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Domingo, 21 de Setembro:
 
 
 

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«Domingo após a Festa da Exaltação
da Santa, Venerável e Vivificante Cruz»

Apolitikion da Ressurreição (5º tom)

Glorifiquemos fiéis, e adoremos o Verbo Divino,
eterno com o Pai e o Espírito Santo,
nascido da Virgem para a nossa salvação;
pois, em sua carne, deixou-se suspender na cruz,
padecer a morte e ressuscitar dos mortos
pela sua gloriosa ressurreição.

Kondakion

Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo.

Desceste ao Hades, ó Salvador meu,
rompendo suas portas, Tu que és Todo-poderoso,
levantaste contigo os mortos, ó Criador,
destruíste, ó Cristo, o aguilhão da morte.
e libertaste também Adão da maldição,
Tu que amas a humanidade.
Por isso, clamamos, Senhor, salva-nos!

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Alegra-te, ó Mãe de Deus, porta do Senhor!
Alegra-te, amparo e proteção para os que te procuram!
Alegra-te, ó noiva, que em teu ventre geraste teu Criador e Deus!
Roga, sem cessar, por aqueles que glorificam O que nasceu de ti.

Trisagion

Diante da tua Cruz , ó Mestre, nos prostramos
e glorificamos a tua santa Ressurreição. (3 vezes)

Glória ao Pai ...

E glorificamos a tua santa Ressurreição.

Diante da tua Cruz , ó Mestre, nos prostramos
e glorificamos a tua santa Ressurreição.

Prokímenon:

Tu, Senhor, nos guardarás e nos preservarás
desta geração e para sempre!

Salva-me, Senhor, porque o justo desapareceu,
porque a verdade se extinguiu entre os filhos dos homens.

Epístola

Gl 2,16-20

Leitura da Epístola do Apóstolo São Paulo aos Gálatas

rmãos, sabemos que ninguém se justifica pela prática da lei, mas somente pela fé em Jesus Cristo. Também nós cremos em Jesus Cristo, e tiramos assim a nossa justificação da fé em Cristo, e não pela prática da lei. Pois, pela prática da lei, nenhum homem será justificado. Pois, se nós, que aspiramos à justificação em Cristo, retornamos, todavia, ao pecado, seria porventura Cristo ministro do pecado? Por certo que não! Se torno a edificar o que destruí, confesso-me transgressor. Na realidade, pela fé eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.

Aleluia:

Aleluia, aleluia, aleluia!

Eu cantarei eternamente as tuas misericórdias, Senhor;
anunciarei a tua verdade de geração em geração.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Pois disseste: "A misericórdia elevar-se-á como um edifício eterno
e nos céus a tua verdade será solidamente estabelecida.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

Mc 8,34-9,1

Proclamação do Santo Evangelho de Nosso Senhor JesusCristo, segundo o Evangelista São Marcos

aquele tempo, convocando Jesus, a multidão, juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á. Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida? Porque, se nesta geração adúltera e pecadora alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os seus santos anjos. E dizia-lhes: Em verdade vos digo: dos que aqui se acham, alguns há que não experimentarão a morte, enquanto não virem chegar o Reino de Deus com poder.

Hirmós:

Ó Mãe de Deus, tu és o paraíso místico,
pois sem ser cultivada, produziste Cristo,
que plantou a árvore da Cruz.
Por isso, agora O adoramos crucificado
e a ti exaltamos.

Kinonikón

Gravada está sobre nós, Senhor,
a luz da tua face.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Encerramento da festa no dia 21.

Pe. Pavlos Tamanini

crucifixão era uma forma de pena oriental que foi introduzida no Ocidente pelos persas. Foi pouco usada pelos gregos, mas muito utilizada pelos cartagineses e romanos.

Na literatura romana, a crucifixão é descrita como punição cruel e temida, não sendo aplicada aos cidadãos romanos, mas apenas aos escravos e aos não-romanos que houvessem cometido crimes atrozes, como assassinato, furto grave, traição e rebelião. Seguindo a forma romana de crucifixão Jesus provavelmente carregou somente a parte transversal da cruz, pois a parte vertical era deixada no local da execução à espera do condenado. Os braços eram inicialmente amarrados e somente ao chegar no local eram pregados ao madeiro. Acontecia o mesmo procedimento com as pernas e pés.

A vítima era suspensa pouco mais de um metro do chão para que as pessoas pudessem dar de beber uma mistura de água e fel ou vinagre para ser mantida o tempo inteiro consciente, sem haver possibilidade de desmaios (Mt 27,48). Os romanos crucificavam os criminosos inteiramente nus e não há motivo para se pensar que tenha sido feita alguma exceção para Jesus. As vestes do crucificado eram entregues aos soldados para serem divididas. As vestes de Jesus não foram divididas mas sorteadas pois era de tecido fino e sem costuras. Tal indumentária e feitio não poderiam ser destruídas, por isso preferiu-se lançar sorte. (Mt 27,35ss).

Uma inscrição com o nome do criminoso e a natureza do seu crime era feita sobre uma tabuinha, que o condenado levava pendurado no pescoço até o local da execução; essa tabuinha foi afixada acima da cabeça de Jesus na cruz. Por ironia de Pilatos, a inscrição de Jesus não indicava um crime, mas registrava simplesmente a expressão "rei dos judeus" (Mt 27,37). A inscrição era feita em três línguas: aramaico, o dialeto local; o grego, a língua do mundo romano e o latim, a língua oficial da administração romana.

A morte de Jesus foi muito rápida. Ele ficou suspenso à cruz algumas horas. Geralmente a morte dos condenados à cruz se dava depois de alguns dias após pregado. Este foi o caso dos dois ladrões que ladeavam Jesus: foram- lhe quebradas as pernas para que o fim fosse apressado pois a Páscoa judaica se aproximava (Jo 19,32ss).

No Novo Testamento, o simbolismo teológico da Cruz só aparece em uma afirmação do próprio Senhor e nos escritos de São Paulo. Jesus disse que aqueles que o seguem devem tomar a sua própria Cruz, perdendo assim a vida, para depois conquistá-la (Mt 10,38). Não se trata apenas de alusão à sua própria morte, mas também da afirmação de que seu seguimento exige a negação de si mesmo ( Mc 8,34), o total desprezo pela própria vida, pelo bem-estar, pelas posses pessoais, a tudo aquilo a que se deve renunciar para seguir Jesus.

Paulo pregava o Cristo crucificado, embora isto fosse escândalo para os hebreus e loucura para os gentios (1Cor 1,23). A linguagem da Cruz é absurda para aqueles que, sem ela, se perdem; entretanto é poder de Deus para aqueles que se salvam. (1Cor 1, 18)

Ao encerrarmos a Festa da Exaltação da Santa Cruz, cabe-nos dar à Cruz seu devido valor. O sofrimento nos dá a possibilidade da redenção. Reclamar dele nos atesta que ainda precisamos crescer espiritualmente.


Bibliografia:

S. João Crisóstomo (cerca de 345-407), bispo de Antioquia e depois de Constantinopla, doutor da Igreja - 4ª homilia sobre a 1ª Epístola aos Corintios

S. João Crisóstomo: Homilia sobre: "Pai, se for possível" - "Os sofrimentos do Messias e a glória que viria após a sua Paixão" (1 Pe 1,11)

Bibliografia: Mckenzie, John L, Dicionário Bíblico, Ed Paulinas, 1983

 

 

«A tua majestade suprema é proclamada pela boca das crianças, dos pequeninos» (Sl 8,3)

S. João Crisóstomo, 4ª homilia sobre a 1ª Epístola aos Corintios

A Cruz conquistou os espíritos a partir de pregadores ignorantes, e isso aconteceu no mundo inteiro. Não se tratava de questões banais, mas de Deus e da verdadeira fé, da vida segundo o Evangelho e do julgamento futuro.

A Cruz transformou em filósofos gente simples e iletrada. Eis como «a loucura de Deus é mais sábia do que o homem e a sua fraqueza mais forte» (1Co 1,25).

Como é que ela é mais forte? Porque se espalhou pelo mundo inteiro, submeteu todos os homens ao seu poder e resistiu aos inumeráveis inimigos que queriam fazer desaparecer o nome do Crucificado. Pelo contrário, esse nome cresceu e propagou-se; os seus inimigos foram destruídos, desapareceram; os vivos que combatiam um morto foram reduzidos à impotência...

Na verdade, aquilo que os publicanos e os pegadores conseguiram pela graça de Deus, os filósofos, os oradores, os reis, em resumo, a terra inteira, em toda a sua extensão, não foi mesmo capaz de imaginar... Era pensando nisso que o apóstolo Paulo dizia: "A fraqueza de Deus é mais forte do que todos os homens". De outro modo, como é que estes doze pescadores, pobres e ignorantes, teriam podido imaginar tal feito?

 

«Os sofrimentos do Messias e a glória que viria após a sua Paixão» (1 Pe 1,11)

Homilia sobre: «Pai, se for possível»

Aproximando-se da morte, o Salvador exclamava: «Pai, chegou a hora, glorifica o teu Filho» (Jo 17,1). Ora a sua glória é a Cruz. Como poderia ele evitar aquilo que noutro momento solicita? Que a sua glória é a Cruz, ensina-o o Evangelho quando diz: "O Espírito Santo ainda não tinha sido derramado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado" (Jo 7,39). Eis o sentido desta palavra: a Graça não tinha ainda sido concedida, porque Cristo ainda não tinha subido à Cruz para pôr fim às hostilidades entre Deus e os homens. Na verdade, foi a Cruz que reconciliou os homens com Deus, que fez da terra o Céu, que reuniu os homens aos anjos. Ela derrubou a cidadela da morte, destruiu o poder do demônio, libertou a terra do erro, estabeleceu os fundamentos da Igreja.

A Cruz é a vontade do Pai, a glória do Filho, a jubilação do Espírito Santo. É o orgulho de São Paulo: «Que a minha única glória seja a Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6,14).


Bibliografia:

S. João Crisóstomo (cerca de 345-407), bispo de Antioquia e depois de Constantinopla, doutor da Igreja - 4ª homilia sobre a 1ª Epístola aos Corintios

S. João Crisóstomo: Homilia sobre: "Pai, se for possível" - "Os sofrimentos do Messias e a glória que viria após a sua Paixão" (1 Pe 1,11)

Mckenzie, John L, Dicionário Bíblico, Ed Paulinas, 1983

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