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Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas  
 
 
 

Domingo, 19 de Fevereiro de 2017:

Domingo do Juizo Final ou «da Carne»

(8° antes da Páscoa - Modo Grave)

Memória dos Santos Quarenta e dois Mártires de Amorion na Frígia († 848).

Matinas

Evangelho

 

[Mc 16, 1-8]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Marcos.

aquele tempo, passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo. E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol. E diziam umas às outras: Quemnos revolverá a pedra da porta do sepulcro? E, olhando, viram que já a pedra estava revolvida; e era ela muito grande. E, entrando no sepulcro, viram um jovem assentado à direita, vestido de uma roupa comprida, branca; e ficaram espantadas. Ele, porém, disse-lhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram. Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis, como ele vos disse. E, saindo elas apressadamente, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e assombro; e nada diziam a ninguém porque temiam.

Divina Liturgia

Apolitikion da Ressurreição

Quando desceste à morte, ó Vida imortal,
aniquilaste os infernos pelo esplendor de tua divindade;
e quando ressuscitaste os mortos das profundezas da terra,
todas as potências celestes exclamaram:
ó Cristo, nosso Deus, ó Autor da vida, glória a ti!

Theotokion

Teus méritos são glorificados acima de toda a razão, ó Mãe de Deus.
Na pureza selada, preservaste a tua virgindade;
verdadeiramente mãe, és reconhecida,
tu que deste à luz o verdadeiro Deus,
roga-lhe que salve as nossas almas!

Kondakion

Tu te levantaste da tumba, ó Salvador onipotente,
e o inferno, vendo esta maravilha, estremeceu de medo,
os mortos ressuscitaram de seus túmulos;
Adão e toda a criação se alegram contigo,
e o mundo, ó Salvador meu, te louva para sempre

Kondakion Próprio (Modo 1)

Quando vieres em glória sobre a terra, ó Deus,
toda a Criação tremerá e um rio de fogo fluirá diante do tribunal;
os livros serão abertos e os segredos dos corações serão descobertos,
então, ó Justo Juiz, livra-me do fogo que não se apaga
e torna-me digno de ser colocado à tua direita.

Prokimenon

O Senhor é a minha força e o meu louvor,
e tornou-se a minha salvação.

O Senhor castigou-me duramente,
mas, à morte, Ele não me entregou.

EPÍSTOLA

[1Cor 8, 8-13; 9, 1-2]

Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios.

rmãos, não é uma comida que nos torna agradáveis a Deus. Se não a comemos, nada temos a perder, ou se a comemos nada a ganhar. Mas cuidai de que essa vossa faculdade não seja tropeço para os fracos. Porque, se alguém te vir, a ti, que tens conhecimento, sentado à mesa de um santuário de ídolos, na fraqueza de sua consciência não se julgará induzido a comer as carnes sacrificadas aos ídolos? Então, por causa do teu conhecimento perecerá o irmão fraco por quem Cristo morreu. E, assim, pecando contra os irmãos e ferindo-lhes a consciência fraca, pecais contra Cristo. Pelo que, se a comida vai escandalizar meu irmão, nunca jamais comerei carne, para não fazê-lo pecar. Não sou livre? Não sou apóstolo? Não vi Jesus Nosso Senhor? Não sois vós minha obra no Senhor? Se para outros não sou apóstolo, ao menos para vós o sou, pois sois o selo do meu apostolado no Senhor.

Aleluia

O Senhor te ouça no dia da tribulação,
te proteja o nome do Deus de Jacó!

Salva, Senhor, o teu povo,
e abençoa a tua herança!

Evangelho

[Mt 25, 31-46]

Evangelho de Jesus†Cristo, segundo o Evangelista São Mateus.

aquele tempo, o Senhor disse: «Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, ele se assentará em seu trono glorioso. Todas as nações da terra serão reunidas diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos, à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo. Pois, eu estava com fome, e me destes de comer: estava com sede. e me destes de beber eu era estrangeiro, e me recebestes em casa; estava nu e me vestistes; doente e cuidaste de mim, na prisão e  foste me visitar então os justos me perguntarão: Senhor quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede, e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro, e recebemos em casa, sem roupa, e vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar? Então o Rei lhes responderá: Em verdade vos digo todas as vezes que fizestes isso a um destes pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes! Depois, o Rei dirá a que estiverem à sua esquerda: Afastai-vos. de mim, malditos! Ide para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos. Pois eu estava com fome, e não me destes de comer; com sede, e não me  destes de beber; eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; nu, e não me vestistes; doente e na prisão, e não foste me visitar. E estes responderão: Senhor  quando foi que te vimos com fome ou sede, estrangeiro ou nu, doente ou preso e não te servimos. Então, o Rei lhe responderá: Em verdade, vos digo. Todas as vezes que não fizestes isso a um desses    pequenos, foi a mim que o deixaste de fazer! E estes irão para o castigo eterno enquanto os justos irão para a vida eterna»

«A Quaresma e o Amor»

«Em verdade vos digo:
tudo o que fizeste a um destes meus pequeninos
a Mim o fizeste»

«Pois, eu estava com fome,
e me destes de comer:
estava com sede.
e me destes de beber»

este Terceiro Domingo do Triódion, nossa Igreja comemora o Dia do Juízo, ou seja, a Segunda Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. Comemorar é fazer presente na Igreja o evento que se recorda. A leitura do Evangelho de hoje nos recorda o Dia do Juízo Final e põe ênfase na medida pela qual seremos julgados. Na maioria dos ícones do Juízo Final, vemos sobre a mesa uma balança que pesará nossas obras, junto à Bíblia Sagrada. Hoje a Igreja abre as Escrituras Sagradas para ler esta passagem do Último Juízo. E o que escutamos está claro: seremos julgados segundo a medida de nossa misericórdia, isto é, de nosso amor.

A palavra amor é, muitas vezes, manipulada ou mal entendida. A passagem bíblica destaca as palavras de Nosso Senhor Jesus quando diz: "Tudo quanto fizestes a um destes pequeninos..." A palavra amor, não tem um significado abstrato, mas de ação concreta. As palavras da Sagrada Escritura nos separam entre ovelhas e cabritos segundo nossas obras de amor. A medida é, pois, fazer ou não fazer as obras de amor.

É um erro comum limitar o amor ao afeto, tão somente, à emoção ou, muitas vezes até, a muito menos do que isso, à palavras e opiniões. Este último tipo de «amor» é muito comum nos dias atuais, está em todas as partes e é muito barato. A obra de amor, no entanto, está livre de tudo isto. Podemos até ter sentimentos de ódio para com alguma pessoa, porém, se agimos com ela com delicadeza e amor, acabamos por transformar nosso ódio. Por outro lado, podemos ter em nosso interior o mais delicado sentimento para com alguém, até sentir-nos emocionalmente dependentes desta pessoa e, ainda assim, não lhe oferecer nenhuma obra de amor.

«Eu era estrangeiro,
e me recebestes em casa»

Amor significa, sem dúvida alguma, ceder aos demais o primeiro lugar. O egoísmo é exatamente o contrário disto. É tomar para mim o primeiro lugar e pôr os demais para os últimos lugares. Que eu ame a alguém não quer dizer que eu tenha sentimentos especiais para com esta pessoa, mas que quero e desejo dar a ela o primeiro lugar, amá-la mais do que a mim mesmo e desejar o bem a ela antes mesmo que a mim. Esta é a verdadeira obra do amor , o critério pelo qual seremos classificados e separados.

Na passagem do Evangelho de hoje, tanto as ovelhas como os cabritos escutaram as mesmas palavras do Senhor e passaram pelas mesmas situações existenciais: pobreza, cárcere, fome, sede etc.. O raro é que ambos os grupos se dirigem a Deus com as mesmas palavras: «Oh, Senhor ...». O que distingue um grupo do outro, no entanto, é o que fizeram ou deixaram de fazer, se cuidaram ou não de seus irmãos. De fato, o Evangelho quer dizer com «amor» as «obras do amor», posto que não podemos amar a Deus se não servimos os irmãos, sobretudo os mais necessitados. Ofereça a Deus uma obra de amor! Deus, que está nos céus não necessita de nada! Manifestamos nosso amor verdadeiro na medida em que oferecemos nossas obras de amor por Ele. Deus acolhe nosso amor se nos colocamos à serviço daqueles que Ele ama e por quem morreu e ressuscitou, ou seja, os nossos irmãos. Por isso, disse São João, o Apóstolo e Evangelista: «Quem diz que ama a Deus e não ama (serve) o seu irmão é um mentiroso».

«Eu estava nu e me vestistes;
doente e cuidaste de mim»

O que nos proíbe de fazer as obras do amor? Por que não podemos dar de comer ao faminto? Somos tão ambiciosos que, mesmo as sobras de alimentos que podiam matar a fome de um faminto, queremos conservar para nós mesmos? Por que não dar de beber ao que tem sede? Será que precisamos armazenar a água, quando podíamos compartilhar com quem dela necessita mais do que nós? Por que não podemos vestir ao que está desnudo e acolher ao que está desamparado? Acaso nossas preocupações são exclusivamente com o que nós mesmos vestimos e com o mundo da moda que nos escraviza, nos leva à vaidade e nos impede de pensar nos demais? Por que não visitamos os que estão prisioneiros? Será que pensamos que o amor a compaixão que sentimos por eles nos desincumbem de visitá-los? A nós nos bastam os cuidados mundanos de cada dia, a preocupação em atender nossos próprios interesses pessoais e, não tem lugar em nós o cuidar dos que necessitam de nosso amor? Por que?

São muitas as perguntas que o Evangelho de hoje nos põe e, a realidade da vida as repete constantemente. A resposta é sempre a mesma: vivemos para as obras de amor ou fechados em nós mesmos a fazer as obras do egoísmo?

Na obra «Cem Ditos Sobre o Amor» de São Máximo, o Confessor, seremos surpreendidos ao ver que ele define o amor como o estado de não-paixão. A paixão destrói o amor. As paixões são o amor-próprio, amor por si mesmo, a auto-satisfação dos interesses e desejos próprios etc. Tudo isto nos impede de fazer as obras do amor e nos encaminha para junto dos «cabritos».

«Eu estava na prisão
e  foste me visitar»

A Quaresma vem com um apelo à abstinência, a abandonar nosso egoísmo, purificando o homem velho e transformando-o em Homem o Novo. É uma mudança de direção, é arrependimento.

Vemos assim como a Quaresma vai de mão com as obras de misericórdia, as quais se manifestam de diferentes formas. Foi instituída para que possamos aprender a amar; é instrumento que nutre em nós o sentimento de sacrifício e reconhecimento do direito do outro, acolhimento de sua existência no amor. O objetivo da Quaresma é nos fazer ver os demais com nossos próprios olhos, não ignorando sua maravilhosa presença; é o retorno ao paraíso real. O homem egoísta define o paraíso em base a seus interesses egoístas. A Quaresma, no entanto, nos leva a reconhecer que o serviço aos irmãos é a vida do verdadeiro paraíso.

Nesta Quaresma, deixemos para trás todos os nossos maus desejos, abstendo-nos dos interesses que nos levam à perdição e aprendendo as obras do amor, libertando-nos assim da tirania das paixões e dos desejos.

Que esta Quaresma nos conduza ao verdadeiro Amor e nos ensine as «obras do Amor»! Amém.


Fonte:

Sermões do Arcebispo Paulo Yazigi,
Metropolita de Alepo (Síria)

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