Site Oficial do Patriarcado Ecuimênico de Constantinopla Voltar à Página Inicial Contate-nos buscador em www.ecclesia.com.br Acesso (restrito) ao webmail ecclesia  
Voltar à Página Inicial Novidades e Atualizações
Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas
Seleção de Textos Relacionados
Galeria de Fotos
Seleção de Ícones Bizantinos
Pedido de Oração à Comunidade Monástica São João, o Teólogo - São José - SC (Brasil)
Links Relacionados
SINAXE - Suplemento Litúrgico para os Domingos e Grandes Festas

Domingo, 20 de Janeiro:

 
 
 

E C C L E S I A
Buscar na Web

 
Os 10 Leprosos

«12º Domingo do Evangelho de Lucas»

 

Apolitikion (1º tom)

Embora a pedra fosse selada pelos judeus
e teu puríssimo corpo fosse guardado pelos soldados.
Ressurgiste, porém, ao terceiro dia, ó Salvador,
dando a vida ao mundo!
Por isso, as Potências Celestes clamaram-te, ó Autor da vida:
Glória a tua ressurreição, ó Cristo!
Glória a tua realeza,
glória a tua providência, ó Tu que amas a humanidade!

Kondakion (1º tom)

Glória ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo.

Tu, sendo Deus, te levantaste do túmulo,
e devolveste a vida ao mundo;
a natureza humana, por isso te louva:
a morte foi vencida, Adão se regozija, ó Mestre,
e Eva, liberta agora das cadeias da morte, com alegria exclama:
Tu, Cristo, és o que a todos dá a Ressurreição!

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Quando Gabriel te saudou, ó Virgem, dizendo: "alegra-te!"
e com sua voz, o Salvador encarnou-se em ti, tabernáculo santo;
e, como falava o Justo Davi: "veio do céu trazendo o Criador de tudo",
glória Àquele que habita em ti,
glória Àquele nascido de ti e que nos libertou!

Prokímenon

Desça sobre nós, Senhor, a tua misericórdia
conforme nossa esperança em Ti.

Exultai, ó justos, no Senhor,
pois aos retos convém o louvor.

Epístola

Col 3, 4-11

Leitura da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios

I rmãos, Deus, que disse: “das trevas brilhe a luz”, foi quem fez brilhar a luz em nossos corações para darmos a conhecer a ciência da glória de Deus na face de Jesus Cristo. Um tal tesouro nós o trazemos em vasos de barro. para que apareça claramente que este extraordinário poder provém de Deus e não de nós. De mil maneiras somos pressionados mas não desanimamos. Vivemos perpiexos. mas não desesperamos, perseguidos, mas não desamparados. Somos abatidos até ao chão mas não aniquilados, trazendo sempre no corpo a morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. Embora vivos, estamos sempre morrendo por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal. Assim em nós opera a morte, em vós, a vida. Animados deste mesmo espírito de fé, conforme está escrito: Cri, por isso falei, também nós cremos e por isso falamos. Pois sabemos que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também a nós com Jesus e nos fará comparecer diante dele convosco. E tudo isso acontece por vossa causa, para que a graça dada a muitos cresça em ação de graças para a glória de Deus.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!

Deus assegura a minha vitória
e me submete os meus adversários.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Salva maravilhosamente seu servo
e usa de misericórdia com seu ungido.
Aleluia, aleluia, aleluia!

Evangelho:

Lc 17, 12-19

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo o evangelista São Lucas

Naquele tempo, Jesus estava para entrar num povoado, quando dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam a certa distância e gritaram:
Jesus, Mestre, tem compaixão de nós! Ao vê-los, Jesus disse: Ide apresentar-vos aos sacerdotes. Enquanto estavam a caminho, aconteceu que ficaram curados. Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; caiu de rosto aos pés de Jesus e Lhe agradeceu. E este era um samaritano. Então Jesus lhe perguntou: Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro? E disse-lhe: Levanta-te e vai! Tua fé te salvou.

Pe. Pavlos Tamanini

«O homem atingido pela lepra andará com as vestes rasgadas, os cabelos em desordem e a barba coberta, gritando: 'Impuro! Impuro!' Durante todo o tempo em que estiver leproso será impuro; e, sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento» [...]

(Lev 13, 45-46)

Esta era a situação a que os enfermos de lepra deveriam se submeter, segundo os códigos religiosos do Templo. Os doentes não tinham outra identidade além da lepra; a doença vergonhosa que os cobria desestruturava-os socialmente, fazendo com que fossem marginalizados. Estavam condenados a viver à distância, fora dos povoados, em bairros afastados do resto da população, não podendo manter contato com ela, nem assistir às cerimônias religiosas.

Além desta doença terrível, os samaritanos traziam o jugo do desprezo pelo simples fato de povoarem a região da Samaria, região central da Palestina. Entre samaritanos e judeus, existia uma forte rivalidade que remontava ao ano 721 a. C. Neste ano, o imperador Sargão II tomou militarmente a cidade da Samaria e deportou para a Assíria a mão-de-obra qualificada, povoando a região conquistada com colonos assírios, como conta o segundo livro dos Reis (cap. 17). Com o decorrer do tempo, estes colonos se misturaram com a população da Samaria, dando origem a uma raça mista que, naturalmente, mesclou também as crenças.

Por esta razão a Samaria era considerada pelos judeus como uma região diferente, com uma população de sangue misturado (por isso impuro) e sincréticos. Chamar um judeu de "samaritano" era um grave insulto.

Jesus

Nada, no entanto, incomodava mais ao povo judeu do que a relação de Jesus com os samaritanos. Esse era um povo odiado pelos judeus. Suas relações eram tão hostis que o evangelista São João, o Teólogo, se vê obrigado a explicar: "...os judeus não se davam com os samaritanos" (Jo 4.9). Esta hostilidade não se enraizava nas diferenças sociais como acontecia nas suas relações com o povo romano. Não eram diferenças morais como no caso dos publicanos e prostitutas, nem tampouco diferenças geográficas, como as que nutriam em relação ao resto do mundo (os gentios). O que tornava essa relação tão amarga eram suas diferenças religiosas. Parece que nada divide tanto as pessoas quanto suas convicções religiosas.

Este é o panorama encontrado por Jesus, ao passar pela Samaria e Galiléia. Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam à distância, e gritaram: "'Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!' E, ao vê-los, Jesus disse: 'Ide apresentar-vos aos sacerdotes'. Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados".

Uma das funções do sacerdote do Templo era diagnosticar certas enfermidades que, por serem contagiosas, exigiam que o enfermo se retirasse por um tempo da vida pública para não contagiar outros com sua infecção. Uma vez curado, este devia apresentar-se ao sacerdote para que lhe desse uma espécie de certificado de cura que lhe permitisse a reintegração na sociedade, através de um ritual que exigia o sacrifício de um animal.

Mas o relato do Evangelho não termina com a cura. "Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e Lhe agradeceu. E este era um samaritano. Então Jesus lhe perguntou: 'Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?' E disse-lhe: 'Levanta-te e vai! Tua fé te salvou!'" (Lc 17, 11-17).

A consciência de ter sido curado fez do samaritano um homem agradecido. Enquanto os outros nove foram cumprir o preceito religioso de mostrar ao sacerdote sua cura, o samaritano privilegiou a ação de graças e o louvor. Coube a ele o reconhecimento mais perfeito, pois, liberto de sua enfermidade, estava livre para manifestar sentimentos de adoração agradecida, ajoelhando-se diante de Jesus para glorificar a Deus (vv.15-16).

Quando o samaritano não mais viu suas feridas em seu corpo, seu olhar fixou naquele que o curou . O agradecimento ou ação de graças brotou, então, de um coração também curado, um coração novo, liberto das feridas e das chagas, capaz de reconhecer o agir divino e de atitudes concretas de agradecimento.

Um coração contrito e humilde é o que quer o Senhor nosso Deus e não sacrifícios e holocaustos. O agradecimento brota do coração do homem simples, humilde e contrito, ciente dos limites que lhe são próprios. Por isso, nelas Deus se faz morada. O orgulhoso não tem tempo para agradecer, preferindo mostrar aos outros sua cura externa, ocultando o verdadeiro autor deste prodígio. Para este será sim necessário oferecer sacrifícios em holocausto, pois não se encontra liberto da velha lei que oprime. Sua cura exterior se realizou, mas o coração que carrega o orgulho e a vaidade, continua doente, não se abriu à graça da cura. Para o samaritano, sua contrição e humildade substituíram qualquer outro sacrifício.

Fontes de Consulta:

WACH, Joaquim - Sociologia da Religião. Ed. Paulinas - S.Paulo, 1990
GUTIERREZ, Gustavo - O Deus da Vida. Ed Loyola - S.Paulo, 1990

Voltar à página anterior Ir ao topo

© 2004-2008 ECCLESIA Brasil

| Home | Igreja Ortodoxa | Patriarcado Ecumênico | Arquidiocese Grega | Monte Athos |
|
Calendário Ortodoxo | Canto Litúrgico Bizantino | Livro de Visitas | Links | N E W S |