Site Oficial do Patriarcado Ecuimênico de Constantinopla Voltar à Página Inicial Contate-nos buscador em www.ecclesia.com.br Acesso ao webmail ecclesia  
Voltar à Página Inicial Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul Novidades e Atualizações
Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas
Seleção de Textos Relacionados
Galeria de Fotos
Seleção de Ícones Bizantinos
Pedido de Oração à Comunidade Monástica São João, o Teólogo - São José - SC (Brasil)
Links Relacionados
O Patriarcado Ecumênico de Constantinopla
 
 
 
 
 
E C C L E S I A
Buscar na Web
 

 

 

Encíclica do Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, por ocasião do Ano Novo Eclesiástico, a respeito da preservação do meio ambiente

Prot. nº. 709

Trad.: Ricardo Williams G. Santos

1º de setembro de 2004

BARTOLOMEU
Pela graça de Deus, Arcebispo de Constantinopla,
Nova Roma, Patriarca Ecumênico.

À toda a Igreja

Na Graça e na Paz do Criador de toda a Criação, Nosso Senhor Deus e Salvador, Jesus Cristo.

 

Amados irmãos e filhos em Cristo,

 

Há quinze anos atrás, nosso venerável predecessor, o falecido Patriarca Demétrio emitiu o primeiro decreto oficial para a preservação do meio ambiente, uma encíclica dirigida à plenitude da Igreja, na qual estabeleceu o dia 1º de setembro como um dia de oração pela proteção do meio ambiente. Essa proclamação histórica enfatizou o significado da Eucaristia e o ethos ascético de nossa tradição, que oferecem uma correção ao estilo de vida consumista e uma alternativa à filo predominante de nossa época atual.

Os Pais da Igreja sempre insistiram na importância crucial do exame de consciência como um pré-requisito para o crescimento espiritual. Ecoando o clássico oráculo de Delfos, Clemente de Alexandria diz: “Conhece a ti mesmo! Se te conheceres, saberás todas as coisas”. Evágrio de Ponto afirma que: “Aquele que conhece a si mesmo conhece a Deus”. E Santo Isaac da Síria atesta que “Conhecer a si próprio é conhecer as próprias falhas, o que nos leva à ressurreição dos mortos”. Portanto, devemos considerar o que aprendemos como uma Igreja nos últimos quinze anos. Que conhecimento adquirimos? Onde falhamos? E qual rumo devemos tomar a seguir?

Nos cinco seminários de verão que ocorreram anualmente, de 1994 a 1998, na Faculdade de Teologia na Ilha de Halki, aprendemos sobre a estreita conexão entre questões ambientais e educação, ética, comunicação, justiça e pobreza. E nos cinco simpósios internacionais bienais, de 1995 até hoje, estudamos o impacto de nosso estilo de vida esbanjador e descuidado sobre as águas do Mar Egeu, do Mar Negro, do Rio Danúbio, do Mar Adriático e do Mar Báltico. Juntamente com teólogos, cientistas, políticos e jornalistas, assumimos de modo tangível a responsabilidade coletiva que todos temos – perante uns aos outros e perante nosso Deus – pela destruição da beleza natural de nosso planeta, pelo esgotamento dos recursos naturais e pela devastação da diversidade do mundo.

Apreciamos, especialmente, o modo como a preservação do meio ambiente está intimamente ligada à cessação das guerras, à restauração da justiça social e ao controle da pobreza mundial. Aprendemos que o modo como tratamos os seres humanos reflete-se diretamente no modo como nos relacionamos com o meio ambiente assim como na adoração que reservamos exclusivamente a Deus. Não é de surpreender, portanto, que abusamos da criação natural e material se abusamos de nossos irmãos. A Santa Igreja sempre esteve na vanguarda de encontros e acordos pela paz e bem-estar mundial, pela reforma econômica e social, pelo direitos humanos e tolerância religiosa.

Com relação à resposta e reflexão teológica apropriadas, não há dúvida que nossa Igreja Ortodoxa tenha contribuído muito para um debate ecológico contemporâneo. Podemos beber na fonte rica e profunda de nossa herança Escritural e Patrística, a fim de contribuir de modo positivo e construtivo para as questões críticas de nossa época. Porém, como cristãos Ortodoxos, revelamos que a maior vulnerabilidade está em praticar nossa teoria.

Sempre é mais fácil culpar o desenvolvimento e o progresso tecnológico do Ocidente como sendo a causa de todos os males de nosso mundo. E é sempre tentador crer que temos a solução para os problemas atuais ou então ignorar o perigo iminente que existe hoje em nível global. O que é mais difícil – e ao mesmo tempo mais nobre – é discernir o quanto fazemos parte do problema. Nós examinamos os alimentos que ingerimos, os bens que compramos, a energia que consumimos ou mesmo as conseqüências de nosso estilo de vida? Por acaso nos damos ao trabalho de pesar as escolhas diárias que fazemos, seja como indivíduos, instituições, paróquias, comunidades, sociedades ou mesmo nações?

E o que é mais importante, quantos dos membros do nosso clero estão preparados para assumir a liderança em questões que envolvem o meio ambiente? Quantas de nossas paróquias e comunidades estão preparadas para pôr em prática o conhecimento que adquirimos em anos recentes ao praticar princípios sustentáveis em nossas próprias comunidades? Como as decisões de quaisquer comunidades e paróquias locais refletem, de modo prático e tangível, a experiência teórica que adquirimos?

Em uma época em que a informação encontra-se tão facilmente disponível, certamente não há desculpas para ignorância ou indiferença. Não devemos ignorar uma realidade que está cada vez mais presente em nossas vidas. Gerações e culturas anteriores podem não ter tido consciência de suas ações. No entanto hoje, talvez mais do que em qualquer época, usufruímos de uma posição ímpar. Hoje estamos em uma encruzilhada, estamos a ponto de escolher qual cruz iremos tomar. Pois hoje sabemos muito bem o impacto global e ecológico de nossas decisões e ações, por mais insignificantes ou irrelevantes que elas sejam.

Esperamos sinceramente, e oramos com fervor, para que nos anos futuros, mais e mais fiéis Ortodoxos reconheçam a importância de uma cruzada pelo meio ambiente, que ignoramos de maneira tão egoísta. Estamos convencidos de que esta visão trará somente benefícios às futuras gerações, garantindo-lhes um mundo melhor e mais limpo. Devemos isso a nosso Criador e aos nossos filhos.

Que Deus nos dê forças para tomarmos as decisões corretas e que a Graça e a Misericórdia infinitas de Nosso Senhor e Deus Jesus Cristo esteja com todos vós. Amém.

 

Voltar à página anterior Ir ao topo

© 2004-2008 ECCLESIA Brasil

  | Home | Igreja Ortodoxa | Patriarcado Ecumênico | Arquidiocese Grega | Monte Athos |
|
Calendário Ortodoxo | Canto Litúrgico Bizantino | Livro de Visitas | Links | N E W S |