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Discurso de Sua Santidade o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, Pronunciado Durante a Visita à Universidade Lateranense

(28 de junho de 1995)

minentíssimos e caros irmãos na Igreja, magnífico reitor, senhores professores, amados filhos da Igreja, desejamos expressar a nossa sincera alegria e a nossa particular comoção, assim como a dos irmãos que nos acompanham, neste atual encontro feliz com os professores e os estudantes das universidades católicas da cidade de Roma.

É evidente que este encontro, além de sua importância protocolar e do seu aspecto de boas "relações públicas", nos propicia também a excelente ocasião de trocar fraternalmente algumas reflexões sobre o saber e sobre a ciência na Igreja e, através da Igreja, no mundo contemporâneo.

Neste espírito desejaríamos afirmar logo de início que o primeiro elemento a não ser jamais esquecido, como cristãos e intelectuais, é o caráter para nós relativo de cada consciência, ciência e arte. Já que não somos verdadeiramente a universitas litterarum do mundo, mas, principalmente, o testemunho vigilante do próprio Deus.

Inclusive nas verdades que se referem à salvação e à vida eterna, devemos lembrar a pia limitação de Paulo, pois, "o nosso conhecimento é limitado, e limitada é a nossa profecia" (1Cor 13, 9).

Lembranças dessas relatividades que já no ocaso do século vinte - paralelamente a todo o tipo de desordem e de profanas absolvições daquilo que é criado e relativo - formulou em uma teoria, felizmente científica, através de grandes pesquisadores guiados pelo famoso Einstein, teremos antecipadamente reforçados em nós mesmos de modo elementar com a modéstia da filo.

E se com um novo degrau no conhecimento e na ciência somos levados mais perto de Deus, elevando junto a nós, no que for possível, também o nosso próximo, então certamente da segurança da filo somos elevados ao limite da própria sabedoria e ao temor reverencial diante dele, concordando com o dito bíblico "o temor do Senhor é o princípio da ciência" (Pd 1, 7).

Um outro postulado moral para o cientista cristão ou em geral para o intelectual ou artista cristão, certamente é o respeito pela pessoa humana, que diferencia radicalmente o conhecimento e a antropologia de qualquer outro âmbito do saber.

O dogma bíblico sobre a criação do homem "a imagem e semelhança de Deus" implica em um respeito e temor infinito para com a pessoa humana cuja natureza e consciência, são por definição um extraordinário "mistério", análogo ao Deus invisível e inconcebível que ela representa no mundo. Por isso apesar de todos os progressos nos estudos chamados humanísticos, a pesquisas não será jamais em condições de pronunciar-se sobre a pessoa humana tão corretamente e categoricamente quanto nas ciências chamadas positivas.

Justamente neste contexto talvez não fosse sem interesse vos informar que a arquidiocese da Austrália, a eparquia do trono ecumênico mais afastada geograficamente, participando este ano à Global Cultural University Conference realizada em Sydney, tinha "a pessoa" como tema principal de uma série de conferências feitas nas maiores cidades do país. É evidente que com isso a nossa arquidiocese quis evidenciar justamente a unicidade e a sacralidade da pessoa humana, mais do que qualquer outro valor moral no mundo.

Resumindo, que nos seja permitido afirmar que somente estes dois princípios epistemológicos, isto é o da relatividade de todo o conhecimento por um lado, e do "mistério" da natureza humana por outro, se o cientista e em geral o intelectual cristão os assegurassem ao mundo contemporâneo, a sua contribuição seria justamente considerada como consagração para não dizer um verdadeiro "exorcismo" - de toda a paisagem cultural em volta de nós, quase sempre angustiada, que infelizmente leva com freqüência aos inconfundíveis sinais não só ateístas, mas inclusive ateístas e demoníacos.

Agradecendo calorosamente pela vossa atenção, desejamos que a iluminação do Paráclito irradie sempre a vossa vida, os vossos estudos e os frutos de vossas pesquisas para o bem do presente e do futuro dos homens, a glória de Deus. Amém!

Fonte:

Revista 30 Dias - Ano IX - nº 7 - Julho-Agosto/1995

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