«SANTO ESTÊVÃO, PROTOMÁRTIR E ARQUIDIÁCONO»

Santo Estêvão, Protomártir e Arquidiácono

A Igreja celebra neste dia 27 de Dezembro, o Santo Protomártir e Arquidiácono Estêvão.

Santo Estêvão, um dos sete diáconos escolhidos para aliviar os apóstolos dos trabalhos materiais da comunidade cristã nascente, foi lapidado pelos judeus, como narram os Atos dos Apóstolos, por volta do ano 37. Entregou a alma perdoando seus carrascos.

Seu santo corpo, sepultado por homens piedosos, foi reencontrado em 415 em Cafargamala, em seguida a uma aparição ao padre Luciano, e transferido a Jerusalém para uma igreja construída pela Imperatriz Eudóxia, esposa de Teodósios o Jovem.

Destruída pelos persas em 614, a igreja do Proto-mártir Estêvão foi reedificada em 1898 pelos Irmãos Pregadores. Seu nome significa, em grego, coroa: o Tropárion faz alusão a este sentido etimológico.. [...]

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«SINAXE DA THEOTOKOS» (Santa Mãe de Deus)

«Fuga para o Egito» (Kosovo-Sérvia)

Santa Virgem Maria é chamada Mãe de Deus (em grego «Theotókos») e Ela o é verdadeiramente, pois gerou segundo a carne, o Verbo Divino. A festa de ontem celebrava um fato histórico. A de hoje é a festa da maternidade divina da Virgem.

Nosso Senhor é Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, em Sua Única Pessoa foram unidas a Natureza Divina, sem mudança e a natureza humana criada em seu estado perfeito e gerada maravilhosamente por ação do Divino Espírito Santo no Seio da Virgem Maria. Por isso Maria é Mãe de Jesus da mesma forma que outras mães o são para seus filhos, e mais perfeitamente ainda. E uma vez que Jesus é verdadeiramente o Verbo de Deus, o Próprio Deus, Maria é verdadeiramente a Mãe de Deus.

É um dogma definido solenemente pelo Concílio de Éfeso em 431, mas que Isabel já havia expressado no dia da Visitação: «De onde me foi concedido que a Mãe de meu Senhor venha a mim?» (Lc 1,43) [...]

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MENSAGEM DE S. B. JOÃO X DE ANTIOQUIA

CARTA PASTORAL DE S. B. JOÃO X, PATRIARCA DE ANTIOQUIA E TODO O ORIENTE,

POR OCASIÃO DA NATIVIDADE DO SENHOR DE 2013

 

JOÃO X, pela misericórdia de Deus,
Patriarca de Antioquia e Todo o Oriente

ANTIOQUIA

Aos meus filhos em todos os extremos desta Sé Apostólica

Estas festas salvíficas chegam a nós em meio a acontecimentos pelos quais nossa Igreja Antioquina deve passar. Em primeiro lugar a perda de nosso Pai e Patriarca Ignatios IV, que foi nosso Pastor com esmero e fidelidade por várias décadas. Sua memória permanecerá em nossas mentes e corações constantemente e será eterna junto a Deus, a quem ele serviu por toda a sua vida. Nossa igreja também sofre com as condições trágicas que nosso povo experimenta como conseqüência da violência e desordem que imperam na região.

Quis a graça do Espírito Santo que meus irmãos do Santo Sínodo me elegessem o sucessor neste Pontificado Maior, ainda que eu não me sinta digno do mesmo, porém minha fé em Deus e confiança em vocês, irmãos e filhos de minha Igreja, me fortalecem e me fazem ver com esperança o auxílio divino que me permitirá superar as adversidades e avançar para um futuro melhor.

Em meio a estes acontecimentos vocês deixaram em meu coração a certeza de haver vivido este período como o povo do Deus Vivo, o que vocês demonstraram com três atitudes: com seu sentimento,  ao expressar suas condolências por meu antecessor; com a oração, jejum e a esperança durante o período anterior à eleição; e, finalmente, com a alegria, o júbilo e a paz que se manifestaram após a eleição. Tudo isso me faz estar agradecido e orgulhoso de vocês, e a manter a fervente esperança no Corpo Indiviso de nossa Igreja.

E é assim que o Menino vem a nós na gruta, para morrer por nós e nos lembrar que Ele está conosco, que nos fala e confia em nós para transmitir a mensagem de paz e amor que Ele divulgou a cada um de nós e a todo o mundo. Ele vem a nós humildemente, chamando à porta de nossos corações com cuidado, como se quisesse nascer neles.

O Natal não é somente a comemoração do nascimento de Jesus em uma gruta, da Virgem Mãe de Deus, mas também deve ser a festa de seu nascimento em nós, o que acontecerá se nos esforçarmos por chegar à pureza da Virgem Maria. O nascimento de Jesus em nós deve nos fazer renovar nosso compromisso com seus ensinamentos e nosso esforço por ser sua Igreja sem mancha e sem fraqueza, mas pura e resplandecente com seu Santo Espírito. Assim, estaremos conscientes de que a Igreja de Cristo é nossa Mãe e que os Pastores e os fiéis são chamados a ser seus apóstolos, convidando seus irmãos no mundo à reconciliação e à não-violência, para que prevaleça a paz.

O mundo não se convencerá se não sentir o amor abundante dos discípulos de Jesus e seu serviço a ele.

A Igreja é nossa mãe. Cada um de vocês é importante e seu lugar nela é único. Vocês têm o direito de pedir a seus Pastores uma boa pastoral; e o Pastor, em todos os níveis de seu Ministério, deve sair ao encontro dos fiéis, ouvir seus problemas e se esforçar por ajudá-los e por responder a seus questionamentos existenciais.

Vocês que obedecem à Palavra de Deus e se esforçam insistentemente por identificar-se com Ela, também têm o direito de opinar e propor soluções para os assuntos da Igreja, uma vez que todos os filhos, junto ao Senhor da família, velam pelo futuro desta mesma Família.

Este Natal chega a nós quando muitos dos filhos de nossa Igreja estão dispersos, longe de seus lares e sofrendo muito. Temos o dever fraterno de acolhê-los e acompanhá-los, não somente com dinheiro e a assistência material necessária, mas também servindo-os com carinho e caridade.

Este Natal chega a nós quando nosso povo enfrenta muitas mudanças e desafios em um mundo que se vale cada vez menos dos valores tradicionais, fazendo uso da violência, do desejo de consumo e da posse de uma nova lei de vida. Os gastos excessivos que acompanham essa festa, a festa do Pobre de Belém, devem ser uma advertência que nos conscientizem de que temos submetido nossas vidas a valores semelhantes; e assim como nos acostumamos a oferecer mutuamente presentes como os Reis Magos fizeram com o Senhor Jesus, expressemos também nosso amor pelo Filho de Deus que vem a nós, da maneira como Ele nos convidou: dando de comer ao faminto, visitando o enfermo, hospedando o desamparado e oferecendo-lhe tudo que esteja a nosso alcance.

Este Natal chega a nós quando muitos em nossos países se questionam quanto a seu futuro. Irmãos, o Menino do Presépio dos diz: “Não temam, porque eu estou com vocês; não temam, porque vocês são irmãos, chamados à colaboração e à assistência mútua; não temam, porque vocês são o povo destas terras nas quais Deus quis que vocês nascessem, desde a Antiguidade. Não temam, porque aqui vocês têm muitos irmãos que vivem segundo o amor e o bom convívio. Não temam nem desanimem, mas recebam a todos com apreço, alegria e plena confiança em seu Deus, que é o Deus do Amor e que é, Ele próprio, o Amor. Sejam instrumentos da reconciliação e do diálogo sincero.

Celebramos este Natal com todos os nossos irmãos cristãos. Rezamos por eles, para que Deus nos permita aprofundar o diálogo com todos eles e para que cheguemos à união que Deus deseja e sem a qual o mundo não crerá que Jesus foi enviado pelo Pai.

Celebremos também com nossos irmãos muçulmanos, os quais reverenciam a Cristo Senhor e professam seu nascimento virginal da Virgem Maria, assim como Deus dispôs. Portanto, os fazemos partícipes de nossa festa se soubermos dialogar com eles no diálogo da vida, da convivência e do acordo sobre os conceitos que nos unem em nossa religião e nosso mundo.

Irmãos, prostremo-nos ante O Menino do Presépio que quis habitar entre nós.

Não me resta mais que dirigir-me a nossos filhos que fixam seus olhos em nós em todo o mundo, a nossos filhos no Golfo Árabe, na Europa, na Austrália e nas Américas. Vocês estão em meu coração desde que os conheci em minhas viagens e os encontrei em meu trabalho pastoral. Vocês são realmente a verdadeira expressão da apostolicidade de Antioquia hoje nos países nos quais vivem. Seu amor por Antioquia e seu modo de viver a fé me comprometem hoje mais que antes a nos unirmos no serviço da Igreja e a oferecermos um testemunho vivo de nossa unidade e amor. Assim, seremos testemunhas do Senhor no mundo, e nossa Igreja Antioquina será fiel à sua história, a qual resplandece com a luz de seus mártires e Santos. Não há outro caminho para nós senão a santidade que torna tudo possível.

Envio-lhes minha bênção apostólica, afirmando que levo cada um de vocês em meu coração, e peço a Deus que me faça seu servo fiel em favor de vocês e que trabalhemos juntos para a glória de Deus no homem que Ele amou e na Igreja que leva seu Nome neste mundo.

Padre Rafael Javier Magul,
pároco da Igreja São Nicolau de Goiânia e São João Batista de Ipameri-GO.
Igreja Ortodoxa Antioquina.
E-mail: rafaelmagul@hotmail.com
site: www.igrejasaonicolau.com.br)

SANTA NATIVIDADE DO SENHOR

Natividade do Senhor

A Igreja celebra hoje a «Natividade, segundo a carne, de Nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo».

A Festa da Natividade do Senhor, celebrada nas Igrejas do Oriente e do Ocidente, marca o nascimento de Jesus, o Verbo de Deus feito homem, em Belém. Tal festa é antecedida por um tempo de preparação e jejum que se encerra na noite de 24 de dezembro. O jejum é substituído pelo banquete da festividade e da alegria pela Encarnação do Verbo. O Menino recém nascido, impossibilitado ainda de falar, é a encarnação da Palavra Divina. O que os Patriarcas, Profetas, Justos e Reis desejaram ver e não viram, contemplamos hoje: a realização do plano salvífico que, ao fazer-se homem, glorifica nossa natureza humana, fazendo-nos partícipes da natureza divina. A encarnação do Filho de Deus reconcilia os opostos e aproxima os pólos diversos da criação: reúne o Céu e a Terra, o tempo e a eternidade, anjos e pastores, astros e animais, a virgindade e a maternidade, pois Maria é verdadeiramente Virgem fecunda e Mãe intacta [...].

O povo que caminha nas trevas
viu uma grande luz.
Sobre os que habitam o país da sombra da morte,
uma luz resplandece
». (Is 9,1)

Na noite se manifesta a luz divina; mas para que Deus receba a vida humana é necessário que a humanidade aceite dar à luz na carne e no mundo obscuro. Por isso o menino pequeno não ocupa o centro do ícone. O SIM das bodas de Deus com a humanidade, a porta aberta à encarnação de Deus, é Maria, filha de Israel, mãe humana de Deus, coberta com a sombra do Espírito Santo, envolta num véu de cor púrpura do Espírito Santo, o Espírito dos sete dons, das sete chamas do fogo incriado. A Virgem Mãe repousa no centro do ícone sobre a encosta de uma montanha. Representação da montanha messiânica, a que Deus dignou-se escolher como morada sua:

Montanha Divina, Montanha de Basham,
Montanha escarpada, Montanha de Basham [...],
a montanha eleita de Deus como morada sua.
O Senhor habitará nela para sempre» (Sl 68,16-17)

Eu consagrarei a meu Rei sobre Sião,
meu santo Monte.
(SL 2,6).

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DOMINGO ANTES DO NATAL OU DA «GENEALOGIA»

Domingo da Genealogia

O calendário Litúrgico Bizantino festeja neste domingo que antecede o Natal, a Genealogia de Jesus, como filho da humanidade. Tanto São Lucas como São Mateus nomeiam as gerações que antecederam o nascimento do Filho de Deus. O primeiro capítulo do evangelho de Mateus situa Jesus no tempo e na história dos homens como parte principal do projeto de Deus. Já se mostra aqui todo o mistério da pessoa e da ação de Jesus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. São Lucas apresenta a genealogia, não no primeiro capítulo como faz São Mateus, mas no capítulo terceiro, após falar de João Batista que veio antes para preparar o caminho do Senhor. Depois de apresentar Jesus como Filho de Deus, Lucas O apresenta como Filho da Humanidade. A genealogia é uma forma de contar a história, que é uma sucessão de gerações. Orígenes, um dos padres da Igreja do século III, encontra nos textos sagrados de Mateus e Lucas uma base sólida para defender a dupla natureza do Messias. Ressalta que José é chamado o “esposo de Maria” e não, como era costume dizer, Maria como a esposa de José. Defende deste modo a linhagem de Jesus vindo de Maria.  «Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão». (Mt 1,1) Este é o título deste capítulo, e resume quem é a pessoa de Jesus. O Antigo Testamento se abre com o livro do Gênesis (origem) , contando o início do universo e da humanidade. Com Jesus tem início a nova Criação, uma nova Humanidade. Ele é o novo Adão. Abraão representa o começo do povo de Deus. Sua aspiração mais profunda era ter uma terra e uma descendência. Deus lhe prometeu ser pai de um grande povo e possuir uma terra imensa (Gn 12). Mas é em Jesus, que ecoa toda a aspiração e história de um povo particular que reflete a história de toda a humanidade.

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