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Domingo, 9 de Março:

 
 
 

E C C L E S I A
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«Domingo do Perdão»

ou da Abstinência de Lacticínios

(7º antes da Páscoa)

Apolitikion (8º tom)

Desceste das alturas, ó Misericordioso,
e suportaste a sepultura por três dias
para nos libertar dos sofrimentos.
Senhor, nossa vida e nossa ressurreição, glória a Ti!

Kondakion Próprio

Tu, Senhor, Orientador para a sabedoria e Doador da prudência,
Mestre dos ignorantes e amparo dos desafortunados,
fortalece meu coração e dota-o de compreensão.
Dá-me o poder da palavra, ó Verbo do Pai,
pois não deterei meus lábios para te aclamar:
Tem piedade de mim, ó Misericordioso!

Prokimenon

Cantai salmos ao nosso Deus, cantai!
Cantai salmos ao nosso Rei, cantai!

Nações, aplaudi todas com as mãos,
aclamai a Deus com vozes alegres!

EPÍSTOLA

Hb 12,1-10 (do santo do dia)

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Hebreus

rmãos, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, joguemos fora todo peso e o pecado que nos assedia. Corramos com perseverança para o combate que nos cabe, de olhos fitos no autor e consumador da fé, Jesus. Em vista do gozo, que se lhe oferecia, suportou a cruz sem fazer caso da ignomínia e está sentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente aquele que sofreu tantas contrariedades dos pecadores contra sua pessoa para não cairdes em cansaço nem desfalecerdes em desânimo. Ainda não resististes até ao sangue em vossa luta contra o pecado. Estais esquecidos da palavra de ânimo que vos é dirigida como a filhos: Meu filho, não menosprezes a correção do Senhor nem desfaleças quando repreendido por ele. Pois o Senhor castiga a quem ama e açoita todo aquele que recebe como filho. Estais sendo provados para vossa correção. E Deus que vos trata como filhos. Pois qual é o filho que o pai não corrige? Mas, se permanecêsseis sem correção, que é comum a todos, seríeis bastardos e não filhos legítimos. Ainda mais: aceitávamos que nossos pais segundo a carne nos corrigissem, e os respeitávamos. Quanto mais não nos devemos submeter ao Pai dos espíritos a fim de vivermos? Os primeiros nos educaram para pouco tempo segundo sua conveniência, ao passo que, este o faz para nosso bem, para nos comunicar sua santidade.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!

Junto de Ti, Senhor, me refugiei;
não seja eu confundido para sempre,
por tua justiça, livra-me!

Aleluia, aleluia, aleluia!

Sê para mim um Deus protetor
e uma casa de refúgio que me abrigue.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho

Mt 6, 14-21

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo o evangelista São Mateus

aquele tempo, o Senhor disse: «Se vós perdoardes aos outros as suas faltas, vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. Mas, se vós não perdoardes aos outros, vosso Pai também não perdoará as vossas faltas. Quando jejuardes, não fiqueis de rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para figurar aos outros que estão jejuando. Em verdade vos digo: já receberam sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não vejam que estás jejuando, mas somente teu Pai, que está no escondido. E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa. Não ajunteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e os ladrões assaltam e roubam. Ao contrário, ajuntai para vós tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, nem os ladrões assaltam e roubam. Pois onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração».

 

Pe. Pavlos Tamanini

AQuaresma, é o tempo em que a Graça de Deus se manifesta com maior intensidade ante nossos olhos, uma vez que a liturgia, as orações, os jejuns e a penitência contribuem muito para que sintamos em nossas vidas a misericórdia divina, o perdão que nos é dado e um convite à conversão contínua. É o tempo da espera, da meditação, do silêncio. É um tempo onde o exterior torna-se secundário diante da realeza que se descobre ao penetrarmos nossa interioridade. É tempo de parar, de refletir, de meditar, de silenciar os ruídos do dia-a-dia, para ouvir atentamente o que o Senhor nos fala.

A Quaresma é o tempo do deserto e da ausência. Experienciamos o vazio, a solidão, o abandono das coisas mundanas, experenciamos a ausência do barulho e das preocupações que assolam a nossa vida, para nos encontrar conosco mesmos. É o retiro tão necessário para a edificação de nossa vida espiritual.

"Em cada pedra vejo um sinal da presença de Deus, e a ausência dos ruídos, que poderiam me afastar do Senhor. Em cada noite escura me agasalho na proteção do Altíssimo, sentindo apenas que o Senhor me envolve com sua mão poderosa" . (Santo Epifânio, monge e bispo de Chipre)

O tempo do "deserto" nos torna conscientes de nossa realidade mais essencial: somos filhos amados de Deus no seu Filho, feitos à imagem e semelhança, d'Ele, nosso Criador.

A necessidade de recuperarmos esta "imagem e semelhança" nos inquieta e nos move em direção ao "deserto". Necessitamos nos encontrar com o Pai e nos identificar com Ele. A Quaresma é o tempo propício para este encontro que nos faz recuperar a consciência de nossa verdadeira e mais profunda identidade. Não somos do mundo mas estamos no mundo, para transformá-lo. Fermento na massa, como disse Nosso Senhor. Tomar consciência de nossa verdadeira natureza nos faz pessoas diferentes.

O Perdão é o tema central do Evangelho deste Domingo que também é conhecido como "Domingo da Abstinência de Laticínios". A Igreja, Mãe e Mestra, propõe a seus filhos que se abstenham de certos alimentos, não para nos punir, mas para nos educar, porque nos ama a todos. Uma das grandes dimensões do amor verdadeiro, além das manifestações singelas de carinho e afeto, é a correção. A Igreja nos ama como filhos. Amando-nos nos corrige para nos levar à santidade. Se deixarmos nossas vontades agirem livremente, aos poucos, nos tornaremos seus escravos. Deixar de comer carne ou produtos derivados do leite não são apenas preceitos, mas atitudes que podem revelar o quanto somos dominados ou não pelas inclinações da carne. O excesso de comida ou de bebida "destrói a obra de Deus", nos diz o apóstolo Paulo. (Rm 14). Na Epístola deste domingo, o mesmo apóstolo nos admoesta: "Despojemo-nos, pois, das obras das trevas e nos revistamos das armaduras da luz. Revesti-vos do Senhor Jesus e não façais caso da carne para satisfazer os apetites. "(Rm 13).

O Pai misericordioso está sempre pronto a estender a todos o perdão divino. No entanto, a condição para merecê-lo, é que também nós estejamos prontos a estender o mesmo perdão aos nossos irmãos devedores. No gesto de perdão, revelamos nossa identidade de cristãos, manifestando a misericórdia de nosso Deus. Perdoar é alcançar o estágio mais elevado do amor pelo inimigo. É o amor que cura as feridas e restaura nossas dores a partir de dentro. Amar nossos inimigos, preceito máximo da doutrina de Jesus, é ser capaz de perdoar os que nos causaram o mal. O perdão substituiu a vingança e a justiça baseada nas mensurações puramente humanas, pelo amor. O perdão se baseia na lei do Amor, por isso muitas vezes não é compreendido.

Artur da Távola, teólogo e filósofo da atualidade, em crônica publicada no jornal O Dia do Rio de janeiro em 28 de março de 2002 com título: "Como é difícil perdoar!" nos faz uma triste constatação logo no início: diz o autor: "Pouca gente, mesmo entre cristãos, compreende o sentido profundo do perdão. A maioria pensa que é forma de anistia do sentimento, ato interno capaz de compreender o ofensor e desculpá-lo no fundo do coração misericordioso.

Este primeiro degrau do perdão já é difícil de ser galgado. E a propósito da Semana Santa, quero dizer o seguinte: O verdadeiro sentido da revolução cristã do perdão, porém, é outro, e bem mais radical: mais que ausência de ódio no coração do ofendido, o perdão é ação de amor na direção do ofensor.

O cristianismo é tão revolucionário que exige do ser humano não apenas a grandeza de compreender e desculpar o ofensor, mas a capacidade de amá-lo. Perdoar é per+doar, isto é, "doar amor através (per) do ofensor".

«Perdoar é doar amor através do ofensor»

uem doa amor ao ofensor dá-lhe as condições profundas de contrição, compunção, compaixão e arrependimento, os quatro caminhos através dos quais o ser humano pode renascer de si mesmo e das trevas, trocando a morte pela vida.

Por ser o gesto mais difícil e elevado, o perdão é a única forma de permitir ao ofensor a entrada de amor no seu coração. Qualquer forma de cobrança, punição e vingança aferra a crueldade do ofensor e, de certa forma, fá-lo sentir-se justificado. A doação objetiva e concreta de amor poderá não ser eficaz, adiante, porém é a única forma através da qual o ofensor tem a chance de se arrepender sinceramente e reencontrar um caminho que lhe faz falta e é a única maneira de se redimir, crescer como pessoa, transformar-se.

Ser bom, fazer-se seguidor das religiões, sentir-se justo, fraterno, solidário, honesto, tudo isso - embora exija esforços - é relativamente fácil e em geral alimenta o ego. Difícil é perdoar o ofensor, não apenas desculpando-o, mas sendo capaz de o amar na integralidade do seu ser. Por isso, aliás, o cristianismo em essência encontra tanta dificuldade de se implantar entre os homens: exige a descoberta da grandeza humana, da virtude no sentido de exercício da única força capaz de mudar o mundo: o amor real. Não há revolução maior. Quem é capaz?

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