes Padres dessas Igrejas, Efrém, Tiago, Isaac, nos leva à comunhão com todos os cristãos que, por 2.000 anos, invocaram o Senhor na língua com que ele nos ensinou a invocar a Deus como Pai.

Da tradição siro-ocidental, damos a tradução de alguns textos das Vésperas da festa. A liturgia desse dia sublinha de modo especial a dimensão eclesial da festa na presença em torno de Maria de todas as hostes dos anjos e dos homens: "Fazei-nos dignos, ó Cristo Deus, de celebrar com alma pura e corpo sem pecado, junto com as multidões dos anjos e aos coros dos homens justos e dos apóstolos, este dia festivo de Vossa Mãe Santíssima. Conservai-nos pelas suas orações e pelas suas súplicas, livrai-nos de todo mal no corpo e na alma. No dia do trânsito da Virgem Maria, os apóstolos celebram a sua liturgia sagrada; as hostes dos seres de fogo e de espírito, com as almas dos justos, dispõem a procissão rumo à sua sepultura e honram o dia do trânsito da virgem Maria, filha de Davi, a Mãe que gerou Deus. A paz esteja contigo, filha de Davi, virgem cheia de graça, santa e cheia de beleza. Anjos e homens se admiram e se maravilham com o teu trânsito deste mundo para o teu Filho".

E, ainda na véspera da festa, um dos textos de uma beleza e profundidade teológicas únicas no seu gênero. "Louvo a Vós, Cristo, nosso Deus, grande e, ao mesmo tempo velado, que descestes para habitar no seio da Virgem, Vossa Mãe, que não conheceu as núpcias. Vós vos fizestes semelhante a nós, exceto no pecado; e nós, vossos servidores na terra, na memória de Vossa Mãe, louvamo-la: 'Tu és a esposa perfeita e a Mãe pura, fonte de benefícios, que não conheceu as núpcias. Tu és o fermento da vida misturado com as três medidas de trigo, o Cristo. Tu és o orgulho dos cristãos. No dia do teu trânsito, tu encheste o mundo de admiração; os coros dos anjos acorreram para honrar-te e unir-se aos apóstolos, reunidos para honrar a tua morte e sepultar o teu belíssimo corpo. Eles te viram deitada no leito e envolta em glória inefável, os céus abertos, e os exércitos dos seres luminosos voavam e desciam para honrar-te'. Ó dia grande e feliz dia em que a Mãe foi ao encontro do seu Unigênito. Pedro, o chefe dos apóstolos, porta o leito fúnebre, e Gabriel, o chefe dos anjos, canta: 'Bem-vinda és tu, ó Mãe bendita e esposa pura! Louvor a ti, morada do Espírito Santo e câmara nupcial do Rei celeste, vinha fértil que deu o cacho da alegria, cujo vinho embebe toda a criação. Bem-vinda és tu, Virgem cheia de graça, rosa desejável e lírio cheio de perfume, filha bendita que libertaste Adão, teu pai, da escravidão do pecado. Bem-vinda és tu, mesa abençoada, que ofereceste o pão da vida às almas que morreram pelo pecado, pão que se torna alimento espiritual para a vida nova'".

Da tradição siro-oriental, seguem aqui alguns trechos da liturgia: "Bendita és tu, ó virgem, prometida em casamento, mas não conhecida pelo homem. Bendita és tu, que tens um Filho, mas a tua virgindade não foi conhecida pelo homem. Bendita és tu, mar sem igual, o teu noivo é o teu Filho predileto. Bendita és tu, ó terra na qual foi formado o Senhor de Adão e na carne ele habitou. Bendita és tu, árvore prodigiosa, que produz o fruto cheio de admiração. Bendita és tu, arbusto extraordinário, não consumido pelo fogo. Bendita és tu, cetro do filho de Arão, que germinou as amêndoas sem ter sido plantada; no seu ventre, ele se fez homem. Pelo teu corpo puro que portara o Filho de Deus chegara o momento de beber o cálice que Adão tinha enchido para os seus filhos. O Senhor ordenou que os anjos do céu prestassem homenagem ao corpo de sua Mãe. Eles a escoltaram com solenidade e honra, como lhes tinha sido ordenado. Glória Àquele que exaltou o dia da sua assunção".

Ambas as tradições invocam Maria como aquela que intercede junto a Cristo, seu Filho. Invocações que assumimos neste dia de festa, em comunhão com os nossos irmãos iraquianos e do Oriente Próximo, que cantarão na sua liturgia estes textos abençoados, ou que talvez só poderão vivê-los na liturgia de testemunho martirial das suas vidas: "Cristo, nosso Deus, que aceitais os pedidos dos pecadores e ouvis os prantos daqueles que estão aflitos, que honrais a memória da assunção de Vossa Mãe, a Virgem pura, acolhei agora o perfume da nossa oração, perdoai as nossas culpas e refazei os nossos pecados pela sua intercessão. Na Vossa imensa misericórdia, aceitai, em nome da tua Igreja, as ofertas e os dons que vos oferecem os seus filhos fiéis em homenagem da Vossa Mãe, Rainha dos anjos e dos santos".

"Ó Cristo, nosso Salvador, tornai-nos hoje dignos da Vossa clemência, para alegrarmo-nos e gozar com Maria na vida que nunca acaba."

 

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