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Matta el Meskin:

Comunhão no Amor

trad.: Pe. José Artulino Besen*

A nossa comunhão é com o Pai
e com o seu Filho Jesus Cristo. 1Jo 1,3

XIII. A Ascensão

legremo-nos na festa da Ascensão, em que Cristo nos fez assentar-nos com ele nos céus e preparou para nós a bem-aventurada morada que nos tinha prometido, à direita da Potência, no alto dos céus, a fim de que fôssemos para sempre nele reconciliados com o Pai e guardados pela graça e pela misericórdia do Altíssimo. Diversamente do primeiro Adão, que morou no paraíso de árvores e frutos e era de quando em quando visitado por Deus, nós, em nosso amado Redentor - o segundo Adão - moramos sempre com Deus. Mesmo se agora estamos exilados de nossa morada celeste, mesmo se sofremos um pouco, de modo que nossa fé possa receber justificação e nós possamos nos tornar dignos desta esplêndida herança, nós vivemos, por meio da fé, como se estivéssemos constantemente assentados nos céus; vivemos plenos da esperança colocada em nós por Cristo e cheios do amor que transforma a dor em alegria, o invisível no visível, através dos olhos do coração. Deste modo, esperamos, com paciência e gratidão, o dia do encontro, quando gozaremos ao ver a face do amado, Cristo, do qual nunca mais seremos privados.

Também esta era a alegria de Cristo, antes de subir ao Pai: dom pelo qual rezou (cf. Jo 17), para que pudéssemos estar onde ele mora para sempre e pudéssemos contemplar sua glória e nela viver. Após a ascensão de Cristo, esta glória transformou-se numa realidade vivente, como testemunhou o mártir Estevão: enquanto abandonava sua morada terrena, seus olhos contemplaram, na certeza da fé e da visão, o lugar que Cristo lhe tinha preparado, uma morada estupenda, não feita por mãos humanas, estável para sempre nos céus: o corpo de Cristo, que contém todas as coisas.

Agora, nós comemos seu corpo e bebemos seu sangue com olhos fechados: não conseguimos ver o esplendor de seu corpo nem a glória de seu sangue sem nos amedrontar, sem cair com a face por terra e ficar mudos ao receber a terrível brasa ardente da divindade. Mas, por que nós mesmos não podemos nos ver unidos a este corpo, na luz plena da divindade? Por que não podemos ver o sangue de Cristo que se difunde em nós e nos transmite o Espírito divino derramando-o em nosso ser, de modo a poder tornar-nos tanto um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, como reinar com ele na herança da dignidade ilimitada dos filhos do único Pai?

O apóstolo Paulo nos incita com uma insistência espiritual, compreensível somente por quem foi iniciado pelo Espírito nos segredos da presença divina: Se ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo se encontra (Cl 3,1). Portanto, por si, só a ressurreição não é suficiente. Após a ressurreição, há a glória da vida na presença de Deus, onde Cristo se assentou conosco à direita do Pai, à disposição daqueles que o amam e que não podem suportar viver sem ele.

Onde quer que se encontre Cristo, também nós temos o direito de estar. Este pedido está incluído na própria natureza do pedido e do desejo de Cristo; realmente, recebemos este direito em virtude de nossa humanidade, com a qual Cristo se uniu de boa vontade e com amor, prometendo não abandoná-la, nem esquecê-la, um instante sequer, nem durante um piscar de olhos.

Procurar as coisas do alto, onde se encontra Cristo, significa procurar morar constantemente na presença de Deus: isto tornou-se para nós um direito eterno em Cristo, direito que agora pedimos com insistência, em lágrimas. Uma vez que o possuímos, não pode mais ser-nos tirado, porque é a herança reservada para nós no céu, herança que não é diminuída nem pela nossa enfermidade, nem desaparece com a decadência de nosso ser carnal.

A relação entre a humanidade e o Espírito vivificante tornou-se possível graças ao sacrifício redentor de Cristo: É bom para vós que eu vá... quando eu for vos mandarei [o Consolador] (Jo 16,7). Ele me glorificará, porque tomará do que é meu e vo-lo anunciará (Jo 16,14). Por isso, a glória da cruz e do sangue derramado é a posse da santa Trindade na sua totalidade: posse do Pai que aceita o sacrifício do Filho e o glorifica (Todas as minhas coisas são tuas e todas as coisas tuas são minhas: Jo 17,10), posse do Espírito Santo que mora no Pai e por isso possui tudo o que pertence ao Pai, inclusive o sacrifício e a glória do Filho.

Viver na presença de Deus, conscientes da união com Cristo livremente realizada por ele em nós e para nós, é o segredo da felicidade entregue a nós, por Cristo, em meio aos sofrimentos do mundo e apesar da impotência da humanidade e de seu trágico fracasso. Esta consciência nos dá uma paz interior que supera a inteligência com todas as suas ânsias e fraquezas.

Mas, este sentido de estar na presença de Deus não é uma simples alegria da qual gozar. Pelo contrário, é oração com todo o seu calor, a sua paz e a sua sobriedade: é a oração perfeita na qual o corpo encontra repouso, a alma encontra paz e o Espírito se alegra na recordação da Trindade, na glorificação do Pai, na repetição do nome do Salvador, na invocação incessante do Espírito Santo, com a esperança e a audácia derivadas da cruz e do sangue derramado.

Somos constrangidos a gemer em nós mesmos por causa do peso de nossa carne: ela é como uma tenda rasgada por ventos impetuosos e nós suspiramos por vestir o hábito celeste. Mas isso não é possível pois, primeiramente, devemos nos despojar do homem velho para revestir-nos de Cristo e morar nele sem temor: aquilo que é corruptível, de fato, não pode herdar a incorruptibilidade. Por isso, nossas preces continuarão misturadas com lágrimas, e a nossa alegria de habitar na presença divina será traspassada por gemidos de aflição, por causa de nossa incapacidade de vestir aqui o hábito celeste. Mas, pela fé, nós sabemos que, do mesmo modo que vestimos o hábito terreno, assim vestiremos o celeste e nunca mais seremos privados da graça divina: aquele que nos criou é o mesmo que nos recriou e preparou para uma renovação na plenitude da santidade e da justiça de Deus.

Portanto, devemos admitir nossa miséria atroz, mesmo se nos foi dada e transmitida toda a riqueza do Filho. Este mundo de falsidade e de engano não reserva riquezas para nós: aqui não existe cidade permanente para nós, nem habitação estável, não existe honra, nem fama, nem verdadeira consolação. Pelo contrário, estamos à procura do mundo que há de vir, onde não há engano nem sombra de mudança. É nesta linha que Paulo nos estimula a procurar as coisas do alto. Como pode o homem procurar essas coisas se deseja coisas que estão nesta terra e ainda grita por aquilo que está nas mãos e na boca dos outros? Ou consentimos nas coisas mais terrenas para que se tornem nossa alegria, a nossa consolação e a nossa glória, ou então rejeitamos aquilo que é daqui de baixo em troca das coisas lá de cima, a glória de Deus.

Aqueles que procuram e gemem por honras nesta terra, não terão mais o poder da fé nas coisas do alto para estar em condições de procurá-las; aqueles que procuram o que está na terra, não podem procurar o que está nos céus. Aqueles que, na verdade, não se consagram para procurar as realidades celestes são privados da glória da ascensão e perdem os frutos da cruz e da ressurreição. Pois Cristo suportou os sofrimentos, as paixões e a crucifixão por amor da alegria colocada diante dele: a alegria da grande reconciliação definitiva realizada quando ele ofereceu ao Pai a humanidade, juntamente com ele - uma humanidade redimida, justificada, purificada e lavada no sangue - e fê-la assentar-se a seu lado à direita do Pai.

Do mesmo modo, como os sofrimentos da cruz foram coroados com a ressurreição, assim a ressurreição foi coroada com a ascensão e o assentar-se à direita do Pai. Portanto, na ascensão está incluído o mistério do suportar todo o sofrimento, também até a morte; e no assentar-se nos céus junto com Cristo está a suma esperança, a máxima alegria e a finalidade última de toda a criação, tanto da velha como da nova. 

Publicação em ECCLESIA autorizada pelo Tradutor, Pe. José Artulino Besen.

 

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