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«Domingo da Samaritana»
(4º Domingo depois da Páscoa)
Apolitikion da Ressurreição (4º tom)
Ouvindo do Anjo o alegre anúncio da Ressurreição,
que da antiga condenação nos libertou,
as discípulas do Senhor, disseram envaidecidas aos apóstolos:
a morte foi vencida, o Cristo Deus ressuscitou,
dando ao mundo a grande misericórdia!
Kondakion (4º tom)
Glória ao Pai †, ao Filho e ao Espírito Santo.
O Salvador e Redentor meu, sendo Deus,
rompeu as portas do Hades,
libertando de suas cadeias os habitantes da terra,
e, sendo Soberano, ressuscitou ao terceiro dia.
Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém
O mistério eternamente oculto
e dos anjos desconhecido,
através de ti, ó Mãe de Deus,
encarnando-se, apareceu na terra,
voluntariamente aceitou a Cruz,
e com ela ressuscitou o primeiro criado,
e salvou da morte as nossas almas.
Kondakion da Samaritana
A Samaritana, tendo ido com fé ao poço,
viu-Te, ó Água da Sabedoria;
e saciada por Ti,
a sua sede herdou o Reino Eterno do Céu.
Kondakion da Páscoa
Tendo descido ao túmulo, ó imortal,
Tu destruíste o poderio dos infernos
e levantaste-te como vencedor, ó Cristo Deus,
Tu, que disseste às mulheres miróforas: “Rejubilai”;
e aos Apóstolos, dás a paz,
Tu que ressuscitas aqueles que sucumbiram.
Prokimenon
Quão magníficas são as tuas obras, ó Senhor!
Fizeste com sabedoria todas as coisas.
Bendize, ó minha alma, o Senhor,
Senhor meu Deus, como és grandioso!
Epístola:« Fundação da Igreja de Antioquia».
At 11, 19-30
Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos
aqueles dias, aqueles que foram dispersados pela perseguição que houve no tempo de Estêvão chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, pregando a palavra só aos judeus. Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene, entrando em Antioquia, dirigiram-se também aos gregos, anunciando-lhes o Evangelho do Senhor Jesus. A mão do Senhor estava com eles e grande foi o número dos que receberam a fé e se converteram ao Senhor. A notícia dessas coisas chegou aos ouvidos da Igreja de Jerusalém. Enviaram então Barnabé até Antioquia. Ao chegar lá, alegrou-se, vendo a graça de Deus, e a todos exortava a perseverar no Senhor com firmeza de coração, pois era um homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. Assim uma grande multidão uniu-se ao Senhor. Em seguida, partiu Barnabé para Tarso, à procura de Saulo. Achou-o e levou-o para Antioquia. Durante um ano inteiro eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos. Por aqueles dias desceram alguns profetas de Jerusalém a Antioquia. Um deles, chamado Ágabo, levantou-se e deu a entender pelo Espírito que haveria uma grande fome em toda a terra. Esta, com efeito, veio no reinado de Cláudio. Os discípulos resolveram, cada um conforme as suas posses, enviar socorro aos irmãos da Judéia. Assim o fizeram e o enviaram aos anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo.
Aleluia
Aleluia, aleluia, aleluia!
Avança vitoriosamente
e reina por meio da verdade, da mansidão e da justiça,
e tua destra te conduzirá a coisas maravilhosas.
Aleluia, aleluia, aleluia!
Amaste a justiça e aborreceste a iniqüidade;
Por isso o Senhor teu Deus te ungiu com óleo de alegria,
de preferência aos teus companheiros.
Aleluia, aleluia, aleluia!
Evangelho: «Jesus e a Samaritana».
Jo 4, 5-41
Evangelho de Nosso Senhor Jesus † Cristo segundo o evangelista São João
aquele tempo, Jesus chegou, a uma localidade da Samaria, chamada Sicar, junto das terras que Jacó dera a seu filho José. Ali havia o poço de Jacó. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria tirar água. Pediu-lhe Jesus: «Dá-me de beber». (Pois os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos.) Aquela samaritana lhe disse: «Sendo tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana!»... (Pois os judeus não se comunicavam com os samaritanos.) Respondeu-lhe Jesus: «Se conhecesses o dom de Deus, e quem é que te diz: Dá-me de beber, certamente lhe pedirias tu mesma e ele te daria uma água viva». A mulher lhe replicou: «Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo... donde tens, pois, essa água viva? És, porventura, maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu e também os seus filhos e os seus rebanhos?» Respondeu-lhe Jesus: «Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede, mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. Mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água, que jorrará até a vida eterna». A mulher suplicou: «Senhor, dá-me desta água, para eu já não ter sede nem vir aqui tirá-la!» Disse-lhe Jesus: «Vai, chama teu marido e volta cá». A mulher respondeu: «Não tenho marido». Disse Jesus: «Tens razão em dizer que não tens marido. Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Nisto disseste a verdade». «Senhor», disse-lhe a mulher, «vejo que és profeta!... Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém que se deve adorar». Jesus respondeu: «Mulher, acredita-me, vem a hora em que não adorareis o Pai, nem neste monte nem em Jerusalém. Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade». Respondeu a mulher: «Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); quando, pois, vier, ele nos fará conhecer todas as coisas». Disse-lhe Jesus: «Sou eu, quem fala contigo». Nisso seus discípulos chegaram e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher. Ninguém, todavia, perguntou: Que perguntas? Ou: Que falas com ela? A mulher deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens: «Vinde e vede um homem que me contou tudo o que tenho feito. Não seria ele, porventura, o Cristo?» Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus. Entretanto, os discípulos lhe pediam: «Mestre, come». Mas ele lhes disse: «Tenho um alimento para comer que vós não conheceis». Os discípulos perguntavam uns aos outros: «Alguém lhe teria trazido de comer?» Disse-lhes Jesus: «Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra. Não dizeis vós que ainda há quatro meses e vem a colheita? Eis que vos digo: levantai os vossos olhos e vede os campos, porque já estão brancos para a ceifa. O que ceifa recebe o salário e ajunta fruto para a vida eterna; assim o semeador e o ceifador juntamente se regozijarão. Porque eis que se pode dizer com toda verdade: Um é o que semeia outro é o que ceifa. Enviei-vos a ceifar onde não tendes trabalhado; outros trabalharam, e vós entrastes nos seus trabalhos». Muitos foram os samaritanos daquela cidade que creram nele por causa da palavra da mulher, que lhes declarara: «Ele me disse tudo quanto tenho feito». Assim, quando os samaritanos foram ter com ele, pediram que ficasse com eles. Ele permaneceu ali dois dias. Ainda muitos outros creram nele por causa das suas palavras.
r a uma fonte pública para buscar água era função das jovens e das mulheres casadas como parte de seus afazeres domésticos. Geralmente elas se dirigiam à fonte muito cedo ou já no fim do dia. Neste episódio narrado pelo Evangelho vimos que a Samaritana, ao contrário do uso costumeiro, foi ao meio-dia buscar água na fonte, provocando circunstancialmente um encontro com o Senhor.
O diálogo travado entre eles, enveredou por caminhos que levaram a Samaritana a constatar que estava diante de alguém extraordinário, possuidor de dons especiais por “adivinhar” sua vida pregressa. «Vejo que és um profeta», diz a Samaritana a JESUS.
Já a Leitura dos Atos dos Apóstolos revela-nos que foi em Antioquia que pela primeira vez os seguidores do Senhor foram chamados de cristãos. (At 11,28) Desde então todos batizados trazem este nome.
Estes pontos convidam-nos a refletir sobre a estreita ligação entre a água e o Batismo.
As Sagradas Escrituras reconhecem a importância da água para o homem e ressaltam seu simbolismo na História da Salvação. No livro do Gênesis, o autor sagrado descreve que «o Espírito de Deus pairava sobre as águas» (Gn 1,2); em seguida, o Dilúvio, que põe fim aos vícios e pecados e dá a Noé a missão de perpetuar uma nova humanidade (Gn 6,5); depois, Moisés é salvo das águas do Rio Nilo (Ex 2,10); no Rio Jordão, Naamã é curado da lepra (2R 5, 1-19).
No Novo Testamento Jesus é batizado por João Batista no Jordão (Mt 3,13-17); Jesus caminha sobre as águas (Mt 14, 22-33); convida a saciar a sede: “Se alguém tem sede, que venha a mim e beba... pois jorrarão rios de água viva” (Jo 7,37) e diz na liturgia deste Domingo à Samaritana: “O que beber da água que eu lhe der, jamais terá sede, mas a água que eu lhe der virá a ser nele fonte de água que jorrará até a Vida Eterna”. (Jo 4,14)
No Batismo cristão, a água é a matéria pela qual o Espírito Santo por meios sensíveis e visíveis se faz presente, dando a pessoa nova identidade. A pertença a uma Comunidade, à filiação divina e à herança eterna faz com que os cristãos que passaram pela água viva do batismo também sejam identificados como a “raça eleita”, o “povo escolhido”.
A Samaritana, admirada por ter conhecido Aquele que era tão esperado pelo povo de Israel, apressadamente correu ao encontro dos seus para anunciar que conhecera o “Enviado”, o “Messias Prometido”. Ao ter contato com a Água Viva ela não se estagnou, pelo contrário, anunciou aquele encontro aos demais, dando início a uma nova vida, porque experimentou o agradável prazer de saciar sua sede espiritual, diretamente da fonte da qual jorra água viva. Nós, os batizados, devemos da mesma forma, viver com alegria de coração, a grandeza de sermos chamados cristãos. Se pela primeira vez fomos chamados de cristãos em Antioquia, hoje parece já não mais existir lugar onde não estejamos presentes. Basta o testemunho!
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