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Matta el Meskin:

Comunhão no Amor

trad.: Pe. José Artulino Besen*

A nossa comunhão é com o Pai
e com o seu Filho Jesus Cristo. 1Jo 1,3

XIV. Pentecostes:  a Promessa do Pai

Conteúdo:

XIV.1 Após a redenção

XIV.2 A revelação do amor do Pai em Pentecostes

XIV.3 A adoção através do Espírito Santo

XIV.4 A unção de filhos

XIV.5 A comunhão de amor

XIV.6 Os dons do Espírito Santo devem ser acesos

XIV.7 A nossa comunhão com os apóstolos

XIV.8 A dúplice efusão do Espírito Santo

 

Ascensão do Senhor,  já comentamos, quarenta dias após a ressurreição e o modo como ele completou a Redenção iniciada na Cruz. Quando, naquele dia, subiu e atravessou a barreira que nos separa do Pai e penetrou até o interior do véu do santuário como precursor, para nossa vantagem (cf. Hb 6,19-20), Cristo entrou com as mãos tingidas do próprio sangue e compareceu diante do Pai imolado na carne por causa de seu amor e de sua obediência. A ira de Deus pela transgressão do homem foi aplacada para sempre: o próprio Filho tornou-se oferta de expiação pela humanidade imperfeita. Daí deriva a expressão Jesus entrou por nós como precursor... dando-nos assim uma redenção eterna (Hb 6,20; 9,12).

Por isso, através de sua ressurreição e ascensão à direita do Pai, Cristo completou o dom descido do céu, tornando perfeita a redenção e assegurando a salvação a todos que crêem nele.

XIV.1 Após a redenção

O que permanece após a redenção e a salvação é o nosso ingresso na comunhão com o Pai, o poder viver com ele no amor, como filhos. Uma coisa é morrer com Cristo, ressurgir com ele, com ele assentar-se nos céus, e outra é viver com o Pai na comunhão do amor dos filhos. Esse é o dom realizado pelo Espírito Santo, um tempo chamado “a promessa do Pai”, cuja data estava fixada na história da humanidade: esse dom foi preanunciado pelos profetas, foi retomado por Cristo e realizado em Pentecostes.

XIV.2 A revelação do amor do Pai em Pentecostes

Todos sabem que Cristo realizou o projeto divino mediante a carne, isto é, a morte, a ressurreição, a ascensão e o assentar-se à direita do Pai. Mas, em Pentecostes, o Pai realizou o próprio projeto mediante o Espírito Santo. Enquanto que o objetivo do Filho é a salvação mediante a remissão do pecado e do castigo conseqüente e o restabelecimento da relação entre Deus e o homem na base de uma reconciliação eterna, a vontade do Pai é que nós vivamos com ele no amor de filhos: esta vontade se realizou em Pentecostes como resultado da obra de Cristo.

Onde terminou a missão de salvação e de redenção do Filho, teve início a missão de amor e de adoção do Pai. Referente a isso afirma expressamente o Senhor: Nesse dia vocês pedirão em meu nome e não será necessário que eu os recomende ao Pai, pois o próprio Pai ama vocês, porque vocês me amaram e acreditaram que eu saí de junto de Deus (Jo 16, 26-27).

A afirmação de Cristo – O Pai vos ama e naquele dia – realizou-se definitivamente em Pentecostes, quando o Pai enviou o Espírito Santo, o seu Espírito, o Espírito do amor paterno, um tempo indicado como “a promessa do Pai”. Paulo o explica com estes termos: o amor do Pai foi derramado em nossos corações por meio do Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5). Isso significa que a primeira impressão, na mente e no coração, neste grande dia de Pentecostes, deveria ser o afeto do Pai por nós, um sentimento de amor paterno e ardente derramado sobre a humanidade, que se seguiu à realização, por parte do Filho, de todas as condições exigidas para a redenção e a salvação.

Esta é a nossa porção de glória naquele grande dia; este é o tesouro de amor ao qual tiveram acesso os fiéis de todos os tempos, sem que jamais se esgotasse; este é o ardente amor do Pai que nos faz gritar incessantemente: Abbá, Pai!. De fato, o Espírito de Pentecostes é um Espírito de fogo que desce diretamente do Pai e dele comunica, através das chamas, a compaixão e o amoroso afeto mantidos ocultos da humanidade por milênios de anos.

Gostaria que tomássemos consciência da eficácia e da magnificência deste amor, porque o seu mistério é extremamente profundo. Demonstrou-se doador de vida e é semelhante a um fogo capaz de transformar a nossa natureza, assim como o fogo transforma o pó em ouro. Com o mesmo amor com o qual Deus amou seu Filho unigênito, Deus escolheu, neste “dia divino”, amar-nos e derramar sobre nós abertamente o seu Espírito. Assim, transformou-nos de servos em filhos e nos elevou da terra ao céu, pelos méritos de seu Filho que desceu à nossa terra e se imolou por amor de nós.

XIV.3 A adoção através do Espírito Santo

Quando Abraão obedeceu a Deus e esteve a ponto de imolar o próprio filho, na submissão à voz do céu, recebeu a misericordiosa graça de Deus que jurou abençoá-lo e dele fazer uma bênção. Mas, em Pentecostes – dia no qual todos os nossos dias foram abençoados, depois de Cristo ter completado a lei na carne, tinha obedecido ao Pai até a morte de cruz, subira e aparecera diante do Pai com o próprio corpo imolado – Deus realizou algo maior do que um juramento: seu amor derramou-se sobre toda a humanidade e derramou sobre cada homem o Espírito Santo, no qual reside toda a graça, o amor e a bondade de Deus, como predisse Joel, o profeta do Pentecostes. Com esse Espírito do Pai, o mundo inteiro foi abençoado.

Este amor assume a forma de uma ligação de adoção. Como o Pai amou seu Filho, no mesmo modo, e mediante o mesmo Espírito, Deus também nos amou e enviou o Espírito de seu Filho nos nossos corações (Gl 4,6). Eis a adoção em virtude da qual temos pleno direito de chamar Deus “Abba, Pai!”. É o mesmo Espírito, derramado em nós pelo Pai, que grita em nós, testemunhando que somos filhos de Deus.

Esse é o Espírito de adoção que nos tornou aptos a partecipar da herança de Cristo, da qualidade de filhos de Deus, exatamente como afirma Paulo: Mas vós recebestes um Espírito de filhos pelo meio do qual gritamos: Abbá, Pai!. O próprio Espírito atesta ao nosso espírito que somos filhos de Deus. E se somos filhos, somos também herdeiros: herdeiros de Deus, co-herdeiros de Cristo (Rm 8,15-17).

XIV.4 A unção de filhos

Depois que o Filho tinha predisposto em si mesmo todas as condições preliminares, e depois que os discípulos se reuniram no cenáculo segundo sua ordem, esperando aquilo que fora prometido e dedicando-se à oração unânime, a promessa do Pai com relação ao Espírito Santo se realizou e o processo de adoção, há tempo prometido pelo Senhor e esperado pelos discípulos, foi completado.

A promessa se realizou com uma unção de fogo por parte do Pai, a qual nos deu o poder de uma vida imortal em comunhão com a Trindade. A profundidade desta comunhão é inexprimível e nós agora vivemos na sua plena manifestação. A essência desta vida é um amor paterno que, de per si, é doador de vida e contém em si o mistério do nascimento do alto.

Cristo vê a sua descendência, vive longos anos, por meio dele se cumpre a vontade do Senhor; ele verá o fruto da fadiga de sua alma e dela se saciará (cf. Is 53,10-11).

Grande foi a alegria de Cristo naquele dia quando, assentado à direita do Pai, viu o Espírito Santo imprimir o selo do Pai em toda a obra que ele tinha realizado através dos sofrimentos, e quando deu testemunho a seus discípulos, adotados pelo Pai como Igreja que fazia seu ingresso em uma nova era, a era do beneplácito do Pai, a era do amor eterno da qual jamais seria separada.

Cristo, naturalmente, se alegrou com tudo isso, pois era o que tinha insistentemente pedido ao Pai: Que o amor com o qual me amaste esteja neles (Jo 17,26). Esta é a unção do Pai, doada segundo o pedido de Cristo e por causa de seu amor, sobre a Igreja reunida unanimemente em Pentecostes. É a mesma igreja que ainda hoje se reúne como Igreja católica para receber essa mesma unção de alegria e de amor paterno, no mesmo modo com o qual no Jordão deu-se a unção do Filho encarnado, quando ele recebeu o Espírito que descia sobre ele juntamente com a voz do Pai: Este é meu Filho predileto, no qual ponho minhas complacências (Mt 3,17).

Essa equivalência entre o amor do Pai pelo Filho e o amor pelo homem novo, representado pela Igreja dos apóstolos reunidos no cenáculo, ultrapassa qualquer compreensão. O amor do Pai derramado sobre o Filho através do Espírito Santo foi derramado do mesmo modo e através do mesmo Espírito também sobre a nova humanidade, sobre todos aqueles que aceitam a redenção e a adoção em Cristo, para que o amor com o qual me amaste esteja neles (Jo 17,26).

XIV.5 A comunhão de amor

Precedentemente, já afirmei que o Espírito derramado pelo Pai com a unção de amor é essencialmente vida no Pai. O Espírito une firmemente a humanidade em uma comunhão com o Pai, comunhão de amor e de vida eterna, porque o amor do Pai é vida, e a vida em comunhão com o Pai é o amor fundamental.

Cristo previu esse dia maravilhoso, dia no qual a Igreja viveria do amor do Pai, e sua alma encontrou consolo no futuro de seu pequeno rebanho. Deste modo ele fortaleceu os discípulos quando a sombra da cruz ameaçava oprimi-los com seus sofrimentos: porque eu vivo e vós vivereis (Jo 14,19). Ele já tinha explicado de onde jorrava essa vida quando tinha dito: Eu vivo para o Pai (Jo 6,57). Portanto, o significado se torna claro: “Eu vivo para o Pai, por isso, comigo, vós vivereis para o Pai”.

Essa é a comunhão de vida com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, comunhão que os discípulos viram e viveram e com a qual se alegraram, comunhão de que nos falou o apóstolo João dizendo-nos que também hoje nos é oferecida: A vida se fez visível, nós a vimos e disso damos testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava junto do Pai e fez-se visível a nós; aquilo que ouvimos e vimos, nós o anunciamos também a vós, para que também vós estejais em comunhão com ele. A nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. Escrevemos estas coisas para que a vossa alegria seja perfeita (1Jo 1,2-4).

Com isso entendemos que a comunhão com o Pai obtida por Cristo, para nós, através de sua encarnação e por ele completada com o seu assentar-se à direita do Pai, era a garantia, a primícia, o modelo perfeito que, no plano de Cristo devia constituir o fundamento para a comunhão de vida da humanidade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

A obra de Cristo não terminou com sua ascensão e com seu glorioso assentar-se à glória do Pai nos céus: realmente, não seria possível que Cristo se satisfizesse e a sua alegria fosse completa, sem que fosse completamente realizado  seu plano que previa a aquisição, por parte da humanidade, de uma comunhão com o Pai, de uma relação eterna, de um amor e de uma adoção igual àquela que ele buscou para nós no corpo de sua humanidade. Isso tinha sido objeto de um específico pedido de Cristo ao Pai, antes da crucifixão: Agora, porém, eu venho a ti e digo-te estas coisas enquanto estou ainda no mundo, para que tenham em si mesmos a plenitude de minha alegria (Jo 17,13)

XIV.6 Os dons do Espírito Santo devem ser acesos

A comunhão de amor e de vida com o Pai e o Filho através do Espírito Santo, esta comunhão que foi derramada no dia de Pentecostes, que pôs sua moradia na Igreja, pode ser sentida em nosso íntimo somente com uma grande mansidão e humildade.

Se é verdadeiro que o Espírito de Pentecostes era palpável e visível como línguas de fogo, é também verdade que esse Espírito jamais se esfriou ou foi extinto. Seu fogo permanece latente nos corações que sabem como reavivar a chama com a oração, a humildade e o amor. O fogo do Espírito Santo é vivo e tem necessidade apenas de ser abanado; espera o óleo da graça para inflamar os carismas e aumentar a unção. Felizes aqueles que a cada dia recolhem ao menos uma gota deste óleo: verão como o Espírito queima e como se espalha a fragrância do perfume de Cristo. Como a abelha operosa recolhe o mel do néctar das flores, assim nós recolhemos o óleo mediante a vigília, a ascese e a autêntica mansidão, a doce pobreza e o jejum alegre, a súplica incessante, o honrar cada ser humano, o dar graças por cada coisa, o bendizer todo nome.

O Espírito Santo é, por sua natureza, manso e calmo; sua voz não pode ser ouvida nem sua forma vista a não ser por aqueles que se encontram unânimes na intimidade do amor e esperam a promessa do Senhor, aqueles que abrem o coração e erguem os olhos para o lugar onde Cristo está assentado, pedindo aquilo que pertence aos filhos e procurando a face do Pai. A estes o Espírito se manifesta como uma luz para o olho interior e como um fogo que enche os corações, de tal forma que cada boca está cheia do louvor a Deus. Os jovens divisarão a luz do mundo (Jo 8,12) nas suas visões e os anciãos reconhecerão Cristo em seus sonhos (cf. At 2,16-18).

XIV.7 A nossa comunhão com os apóstolos

Não esqueçamos que, através da descida do Espírito em Pentecostes – Espírito que desde aquele dia brilha na igreja e que ainda hoje nos enche de vida, de luz e de amor – passamos a ter com os santos uma comunhão que dura para sempre: de fato, o Espírito da autêntica comunhão, desde aquele dia, se estende sem interrupção a partir dos próprios apóstolos. Basta-nos permanecer firmemente ligados a este Espírito da promessa, santo e vivente para sempre. Devemos agarrar-nos a ele com todo o coração e jamais abandoná-lo, devemos respirá-lo a plenos pulmões e cortejá-lo com todo o nosso afeto, de modo a conseguir participar plenamente, nele, na comunhão com os santos e com o próprio Cristo. Como disse Paulo: Com alegria agradeçamos ao Pai que nos fez aptos a participar da sorte dos santos na luz. É ele, de fato, que nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino de seu Filho amado (Cl 1,12-13). Este é o máximo desejo pelo qual Cristo insistentemente implorou ao Pai: Pai, quero que, onde eu estiver, estejam comigo aqueles que me deste (Jo 17,24).

XIV.8 A dúplice efusão do Espírito Santo

A diferença entre o soprar de Cristo em seus discípulos após a ressurreição e a descida do Espírito em Pentecostes é extremamente forte e os dois eventos são complementares. A obra do Filho, completada através da encarnação e da redenção, termina com a nova criação: Deus nos regenerou, mediante a ressurreição de Cristo dos mortos, para uma esperança viva (1Pd 1,3). Sobre esta criação nascida à sua imagem, Cristo derramou o seu Espírito Santo para que, na força de sua qualidade de Filho criador e de novo Adão, nela pudesse viver o Espírito doador de vida. Mas, como a perfeição desta criação devia ser completada pela obra do Pai, Cristo ordenou a seus discípulos que, mesmo pós ter recebido esta sua efusão, não abandonassem o lugar em que  se encontravam mas, pelo contrário, esperassem “a promessa do Pai”. Deste modo, após ter obtido “a promessa do Filho”, eles permaneceram na expectativa da “promessa do Pai”. A promessa do Filho consiste numa comunhão com Cristo em virtude do Espírito Santo. Após a ressurreição, Cristo soprou o Espírito Santo sobre seus discípulos para que pudessem ter plena comunhão em sua morte e ressurreição como nova criação: de fato, sem o Espírito Santo era-lhes impossível obter a comunhão com Cristo. Analogamente, a promessa do Pai é a comunhão com o Pai em virtude do Espírito Santo através da adoção de filhos. É evidente que o sopro do Filho sobre os discípulos após a ressurreição e a descida do Espírito Santo do Pai como uma unção em Pentecostes  realizam – ambas – uma única ação no homem, mesmo se constituem duas operações místicas separadas, como o batismo e a crisma. Ambos são sacramentos da ação do Espírito Santo, no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ele vos batizará em Espírito Santo e fogo (Mt 3,11).

Através do batismo e da crisma, nós recebemos agora estas duas ações completadas uma pelo Filho (através do sopro do Espírito Santo após a ressurreição) e a outra pelo Pai (através da realização, em Pentecostes, de sua santa promessa feita aos discípulos), de modo que possamos obter aquilo que os discípulos obtiveram após a ressurreição e em Pentecostes: o renascimento para a nova criação como Igreja vivente e corpo de Cristo. 

Publicação em ECCLESIA autorizada pelo Tradutor, Pe. José Artulino Besen.

 

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