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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 

Domingo, 05 de Março de 2017:

1° Domingo da Quaresma ou «Domingo da Ortodoxia»

(6º antes da Páscoa - Modo 4º )

Memória de São Conon de Isauria, mártir.

Em 843 um Sínodo regional (Endemousa) foi convocado sob a Imperatriz Teodora. A veneração aos ícones foi solenemente proclamada na Catedral de Santa Sofia. Monges e clérigos entraram em procissão e restituíram os ícones aos lugares estabelecidos. Este dia foi chamado de «Triunfo da Ortodoxia». Desde então este, acontecimento é comemorado cada ano em um ofício religioso especial no Primeiro Domingo da Quaresma; o «Domingo da Ortodoxia» ou o «Triunfo da Ortodoxia».

Matinas

Evangelho

[Lc 24, 1-12]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Lucas.

aquele tempo, no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas. E acharam a pedra revolvida do sepulcro. E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. E aconteceu que, estando elas muito perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois homens, com vestes resplandecentes. E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia, Dizendo: Convém que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite. E lembraram-se das suas palavras. E, voltando do sepulcro, anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os demais. E eram Maria Madalena, e Joana, e Maria, mãe de Tiago, e as outras que com elas estavam, as que diziam estas coisas aos apóstolos. E as suas palavras lhes pareciam como desvario, e não as creram. Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro e, abaixando-se, viu só os lençóis ali postos; e retirou-se, admirando consigo aquele caso.

Divina Liturgia

Apolitikion da Ressurreição

Ouvindo do Anjo o alegre anúncio da ressurreição,
que da antiga condenação nos libertou,
as discípulas do Senhor disseram envaidecidas aos apóstolos:
«A morte foi vencida, o Cristo Deus ressuscitou,
revelando ao mundo a grande misericórdia!»

Apolitikion Próprio (Modo 1 Plagal)

Desceste ao Hades, ó Salvador meu,
rompendo suas portas, Tu que és Todo-poderoso,
levantaste contigo os mortos, ó Criador,
destruíste, ó Cristo, o aguilhão da morte.
e libertaste também Adão da maldição, ó Filântropo. 
Por isso, clamamos, Senhor, salva-nos!

Theotokion

O mistério eternamente oculto e dos Anjos desconhecido,
através de ti, ó Mãe de Deus, encarnando-se, apareceu na terra,
voluntariamente aceitou a cruz, e com ela ressuscitou o primeiro criado
e salvou da morte as nossas almas

Kondakion

O Salvador e Redentor meu, sendo Deus,
rompeu as portas do Hades,
libertando de suas cadeias os habitantes da terra;
e, como soberano, ao terceiro dia foi ressuscitado.

 

Kondakion Final (Modo 4 plagal)

Nós, teus servos, ó Mãe de Deus,
te conferimos os lauréis da vitória,
penhor de nossa gratidão,
como a um general que combateu por nós
e nos salvou de terríveis calamidades.
E, como tens um poder invencível,
livra-nos dos perigos de toda espécie
para que te aclamemos: salve, Virgem e Esposa!

Prokimenon

Tu és bendito Senhor, Deus de nossos pais,
e teu nome é louvado e glorificado pelos séculos.

Pois, és justo em todas as coisas que nos fizeste,
tuas obras são verdadeiras e retos os teus caminhos.

EPÍSTOLA

[Hb 11, 24-26, 32-40]

Epístola ao Hebreus.

rmãos, pela fé Moisés, já adulto, recusou ser chamado filho da filha do faraó, preferindo ser maltratado com o povo de Deus a desfrutar os prazeres do pecado durante algum tempo. Por amor de Cristo, considerou a desonra riqueza maior do que os tesouros do Egito, porque contemplava a sua recompensa. Que mais direi? Não tenho tempo para falar de Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e os profetas, os quais pela fé conquistaram reinos, praticaram a justiça, alcançaram o cumprimento de promessas, fecharam a boca de leões, apagaram o poder do fogo e escaparam do fio da espada; da fraqueza tiraram força, tornaram-se poderosos na batalha e puseram em fuga exércitos estrangeiros. Houve mulheres que, pela ressurreição, tiveram de volta os seus mortos. Alguns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior. Outros enfrentaram zombaria e açoites, outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas. Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido. Deus havia planejado algo melhor para nós, para que conosco fossem eles aperfeiçoados.

Aleluia

Cinge a tua espada, com majestade e esplendor,
cavalga vitorioso, pela causa da verdade e da justiça.

Amaste a justiça e detestaste a iniqüidade,
por isso Deus te ungiu com o óleo da alegria.

Evangelho

[Jo 1, 43-51]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São João.

aquele tempo, Jesus quis partir para a Galiléia. Ele encontrou Filipe que era de Betsaida, a cidade de André e de Pedro. Filipe encontrou-se com Natanael e disse-lhe: Encontramos Jesus, o filho de José, de Nazaré, aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, e os Profetas. Natanael perguntou: De Nazaré pode sair alguma coisa boa? Filipe respondeu: Vem e vê! Jesus viu Natanael que vinha ao seu encontro e declarou a respeito dele: Este é um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade! Natanael disse-lhe: De onde me conheces? Jesus respondeu: Antes que Filipe te chamasse, quando estavas debaixo da figueira, eu te vi. Natanael exclamou: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel! Jesus lhe respondeu: Estás crendo só porque falei que te vi debaixo da figueira? Coisas maiores verás. E disse-lhe ainda: Em verdade, em verdade, vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem!

Hirmos:

Ó cheia de graça, em ti rejubila-se toda a Criação.
A assembléia dos anjos e o gênero humano te glorificam,
ó templo santificado, paraíso espiritual e glória das virgens,
na qual Deus se encarnou e da qual tornou-se Filho
Aquele que é nosso Deus antes dos séculos.
Porque fez de teu seio um trono
e as tuas entranhas, mais vastas do que os céus.
Ó cheia de graça, em ti rejubila-se toda a Criação e te glorifica!

Obs.: Depois da Divina Liturgia segue a procissão com os santos ícones. Neste domingo comemora-se a vitória da Ortodoxia sobre a heresia dos iconoclastas e veneram-se os santos ícones.

O Domingo da Ortodoxia

Por: Arcebispo Paulo Yazigi
Metropolita de Alepo-Siria

que pode pensar um ortodoxo sobre o Domingo da Ortodoxia? A maioria dos pensamentos para esta ocasião tem caráter confessional, destacando a Ortodoxia sobre as demais confissões cristãs. As religiões são, em geral, caminhos divinos através dos quais Deus vem até o homem e o faz elevar-se para Si.

A investigação das religiões é um tema que vai além do que podemos falar, mas não há dúvida que todas as religiões ajudam o homem a praticar uma boa moral, a escutar a voz de sua consciência, a viver em paz e a conviver melhor com os seus semelhantes, sobretudo as que professam um Deus único. Todas estas religiões são como que "fios condutores" nas mãos de Deus, através dos quais Ele atrai a Si os homens.

Não obstante, o Cristianismo é a revelação divina mais profunda e representa o caminho mais curto que conduz ao céu. A Ortodoxia conservou a Tradição Cristã sem mancha e é, entre as "tradições" cristãs, a mais segura. A doutrina cristã passou ao longo da História, por muitos exames e provas, introduzindo-se, às vezes, elementos humanos e sofrendo desvios, também por causa dos homens. A Ortodoxia conservou a fé ao longo da História e a transmitiu de geração em geração e, a isto, chamamos «Tradição».

«Tradição» não é o mesmo que «tradições». «Tradição» não quer dizer história antiga ou ensinamentos herdados. Tradição significa «transmissão» dos ensinamentos de uma geração a outra. Pois, «Deus é o Deus de nossos pais». E, por isso, a Tradição é movimento e não herança estática.

A Tradição morre se não for transmitida. Recebemos gratuitamente e gratuitamente devemos transmití-la. A Tradição não é conjunto de ensinamentos, mas o movimento do Espírito Santo na Igreja que transmite a fé, é o «depósito» que se assemelha aos talentos sobre os quais nos ensinou o Senhor que não devemos ocultá-los.

Por isso, quando insistimos que, para a Ortodoxia, a Tradição desempenha um papel importante, queremos dizer que o ensinamento recebido dos Santos padres da Igreja são fundamentais para nós mesmos e para as gerações futuras. Queremos dizer também que a Tradição, na Ortodoxia não é como um museu, mas uma missão. O tempo da Tradição é o tempo importante do passado e é também o tempo do futuro que goza da mesma importância.

A Ortodoxia, portanto, em seu caráter de tradição cristã pura, quer dizer a doutrina reta de acordo com a fé recebida dos santos Padres e, ainda, que se encontra no mesmo nível de importância que a evangelização. A retidão da doutrina é uma face da moeda e a outra face é a evangelização. A doutrina reta é a garantia de um fundamento correto da evangelização; a evangelização, por sua vez, é a continuidade natural e viva da reta doutrina.

O Espírito de evangelização não é uma atividade adicional na vida da Igreja Ortodoxa, e o desejo de transmitir a Verdade e a Tradição aos demais, não é só uma ocupação a mais da Igreja, mas o indicador genuíno de que o Corpo de Cristo (a Igreja) está vivo, cresce, permanece e se move. A falta de evangelização não é apenas um defeito parcial da vida da Igreja, mas indica a presença de uma fé corrompida e a adulteração da verdade.

Quando, no Evangelho de hoje, Filipe encontra a Jesus, sai imediatamente em busca de Natanael e, encontrando-o, diz: «Encontramos Jesus, o Filho de José, de Nazaré, Aquele sobre quem escreveram Moisés na Lei, e os Profetas». Quem encontra Jesus, se faz imediatamente apóstolo. Ele mesmo, Jesus, disse a seus discípulos, que os enviou como luz ao mundo e como sal à terra. A Ortodoxia é segurança para a evangelização e a verdadeira evangelização é o indício de uma Ortodoxia viva. Por isso São Paulo nos diz: «Ai de mim se não evangelizo».

A Igreja é, segundo a Ortodoxia, o Reino de Deus vivo sobre a terra. A Igreja não é, nem uma instituição nem uma organização. A Igreja é, segundo a Tradição Ortodoxa, o «mundo no mundo». É o «fermento que leveda toda a massa».

A Igreja está em diálogo com o mundo exterior e não é seu extremo oposto. Este é a parte dela que ainda não foi levedada. O mundo inteiro foi criado por Deus para ser a «Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica». Em outras palavras, o crente no mundo deve cooperar com a encarnação de Cristo e com a construção de seu Corpo vivo no mundo. O mundo se faz então nosso objetivo e nossa meta. Assumimos como tarefa fazer de todo mundo uma só Igreja.

Se, neste Domingo da Ortodoxia, dirigimos o olhar ao mundo que nos cerca, veremos, todavia, que estamos só no início do caminho, e que o mundo necessita de nós. A Igreja, então, estabelece diálogo e relação com o mundo exterior num gesto de fermentação e cristianização. A evangelização é o vínculo. E se realiza através do diálogo contínuo e com intenções de quem ama, é fiel e sincero com o outro, com as demais religiões, com o ateísmo e com qualquer outra expressão exterior à Igreja.

Todos necessitam de nossa fé. A evangelização não foi nem nunca será para a Ortodoxia um meio de expansão, de autoritarismo, de conquista ou de hegemonia. A evangelização é luz, é um presente, é um dom. A Igreja não é uma instituição que quer expandir-se, mas uma Verdade que deve ser propagada e, quem a recebe, não se torna seu proprietário, mas deixa-se orientar por ela.

A história da evangelização da Rússia no primeiro milênio depois de Cristo dá testemunho de que, os russos convertidos ao cristianismo partiram imediatamente para evangelizar os demais.

A evangelização se dá em dois campos diferentes: o primeiro é o campo externo que já mencionamos. O segundo é o campo interno.

Relata-se que São João Kronstadt sonhava em sua infância crescer para ir à China auxiliar na evangelização. No entanto, quando entrou na faculdade de teologia, deu-se conta de que sua família e seus vizinhos eram carentes de evangelização. A evangelização interna é uma necessidade pois, um número não pequeno de fiéis tem uma fé superficial. São os que receberam a fé como algo externo e acidental. A mesma Igreja Ortodoxa necessita que os seus filhos sejam evangelizados e, por isso, temos o pregação (sermão), a catequese, a vida pastoral e o fazer com mais força os sacramentos da Igreja na vida de seus filhos. A evangelização interior é necessária na vida pessoal de cada um. Assim também, devemos propagar nossa fé tal como nos é transmitida pela Tradição Ortodoxa, como vida e profundidade, como conhecimento de si mesmo e enamoramento de Deus. A tradição monástica e os modelos de vida pastoral que nos transmitiu esta Tradição e que passaram a fazer parte da mesma, afirmam que hoje é necessário «ir ao mais profundo» da evangelização interior, da pastoral e da ascética.

A evangelização interior é necessária nas igrejas e confissões cristãs. Por muitos fatores e interesses o Corpo de Cristo tem sido fragmentado ao longo da História. O diálogo é uma missão e uma instância fiel à Ortodoxia. A aproximação entre as diversas confissões cristãs é um gesto ortodoxo natural e honesto. O diálogo entre as igrejas não é só uma necessidade, mas uma obrigação de fidelidade à ortodoxia.

Sobre o que deve refletir então um ortodoxo no «Domingo da Ortodoxia»?

A Ortodoxia não é, nem um muro de separação e nem tampouco um ambão por detrás do qual falamos com os demais do alto. A Ortodoxia é um depósito que recebemos tão casualmente como foi privado aos demais. O ortodoxo não tem mérito pelo que pudesse ter recebido este depósito. Mas, tendo-o recebido, tem a responsabilidade de transmiti-lo. O talento nos foi dado como um dom e o fiel deve saber investi-lo bem.

Muitas vezes medimos nossa relação com Deus em base a um comportamento ético simples. O pecado passa a ser a omissão de um dia de jejum ou ter caído em ira etc. Sim, tudo isto é pecado, mas o pecado maior é o que cometemos quando nos omitimos da pregação, ou seja, escondemos o talento recebido. Enquanto que aqueles pecados enfraquecem nossa relação com Deus, ocultar ou esconder o talento nos separa de Deus. Os mandamentos divinos podem ser sintetizados no amor. A Lei tem como objetivo o amor. O objetivo da ética é chegar a sentir paixão pelas coisas divinas. O amor exige do outro. Conhecer a Deus é amá-Lo e, amá-Lo leva necessariamente a anunciá-Lo.

O Kondakion deste domingo nos expressa que a encarnação do Filho de Deus uniu nossa imagem à beleza divina e nos levou a confessar a salvação (a conhecê-la), a proclamá-la e a propagá-la (evangelizar) em palavras e obras.

Que função desempenhamos então em toda esta missão? O que é que devemos examinar todos os anos quando celebramos o «Domingo da Ortodoxia»? A epístola de hoje faz referência a todos aqueles que foram torturados das mais diversas formas e submetidos às prisões. Outros ainda que foram apedrejados, postos a prova ou mortos ao fio da espada. São Paulo menciona os que suportaram tudo isto pela Tradição e pela Fé Ortodoxa, antes e depois de Cristo. Eles, padecendo toda espécie de sofrimentos e torturas, ou até mesmo dando suas vidas para transmitir fielmente o depósito, constituíram-se em modelos para todos nós. Moisés é um dos melhores exemplos pois, recusou ser chamado filho do Faraó, preferindo ser maltratado junto ao povo de Deus, a desfrutar por algum tempo no pecado. Hb 11, 25.

A Ortodoxia é paixão e missão para o fiel, desde que não a tome para si, mas se ponha à seu serviço. O dever de todo o fiel ortodoxo é propagar a Ortodoxia e elegê-la em lugar do gozo temporal do pecado. Acaso não nos alegramos quando chegamos a conhecer a fé e seu passado e a pregamos para o futuro? Os sofrimentos a que muitos são submetidos por causa do Evangelho e de sua pregação constitui a alegria da festa de hoje.

Pelo que te pedimos, Senhor,
que nos concedas morrer por ti todos os dias,
e que teu nome seja anunciado
para que todos os povos da terra
voltem-se para ti, Senhor!
Faze, Senhor, que o mundo todo te conheça de verdade. Amém.

O DOMINGO DA ORTODOXIA

Por Metropolita ANTHONY DE SOUROZH
Tradução: S. Knežević

† Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Hoje comemoramos, como todos os anos, no final da primeira semana da Quaresma, a Festa do Triunfo da Ortodoxia. E todos os anos temos de valorizar e compreender não apenas o significado histórico desta comemoração, mas também o que isso representa para nossas vidas. Primeiramente, devemos lembrar que o Triunfo da Ortodoxia não é o triunfo dos Ortodoxos sobre outros povos, outras religiões. É o triunfo da Verdade Divina nos corações daqueles que pertencem à Igreja Ortodoxa e que proclamam a verdade revelada por Deus em sua integridade e autenticidade.

Hoje, temos de agradecer a Deus do fundo de nossos corações por Ele ter se revelado a nós, ter dissipado as trevas das mentes e corações de milhares e milhares de pessoas, ter compartilhado conosco o conhecimento da perfeita Verdade Divina.

A razão desta festa é o reconhecimento da legitimidade da veneração dos ícones. Ao fazer isso, proclamamos que Deus – invisível, inefável, o Deus a quem não podemos compreender – tornou-se verdadeiramente homem; que Deus se encarnou, que Ele vive no meio de nós cheio de humildade, simplicidade e glória. Ao proclamar isso, veneramos os ícones não como ídolos, mas como uma declaração da Verdade da Encarnação.

Ao fazer isso, não podemos nos esquecer de que não são os ícones de madeira e de pintura, mas Deus que revela a si mesmo no mundo. Cada um de nós foi criado à imagem de Deus. Somos todos ícones vivos, e isso coloca sobre nós uma grande responsabilidade, porque um ícone pode ser desfigurado, transformado em uma caricatura ou blasfêmia. Temos que pensar em nós mesmos e nos perguntar: somos dignos, somos capazes de ser chamado de ícones, imagens de Deus? Um escritor ocidental disse que aqueles que encontram um cristão devem enxergá-lo como uma visão, uma revelação de algo que eles nunca perceberam antes; que a diferença entre um não-cristão e um cristão é tão grande, radical e impressionante como a diferença que existe entre uma estátua e uma pessoa viva. A estátua pode ser bela, mas é feita de pedra ou madeira, além disso, não tem vida. Um ser humano pode não parecer, à primeira vista, possuidor de tal beleza. Aqueles que o conhecem, no entanto, devem ser capazes – assim como aqueles que veneram um ícone abençoado e consagrado pela Igreja – de enxergar no homem o brilho da presença do Espírito Santo; enxergar Deus revelado na humilde forma de um ser humano.

Enquanto não formos capazes de ser essa visão para aqueles que nos rodeiam, nós falhamos em nosso dever; não proclamamos o Triunfo da Ortodoxia em nossas vidas; mentimos para o que proclamamos.

O que é verdade em relação a nós também é verdade em relação a nossa Igreja. Cristo nos conclamou a fazer de nossa Igreja uma família; uma comunidade de cristãos consubstanciada num corpo de pessoas unidas umas as outras pelo amor pleno, pelo amor do sacrifício; um amor que é o amor de Deus para nós. A Igreja foi e deve ser um corpo de pessoas cuja característica é o amor encarnado de Deus. Infelizmente, em todas as nossas Igrejas, o que vemos não é o milagre do amor Divino.

Desde o início, infelizmente, a Igreja foi construída de acordo com paradigmas do Estado: hierárquica, rígida e formal. Falhamos em sermos verdadeiros como no início, como as primeiras Comunidades Cristãs eram. Em defesa dos cristãos, Tertuliano disse ao Imperador de Roma: “Vede como se amam!” Nós não somos coletivamente um corpo de pessoas de quem se poderia dizer isso. Temos de aprender a recriar o que Deus quis para nós; recriar o que existiu uma vez; recriar as comunidades, igrejas, paróquias, dioceses, patriarcados, toda a Igreja, de tal forma que a realidade da vida deva ser a mesma realidade do amor. Infelizmente, nós ainda não aprendemos isso.

Assim, quando comemoramos a festa do Triunfo da Ortodoxia, devemos lembrar que Deus venceu; que proclamamos a verdade, a verdade de Deus, Encarnado e Revelou. E, neste mundo, há uma grande responsabilidade para todos nós, tanto coletivamente e quanto individualmente: não devemos negar, por meio de nossas condutas, o que proclamamos. Um teólogo ocidental disse que podemos proclamar toda a verdade da Ortodoxia e, ao mesmo tempo, desfigurá-la pela maneira que vivemos. Nossa maneira de viver pode mostrar que tudo não passa de meras palavras. Devemos nos arrepender disso. Temos que mudar, temos que nos tornar essa pessoa que encontramos e que nela enxergamos a verdade de Deus, a luz de Deus, o amor de Deus em nós, individual e coletivamente. Enquanto não fazemos isso, não participamos do Triunfo da Ortodoxia. Deus triunfou, porém Ele nos encarregou de fazer o Seu triunfo o Triunfo da Vida para o mundo inteiro.

Portanto, aprendamos a viver, individual e coletivamente, de acordo com o Evangelho, que é a Verdade e a Vida, e a construir sociedades de cristãos que são a revelação dessa Verdade, para que possamos dizer: “Vamos renovar nossas instituições, nossos relacionamentos; renovar tudo o que passou ou que permanece velho e tornarmos uma nova sociedade em que a Lei e Vida de Deus possam prosperar e triunfar.” Amém.

Texto original em inglês disponível em: www.mitras.ru

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