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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 

Domingo, 21 de MAio de 2017:

«Domingo do Cego»

(6º Domingo da Páscoa - Modo Plagal 1º)

Memória dos Santos Constantino (imperador)
e sua mãe, Helena († 327), iguais-aos-apóstolos».

Matinas

Evangelho

[Jo 20, 11-18]

Evangelho de Jesus†Cristo segundo o Evangelista São João.

aquele tempo, Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro. E viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. E, tendo dito isto, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus. Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni, que quer dizer: Mestre. Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto.

Divina Liturgia

Apolitikion da Ressurreição

Glorifiquemos todos e adoremos o Verbo Divino,
eterno com o Pai e o Espírito Santo,
nascido da Virgem para a nossa salvação;
pois, em sua carne, deixou-se suspender na cruz,
padecer a morte e ressuscitar dos mortos
pela sua gloriosa ressurreição.

Theotokion

Alegra-te, ó Mãe de Deus, porta do Senhor!
Alegra-te, amparo e proteção para os que te procuram!
Alegra-te, ó noiva, que em teu ventre geraste teu Criador e Deus!
Roga, sem cessar, por aqueles que glorificam O que nasceu de ti.

Kondakion

Desceste ao Hades, ó Salvador meu,
rompendo suas portas, Tu que és Todo-poderoso,
levantaste contigo os mortos, ó Criador,
destruíste, ó Cristo, o aguilhão da morte.
e libertaste também Adão da maldição,
Tu que amas a humanidade.
Por isso, clamamos, Senhor, salva-nos!

Kondakion do Cego

Privado dos olhos da alma, recorro a Ti, ó Cristo,
como o cego de nascimento,
clamando com arrependimento:
«Tu és a luz resplandecente para os que estão nas trevas.»

Kondakion da Páscoa

Tendo descido ao túmulo, ó imortal,
Tu destruíste o poderio dos infernos
e levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
Tu, que disseste às mulheres miróforas: «Rejubilai!»
e aos Apóstolos, dás a paz,
Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.

Prokimenon

Tu, Senhor, nos guardarás e nos preservarás
desta geração e para sempre.

Salva-me, Senhor, porque o justo desapareceu,
porque a verdade se extinguiu entre os filhos dos homens.

EPÍSTOLA

[At 16, 16-34]

Livro dos Atos dos Apóstolos.

aqueles dias, quando nós, apóstolos, íamos para a oração, veio ao nosso encontro uma jovem escrava que tinha o espírito de Píton. Com suas adivinhações dava muito lucro aos patrões. Começou a seguir Paulo e a nós, gritando: «Estes homens são servos do Deus altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação». Isto se repetiu por muitos dias. Enfim, aborrecido, Paulo voltou-se para ela e disse ao espírito: «Em nome de Jesus Cristo, ordeno-te sair desta moça.» No mesmo instante o espírito saiu. Vendo os patrões que assim desaparecera a esperança do lucro, agarraram Paulo e Silas e os levaram para o foro, perante as autoridades. Apresentaram-nos aos oficiais romanos, dizendo: «Estes homens espalham a desordem em nossa cidade porque, sendo judeus, pregam costumes que, a nós, romanos, não são permitidos aceitar nem praticar". Toda a multidão se insurgiu contra eles. Os oficiais mandaram arrancar-lhes as roupas e açoitá-los com varas. Depois de lhes terem feito muitas feridas, meteram-nos no cárcere, mandando ao carcereiro que os guardasse com segurança. Recebendo tal ordem, ele os meteu nos porões do cárcere e lhes prendeu os pés ao cepo. Por volta da meia-noite, Paulo e Silas, em oração, louvavam a Deus, e os presos prestavam atenção. De repente sentiu-se um terremoto tão grande que se abalaram até os fundamentos do cárcere. Imediatamente se abriram todas as portas e se soltaram os grilhões de todos. O carcereiro acordou e, vendo abertas as portas do cárcere, supôs que os presos haviam fugido. Tirou a espada  e ia matar-se. Mas Paulo gritou em voz alta: «Não te faças nenhum mal, pois estamos todos aqui.» Então o carcereiro pediu uma lanterna, entrou no cárcere e se lançou trêmulo aos pés de Paulo e Silas. Depois os conduziu para fora e perguntou: «Senhores, o que devo fazer para me salvar?» Eles responderam: «Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família». Anunciaram a palavra do Senhor a ele e a todos os de sua casa. E naquela hora da noite ele cuidou deles, lavou-lhes as feridas e, em seguida, foi batizado com todos os seus. Depois os fez subir à sua casa, pôs-lhes a mesa e se alegrou com toda a família por ter crido em Deus.

Aleluia

Eu cantarei eternamente as tuas misericórdias, Senhor;
e anunciarei a tua verdade de geração em geração.

Porque disseste: «A misericórdia elevar-se-á como um edifício eterno»,
e nos céus a tua verdade será solidamente estabelecida.

Evangelho

[Jo 9, 1-38]

Evangelho de Jesus†Cristo segundo o Evangelista São João.

aquele tempo, Jesus ia passando, quando viu um cego de nascença. Os seus discípulos lhe perguntaram: Rabi, quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais? Jesus respondeu: Nem ele, nem seus pais pecaram. Isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele. É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, quando ninguém poderá trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. Dito isso, cuspiu no chão, fez lama com a saliva e aplicou-a nos olhos do cego. Disse-lhe então: Vai lavar-te na piscina de Siloé (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando. Os vizinhos e os que sempre viam o cego pedindo esmola diziam: Não é ele que ficava sentado pedindo esmola? Uns diziam: Sim, é ele. Outros afirmavam: não é ele, mas alguém parecido com ele. Ele, porém, dizia: Sou eu mesmo. Então lhe perguntaram: Como é que se abriram os teus olhos? Ele respondeu: O homem chamado Jesus fez lama, aplicou nos meus olhos e disse-me: Vai a Siloé e lava-te. Eu fui, lavei-me e comecei a ver. Perguntaram-lhe ainda: Onde ele está? Ele respondeu: Não sei. Então levaram aquele que tinha sido cego aos fariseus. Ora, foi num dia de sábado que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. Por sua vez, os fariseus perguntaram ao homem como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: Ele aplicou lama nos meus olhos, e eu fui lavar-me e agora vejo! Alguns dos fariseus disseram então: Esse homem não vem de Deus, pois não observa o sábado; outros, no entanto, diziam: Como pode um pecador fazer tais sinais? E havia divisão entre eles. Voltaram a interrogar o homem que antes era cego: E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos? Ele respondeu: É um profeta. Os judeus não acreditaram que ele fora cego e que tinha começado a ver, até que chamassem os pais dele. Perguntaram-lhes: Este é o vosso filho que dizeis ter nascido cego? Como é que ele está enxergando agora? Os seus pais responderam: Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego. Como está enxergando, isso não sabemos. E quem lhe abriu os olhos, também não o sabemos. Perguntai a ele: ele é maior de idade e pode falar sobre si mesmo. Seus pais disseram isso porque tinham medo dos judeus, pois estes já tinham decretado expulsar da sinagoga quem confessasse que Jesus era o Cristo. Foi por isso que os pais disseram: Ele é maior de idade, perguntai a ele. Os judeus, outra vez, chamaram o que tinha sido cego e disseram-lhe: Dá glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é um pecador. Ele respondeu: Se é pecador, eu não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo. Eles perguntaram: Que é que ele te fez? Como foi que ele te abriu os olhos? Ele respondeu: Eu já vos disse e não me escutastes. Por que quereis ouvir de novo? Acaso quereis tornar-vos discípulos dele? Os fariseus, então, começaram a insultá-lo, dizendo: Tu, sim, és discípulo dele. Nós somos discípulos de Moisés. Nós sabemos que Deus falou a Moisés; mas, esse, não sabemos de onde é. O homem respondeu-lhes: Isso é de admirar! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os olhos! Sabemos que Deus não ouve os pecadores, mas ouve aquele que é piedoso e faz a sua vontade. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se esse homem não fosse de Deus, não conseguiria fazer nada. Eles responderam-lhe: Tu nasceste todo no pecado e nos queres dar lição? E o expulsaram da sinagoga. Jesus ficou sabendo que o tinham expulsado. Quando o encontrou, perguntou-lhe: Crês no Filho do Homem? Ele respondeu: Quem é, Senhor, para que eu creia nele? Jesus disse: Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo. Ele exclamou: Eu creio, Senhor! E ajoelhou-se diante de Jesus.

Hirmos

Subiu Deus por entre aclamações,
o Senhor, ao som das trombetas.

Aleluia, aleluia, aleluia!

o Evangelho deste domingo, Jesus abre os olhos ao cego de nascença pelas águas de Silóe. Mas antes de pedir ao cego que lavasse seus olhos naquelas águas, Jesus tinha feito uma mistura de terra com sua própria saliva. O milagre estava iminente, uma vez que a receita usada pelo Senhor, isto é, a matéria (terra) e o espírito (saliva saída da boca do próprio Deus), proporcionam ao homem a possibilidade de uma nova criação, uma criação perfeita, por isso, sem defeitos.

Deus usa de nossa própria realidade para operar maravilhas.

Ele quer precisar de nossa história, nossas condições limitadas, nossas experiências, fazendo delas ingredientes necessários para revelar-se.

A luz é criada por Deus, conforme relata o Gênesis, para colocar ordem no Universo. Deus separa as trevas da luz e as nomeia Dia e Noite. Após ter feito a luz, cria o homem, a sua imagem e semelhança, sob a claridade da vida, para que ele governasse a Terra. No entanto preferiu o governo das trevas caindo no pecado. Foi necessária a Nova Luz que brota do caos da morte, para que ele pudesse retornar a sua essência, para que pudesse retornar à luz primitiva:

«Senhor, nosso Deus, fonte da vida e da
imortalidade;
luz e vida de todos;
ó luz eterna da luz eterna;
luz invisível e incompreensível;
cuja morada está na luz inacessível;
luz da glória do Pai e seu esplendor;
luz das ordens celestes
que ilumina todo homem que vem ao mundo.
Tu, ó Salvador,
puseste uma lei ao primeiro homem que estava na luz,
para que o guiasse e dirigisse ao mundo novo,
infundindo nele o desejo de progredir na vida eterna.
Ele, porém, transgrediu teu mandamento
e caiu daquela sua glória
e, com sua queda, causou a sua própria morte
e sua expulsão para longe de Ti,
ó Luz glorificada.

Tu, no entanto, Senhor,
pela tua morte,
imensa bondade e compaixão incomensurável,
desceste até a nossa baixeza, a nós, pecadores,
para devolver-nos aquela glória perdida e a luz primitiva.
Quiseste até morar no túmulo
por nós, transgressores de teus mandamentos divinos;
desceste aos invernos e às profundezas da terra,
despedaçaste as portas eternas
e libertaste os que estavam nas trevas da morte.
Pela tua Ressurreição ao terceiro dia,
iluminaste o nosso gênero humano;
deste ao mundo uma vida nova;
iluminaste a todos melhor que o sol;
e por tua misericórdia,
restituíste à nossa natureza,
o seu lugar primitivo
e a luz gloriosa da qual fora afastada".

«Deus, fonte da vida e da imortalidade;
luz e vida de todos;
ó luz eterna da luz eterna;
luz invisível e incompreensível;
cuja morada está na luz inacessível;
luz da glória do Pai e seu esplendor;
luz das ordens celestes
que ilumina todo homem que vem ao mundo» (*)

Na Criação, o Senhor reorganiza o caos e, com a Ressurreição de Cristo, dá ao homem a Luz nova; neste fato narrado pelo Evangelho, o Senhor reorganizou a vida daquele que era antes privado da visão: de incrédulo passou a ser testemunha do Messias e ao mesmo tempo sua cura manifestava que o Reino de Deus já estava no meio deles.

Em outras passagens do Novo Testamento, a luz também foi usada por Jesus como elemento pedagógico em suas parábolas ensinado-nos que não podemos escondê-la, mas colocá-la em lugares onde ela possa irradiar sua luminosidade.

Uma vez batizados somos possuidores da Luz pois no Batismo, a luz ocupa um lugar de destaque trazendo em seu bojo uma catequese: recebemos a luz (vela acesa) que nos faz Filhos de Deus, que nos faz criaturas iluminadas, com a missão de iluminar.

Ao nascer uma criança dizemos que a «mãe deu à luz uma criança»; isto é: a mãe dá de presente uma criança para a luz do mundo. Com o Batismo pais e padrinhos dão à luz um filho da Igreja. Nele, esta luz não é criada, é a nova luz, a luz que brota da Ressurreição, do túmulo de Cristo. A Igreja acolhe em seu seio, como Mãe, os novos filhos que pelo Batismo são dados à luz da fé. Da mesma forma que após o nascimento uma criança recebe todos os cuidados necessários, no Batismo, pais e padrinhos cuidam por zelar também por ela,para que de fato a Luz recebida no Batismo não seja escondida ou ocultada, mas pelo contrario, seja intensificada, divulgada e anunciada.

Não podemos agir, portanto, como se ignorássemos essas grandezas; não podemos nos esconder da própria luz que nos foi dada no dia de nosso Batismo. Semelhantemente, a prática deve confirmar a nossa adesão ao Cristo e não contrariar o que professamos em público.

O Cego, após o milagre, professou sua fé no Senhor, menosprezando o medo e as conseqüências que disto podia lhe advir.

Somente Cristo consegue lançar luz sobre as trevas. Renunciá-lo significa preferir a escuridão à Luz; luz esta que ilumina a todos e a tudo.

O Senhor abre também nossos olhos e nos ensina a ver nos sofrimentos, nas dores, na morte e nas dificuldades a presença de Jesus sofredor e não a sua completa ausência ou abandono que, as vezes, somos tentados a supor.

A terra e a saliva ainda são necessárias para que a Luz resplandeça e ilumine o mundo; e para que o mundo creia e professe que Jesus é o Senhor, o Messias prometido aos nossos pais desde os tempos mais antigos.

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